19 October 2017

Jobs for the boys em modo homicida
 

Edit (20:10): oops!... foi mesmo à justa...
Recordando a coroa de glória 
VINTAGE (CCCXCIII)

The Del-Byzanteens - "My World Is Empty"

FESTA


Trata-se de uma singularidade cósmica particularmente rara: o lugar onde o clube das bandas lendárias que publicaram apenas um álbum (Young Marble Giants, The United States Of America, Sex Pistols, The Germs, The Del-Byzanteens, Life Without Buildings, The Monks) se cobre com a poeira dos arquivos nos quais se ocultam os míticos "great lost albums". Com o incalculável valor acrescido de, no caso, não ser por gentileza ou reflexo de "hype" instalado que "great" acompanha "lost album": Slights Still Unspoken (Selected Recordings 1978-1979), dos Voigt/465, é, sem a menor dúvida, uma preciosa recuperação arqueológica por que teremos de ficar eternamente gratos à editora espanhola Guerssen Records. Oriundos da nunca suficientemente louvada cena rock australiana que, entre inúmeros outros, nos deu a conhecer os Triffids, Go-Betweens, Apartments, Nick Cave, The Saints, Radio Birdman e The Church, os Voigt/465 eram cinco catraios da Technical Boys High School, de Sidney (Rae Byrom, voz, Phil Turnbull, voz e teclados, Lindsay O'Meara, baixo, Rod Pobestek, guitarra, e Bruce Stalder, bateria), que, em 1976, no espaço de uma oficina cedida pelo pai de um deles, lançaram desordenadamente para o caldeirão das bruxas todos os ingredientes que tinham à mão. 



A saber, os mais suculentos nacos dos Velvet Undergtound, Roxy Music (fase Eno), Pink Floyd (aliás, The Piper At The Gates Of Dawn, isto é, Syd Barrett), Stooges, Pere Ubu e Devo, generosamente temperados com pitadas de Faust e Can, essências-garage, art-rock britânico, ruído avulso e libérrima improvisação. Como será fácil de compreender, uma tão rica e eclética dieta não conduz ao tipo de digestão fácil que faz desenrolar as passadeiras vermelhas para carreiras gloriosas. Na verdade, o radar da notoriedade apenas lhes assinalou a existência durante aqueles fugazes instantes em que o único single, “State”/“A Secret West” (1978), soou nas ondas radiofónicas de John Peel. Tanto assim que o solitário álbum que publicariam, Slights Spoken (1979) era só um registo para memória futura de uma banda já oficialmente dissolvida. Quase 40 anos mais tarde, apenas poderemos dizer que, como só improvavelmente acontece, nunca havíamos ouvido nada semelhante antes e dificilmente o viremos a fazer depois. Uma estrondosa festa para o canal auditivo.

18 October 2017

St Vincent on SNL 2014 
("Digital Witness" + "Birth In Reverse")

É uma tortura ouvir a língua portuguesa ser impiedosamente massacrada num debate do parlamento: é o "chamar à atenção", da Cristas, as "alterações que se alteraram", do Costa, o "fazer gáudio" (?) do Hugo Soares (são só três exemplos para que não me acusem de provocar vómitos)
O que se chama 
Gosto muito daquela sequência "O 44, o Abrantes, o Farinho e a Mulher Dele" (mas todo o argumento é óptimo e os secundários vão muito bem)

Brevemente!

17 October 2017

Gerrit Komrij - "Um Almoço de Negócios em Sintra" (1996)



(clicar na imagem para ampliar - daqui)


... como olhar para a Via Láctea... (a busca por "fado" leva-nos onde menos suspeitamos)
Charles Mingus - The Black Saint 
and the Sinner Lady

