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09 September 2025

em variante russa-neo-soviética
Б. Ховард (aliás, B. Howard em cirílico, aliás, Michael Jackson)

08 June 2025

 
(sequência daqui) Tudo o que de extra-musical se lhes seguiu após os passos inseguros de This Is Hardcore (1998) e We Love Life (2001) e o longo hiato posterior tem apenas o valor da cusquice elevada ao patamar de teoria da conspiração: era Danae Stratou, mulher do ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, a personagem de "Common People" ("She came from Greece she had a thirst for knowledge, she studied sculpture at Saint Martin's College, that's where I caught her eye")? Jarvis Cocker invadiu o palco dos BRIT Awards de 1996 quando Michael Jackson interpretava "Earth Song" num gesto impulsivo e irreflectido ou foi tudo minuciosamente planeado? Entregou ele ao Foundling Museum, de Londres, um saco cheio de cópias de "Romania Today", uma revista em língua inglesa de propaganda das maravilhas do regime de Ceausescu? A modelo da capa de This Is Hardcore é ou não a política e actriz russa Ksenia Sobchak? (segue para aqui)

16 April 2021

"Hypnotized" (comparar video aqui)

(sequência daqui) A verdade é que tanto Merrill como Nate são um verdadeiro caldeirão cultural. Ele, devoto de “Red Hot Chili Peppers, George Clinton, Bootsy Collins… o meu pai era um pouco snob musicalmente e preferia jazz e Beethoven, a minha mãe ouvia Beatles, Michael Jackson, Earth Wind & Fire”; ela, fã de “Deerhoof mas também David Bowie, Laurie Anderson, gente que integrava a 'performance art' na música. Em termos especificamente musicais, Joni Mitchell, as Zap Mama, pela forma como exploravam a voz como um instrumento rítmico, Bobby McFerrin, e os Beatles, pela riqueza e complexidade que injectaram na canção pop”. Tudo isso, porém, submetido à norma de nunca pisar a linha proibida: “É muito importante e desejável que os músicos se influenciem uns aos outros mas, actualmente, não é, de todo, possível continuar a fingir que ignoramos como as pessoas negras são tratadas. Não somos uma banda famosíssima mas não queremos alinhar nesse fingimento. O que vivemos não pode ser aceite como normal”. A normal anormalidade dos quatro intermináveis anos do pesadelo Trump, “uma agonia perante a rejeição dos outros assente na mitologia de quem somos ‘nós’ e quem são ‘os outros’. Os músicos brancos podem sempre refugiar-se naquele lugar comum de que a música é uma linguagem universal. Mas não podem fingir que não reparam – aqui como na Europa – que as nossas sociedades serão cada vez menos brancas. Se não formos capazes de lidar com essa interiorização do pensamento racista sobre a forma como se encara a diferença, irão existir mais erupções de violência como as actuais”.

 

Sketchy é, entretanto, um reflexo exuberante, ritmicamente arrebatado e multicolorido de tudo isto: “Fazemos música e uma parte importante disso é um convite à alegria e a movimentarmos o corpo, o que é tanto uma celebração da vida como um exame de tudo o que temos estado a falar. Quando eu e o Nate nos juntámos quisemos redescobrir o prazer primordial de fazer música. As cores garridas da capa deste álbum representam um pouco esse desejo de continuar a olhar para o sol embora saibamos que ele nos pode cegar”. O que, contudo, nunca a impedirá de observar e desmontar cirurgicamente a sapiência dos mestres como acontece, logo a abrir, em "Nowhere, Man", quando canta “Seems like Jesus and Dylan got the whole thing wrong, if you cannot hear a woman then how can you write her song?”. "Just Like A Woman"? (risos) “Anda toda a gente a tentar descobrir quem é essa ‘woman’. Mas podem ser muitas... essa, a de ‘Lay Lady Lay’, a de ’Like A Rolling Stone’... o meu pai era um enorme fã do Bob Dylan e aí eu reflicto sobre como a minha história enquanto mulher teria já sido escrita nessa altura. E como essa percepção do que uma mulher é foi escrita por quem nunca viveu num corpo de mulher”.

09 May 2017

REVOLUÇÕES 



Em fundo negro, lê-se: “Toda a arte é sujeita a manipulação política. Excepto aquela que se exprime no idioma dessa mesma manipulação”. Corte: em câmara lenta, um baterista ergue as baquetas e fá-las descer sobre o instrumento. Mas, no preciso momento em que percute as peles, o que se escuta é a sonoridade de um piano e, segundos depois, uma voz que, de modo solene e enfático, desenhará a melodia e as palavras de "The Sound Of Music", em contraponto com imagens de guerra, explosões nucleares, manifestações de massas, desfiles militares e um "pot-pourri" iconográfico de propaganda comunista norte-coreana, intercalada com "inserts" dos anos da Beatlemania, de Bill Haley, Bowie e Michael Jackson. É a porta de acesso a Liberation Day, documentário de Morten Traavik e Ugis Olte, que dá conta do concerto dos eslovenos Laibach, a 15 de Agosto de 2015, em Pyongyang, capital da República Popular Democrática da Coreia, por ocasião do 70º aniversário da vitória sobre o Japão.



