No clima de elevado debate político que, em 2016, caracterizou a campanha para a nomeação do candidato Republicano à Presidência dos EUA, um dos tópicos mais intensamente discutidos foi a dimensão do aparelho reprodutor de Donald Trump. Aparentemente desencadeada por um quadro de Illma Gore – “Make America Great Again”, um nu de Trump cujo detalhe anatómico, comparativamente, faria o David, de Miguel Ângelo, assemelhar-se a um Príapo entusiasmado – banido do Facebook, recusado por diversas galerias e que valeria à autora inúmeras ameaças e agressões físicas, a polémica seria aproveitada pelo não menos inquietante adversário de Trump, Marco Rubio, que, a propósito, faria o tipo de comentários habituais nas melhores casernas em que se estuda “ciências” políticas. Randy Newman esteve quase, quase a participar. Chegou mesmo a escrever uma canção, “What a Dick”, que glosava o tema (“My dick’s bigger than your dick, it ain’t braggin’ if it’s true, my dick’s bigger than your dick, I can prove it too. There it is! There’s my dick, isn’t that a wonderful sight? Run to the village, to town, to the countryside, tell the people what you’ve seen here tonight”) mas arrependeu-se e não a publicou: “Era demasiado fácil e não me apeteceu entrar na muito feia troca de palavras que estava a acontecer”.
Porém, no momento em que, nove anos depois de Harps And Angels, lança Dark Matter, não resistiu a desabafar com a “Mojo”: “Li, recentemente, que Donald Trump podia ser uma personagem de uma canção minha. E é verdade! Nunca imaginei que chegássemos a ver alguém pior do que o tipo de ‘My Life Is Good’ [de Trouble In Paradise, 1983], tão ignorante e arrogante ao mesmo tempo mas... aí está ele!” A já vasta galeria de “ugly americans” de Newman acolhê-lo-ia, sem dúvida, de braços abertos. E, agora, num álbum ricamente orquestral povoado pelos tristes anónimos e facínoras avulsos que Newman nunca esquece (Putin é convenientemente mal tratado), não seria difícil imaginar Trump como um dos intervenientes no fabuloso mini-musical de 8 minutos da abertura, "The Great Debate", no qual, com moderação de “Mr. Newman, self-described atheist and communist”, "true believers" e cientistas se enfrentam, sendo os últimos, face à desproporção do armamento historicamente acumulado, copiosamente derrotados: “Como poderiam ateus e agnósticos lutar contra o Golden Gate Quartet, Bach, Mozart, Beethoven ou Brahms?...”
"'Make America Great Again' is about the significance we place on our physical selves. One should not feel emasculated by their penis size or vagina, as it does not define who you are. Your genitals do not define your gender, your power, or your status. Simply put you can be a massive prick, despite what is in your pants"