Entre a Quinta da Marinha e o Parque das Nações, houve brindes com champanhe

SEDUÇÃO E PODER

  
Coincididindo com a publicação do seu álbum anterior (St. Vincent, 2014), Annie Clark anunciou o lançamento de um lote especial de café Flecha Roja, da Costa Rica, por ela seleccionado para a Intelligentsia Coffee: “Adoro café. Por vezes, à noite, fico excitada só de pensar no café que irei beber na manhã seguinte. O café é a razão para eu acordar. Não é a única, claro. Mas é um forte incentivo. Adoro o café da Intelligentsia. Faço fila aos balcões deles qual fã à espera de um concerto. Ansiosa. Impaciente. Por isso, quando a minha marca de café preferida me abordou para colaborar com ela, fiquei emocionadíssima”. Mesmo não conhecendo bem Clark, para o estrato superior do sapiens incapaz de viver sem essa dádiva do Islão ao mundo, não poderia haver melhor cartão de visita. Mas, nestes três últimos anos, não foi essa a única actividade extra-curricular de St. Vincent: realizou uma curta de terror (The Birthday Party) e deu início à produção de uma releitura cinematográfica de O Retrato de Dorian Grey sob uma perspectiva feminina, aceitou ser um dos rostos da joalheira Tiffany – para a qual também gravou uma versão de "All You Need Is Love", dos Beatles – e concebeu e assinou uma guitarra eléctrica para a Music Man/Ernie Ball. 



Com Masseduction, o novo álbum, a atitude, tal como confessou a “The Line Of Best Fit”, terá sido “People might have thought I was going to zig, so I zagged”. Exactamente o género de coisa que, afinal, nunca seria inesperada vinda de quem, por exemplo, aquando da atribuição de um Grammy pelo disco de há três anos, na categoria de “Melhor álbum de rock alternativo, perguntou “Mas alternativo a quê?...” (curiosamente, consta que Masseduction irá ter uma variante… alternativa, "stripped down", apenas com o pianista Thomas Bartlett/Doveman). Porém, rezam as crónicas que francamente pouco convencional foi o cenário montado para acolher, em Londres, quem, agora, lhe iria escutar as opiniões: um cubo lynchiano côr-de-rosa com pontos de luz da mesma côr – “a psychedelic womb” – no interior do qual, Clark, sentada a uma mesa, poderia accionar um botão de resposta automática previamente gravada a indesejáveis perguntas estereotipadas. Que teriam por consequência imediata a expulsão do perguntador.

(videoclip aqui)

Sedução e poder. São as chaves de leitura para um álbum cuja digressão se intitulará “Fear The Future” e que St. Vincent descreve como “Dominatrix at the mental institution”: “Sabia que precisava de escrever sobre o poder – a ficção do poder e o poder da ficção”. Mas se, em "Happy Birthday, Johnny", ela canta “You saw me on magazines and TV, but if they only knew the real version of me“, todas as tentações de leitura (auto)biográfica são severamente desencorajadas: “As canções são testes de Rorschach. A interpretação ou o sentido de uma canção têm muito mais a ver com o ouvinte do que com a intenção de quem a escreveu. Há quem se preocupe com a possibilidade de ser mal interpretado. Desde que não me acusem de racismo, sexismo ou homofobia, por mim, está tudo bem”. Basta, então, que saibamos que esta formidável colecção de 13 canções convulsivamente electrónicas, invasivamente orquestrais e neuroticamente eléctricas se alimentou de Charles Mingus, Nabokov e Nick Cave. E que nada tem a ver com eles.
A Sodona Madonna é uma santa 
ou não é?


15 October 2017


Deixa ver se percebi: a Vaticano S.A. - agora muito mais arejada e progressista com o Santo Chiquinho como CEO -, para averiguar do grau de machorrice (de que nunca deverão fazer uso!) dos jovens candidatos a funcionários da empresa, vai perguntar ao mulherio beato se o puto já andou enrolado com elas, se já tentou mas a coisa não passou dali, ou se, mesmo que elas até nem desgostassem da ideia, ele não lhes liga peva? É isso? E qual é a resposta certa? E o valor do depoimento é igual quer se trate da bisavó do sacristão ou da moça da tabacaria que é a cara chapada da Eva Green?

A Carlinha da tabacaria