05 June 2026

NO JARDIM DO PARAÍSO
Quando, após a Revolução Francesa de 1789, os revolucionários vitoriosos encarregaram o padre católico Henri Grégoire de estudar as línguas regionais, o seu relatório de 1794 tornar-se-ia a pedra angular das políticas que proibiam o uso de qualquer língua além do francês na vida pública, no ensino e nas escolas. Apesar disso, estas línguas continuaram a ser faladas nos bairros operários, nas fábricas, nas docas e nas zonas rurais fora de Paris. É, numa delas, o occitano, que, desde a sua formação em 2014, as Cocanha - isto é, Caroline Dufau e Lila Fraysse - têm vindo a reinventar a música da Gasconha, do Languedoc e dos Pirenéus, a partir do trabalho sobre fragmentos do repertório tradicional. E foi a partir do contacto com os Carmina Burana – essa opulenta colecção de poemas e canções de Goliardos, libérrimos monges devassos medievais – que tropeçaram na primeira referência ao País de Cocanha: uma terra imaginária de liberdade e abundância, "onde se prestava culto ao prazer e ao ócio, e o trabalho e a velhice eram desconhecidos". Algo como um jardim do paraíso pagão no qual, segundo se explica em Cocanha - A História de Um País Imaginário (de Hilário F. Júnior), "os cocanianos passam a vida a comer, beber e fazer sexo. A fundirem-se com a Natureza. Logo, a Cocanha não é uma festa qualquer, é um tipo especial, é a festa por excelência, uma orgia".  (daqui; segue)

"Diuré Samsir"
A felicidade da escravatura (IX)