Showing posts with label Neil Young. Show all posts
Showing posts with label Neil Young. Show all posts

19 May 2026

(sequência daqui) Em pouco tempo de instantânea actividade dos Lovin' Spoonful, haviam colonizado as tabelas de vendas norte-americanas e dado resposta convincente à British Invasion. Mas, bem mais importante do que isso, nos 4 anos de existência da banda (1965-1969), num percurso com raízes no revivalismo folk de Greenwich Village, vitaminado pelo rock, os blues, e o espírito das jug bands, The Lovin’ Spoonful ocupariam um espaço de experimentalismo que, à época, à excepção dos Beatles, mais ninguém ousara reivindicar. "Do You Believe In Magic", "You Didn’t Have To Be So Nice", "Daydream", "Did You Ever Have To Make Up Your Mind?" ou "Summer In The City" são os títulos que mais depressa ocorrem. A missão da caixa de 7 CD What A Day For A Daydream - The Complete Recordings 1965-1969 é, porém, demonstrar, de uma vez por todas, por que motivo os Spoonful eram a banda à qual Neil Young sonhava pertencer, a quem Woody Allen encomendou a banda sonora da sua estreia What's Up, Tiger Lily? (1966) e que Robert Forster (Go-Betweens) considerou um dos 4 pilares sobre os quais assenta o seu álbum de 2025, Strawberries.

26 October 2025

Crosby, Stills, Nash & Young - "Ohio"

(ver também aqui)
INVOLUÇÃO
Uma montagem aluada de velhos filmes de arte granulados, máscaras de borracha e espectáculos (dizer "concertos" seria impossivelmente generoso) em que uma hipotética banda parece metade genial e metade demente. É esta a porta que, subitamente, se escancara para nos permitir ser testemunhas da alucinação que parecia ser o modo de vida habitual dos Devo, criaturas que, desde o início, não se dedicavam exclusivamente à música: encenavam também performances absurdas que se diria concebidas durante um ensaio científico que não correu da melhor maneira. Porém, por trás do aparente disparate galopante, existia uma origem surpreendentemente séria. Os fundadores dos Devo, Gerald Casale e Mark Mothersbaugh, eram estudantes em Kent State, no Ohio, aquando dos tiroteios de 4 de Maio de 1970, e assistram à morte de amigos às mãos da Guarda Nacional. Neil Young escreveria a canção 'Ohio' e com os mui próximos Crosby, Stills & Nash, rapidamente a gravou e publicou fazendo vibrar as palavras "Four Dead In Ohio" como hino da oposição à guerra do Vietname. Os Devo, pelo seu lado, em vez de se converter em filósofos soturnos, transformariam o trauma em sátira, constituindo uma banda que desmontava o conformismo, a política vigente e o consumismo, assumindo o aspecto de equipa de mecânicos de um mundo distópico que, por acaso, entrassem num estúdio de televisão (daqui; segue para aqui)

24 November 2024

MEA MAXIMA CULPA (VII)

(publicado no nº 11 da "Granta")

(sequência daqui) Mas verdadeieamente sísmico foi o encontro imediato com os Rollerskate Skinny! No "field report", relataria quase telegraficamente "um concerto de rock flamejante (como em 'gótico flamejante') construído sobre um 'patchwork' de Sonic Youth na técnica de esforço dos materiais, Echo & The Bunnymen na complexidade da arquitectura, Pixies na disciplina formal e Neil Young no arrojo clássico, num somatório elevado à milésima potência". Porém, escutado Horsedrawn Wishes (1996), não houve hipérbole insuflada que bastasse para traduzir o estado alterado de consciência por via exclusivamente sonora. Começava — evidentemente — com "Toca-me então a mim finalmente dizer: eu vi o futuro da pop e ele chama-se Rollerskate Skinny!" e terminava, claro, bradando "Peço imensa desculpa mas este não é o meu álbum do ano, estou a reservar-lhe o lugar da década. Quanto ao século, se não se importam, dêem-me mais algum tempo para pensar". Pelo meio, avistava "uma prodigiosa (estou a pesar bem as palavras) montagem de 30 anos de pop, aos quais o trio de 'dubliners' extraiu todas as fibras vivas e, como Frankensteins competentes, a partir delas criou um novo organismo (...), rebuçados de melodia embrulhados em esquadrias de ruído, cenários surreais atravessados por intromissões lunares, moinhos sonoros e corais docemente labirínticos. Um edifício construído como uma catedral medieval desenhada por um Hyeronimus Bosch que trabalhasse para Walt Disney, com tanto de arte pop como de iluminura gótica (...), 'flashes' de Pet Sounds e o género de caótico bricabraque psicadélico de alquimistas esotéricos como Van Dyke Parks e os XTC. Queiram perdoar a miserável limitação das referências: aqui também há Gershwin, Pixies, Steve Reich, música concreta, Glenn Branca, Kevin Ayers e Ramones. Muito raras vezes 12 composições fizeram tão perfeito sentido de modo a ser absolutamente impossível excluir umas ou destacar outras. Aquilo com que muitos outros sonharam, os Rollerskate Skinny realizaram".