Mais exactamente, o primeiro concerto de uma banda de rock ocidental no que um dos elementos do grupo definirá como “literalmente, outro planeta”: um país submetido a um cruel despotismo tragicómico no qual os media oficiais (e únicos) anunciam sem escândalo que foram encontrados vestígios do unicórnio do rei Tongmyong e que a ciência local descobriu uma vacina única contra o Ébola, HIV, Sars e Mers; uma distopia alucinada onde o “amado líder”, Kim Jong-un, é livre de assassinar um tio por este ter “ousado sonhar sonhos diferentes” e, aquando da morte de Kim Jong-Il (pai de Kim Jong-un e filho de Kim Il-sung), a Korean Central News Agency noticiou que, nesse dia, os pássaros choraram, nos lagos, o gelo estalou, as tempestades cessaram, os grous persignaram-se e as montanhas cobriram-se, sobrenaturalmente, de escritos do falecido timoneiro. Porquê, então, abrir as portas da República Popular aos Laibach, sobejamente conhecidos pelo escorregadio jogo de ambiguidades com a estética nazi? 



No documentário, Slavoj Žižek explica: “Todos os movimentos dissidentes da Jugoslávia de Tito criticavam o regime mas aceitavam as suas premissas fundamentais. Com os Laibach – fundados em 1980, um mês após a morte de Tito –, é como se eles devolvessem ao regime a própria mensagem sob a forma mais nua e crua. A atitude realmente subversiva não é a da crítica violenta nem a do distanciamento irónico mas a da sobre-identificação: tomar os valores do sistema muito mais a sério do que ele proprio o faz e expô-los à luz do dia”. Na verdade, a "Gesamtkunstwerk" dos Laibach, nas suas encenações brutalmente estentóricas capazes de transformar "The Sound Of Music" ou "Life Is Life", dos infames austríacos Opus, em empolgados hinos pagãos exacerbadamente riefenstahlianos (mas um ínfimo passo ao lado e facilmente seria realismo-socialista...), como a certa altura diz Traavik, “contém bastantes elementos familiares ao publico norte-coreano”, assaz habituado a digerir portentos de "kitsch" musical como a Moranbong Band, a Chongbong Band ou o Pochonbo Electronic Ensemble. Nos preparativos e ensaios para o concerto, os choques políticos e culturais vão sendo diplomaticamente limados e o que disso tudo ficou registado em Liberation Day basta para o tornar o mais interessante documentário a exibir na secção Indie-Music, do IndieLisboa. Mas preste-se também atenção a Bunch Of Kunst (o punk-hop abrasivamente proletário dos Sleaford Mods), Revolution Of Sound – Tangerine Dream (a história da banda de Edgar Froese) e Eat That Question – Frank Zappa In His Own Words (autoexplicativo).

19 August 2012

ÁGUA E AZEITE


Dirty Projectors - Swing Lo Magellan
     
David Longstreth é o tipo que, como quem fala do tempo, explica que a súbita aparição orquestral a meio de "Dance For You" é apenas ele “a tentar compreender como raio o Ligeti, em Atmosphères, conseguiu extrair aquelas texturas insanas e futuristas de uma orquestra igualzinha às do século XIX”. E que, a seguir, revela que vê  na ponte de "About To Die" “uma pobre filha bastarda de Verklärte Nacht, do Schoenberg”, através da qual procurou atingir a mesma sensação “macabra, mórbida e aterradora” para que também Monster, de Kanye West, e Thriller, de Michael Jackson, contribuiram enquanto catalizadores. Ah, e ainda em "Dance For You", a guitarra e as cordas têm uma dívida a pagar a "Mambo Sun", dos T. Rex. Para não falar da conta calada que deverão somar os empréstimos pedidos aos Run DMC, NWA ("Gun Has No Trigger"), Nirvana e Lil Wayne ("Offspring Are Blank"), Peter, Paul & Mary ("Just From Chevron") e Neil Young ("Irresponsible Tune"). Estamos, então, perante o quase perfeito protótipo de banda retromaníaca de que falava Simon Reynolds?


     
Errado. Erradíssimo. Embora de forma completamente diferente, poderá tratar-se, sim, de caso idêntico ao dos Field Music: outro exemplo acabado de que a aventura prog não devia, inevitavelmente, ter acabado em tragédia. Só mais uma espreitadela pelo buraco da fechadura do cérebro de Longstreth: em Abril passado, na página online da Brown University, de Providence, descobria-se que, a pedido de David Longstreth, Willis Monroe e Zack Wainer, estudantes de Assiriologia, se haviam dedicado a traduzir "Gun Has No Trigger" para acadiano, tendo Monroe gravado o texto em escrita cuneiforme. Qual a razão? Exactamente a mesma que para o "cameo" de Ligeti em "Dance For You": “Tenho uma enorme curiosidade em relação a imensas coisas. Sou um estudante. E intriga-me o problema e a dificuldade da tradução para idiomas que não existiam há milhares de anos”.


     
Chegámos ao ponto: aquilo de que a música dos Dirty Projectors se ocupa é de, sob um ângulo que tem tanto de calculado como de "stream of consciousness" – nas melodias, nos textos, nos arranjos, na instrumentação –, traduzir para uma linguagem ainda sem nome, inúmeros fragmentos da história sonora (mais ou menos) recente, apostando tudo no que, por aí, se ganha e se perde, autorizando e encorajando uma estratégia de construir edifícios aparentemente destinados ao colapso. Como quem insiste em misturar água e azeite... e consegue. Poderia ser outra qualquer mas a pérola "See What She Seeing" é assaz esclarecedora: burburinho rítmico de "drum’n’bass" de vão de escada (na verdade, caixa de guitarra acústica percutida) para um lado, voz solista e coros daquele recorte “africano” que Paul Simon e os Vampire Weekend preferem para outro, riff curvo para cima, secção de cordas para baixo, e, algures, ninguém será capaz de garantir exactamente onde, aparece uma canção. Sem esforço evidente, o fulano que escutava os álbuns dos Beatles, primeiro, na coluna direita e, depois, na esquerda, e mais óbvio candidato a Zappa contemporâneo com sensibilidade pop (não excluir, à cautela, a hipótese tUnE-yArDs), salta do "high life" para o psicadelismo à la Jefferson Airplane, de "Strawberry Fields" para “the kind of silence that can swallow sound”, do esgotamento nervoso sónico para erráticas canções-origami e, no processo comandado por uma ideia – “You’d see a million colours if you really looked” –, após o já magnífico Bitte Orca (2009), inventa música como nunca antes a havíamos ouvido.

09 August 2009

DA LÍRICA BADALHOCA



Jarvis Cocker - Further Complications

Jarvis Cocker é o género de personagem que, se se dedicasse um bocadinho mais a essa missão, facilmente se poderia transformar naquela variedade de intelectual-pop tal como ela foi definida por Brian Eno, Momus ou David Byrne. No fundo, porém, o coração pende-lhe mais para o lado de provocador – preferencialmente, lúbrico – de serviço, que não resiste a armar um escandalozito, aqui (não esquecer a sua profanação do palco do falecido Messias, Michael Jackson, em 1996), ou a assinar um naco de poesia badalhoca, acolá.




Em Further Complications, há vários, mas o prémio vai, indiscutivelmente para “My morality is shabby, my behavior unacceptable, I’m not looking for a relationship, just a willing receptacle!” (em “I Never Said I Was Deep”), embora outros lhe dêem valente luta como “Angela”, um hino a uma jovem e talentosa profissional das artes manuais a £4.50/hora. Musicalmente capitaneado por Steve Albini, Cocker, em modo-rocker, acaba, no entanto, por soar apenas como um conglomerado de Roxy Music, Bowie (fase "glam") e Mick Jagger – “Caucasian Blues” é mesmo uma fusão peculiar de “19th Nervous Breakdown” e “So You Want To Be A Rock’n’Roll Star, dos Byrds – que, se resulta enxuto e directo, falha no sal e, sobretudo, na pimenta.

(2009)

08 July 2009

JARVIS COCKER vs MICHAEL JACKSON
(1996-2009)




Jarvis Cocker invaded the stage at the 1996 BRIT Awards in a spur of the moment protest against Michael Jackson's performance. Jackson performed surrounded by children and a rabbi, while making 'Christ-like' poses and performing his then-recent hit, "Earth Song". Cocker and his friend Peter Mansell (a former Pulp member) performed an impromptu stage invasion in protest. In the ensuing confusion, as security attempted to eject Cocker from the stage, three child performers received minor injuries. Cocker was later detained and interviewed by the police on suspicion of assault. He was subsequently released without charge. Opinions from the press on Cocker's actions were mixed.



The March 2, 1996, edition of Melody Maker, for example, suggested Cocker should be knighted, and Cocker's friend Noel Gallagher, of Oasis fame claimed "Jarvis Cocker is a star and he should be given an MBE". Gallagher is also quoted as saying of Jackson's behaviour "For Michael Jackson to come over to this country after what's all gone on - and I think we all know what I'm talking about here - to dress in a white robe, right, thinking he's the Messiah - I mean who does he think he is? Me?" However, other journalists and the organisers of the BRIT Awards were outraged by Cocker's behaviour. In response to the ensuing media scrutiny of the action, Cocker responded, "My actions were a form of protest at the way Michael Jackson sees himself as some kind of Christ-like figure with the power of healing... I just ran on the stage... I didn't make any contact with anyone as far as I recall". (daqui)

(2009)

26 June 2009

TH€R€'$ NO B€TT€R POP $TAR THAN A D€AD POP $TAR



"A little more than 24 hours after Jackson’s death in Los Angeles, his albums jumped to the top of the retail charts. On Amazon.com, albums by Jackson and the Jackson 5 accounted for 18 of the top 20 best selling records Friday. On iTunes, Jackson records occupied nine of the top 10 spots. Deceased celebrities can generate a fortune long after they are gone. Presley’s estate generated $52 million in 2008 according to the annual Forbes magazine list of top-earning dead celebrities. Second on the list was Charles Schulz, the creator of Peanuts, whose drawings earned his estate $33 million in 2008, according to Forbes".

... e, agora - pós-novo-fiasco da gripe suína, enquanto os Fripóres da vida ficam em banho-maria durante a silly season, o minicrime de lesa-pátria Ronaldogay é suavemente elidido (era só o que faltava!... uma das raras jóias do luso-orgulho-macho-da-bola-cheio-de-guito humilhado por uma lambisgóia-pau-de-virar-tripas!), o Berlusconi geronte-priápico já deu o que tinha a dar e o teatrinho PT-PS-TVI não parece ter potencial (mas até pode ser grosso engano...) para se aguentar um Agosto inteiro -, preparemo-nos para o folclore estival de abrir noticiários acerca do "legado" estético (este há-de ser só coisa colateral para "eruditos"), dos perigos da automedicação, do flagelo da droga e das pérolas de sabedoria do Uri Geller das colheres de sopa dobradas pelo poder da mente e "ciências" ocultas adjacentes. Começa a haver motivos sérios para acreditar na existência de uma divindade omnipotente que protege os editores de telejornais.



(2009)

25 June 2009

AN (EVEN) WHITER SHADE OF PALE


Michael Jackson (August 29.08.58 - 25.06.09)

(2009)

10 June 2008

RECORDANDO ENCONTROS HISTÓRICOS:
LOU REED E VACLAV HAVEL (ex-Presidente
da REPÚBLICA CHECA)




Havel, Lou Reed: A friendship goes public for art

Former President Vaclav Havel points out that when he meets with seminal rock star Lou Reed, they never get much private time. "There are always people present", Havel told a crowd of reporters before the two had a public discussion in front of a standing-room-only crowd at Svandovo divadlo, in Prague's Smichov neighborhood.

Reed, not known for being extremely chatty, did most of the talking at the Jan. 10 show and at the press conference that preceded it. Much of the discussion was about art instead of politics - Havel is, of course, also a playwright. The evening also included music from the Plastic People of the Universe and the Velvet Underground Revival Band.

Reed did condemn U.S. President George W. Bush for planning to spend $40 million (920 million Kc) on his inauguration, when the money could go to support relief efforts in countries devastated by the Dec. 26 tsunamis.

The only disagreement of the evening was over pop star Michael Jackson. Reed said, "I think Michael Jackson is one of the greatest dancers in the world ... the Fred Astaire of our generation".

Havel hosted Jackson at Prague Castle during the singer's 1996 History tour. "I recognize his skills, but I must say I am not a fan", Havel said. He said he had a brief conversation with Jackson and found him to be uninteresting.



At the end, Havel had a chance to ask Reed a question. He asked whether Reed would ever want to be president. Reed said that he wouldn't. "I lack certain people skills", he said. "I'd like to be a kingmaker instead of king".

Reed's question for Havel was much simpler. He asked if Havel still wrote in longhand or uses a computer. Havel now uses a computer. "But I'm afraid if I hit the wrong key I'll delete everything", the playwright admitted.

Reed told Havel, "Remember rule No. 1: Back up, back up, back up". He also recommended that Havel switch to Apple computers.

Earlier, Havel commented that he now has fatigue from writing because he did so much as president, including writing his own speeches. He also worries people would expect too much from a new play.

After the discussion, Havel asked Reed to play "Perfect Day," one of his more moving songs. After a solo rendition of that, Reed joined the Velvet Underground Revival Band for "Sweet Jane". He concluded with "Dirty Boulevard", one of the songs he played when he visited the White House with Havel in 1998. He said he had to provide the lyrics to the White House for advanced screening and that this song caused the most trouble. (The Prague Post, Jan. 13, 2005)

(VÍDEO da Columbia University - em nove partes - onde Lou Reed fala sobre os seus encontros com Vaclav Havel ---> aqui)



(2008)