(sequência daqui) Em pouco tempo de instantânea actividade dos Lovin' Spoonful, haviam colonizado as tabelas de vendas norte-americanas e dado resposta convincente à British Invasion. Mas, bem mais importante do que isso, nos 4 anos de existência da banda (1965-1969), num percurso com raízes no revivalismo folk de Greenwich Village, vitaminado pelo rock, os blues, e o espírito das jug bands, The Lovin’ Spoonful ocupariam um espaço de experimentalismo que, à época, à excepção dos Beatles, mais ninguém ousara reivindicar. "Do You Believe In Magic", "You Didn’t Have To Be So Nice", "Daydream", "Did You Ever Have To Make Up Your Mind?" ou "Summer In The City" são os títulos que mais depressa ocorrem. A missão da caixa de 7 CD What A Day For A Daydream - The Complete Recordings 1965-1969 é, porém, demonstrar, de uma vez por todas, por que motivo os Spoonful eram a banda à qual Neil Young sonhava pertencer, a quem Woody Allen encomendou a banda sonora da sua estreia What's Up, Tiger Lily? (1966) e que Robert Forster (Go-Betweens) considerou um dos 4 pilares sobre os quais assenta o seu álbum de 2025, Strawberries.
19 May 2026
26 October 2025
24 November 2024
MEA MAXIMA CULPA (VII)
(publicado no nº 11 da "Granta")
(sequência daqui) Mas verdadeieamente sísmico foi o encontro imediato com os Rollerskate Skinny! No "field report", relataria quase telegraficamente "um concerto de rock flamejante (como em 'gótico flamejante') construído sobre um 'patchwork' de Sonic Youth na técnica de esforço dos materiais, Echo & The Bunnymen na complexidade da arquitectura, Pixies na disciplina formal e Neil Young no arrojo clássico, num somatório elevado à milésima potência". Porém, escutado Horsedrawn Wishes (1996), não houve hipérbole insuflada que bastasse para traduzir o estado alterado de consciência por via exclusivamente sonora. Começava — evidentemente — com "Toca-me então a mim finalmente dizer: eu vi o futuro da pop e ele chama-se Rollerskate Skinny!" e terminava, claro, bradando "Peço imensa desculpa mas este não é o meu álbum do ano, estou a reservar-lhe o lugar da década. Quanto ao século, se não se importam, dêem-me mais algum tempo para pensar". Pelo meio, avistava "uma prodigiosa (estou a pesar bem as palavras) montagem de 30 anos de pop, aos quais o trio de 'dubliners' extraiu todas as fibras vivas e, como Frankensteins competentes, a partir delas criou um novo organismo (...), rebuçados de melodia embrulhados em esquadrias de ruído, cenários surreais atravessados por intromissões lunares, moinhos sonoros e corais docemente labirínticos. Um edifício construído como uma catedral medieval desenhada por um Hyeronimus Bosch que trabalhasse para Walt Disney, com tanto de arte pop como de iluminura gótica (...), 'flashes' de Pet Sounds e o género de caótico bricabraque psicadélico de alquimistas esotéricos como Van Dyke Parks e os XTC. Queiram perdoar a miserável limitação das referências: aqui também há Gershwin, Pixies, Steve Reich, música concreta, Glenn Branca, Kevin Ayers e Ramones. Muito raras vezes 12 composições fizeram tão perfeito sentido de modo a ser absolutamente impossível excluir umas ou destacar outras. Aquilo com que muitos outros sonharam, os Rollerskate Skinny realizaram".
03 November 2024
24 June 2024
15 May 2024
15 March 2024
LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (XCII)
26 February 2024
LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (XCI)
15 September 2023
07 September 2023
TRABALHAR PARA A MUSA
Num daqueles momentos charneira em que, na data, se torna obrigatório passar a colocar um "antes de" e "depois de" – falo de 2004 e da finalmente concretizada restauração de Smile, de Brian Wilson/Beach Boys –, veio bastante a propósito explorar e inventariar o que restaria ainda de tesouros ocultos numa era em que a Net desvendara já muito do que (entre "bootlegs", "lost albums", pepitas de lado B e infinitas outras raridades) alimentara a imaginação de duas ou três gerações de fãs. E, por aí, foram sendo exumados projectos nunca, até então, concretizados ou ignorados. Foi o caso de Household Objects, dos Pink Floyd (1973): após o sucesso planetário de Dark Side Of The Moon, Waters, Wright, Mason e Gilmour, ocuparam-se com a gravação da sonoridade de objectos domésticos – copos de vidro, caixas de cartão, elásticos, tiras de borracha... – para o que poderia ter sido, mas nunca foi, um encontro entre rock e "musique concrète". (daqui; segue para aqui)
26 February 2023
31 January 2023
28 January 2023
26 January 2023
COMO UMA COISA ACIDENTAL
Sonoros mugidos de vacas sonolentas a pastar enquanto um jipe, serpenteando pelo meio do campo, se aproxima de um celeiro perdido na paisagem. Os dois ocupantes param e dirigem-se para o interior do celeiro. Um deles é Neil Young, não ainda com o actual aspecto de Cro-Magnon idoso embora, já nessa altura, em 1971, não fosse impossível antevê-lo. Ele próprio, hoje, não parece muito seguro da sua idade. Falando a propósito da reedição de Harvest em curso, diz: “Foi um álbum importante para mim. Há 50 anos, tinha 24, talvez 23 anos, e esse álbum marcou uma grande diferença na minha vida”. Na verdade tinha 26 anos (nasceu em Novembro de 1945, o disco foi gravado em 1971 e publicado em Fevereiro de 1972) e, se também afirma que “é fantástico que tenha resistido tão bem ao tempo”, esse é outro assunto acerca do qual a sua opinião não foi constante: nas "liner notes" da compilação Decade (1977) classificava-o como “uma aberração comercial”. (daqui; segue para aqui)
08 January 2023
2022 - REEDIÇÕES, COMPILAÇÕES, ATRASADOS, LIVROS, FILMES, EXPOSIÇÕES, FORA DO BARALHO & O FUNDO DO BAÚ
The Divine Comedy – Charmed Life
Macie Stewart - Mouth Full Of Glass
Bob Dylan - The Philosophy Of Modern Song
Catherine Belton - Os Homens de Putin
Pessoa: Uma Biografia - Richard Zenith
Moonage Daydream - Real. Brett Morgen
14 December 2022
(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 37)
Daniel Rossen - You Belong There
Stick In The Wheel - Perspectives On Tradition
* a ordem é razoavelmente arbitrária.


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