26 May 2016


DIA DO CORPO DA DEUSA (II)
 
Aphrodite Kallipygos (100 aEC, Nápoles)

Giorgione - Vénus Adormecida (1505)

Bronzino - Uma Alegoria com Vénus e Cupido (c.1545)

Bronzino - Vénus e Cupido com um Sátiro (1553-55)

Bronzino - Vénus e Cupido com Dois Amoretti e a Inveja (1553-55)

Jacob van Loo - Uma Alegoria com Vénus e Cupido (1654)
E, agora, a parte mais gira: da esquerda à direita (com, aparentemente, uma única excepção*), estão todos de acordo!

*... duas...
DIA DO CORPO DA DEUSA (I)
 
William Bouguereau (1825 – 1905) - O Nascimento de Vénus

Louis-Jean-François Lagrenée (1724 – 1805) - Vénus e Marte

Louis-Jean-François Lagrenée - O Banho de Vénus e das Ninfas

Lambert Sustris (1520 - 1584) - Vénus e Cupido

Jean-Jacques Lagrenée (1739 – 1821) - Vénus e Cupido

25 May 2016

A luta dos trabalhadores e do povo, dirigida pela sua vanguarda que abençoa os Kims mas acha que o Zé dos bigodes foi um criminoso, impôs a reposição de um feriado da Vaticano S.A. em celebração de uma freira com as hormonas descontroladas e de uma hóstia com hemorragias

A mana Juliana, seguindo o mandamento cristão "ajoelhou, tem de rezar", anseia pelo momento em que o sinhor fará a sua aparição e ela se antecipará a Agnes-boquinha-santa (Philippe de Champaigne, 1645/50)

"Esta semana o Avante! sai à quarta-feira por uma razão que é motivo de grande regozijo: a reposição do primeiro de quatro feriados retirados pelo governo PSD/CDS, o feriado religioso de amanhã, dia 26, em consequência da luta dos trabalhadores e do povo e da firme intervenção do PCP"
Deep dark fears


(muito mais aqui)
LIMPAR O SÓTÃO


Segundo uma certa escola de pensamento, a possibilidade de conhecermos detalhadamente a intimidade dos criadores proporcionaria um precioso suplemento de profundidade na apreciação que fazemos da sua obra. O que, a ser levado a sério, imediatamente colocaria, por exemplo, William Shakespeare – que nem sequer sabemos exactamente quem foi – numa terrível situação de desvantagem e, a nós, deixar-nos-ia perdidos e incapazes de o entender e decifrar. Esta aparente imprescindibilidade de uma espécie de imprensa "del corazón", braço direito da hermenêutica, voltou a manifestar-se agora mesmo, por ocasião da publicação-surpresa de A Moon Shaped Pool, último álbum dos Radiohead. Estivéssemos ou não interessados em o saber, não havia como ignorar o dispensável pedaço de informação que nos dava conhecimento de que Thom Yorke, no passado Verão, pusera termo a um casamento de 23 anos e o quanto isso e a respectiva "midlife crisis" haviam sido determinantes na gestação do disco. Não se aplicará, ponto por ponto, neste caso, mas é difícil não pensar imediatamente numa dúvida de Tom Waits: “Se estamos a ver um filme muito mau e alguém nos diz 'sabias que é baseado numa história verdadeira?' será que o filme deixa de ser mau?” 


E a questão torna-se ainda um bocadinho mais bizarra no instante em que nos damos conta de que cerca de metade dos temas de A Moon Shaped Pool ("Burn The Witch", "True Love Waits", "Ful Stop", "Identikit", "Desert Island Disk" e "The Numbers") já haviam sido divulgados – alguns desde há bastantes anos, isto é, bem antes do infausto desentendimento conjugal – sob diversas formas. O que, em rigor, para quem isso possa importar, transforma o disco mais numa limpeza de sótão do que num doloroso processo de catarse pública. Na realidade, como sempre deverá ser, o que conta é a música que ele contém. E, aí, de modo idêntico ao que aconteceu com as últimas edições da banda (e de Yorke), as canções tendem a empalidecer perante o "buzz" mediático que as envolveu. Se em Hail To The Thief (2003) houve um "leak" pirata, dois meses e meio antes da data prevista, In Rainbows (2007) investiu na modalidade "pay-what-you-want-download", e Tomorrow’s Modern Boxes (2014) foi colocado no BitTorrent por 4.73€, desta vez, tratou-se de um súbito apagão pré-parto de toda a presença "online" da banda. Para acabar por nos oferecer o quê? Onze peças alinhadas por ordem alfabética nas quais praticamente tudo o que existe de memorável é da responsabilidade de Jonny Greenwood e da London Contemporary Orchestra (o arranjo herrmann/reichiano de "Burn The Witch", o outro de "The Numbers" a insuflar energia no sonambulismo em piloto automático de Yorke e ainda o de "Tinker Taylor Soldier Sailor...", a salvá-la in extremis de uma penosa e lenta morte) e o resto é apenas meia dúzia de aguadas electrónicas de catálogo e embaraçosos confessionalismos tardo-adolescentes. Não valia a pena terem-se incomodado.

