09 November 2009

EM DEFESA DO PESSIMISMO ANTROPOLÓGICO


Muro de Berlim - Ana Leonor Rodrigues
(clicar para ampliar)


João Lisboa - Os temas políticos, que raramente o têm interessado, aparecem, no seu último álbum [The Future, 1992], em duas canções, "The Future" e "Democracy", sem se compreender exactamente se encara ambos com pessimismo ou esperança...
Leonard Cohen - Procurei apenas ser preciso. O acontecimento que deu origem a essas duas canções foi a queda do muro de Berlim, celebrada por toda a gente como uma ocorrência magnífica, mas que eu vi como um evento sinistro. Talvez devido à minha relutância em aderir à festa, senti uma espécie de "frisson" que me dizia que algo terrível iria acontecer. Por isso, instintiva e nada programaticamente, escrevi "Give me back the Berlin Wall, give me Stalin and St. Paul", pressentindo que aquela ordem se iria desmoronar. E acrescentei, muito claramente, "I've seen the future, it is murder". Infelizmente, foi o que aconteceu. E creio que cada vez se tornará mais claro que os instintos homicidas da humanidade têm de ser controlados por governos centrais muito fortes. De outro modo, serão a morte e o caos generalizasos. Os seres humanos são assim mesmo.

JL - Desconfia bastante da espécie humana?
LC - É preciso ter muito cuidado com ela!...
(Provas de Contacto, Assírio & Alvim, 1998)

(2009)
GIVE ME BACK THE BERLIN WALL,
GIVE ME STALIN AND ST. PAUL,
I'VE SEEN THE FUTURE, BROTHER,
IT IS MURDER




(2009)
QUARTO CRESCENTE



Nick Cave & Warren Ellis - White Lunar

Sem demasiado burburinho, Nick Cave e Warren Ellis têm vindo a converter-se numa dupla de compositores de "film-music" cuja obra não apenas exibe um perfil de autor(es) claramente definido como, especialmente, interiorizou, por inteiro, o quadro de funções e necessidades a que uma partitura para cinema deve responder.



O que, para quem se habituou à ideia de que à sua obra deve estar sempre reservado o primeiro plano, não haverá de ser propriamente intuitivo. Tal como, tomar consciência de que, por essa mesma razão, só raramente ela conquistará autonomia em relação à totalidade de que faz parte, também implicará alguma aprendizagem.



White Lunar, reunindo a música de Cave e Ellis para diversos filmes – nomeadamente, The Assassination of Jesse James By The Coward Robert Ford (2007), The Proposition (2005, com argumento do próprio Nick Cave) e The Road (ainda não exibido, a partir do livro de Cormac McCarthy) – é uma óptima demonstração de tudo isto: se as bandas sonoras desses três filmes (em particular, a do magnífico The Proposition) sobrevivem intactas à amputação das imagens, as que se incluem no segundo CD poderão ser pertinentes no ecrã mas, tomadas em si mesmas, dificilmente ultrapassam a condição de música incidental.

(2009)

08 November 2009

SUFJAN STEVENS - THE BQE (II)






keepvid

(2009)
MAIS 54'37" DE "BOATOS" E "RUÍDO"
SOBRE A GRIPE A, DR. SAKELLARIDES?



(largado aqui, na caixa de comentários, pela F)

Teresa Forcades i Vila; mais aqui e aqui; Crimes And Abuses of The Pharmaceutical Industry; Una Reflexión Y Una Propuesta En Relación A La Nueva Gripe (em inglês).

(2009)

07 November 2009

SUFJAN STEVENS - THE BQE (I)






keepvid

(2009)
ZOONOSIS


Shelter from the flu (ou usos alternativos
para o primeiro caderno do "Expresso")


"Sick kitty was nothing to sneeze at: A 16-pound orange tabby in Ames, Iowa, did something last month that will now and forevermore have a lot of cat lovers taking care to sneeze into their sleeves. The tabby came down with H1N1 swine flu, proving that humans ill with the flu virus should take pains not to spread it to cats as well as humans. The case surprised human and animal health authorities, who hadn't seen a human flu virus passed to a cat before, though passionate cat lovers were shaking their heads knowingly when it was reported last week".

(2009)

06 November 2009

QUE RAIO, É PRECISO COMPREENDER
OS SENTIMENTOS DAS PESSOAS...




"Concerteza que telefonei ao dr. Armando Vara porque é meu amigo e meu camarada. Como sabem este processo entristece-me pelo facto de envolver um amigo meu há tantos anos. Tenho uma relação de há muitos anos com o dr. Armando Vara. Fiz com ele uma carreira política. Por isso este processo é para mim triste" salientou [José Sócrates].

Deve doer muito, deve. A sério. Até porque não é só a "carreira política": também a "carreira académica" foi idêntica e sabe-se como é nesses anos loucos de estroina juvenil que se cimentam as grandes amizades.