Seis meses mais tarde, no entanto, no balanço de final do ano, acalmada a extra-sístole e controlada a temperatura corporal, limitavam-se a surgir numa lista de 20 "clássicos, neoclássicos e estetas da colagem alucinada nos vários sectores do espectro pop/rock" que "através de reedições e novas publicações (...) marcaram distâncias em relação ao revisionismo puro e simples de que o 'britpop' se arvorou em paladino". Horsedrawn Wishes, segundo álbum da banda cujo nome fora subtraído a uma frase de The Catcher In The Rye, de J. D. Salinger ("She's quite skinny, like me, but nice skinny, rollerskate skinny") seria também o último. Várias vezes me interroguei se não me teria transformado num involuntário lançador de mau olhado sobre indefesos jovens génios irlandeses. (segue para aqui)

03 November 2024

"Patterns"
 
(sequência daqui) Na verdade, não será exactamente assim. Quando Sir Charles William Somerset Marling (o tal 5º baronete de Marling), mal Laura tinha completado 6 anos, se dispôs a ensinar-lhe os rudimentos da guitarra acústica, a primeira canção que aprendeu foi "The Needle And The Damage Done", de Neil Young, mais uma lista de TPC que incluía Bert Jansch e James Taylor e, hoje, se estende até Townes van Zandt e ajoelha perante o intocável Leonard Cohen ("Cohen foi um poeta de extraordinária elegância, um dos raros realistas-românticos, um género a que fui buscar inspiração para as minhas ainda curtas vida e carreira. O universo lírico dele é tão intenso, melancólico e solitário... mas, crucialmente, nunca isolado. É um 'storytelling' moderno, uma turbulência romântica adulta. Sempre o imaginei com 30 e tal anos, de fato completo, sempre olhando amavelmente para o mundo, interrogando-se sobre como caminhar nele, reflectindo sobre a sua última paixão e guardando espaço no coração para a seguinte"). Foi essa a Laura Marling que, aos 16 anos, trocou o Hampshire por Londres, mais exactamente pela nu-folk scene - Johnny Flynn, Mumford & Sons ou Noah & The Whale - que, na segunda metade dos anos 00, fervilhava no microscópico clube Bosun’s Locker, em Fulham. Porém, a pálida musa que, um atrás do outro, foi despedaçando corações no pequeno oásis folk, a partir de determinado ponto, sentiu-se desconfortável com o colectivismo instituido: "Tocar com toda a gente, ao mesmo tempo, tornava tudo demasiado homogéneo. Tinha de fazer coisas diferentes. Senti que a minha música estava a ficar igual à de todos os outros e queria que, para mim, ela fosse especial. Não era capaz de funcionar dentro de um gang, tinha um grande ego. Desejava ser única". (segue para aqui)

