22 December 2014

Naquele que é, provavelmente, o primeiro e histórico texto quase integralmente digital de uma constitucionalista (e destacada mulher de letras) lusa, há, porém, que chamar a atenção para um detalhe: onde se escreve "Acordou de manhã pensando que talvez fosse fácil uma masturbação e partir para o trabalho", será de levar em consideração que St. Vincent parece já ter resolvido satisfatoriamente o problema

18 December 2014

O que um gajo faz para tentar apagar certas memórias...

"Documental que muestra las acciones directas y campañas del colectivo flo6x8 en ciudades de toda España cuestionando el sistema financiero a través del arte flamenco. Se arrancan a bailar sin previo aviso o lanzan consignas tan nihilistas como irreverentes (“banquero, tú tienes dinero y yo tengo un florero, tú tienes cartera y yo un paragüero”) cantadas a plena voz. Quieren poner en la picota a los bancos como responsables de la crisis y al aparato internacional que los arropa en menoscabo de la soberanía de los pueblos: “si nadie los ha votado, alguien los tendrá que botar”. Pero nada escapa al control de los bancos y en el documental se exponen, asimismo, las imágenes de videovigilancia de estas acciones captadas por las cámaras CCTV de las propias entidades bancarias que han sido filtradas a Camping Producciones"
É sempre "resultado de factores externos", não é, ó 44?...
Ei-los, aproximando-se devagarinho





17 December 2014




Agora que EUA e Cuba vão reestabelecer relações diplomáticas, é oportuno recordar a justa posição marxista acerca das correctas relações entre ocupantes imperialistas bêbedos e casas de putas revolucionárias (tal como Fidel Castro a expôs em entrevista a Clark Hewitt Galloway para o "US News & World Report" em 1959):


CHG - Qual é o seu parecer sobre a base naval fos EUA em Guantánamo? 
FC - Esse é um problema que não se discutiu aqui. Não foi abordado. Houve alguns conflitos pequenos originados pelo facto de deixarem sempre desembarcar os marinheiros, deixavam-nos ir a Guantánamo, por exemplo, deixavam-nos ir lá todas as semanas para se divertirem. Claro que, economicamente, era conveniente porque faziam compras. Mas iam milhares de marinheiros e iam a certos locais de diversão. Não conheciam bem o lugar e muitas vezes chegavam às casas de pessoas decentes e tocavam à porta de qualquer casa. Existe um certo conflito entre eles quando vão de férias; quando iam de fim-de-semana, criavam-se conflitos entre eles e as famílias decentes. Porque muitos marinheiros enganavam-se, bebiam, enganavam-se de sítio e entravam nas casas. (...) Sobretudo, a mim, preocupa-me muito que não haja o mínimo incidente. (...) Nessas zonas onde havia problemas, gostaria que se fizessem todos os possíveis para que tudo estivesse bem organizado, bem ordenado.
SEM CERIMÓNIAS 


Pablo Casals dizia que “o amor que temos pelo nosso país é uma coisa esplêndida. Mas porque não poderá esse amor passar a fronteira?” e Einstein acrescentava que “o patriotismo é uma doença infantil, o sarampo da humanidade”. Foi (também) assente em generosas convicções desse género que projectos como o da União Europeia emergiram apesar de, já em 1979, o ex-embaixador britânico em Lisboa, Sir Archibald Ross, numa comemoração dos 25 anos de intercâmbio cultural entre Portugal e o Reino Unido, ter recordado um dos persistentes argumentos eurocépticos: “Para quê aproximar as pessoas, se é sabido que, quanto mais se conhecem, mais se odeiam?” Uma das invenções que, particularmente no âmbito do cinema, mais contribuiu para fazer torcer o nariz ao europeísmo, foi o justamente mal afamado “europudim”, essa receita de transnacionalidade por encomenda que consiste em juntar um realizador eslovaco com um argumentista lituano, colocar-lhes à disposição um catálogo de actores e técnicos das outras 26 nacionalidades e sugerir-lhes que vão rodar na Transilvânia um épico sobre as campanhas napoleónicas. 



Não é, por isso, má vontade o motivo que leva a olhar, instintivamente, de esguelha um álbum que reúne 11 músicos da Grécia, Itália, Portugal, Estónia e Espanha, num “projecto cooperativo entre várias instituições culturais europeias”, com o objectivo de abater fronteiras e celebrar o diálogo entre as músicas tradicionais dos respectivos países. Afinal, todo o resto corresse tão bem na Europa como sucedeu em Folk Music In Museums – Young Musicians And Old Stories e não se associe aos “museus” a ideia de fósseis religiosamente preservados porque o que aqui se descobre é exactamente o contrário: a gloriosa promiscuidade que enrola “tammurriatas” com marchas catalãs, paganismos mirandeses e estónios, a total ausência de cerimónia na coabitação de melodias das Cíclades com “sardanas” tingidas de flamenco, a obscena naturalidade do convívio entre desbragamentos de taberna, virgens curandeiras e pescadores contrabandistas de haxixe, e o fogo de artifício tímbrico (teppo lööts, tsambouna, torupil, gralla – ataquem os dicionários!) não poderiam ser mais diferentes das hirtas folhas de Excel de qualquer Pacto de Estabilidade e Crescimento.