Era, aliás, acerca disso mesmo - desses indestrutíveis laços de fraternidade e camaradagem - que falava o professor do ISEG, João Duque, no "Semanário Económico" de 18 de Janeiro de 2008:

“Reconheço no Dr. Armando Vara (o dr. é fundamental tratando-se de quem nos referimos) quatro qualidades de indiscutível mérito para o negócio bancário: primeiro, tem o nº de telefone do Sr. Eng. José Sócrates (reafirmamos de novo a importância do epíteto eng.) memorizado no seu telemóvel e quando lhe telefona ele atende-o; segundo, o Sr. Eng. José Sócrates atende o telemóvel se o Dr. Armando Vara lhe liga do seu telemóvel, onde tem o nº memorizado; terceiro, o nº de telefone de José Sócrates está entre os números de telefone memorizados no telemóvel do Dr. Armando Vara e aquele atende se este lhe liga; e quarto, quando o telefone do Dr. Armando Vara tenta estabelecer a comunicação com o telemóvel do Sr. Eng. José Sócrates onde tem o número memorizado, a comunicação estabelece-se porque este o atende”.

(2009)

05 November 2009

ANNA NETREBKO (IV)


Jules Massenet - "Ce bruit de l'or" (Manon)

(2009)
ANNA NETREBKO (III)


Anna Netrebko e Roberto Alagna: Jules Massenet -
"Avez-vous peur que mon visage" (Manon)


(2009)
ANNA NETREBKO (II)















(2009)
ANNA NETREBKO (I)


Mozart - "Crudele? Ah no, mio bene" (Don Giovanni)

(2009)

04 November 2009

CANÇÃO DO ANO, VIDEOCLIP DO ANO,
REVELAÇÃO DO ANO, ARTISTAS DO ANO!



(caçado aqui)

Hino dos Funcionários Públicos * realizado por funcionários do Departamento Técnico de Planeamento e Urbanismo da Câmara Municipal de Portimão

* vá, agradeçam-me: na página do YouTube, está Funcionários Púbicos; a menos que desempenhem outras funções que desconheço.

(2009)
ISTO (E ISTO, E ISTO) SÃO BOATOS?...



"Boatos" na Internet trazem "ruído" à volta da vacinação

(2009)
UM DALAI LAMA A CADA ESQUINA



Não seremos ainda suficientes para desenhar um sorriso no rosto de cada contabilista, para oferecer um ramo de jasmim a cada talibã, para transformar cada surtida à secção de congelados do Pingo Doce num musical. Mas, nós, os escolhidos do Clube de Fãs do Pensamento Filosófico de Laurinda Alves, sabemos ser já os bastantes para, nas pequeninas coisas que realmente contam - ajeitar o lenço de um escuteiro, alinhar os chacras de um pedinte romeno, adoptar uma iguana orfã -, continuarmos a transformar o mundo num lugar onde, não tardará muito, Madre Amy Winehouse será abadessa das Carmelitas descalças e a OPEP cobrará pelo barril de crude aquilo-que-o-seu-país-generosamente-quiser-dar. É, porém, com transbordante alegria que a nossa bolsa marsupial dos afectos acolhe, todos os dias, novos residentes. Saudamos, pois, carinhosamente, Pedro Mexia, recentíssimo devoto-de-Laurinda, que, nas páginas da revista "Ler", lhe dedica o maravilhoso "Felicidade Alves".

Numa pré-publicação em rigoroso exclusivo, aqui ficam alguns excertos:

" (...) Coisas da Vida (Oficina do Livro) é a mais recente compilação de textos de Laurinda, ou seja, mais uma overdose de felicidade. O nosso prefaciador vai direito ao assunto: Laurinda é uma 'bordadora de palavras tecidas de sentimento'. É um caveat honesto: quem não apreciar 'palavras tecidas de sentimento' deve largar imediatamente o volume na livraria, e ir a correr para a aula de Pilates. Se há quem veja o copo sempre meio-cheio, Laurinda vê sempre o copo a transbordar, com água pelos bordos, tão cheio que é preciso dar o proverbial beijinho para que não se derrame. E ela dá. Não conheço outra pessoa que conviva com homens que operam guindastes e que frequente taxistas, como ela conta nestas croniquetas, e que não encontre uma imprecação, uma bílis que seja, uma tirada racista ou um insulto misógino. Quando Laurinda anda de táxi, os taxistas não querem um Salazar a cada esquina mas um Dalai Lama a cada esquina. (...) Desde o tempo da revista 'Xis', uma publicação que fazia a 'Vida Soviética' parecer uma bíblia do pessimismo, que Laurinda Alves é a pessoa mais feliz de Portugal, e insiste em comunicar isso a todos. Ela é como aquelas enfermeiras que acordam um doente para perguntar se tomou o comprimido para dormir. Nos tempos do catolicismo progressista, havia um famoso sacerdote contestatário chamado Padre Felicidade Alves. Mas só agora é que chegou verdadeiramente alguém que merece esse nobre título de Felicidade Alves".

(2009)