19 March 2019

 

 
(O 9º ANO A SEGUIR AO) ANO DO TIGRE (CXLIV)


 

"We keep inventing jobs because of this false idea that everybody has to be employed at some kind of drudgery... He must justify his right to exist. (...) The true business of people should be to go back to school and think about whatever it was they were thinking about before somebody came along and told them they had to earn a living”
DUAS LINHAS E MEIA


Entre Janeiro e Fevereiro de 1968, a cidade de Hull, no Nordeste de Inglaterra – então o maior porto de pesca mundial de alto mar – foi abalada pelos terríveis naufrágios de três arrastões no mar Ártico e a consequente morte de 58 pescadores. Impulsionado por Lillian Bilocca – filha, mulher e mãe de pescadores –, foi, de imediato, constituído o Women’s Committee de Hessle Road (centro da comunidade piscatória local) que, após uma reunião de centenas de mulheres, invadiu as instalações dos todo-poderosos armadores e, apesar da oposição de muitos pescadores receosos de perder o emprego, exigiu a presença de meios de comunicação por rádio em todas as embarcações e um barco de socorro com apoio médico de emergência que garantissem as necessárias condições de segurança e contrariassem a longa tradição de tragédias nos mares gelados. Ameaçadas de morte e pressionadas a “não se meterem em assuntos de homens”, declararam-se prontas a montar um piquete à porta do primeiro-ministro, Harold Wilson: acabariam por ser recebidas pelo governo e todas as suas reivindicações acatadas. 


Foi acerca desta heroína local que a actriz e dramaturga Maxine Peake escreveu The Last Testament of Lillian Bilocca, estreada em Hull em Novembro de 2017, para a qual encomendou às Unthanks o acompanhamento musical que constitui, agora, as 5 faixas do primeiro CD de Lines (Parts One, Two and Three): confrontacional e provocador em "A Whistling Woman" (“For a man may whistle and a man may sing, for a man may do a thousand things, but a whistling woman and a crowing hen may bring the devil out of his den"), intenso e assombrado em "The Sea Is a Woman", inesperadamente lynchiano na sonâmbula "Lonesome Cowboy". A encomenda para o segundo CD – “World War One” – chegaria, em 2014, por ocasião do centenário da primeira Guerra Mundial, com “A Time and a Place”, uma iniciativa da Sound UK e do Arts Council. Assente em poemas e cartas de intervenientes na carnificina inter-imperialista (Vera Brittain, Siegfried Sasson, Teresa Hooley) é um momento para recordar o horror (“My little son, rotting in no man’s land, out in the rain”, de "War Film", na voz de Rachel Unthank, é um "Dormeur du Val" arrepiante) nas belíssimas composições de Adrian McNally. “Emily Brontë”, o terceiro CD, nasceu de um convite da Brontë Society para assinalar o 200º aniversário da autora de Wuthering Heights. É o mais longo (10 canções) mas também o mais subserviente aos textos e, musicalmente, convencional.

15 March 2019

Já começou a 2ª temporada de Tweedledee & Tweedledum (com novo actor no papel de Tweedledum e Tweedledee pós-banda gástrica)

Em solidariedade com o "menos activo", o intelectual do Largo do Rato Mickey - um não muito mais activo MEP - exibe garbosamente o seu pensamento de Dona-Adelaide-óbalhamedeus: "a separação entre a arte e a política", já!!!


“O populismo é como o colesterol, há o bom e o mau" Marques Mendes, SIC, Jornal da Noite, 10/03/2019 

"O de Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentou o comentador, é do bom, tirando alguns 'tiques', e até tem efeitos sanitários. A metáfora do colesterol é como todas as metáforas dos fluídos corporais: um pouco escatológica. Mas, fora isso, ela tem potencialidades de elaboração analítica à altura do tema e do seu autor. Não se sabendo já o que pode designar hoje a palavra 'populismo', o melhor é de facto proceder a uma análise química da coisa. Por enquanto, estamos ainda nas classificações muito imprecisas do bom e do mau. Mas quando os aparelhos analíticos se aperfeiçoarem descobrir-se-á a fórmula do 'populismo puro' e talvez iremos descobrir que há vestígios dele e dos seus 'tiques' nestes sermões recitados com gestualidade circense, vocabulário popular e entoação enfática, para 'as pessoas lá em casa perceberem'" (AG)
VINTAGE (CDLXX)