30 October 2014

You unlock this door with the key of imagination. Beyond it is another dimension - a dimension of sound, a dimension of sight, a dimension of mind. You're moving into a land of both shadow and substance, of things and ideas. You've just crossed over into the Twilight Zone!



28 October 2014

SCOTT O)))

  
Em Dezembro de 2012, David Peschek, de “The Quietus”, a propósito da publicação de Bish Bosch, tentava explicar a transfiguração de Scott Walker desde os tempos dos Walker Brothers até à actualidade dizendo que seria algo semelhante a um dos miúdos dos One Direction converter-se numa combinação de John Zorn, Diamanda Galás, Ligeti e Sunn O))). No mesmo número, em conversa com Walker, John Doran confidenciava-lhe que o álbum – em imagem que o próprio reconhecia como não muito feliz – o fazia pensar numa orquestra de zombies assassinando-se com os instrumentos, escutada por um público igualmente composto por zombies que, em vez de gritar “Brains! Brains!”, urrava “Brahms! Brahms!” Scott terá soltado uma rara gargalhada e respondido: “Obrigado. Acabou de compor o meu álbum seguinte”. Poucas vezes uma publicação terá sido tão profética. Soused, acabado de editar, é uma gravação a meias com os Sunn O))) – os espectros de Zorn, Galás e Ligeti nunca foram parentes demasiado afastados do Scott Walker que saiu da crisálida com Tilt (1995) e, em The Drift (2006) e Bish Bosch, completou a metamorfose numa aterradora borboleta nocturna – e, se a comparação de Doran era, talvez, excessivamente gráfica, a verdade é que essa atmosfera crepuscular de assombração sempre foi o habitat natural de Walker. 



Aparentemente predestinados para, um dia, se cruzarem, a voz e os demónios de Scott e as guitarras de Stephen O'Malley e Greg Anderson (herdeiros de Rhys Chatham e Glenn Branca numa variante glacial da estética do "drone" sonoro que os inventores de etiquetas classificam – entre outros rótulos "prêt-à-porter" – como "heady metal") coabitam da forma mais desejavelmente desconfortável, entregues à edificação de desmedidos painéis de um pavor quase táctil, imensas catedrais de cinzas habitadas por uma multidão de clones do coronel Kurtz, trasladado dos fotogramas de Coppola e condenado para toda a eternidade a viver “the horror... the horror”. Não por acaso, a primeira das cinco longas faixas tem o título de "Brando" e, nela, Scott Walker, qual penitente de missa negra S&M, uiva “A beating would do me a world of good”. Uma maré alta do mais puríssimo mal ameaça transbordar e não é aqui que encontrará algum obstáculo.
Não tem mesmo nada que saber, é o fim do mundo!

The Dream Academy - "Please Please Please 
Let Me Get What I Want" (The Smiths)

Se tudo correr bem, lá pela festa do Rei Urso deve estar concluído

Meeeeedo!...

27 October 2014

"Há alguém particularmente incompetente, parecido com o Crato? Não há. Houve ministros bastante maus, mas eram relativamente cultos, tinham feito a Universidade de Coimbra, tinham tarimba nas Humanidades. Crato não fez. Saber o grego, o latim, a história clássica, é muito bom para um político, dá-lhe um peso e uma gravitas que os ministros não têm, por isso chegam ao poder e não sabem o que hão-de fazer. As Humanidades em Portugal estão pelas ruas da amargura. Nuno Crato tem algumas semelhanças com o alto funcionário do Ministério da Educação, Sousa Neto, uma figura que aparece em 'Os Maias', de Eça de Queirós. Só diz disparates"

"Passos Coelho é desinteressante. Mais uma vez falta-lhe cultura humanística. Para não falar no Sócrates, que nem licenciado é, pretende ser engenheiro. José Sócrates é uma espécie de Dâmaso Salcede, cuja única preocupação na vida é ser 'chic a valer', imitando tudo o que se faz em Paris. Passos Coelho, um fruto das juventudes partidárias, é um produto inexistente no século XIX"

"Enquanto eu não tiver um deputado que vá chatear todos os dias, porque tenho uma enorme capacidade de maçar as pessoas, voto em branco. Eu sei que é ridículo votar em branco, mas não tenho outra maneira de protestar" * (MFM)


* ter, até tem...
É o pugresso, carago (ainda mais avançado na versão de Braga)!

É, realmente, inexplicável, ele não ser admitido no clube dos meliantes
Espelho meu, espelho meu, porque não são eles todos como eu?

26 October 2014

Contribuição extraordinária de solidariedade com os juízes do Supremo Tribunal Administrativo
 
Esta outra machetada faz lembrar a célebre denúncia do PCP, no "Avante" de Dezembro de 1964 (les beaux esprits...)

"Avante" nº 349, de Dezembro de 1964