24 June 2024

 
(sequência daqui) Na verdade, se todos os álbuns de Richard Thompson tivessem o título - Watching The Dark - da caixa-compilação de 1993, não seria motivo de escândalo. Neste Ship To Shore - sucessor de 13 Rivers, de 2018 -, as cartas são colocadas na mesa logo ao início: “Another day without a dream, without a hope, without a scheme, another day that finds you crawling on your knees” ("Freeze"). Logo a seguir, em "The Fear Never Leaves You", a voraz assombração da guerra espreita: "If you should dream the dreams I dream, you’d never sleep again, the fear never leaves you (...) ten years, twenty or more, the same monster comes through the door, If I could unsee the things I’ve seen, comrades all to smithereens". E, para além do espantalho que todos imediatamente reconhecemos, a quantos outros se ajusta a descrição "Just pretend you are that star, that everybody says you are, just pretend that life’s a bloody show, and don’t let doubt possess your mind, leave that demon far behind, just believe and they won’t ever know"? O bem lubrificado engenho - Taras Prodaniuk (baixo), Michael Jerome (bateria), Bobby Eichorn (guitarra), David Mansfield (violino) e Zara Phillips (voz) - que lhes atribui espessura e profundidade é o trampolim mais que perfeito para a filigrana e labaredas de Thompson, guitarrista da estirpe dos exemplares únicos como Hendrix, Verlaine ou Neil Young. Há anos, o fiel discípulo Bonnie ‘Prince’ Billy explicaria tudo definitivamente: “Ser alguém que apresenta o que cria como uma completa extensão de si mesmo foi sempre o meu sonho. Compreendemos isto muito bem se repararmos num músico como Richard Thompson quando executa um solo. A canção que ele interpreta ganha verdadeiramente vida nesse instante. Durante esse momento de generosidade, nós somos Richard Thompson. É uma dádiva esse tipo de relação com o seu talento, como se ele se apossasse do nosso cérebro” .

15 March 2024

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (XCII)

(com a indispensável colaboração do R & R)
 
(clicar na imagem para ampliar)
"Love and Only Love" (álbum integral aqui)

26 February 2024

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (XCI)

(com a indispensável colaboração do R & R)

(clicar na imagem para ampliar)

Neil Young & Crazy Horse - "Like a Hurricane"

15 September 2023

"Powderfinger" (álbum integral aqui)
 
(sequência daqui) Caso verdadeiramente sério, porém, é o de Neil Young: possuidor de um desmedido acervo de gravações inéditas, de estúdio e ao vivo (uma visita aos seus Archives será instantaneamente esclarecedora), muitas, desde há muito, circulando em modo corsário e, posteriormente, "oficializadas" ou não, de vez em quando, surgem enigmas e mistérios que, só à lupa se esclarece. Chrome Dreams é um exemplo típico: aludindo a um lendário homónimo de 1977 que seria preterido a favor de American Stars 'N Bars, em 2007, surgiria Chrome Dreams II, afinal a "sequela" com trinta anos de atraso de um álbum nunca publicado, constituída por temas dispersos excluídos de vários álbuns publicados (ou não) mas que, desde há bastantes anos, figuravam noutros “bootlegs” e “setlists” de concertos, acrescido de uns quantos originais recentes. Do original, não restava um único tema. É, agora, então, o momento para conhecermos o Chrome Dreams primordial. Segundo Young, estas 12 canções "poderão ter existido sob outras formas, noutros tempos, e isso faz parte do processo criativo". Notar o "poderão". E screscenta-se no site: "Esta edição que agora acontece é exactamente como Neil Young a entende e transporta um sentido de monumentalidade que lhe assegura um lugar na história". A verdade é que, sob as mais diversas formas já as conhecíamos todas, de Rust Never Sleeps, American Stars'N'Bars, Homegrown, Freedom, Hawks & Doves, Unplugged, e Comes A Time. Nada que perturbe Young. Como ele diz, "Trabalho para a minha musa. Começamos um álbum e as coisas correm umas vezes melhor, outras pior. Nunca posso dizer que tenha uma ideia exacta do que se vai passar. Muitas vezes, não há uma boa razão para um disco ter ficado perdido pelo caminho. Gravei-o, passou por mim, alguma coisa me distraíu e esqueci-me do que tinha estado a fazer antes. Acontece-me muito isso”.

07 September 2023

TRABALHAR PARA A MUSA

Num daqueles momentos charneira em que, na data, se torna obrigatório passar a colocar um "antes de" e "depois de" – falo de 2004 e da finalmente concretizada restauração de Smile, de Brian Wilson/Beach Boys –, veio bastante a propósito explorar e inventariar o que restaria ainda de tesouros ocultos numa era em que a Net desvendara já muito do que (entre "bootlegs", "lost albums", pepitas de lado B e infinitas outras raridades) alimentara a imaginação de duas ou três gerações de fãs. E, por aí, foram sendo exumados projectos nunca, até então, concretizados ou ignorados. Foi o caso de Household Objects, dos Pink Floyd (1973): após o sucesso planetário de Dark Side Of The Moon, Waters, Wright, Mason e Gilmour, ocuparam-se com a gravação da sonoridade de objectos domésticos – copos de vidro, caixas de cartão, elásticos, tiras de borracha... – para o que poderia ter sido, mas nunca foi, um encontro entre rock e "musique concrète". (daqui; segue para aqui)


26 February 2023

PSICOGEOGRAFIA RURAL
Lumbee, Occaneechi, Shakori, Eno, Saponi, Tuscarora, Catawba, Sissipahaw, Tutelo, Adshusheer, Cheraw. É uma lista de povos nativos americanos em cujos territórios ancestrais H.C. McEntire, nas "liner notes" de Every Acre, faz questão de sublinhar que o seu terceiro álbum foi gravado. E, em "Turpentine", por entre labaredas de guitarra dignas de Neil Young lançando fogo aos Crazy Horse, canta: “We can tend the land for a little while, bones of those beneath the boundary lines, east in sets first, then clockwise, every acre that you ever owned, hissed and split like a radiator hose”. Uma outra lista, mais curta, surge logo na primeira faixa, "New View". Após uma muito explícita investida na direcção da amante (“Bend me and break me, split me right in two, mend me and make me, I'll take more of you, in the high hunter's moon”), reconfigura poeticamente a manobra de sedução: “Read me Day, Ada, Laux, Berry, and Olds, who knew it'd be so good? Baby, did you?” (daqui; segue para aqui)

31 January 2023

 
(sequência daqui) Para Neil Young, porém, tudo fora simples e confortável. As canções que, a 19 de Janeiro de 1971, apresentara, a solo, no Massey Hall, de Toronto, justificando-se – “Escrevi tantas canções novas que não tenho outro remédio senão começar a canta-las” –, sob a orientação de Glazer e do co-produtor Jack Nitzsche, acharam o melhor caminho sem a ocorrência de quaisquer sobressaltos: Harvest foi muito fácil. Tudo aconteceu muito rapidamente. Como se se tratasse de uma coisa acidental. Não andava à procura do som de Nashville, aqueles eram apenas os músicos que estavam ali à mão. Pegaram nas minhas canções e tocaram-nas. Chegaram, gravaram e foram-se embora. Como se faz em Nashville”

Registado entre Janeiro e Setembro de 1971 no celeiro do Broken Arrow Ranch – Barn, publicado no início do ano passado, voltaria a ter lugar num celeiro de Telluride, no Colorado, recuperado por Young –, nos Quadraphonic Sound Studios, de Nashville, no Royce Hall da UCLA, em Los Angeles, e, em Londres, com a London Symphony Orchestra dirigida por Jack Nitzsche, Harvest era também uma demonstração de como as relações entre os quatro Crosby Stills Nash & Young – um ano após a separação do grupo – não se encontravam ainda irremediavelmente comprometidas: David Crosby cantaria em "Are You Ready For The Country?" e "Alabama", Stephen Stills em "Alabama" e "Words" e Graham Nash em "Words" e "Are You Ready For The Country?", aos quais se juntariam James Taylor e Linda Ronstadt em "Heart Of Gold" e "Old Man". Mesmo as contrariedades mais indesejáveis, Neil Young parecia posuir poderes para as fazer jogar a seu favor. Tal como a poliomielite que contraíra em criança lhe condicionara a mobilidade do braço esquerdo, oferecendo-lhe, contudo, a possibilidade de se transformar num incandescente guitarrista eléctrico mas – abençoadamente! – incapaz de malabarismos circenses, durante a criação de Harvest, debatera-se com problemas na coluna vertebral que o obrigaram a intervenção cirúrgica e ao uso de uma cinta ortopédica. Como mais tarde explicaria à “Rolling Stone”, “Gravei praticamente todo o álbum com a cinta. Foi uma das razões para aquela sonoridade mais suave. Fisicamente, não conseguia pegar numa guitarra eléctrica”.

