17 October 2025

 "The Avant Garde"
 
(sequência daqui) A propósito de "Everybody Laughs" ("Everybody's going through the garbage, looking for inspiration, someone find it staring at the ceiling, of the subway station"), uma captura caleidoscópica e alegre da sociedade - que poderia ser protagonizada pela figura de careto psicadélico criada pelo artista belga Tom Van Der Borght para carnavalizar a encenação -, Byrne explica-se: "Alguém que conheço disse-me: 'David, usas muito a palavra 'todos'. Suponho que o faça para dar uma visão antropológica da vida em Nova Iorque tal como a conhecemos. Todos vivem, morrem, riem, choram, dormem e olham para o tecto. E todos calçam os sapatos dos outros, o que não acontece realmente com todos, mas eu já o fiz. Tentei cantar sobre algumas coisas que podem ser vistas como negativas com uma sensação de elevação proporcionada pelo ritmo e pela melodia. Especialmente no final, quando a St. Vincent e eu desatamos aos gritos e a cantar muito juntos", continuou. "A música tem esse poder de acomodar opostos em simultâneo". É verdade. Recordando a sua longa relação com o funk e o afrobeat, Byrne combina texturas orquestrais e agilidade rítmica e abraça o contraste: arranjos de câmara que colidem com percussão inquieta, momentos de intimidade que explodem em iluminação carnavalesca.

No comments: