Public Service Broadcasting - "Electra"
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27 December 2024
20 December 2024
MÚSICA 2024 - INTERNACIONAL (III)
(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 27)
St Vincent - All Born Screaming
Anna Calvi - Peaky Blinders: Seasons 5 & 6 (Original score)
* a ordem é razoavelmente arbitrária
14 December 2024
"The Fun Of It" (ft. Andreya Casablanca)
(sequência daqui) Este ano, porém, sem que nada o fizesse prever, foi publicado o magnífico Amelia, de Laurie Anderson, e, pouco mais de um mês depois, The Last Flight, dos britânicos Public Service Broadcasting. Se ainda for indispensável apresentá-los, saiba-se que se trata de um quarteto londrino - J. Willgoose, Esq. (maquinaria, guitarras, samples), Wrigglesworth (bateria, piano), JF Abraham (baixo e multi-instrumentista) e Mr B (design visual) - inteiramente dedicado à missão de articular conceptualmente imagens e registos sonoros de arquivos históricos com cenários musicais contemporâneos. Nos anteriores Inform-Educate-Entertain (2013), The Race For Space (2015), Every Valley (2017) e Bright Magic (2021), o espectro alargava-se da corrida pelo espaço ao declínio da indústria mineira em Gales. The Last Flight ocupa-se do derradeiro episódio da trajectória da intrépida aviatrix e, com a participação de Andreya Casablanca, da norueguesa EERA, de Kate Stables (This Is The Kit) e da actriz Kate Graham que dá voz aos discursos directos de Amelia, concretiza o projecto que J. Willgoose, Esq. desvenda: "Inicialmente, interessei-me pelo seu voo final mais do que pelos sucessos dela. Mas, quanto mais lia, mais fascinado por ela ficava. A sua bravura e proezas aeronáuticas eram extraordinárias mas a sua filosofia e dignidade faziam dela uma pessoa excepcional". A encenação sonora está à altura do lema de Amelia: "I do it because I want to, I do it for the fun of it’".
11 December 2024
FAÇO PORQUE QUERO
Em 1972, Ian Matthews era um dos primeiros da imensa diáspora oriunda dos Fairport Convention que, há pouco, se havia iniciado. Por essa altura, enquanto Matthews Southern Comfort, gravara já um álbum homónimo (1969) e, após duas experiências a solo - If You Saw Thro' My Eyes (1971) e Tigers Will Survive (1972) -, dedicar-se-ia à curta existância dos Plainsong: formados no início de 1972 e extintos no final desse mesmo ano, deixariam como testemunho da sua meteórica vida inicial (diversas ressuscitações aconteceriam posteriormente) In Search Of Amelia Earhart, dedicado à pioneira norte-americana da aviação, misteriosa e tragicamente desaparecida em 1937, quando ousava a viagem de circumnavegação aérea da Terra. As homenagens e tributos que, nas mais variadas áreas, lhe foram, desde então, prestados são inúmeros mas, no que à música diz respeito, para além do álbum dos Plainsong, até agora, apenas se registava uma canção de Joni Mitchell, "Amelia", em Hegira (1976) - "Pensava em Amelia Earhart e era como uma piloto solitária dirigindo-se a outra, reflectindo sobre o que custa ser mulher e haver algo que não podemos deixar de fazer", diria Mitchell. (daqui; segue para aqui)
"The South Atlantic" (ft. This Is The Kit)
17 November 2021
(sequência daqui) O método anterior de criação a partir de "samples" de documentários do British Film Institute e materiais educacionais e de propaganda que tinham sido a coluna vertebral de Inform-Educate-Entertain (2013), The Race For Space (2015) e do óptimo Every Valley (2017) foi, agora, substituído por jornadas de captura de sonoridades de rua, destinadas a serem articuladas em modo Bowie/Eno/Krautrock com as contribuições de Blixa Bargeld, Andreya Casablanca e da norueguesa EERA, no lendário Hansa Tonstudio. Todos os anjos e demónios que habitam a Meistersaal desceram sobre Bright Magic.
14 November 2021
OUTRO FILME PARA OS OUVIDOS
A "city symphony", um género cinematográfico experimental surgido nos anos 20 do século passado, pretendia, através do ritmo de uma montagem fragmentada e caleidoscópica, mostrar a vibração das grandes cidades, não como cenário ou pano de fundo mas enquanto personagem principal. Documentários poéticos de uma quase abstracção animada pela câmara, Man With A Movie Camera (1929), de Dziga Vertov, Manhatta (1921), de Paul Strand e Charles Sheeler, Douro, Faina Fluvial (1931), de Manoel de Oliveira, ou Berlin: Die Sinfonie der Großstadt (1927), de Walter Ruttmann, eram registos vertiginosos de “a day in the life” convertidos em música visual. Ruttmann, figura importante da vanguarda artística alemã da época, seria também o autor de Wochenende (1930), colagem de sons recolhidos pelas ruas de Berlim que anteciparia a “musique concrète” e que ele descreveria como “uma sinfonia de sons, fragmentos de fala e silêncio tecidos num poema”, algo como um “filme para os ouvidos”, isto é, o oposto das "city symphonies". Quase um século depois, foi no rasto de Ruttmann – e de David Bowie, Marlene Dietrich, e Anita Berber, actriz, bailarina, “Deusa da Noite” e “Princesa do Deboche” da República de Weimar (e do seu ácido cronista Kurt Tucholsky) – que J Wilgoose, Esq., motor criativo dos Public Service Broadcasting, se mudou para Berlim durante nove meses. (daqui; segue para aqui)
"Der Rhythmus der Maschinen" [ft. Blixa Bargeld]
28 October 2021
"I Dreamed I Was Awake for a Very Long Time"
(sequência daqui) Nascido de uma expedição de "field recording" “em busca de fantasmas”, armadas de um gravador Tascam, “coleccionámos gravações, retirámo-las do contexto e construimos mundos em torno delas; pode dizer-se que o álbum é uma exploração miniatural do som na sua relação com a memória”. Lado a lado e meticulosamente cerzidos, um piano decrépito, uma mesa operatória, uma casa em ruinas, uma única nota de trompete, um "bunker" abandonado em Berlim. Antes, tinham imaginado uma banda sonora para Buster Keaton, trabalhado com os Public Service Broadcasting e inventado contrapontos para música e focos de luz. Agora, fazem pensar numa Virginia Astley dedicada à poética da arqueologia urbana.
03 January 2018
2017 - Videoclips
St. Vincent - "New York"
Protomartyr - "Don't Go To Anacita"
Michael Head & The Red Elastic Band - "Rumer"
Hurray For The Riff Raff - "Rican Beach"
Danish String Quartet - "Shine You No More"
Sopa de Pedra - "Cantiga de la Segada"
Protomartyr - "A Private Understanding"
Public Service Broadcasting - "They Gave Me A Lamp"
The Magnetic Fields - "A Cat Called Dionysus"
Jesca Hoop - Memories Are Now"
22 December 2017
MÚSICA 2017 - INTERNACIONAL (IV)
(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 34)
* a ordem é razoavelmente arbitrária...
30 November 2017
21 August 2017
O ELOGIO DO ERRO
Num dos 115 cartões das “Oblique Strategies”, de Brian Eno (inspiradas nos “Event Scores” de George Brecht, um dos vanguardistas do Fluxus), lê-se “Honor thy error as a hidden intention”. Essencialmente o mesmo que, segundo Herbie Hancock, Miles Davis lhe terá dito depois de, durante uma interpretação de "So What", ele ter tocado no piano um acorde errado (em torno do qual Davis continuou a improvisar de modo a torná-lo “certo”): “Quando tocas uma nota errada, é a nota seguinte que decide se isso foi bom ou mau. Os erros não existem, existem apenas oportunidades para improvisar”. Em 2010, num documentário da Arena TV, Eno pegava no assunto por outro ângulo, o da obsessão pela eliminação de toda e qualquer imperfeição que a tecnologia actual permite: “A tentação da tecnologia é polir tudo, homogeneizar tudo, até que todos os compassos soem iguais. Até que não reste nenhum vestígio de vida humana”.
E, quatro anos depois, a propósito de uma "box-set" de Fela Kuti que compilou para a Knitting Factory Records, acrescentava: “Actualmente, podemos fazer e refazer tudo. Mas muitos dos discos de que mais gostamos são aqueles que não foram infinitamente retocados de modo a ficarem perfeitos. A pergunta que todos fazemos é: será que fica melhor assim? A música ganha, realmente, alguma coisa com isso? É uma tentação a que é muito difícil resistir. Se, numa gravação, descobrirmos uma nota errada, no passado dir-se-ia, é uma grande interpretação, fica mesmo assim. Agora, reafinamo-la. E interrogamo-nos sempre: ao fazer a correcção, o que teremos perdido da tensão daquela performance, da sensação de humanidade, de vulnerabilidade, de verdade orgânica?” O mais recente contributo para o debate veio de J. Willgoose, Esq., máquina de pensar dos Public Service Broadcasting, autores do recente e óptimo Every Valley. Numa TEDx Talk de Junho do ano passado, em Londres, cujo tema era “Live music should go wrong”, reflectindo sobre o aborrecimento que podem ser concertos nos quais, noite após noite, tudo se repete com uma precisão mecânica, foi mais longe: “O crime é uma expressão da liberdade. Isto é, não é possível existir uma sociedade livre sem que exista a possibilidade de serem perpetrados crimes horríveis. A única sociedade em que não poderia existir nenhum crime seria aquela em que também não existiria nenhuma liberdade. Esse mesmo princípio pode ser aplicado à música ao vivo: deve conter o potencial para o erro, a possibilidade de que alguma coisa imprevisível aconteça e de que algo corra mal”.
19 July 2017
17 July 2017
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