28 January 2023

Neil Young - Harvest Time (Welcome to my farm)
 
(sequência daqui) Quem se encontrava no interior do celeiro do Broken Arrow Ranch de Neil, na Califórnia (visível no video Harvest Time que, juntamente com outro de um concerto a solo na BBC em 1971, acompanha a reedição comemorativa do meio século), eram os, por ele baptizados, Stray Gators – Ben Keith ("pedal steel guitar"), Tim Drummond (baixo), Kenny Buttrey (bateria) –, ratazanas de estúdio que, após um encontro fortuito de Young, em Nashville, com o produtor Elliot Mazer (acabado de montar os Quadraphonic Sound Studios), este lhe propusera como cúmplices para o sucessor de After The Gold Rush (1970). 
 
 
Buttrey e Drummond haviam tocado com Bob Dylan em Nashville Skyline e Blonde On Blonde o que poderá ter sido o motivo por que, apesar de prestar homenagem a Young, Dylan sempre encarou uma das canções de Harvest, "Heart Of Gold", como uma espinha na garganta.: “A única vez que me incomodou ser confundido com outra pessoa foi quando eu vivia em Phoenix, no Arizona, por volta de 1972, e a canção que se escutava a toda a hora era "Heart Of Gold". Odiava-a quando a ouvia no rádio. Sempre gostei de Neil Young mas aborrecia-me ouvi-la e dar comigo a pensar ‘Merda, sou eu! Se soa como eu, deveria ser eu’. E ali estava, algures no deserto, a tentar acalmar-me um pouco... Nova Iorque era um sítio pesado. Woodstock era ainda pior, com pessoas a viver nas árvores, no exterior da minha casa, fãs a bater-me à porta, automóveis a perseguir-me pela escuridão nas estradas da montanha. Precisava de um sítio tranquilo para descansar, esquecer-me das coisas e de mim. Mas, ali tão longe, bastava ligar o rádio e lá estava eu... mas não era eu. Parecia que alguém me tinha roubado e fugido com o que era meu. Nunca ultrapassei isso”, confessaria ele à “Spin”, em 1985. (segue para aqui)

26 January 2023

COMO UMA COISA ACIDENTAL 

Sonoros mugidos de vacas sonolentas a pastar enquanto um jipe, serpenteando pelo meio do campo, se aproxima de um celeiro perdido na paisagem. Os dois ocupantes param e dirigem-se para o interior do celeiro. Um deles é Neil Young, não ainda com o actual aspecto de Cro-Magnon idoso embora, já nessa altura, em 1971, não fosse impossível antevê-lo. Ele próprio, hoje, não parece muito seguro da sua idade. Falando a propósito da reedição de Harvest em curso, diz: “Foi um álbum importante para mim. Há 50 anos, tinha 24, talvez 23 anos, e esse álbum marcou uma grande diferença na minha vida”. Na verdade tinha 26 anos (nasceu em Novembro de 1945, o disco foi gravado em 1971 e publicado em Fevereiro de 1972) e, se também afirma que “é fantástico que tenha resistido tão bem ao tempo”, esse é outro assunto acerca do qual a sua opinião não foi constante: nas "liner notes" da compilação Decade (1977) classificava-o como “uma aberração comercial”. (daqui; segue para aqui)

26 September 2022

PART-TIME
 

15 álbuns de estúdio. 10 ao vivo. Uma dúzia de singles e EP. Mais de duas dezenas de presenças em compilações e colaborações várias. Gillian Welch vê nele “o herdeiro do escuro espelho emocional de Henry Miller, do queixume de três acordes de Townes Van Zandt e do minimalismo de Lou Reed”. Beck incluiu-o num top 10 pessoal para a “Rolling Stone”. John Peel passou um álbum inteiro dele no seu programa de rádio. Kurt Wagner (Lambchop) e Jeff Tweedy (Wilco) persignam-se perante ele. Leonard Cohen, Dylan, Johnny Cash, Neil Young e John Cale são apontados como os padrões face aos quais deverá ser avaliado. Mas, 30 anos após o primeiro álbum (Umbilical Chords), Simon Joyner permanece virtualmente desconhecido e feliz, sem manager, agente ou publicista, ocupado com o seu "day job" (antes, um negócio de antiguidades, agora, em parceria com o amigo e baterista Mychal Marasco, uma loja de discos, em Omaha, Nebraska) e sem nenhuns planos de mudança. (daqui; segue para aqui)