24 May 2016

A JOKE A DAY KEEPS THE DOCTOR AWAY (XLIX)

"SOS? Credo, Jesus Maria José! Há uma coisa que eu não entendo. A nossa direita é toda descendente de lenhadores e campinos ou de guerreiros que combatiam os mouros, entroncando todos directamente no Viriato, que comia ratos e romanos vivos. Muitos ainda sentem saudades do tempo em que levavam porrada dos professores. Os filhos deles vão de férias para campos militares, onde acordam às cinco da manhã para fazer corridas e flexões, depois de rezarem o terço, porque podem ainda vir a ter de defender a pátria dos bárbaros. As crianças da esquerda é que, coitadas, é só brinquedos e chocolates e não podem apanhar correntes de ar, porque são mimadinhas. Então e agora, só porque os filhos podem ser obrigados a mudar de escola ao fim de um ciclo, ficam em pânico? Os apelos e cartazes que tenho visto, são de partir o coração. O bullying que o Estado está a fazer com os meninos parece ser pior do que se os enfiassem de cabeça para baixo num caixote do lixo. Dá vontade de pegar num dos petizes e levá-lo para casa, embrulhado num cobertor. Ora, o meu filho já andou em três escolas: do infantário para o primeiro ciclo e daqui para o segundo e lá se aguentou. Parece-me. Ou então, com tanto abanão, ainda se torna serial killer, a segunda pior coisa que lhe pode acontecer a seguir a filiar-se no CDS" (daqui via I)
"Um sujeito que foi um criminoso"???!!!... Mas, lá no PC, é assim que, hoje, se trata o Zé dos bigodes?... Cheira-me que o Marito vai ter de se autocriticar à brava na reunião de célula

Happy 75th birthday, Bob! (III)


"(...) I learned lyrics and how to write them from listening to folk songs. And I played them, and I met other people that played them, back when nobody was doing it. Sang nothing but these folk songs, and they gave me the code for everything that's fair game, that everything belongs to everyone. For three or four years, all I listened to were folk standards. I went to sleep singing folk songs. I sang them everywhere, clubs, parties, bars, coffeehouses, fields, festivals. And I met other singers along the way who did the same thing and we just learned songs from each other. I could learn one song and sing it next in an hour if I'd heard it just once. (...) 

Last thing I thought of was who cared about what song I was writing. I was just writing them. I didn't think I was doing anything different. I thought I was just extending the line. Maybe a little bit unruly, but I was just elaborating on situations. Maybe hard to pin down, but so what? A lot of people are hard to pin down and you’ve just got to bear it. In a sense everything evened itself out. (...) 

Ahmet Ertegun didn't think much of my songs, but Sam Phillips did. Ahmet founded Atlantic Records. He produced some great records: Ray Charles, Ruth Brown, LaVerne Baker, just to name a few. There were some great records in there, no doubt about it. But Sam Phillips, he recorded Elvis and Jerry Lee, Carl Perkins and Johnny Cash. Radical artists that shook the very essence of humanity. Revolutionaries with vision and foresight. Fearless and sensitive at the same time. Revolution in style and scope. Radical to the bone. Songs that cut you to the bone. Renegades in all degrees, doing songs that would never decay, and still resound to this day. Oh, yeah, I'd rather have Sam Phillips' blessing any day (...)" (Bob Dylan, MusiCares Person of the Year 2015 award's acceptance speech)
HÓQUEI EM CAMPO 
(modalidades olímpicas VIII)



Paige Selenski - EUA
Happy 75th birthday, Bob! (II)

Charles Schulz, Maio de 1971 (clicar na imagem para ampliar)

Happy 75th birthday, Bob! (I)

"Visions Of Johanna" (real. John Hillcoat)
Toma e embrulha!


"Uma das coisas que hoje não se sabe, mas que é verdadeiro, é que o fascismo é um movimento de origem marxista. Pouquíssima gente sabe isto" (JRS - daqui)