22 April 2017





Claro que será praticamente impossível fazer compreender ao ex-"sit-down comedian" dos beijinhos e das meiguices que a bola, desde há muito, não é um desporto mas apenas negócio, indústria (do espectáculo) e parque de diversões para - de alto a baixo - puríssima bandidagem analfabeta 

23 - Em antecipação do formidável festival
da superstição
   
The Great Fatima Swindle
(patrocinado pelo CEO da Vaticano S.A. e 
acolitado por meliantes vários)

A Drª mana Angelita, logo no primeiro parágrafo, explica como os fedelhos não passavam de uns desavergonhados oferecidos ao primeiro badalhoco que os desafiasse
Ou como (evocando o trafulha do Freud) a literatura lusa continua fixada na fase oral (III)


"À semelhança do que acontece em Rodrigues dos Santos, as mamas grandes são a matéria, a substância e o assunto do corpus literário de Miguel Sousa Tavares (aliás Sousa Tavares tem muito de Rodrigues dos Santos e vice versa). De certo modo, ao elevá-las à altura de uma doutrina, as mamas grandes tornaram-se um símbolo constitutivo da escrita do autor de Não Te Deixarei Morrer, David Crockett e são hoje uma marca pessoalíssima da sua obra. Na verdade, as palavras e os pensamentos de Sousa Tavares costumam ir dar às mamas, único terreno onde as suas ideias se costumam mover com algum à vontade" (João Pedro George, "As mamas na literatura portuguesa", número de Primavera-2017 da revista "Ler" - série iniciada aqui)
"An antique carved ivory ladies’ companion" é uma óptima designação

(reler aqui e, sob outro ângulo também actualíssimo, aqui)
A propósito da hipótese de eleições primárias no PSD, Rui Nunes (médico, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto) declara ao "Expresso": 

"Esta ideia é como um vírus. Não é possivel estancá-la"

Ficamos, pois, a saber que: 

1) Estamos lixados: todo o esforço da ciência médica contra as doenças provocadas por vírus é em vão; 

2) Isso poderá dever-se ao facto de, vá lá entender-se porquê, alguns médicos suporem que os vírus são líquidos.

21 April 2017

Ou como (evocando o trafulha do Freud) a literatura lusa continua fixada na fase oral (II)


"Na última década, José Rodrigues dos Santos tornou-se um dos mais famosos corifeus desta corrente estética. A título exemplificativo, leia-se n'O Anjo Branco a cena em que somos apresentados à rodesiana Nicole e aos seus 'seios desproporcionadamente grandes adornados por mamilos largos e rosados'; ou O Sétimo Selo, quando Igor se dirige a Cummings e pergunta: 'E as mamas? São grandes? Hã? São grandes?'. Depois, em O Códex 632, que é como que a matriz de toda a produção literária deste autor, na cena em que Lena insinua 'uns seios atrevidos e generosos, com um volume que a cintura estreita mais acentuava', Rodrigues dos Santos aproveita para demonstrar que as regras consentem sempre uma ou duas excepções. Veja-se o folgazão Tomás Noronha (um doido varrido por mulheres), que 'sempre ouvira dizer que as mulheres de seios grandes não eram particularmente boas na cama; mas, se isso era verdade, Lena constituia certamente a grande excepção' (o que faz de Mariana, em Alma de Pássaro, de Margarida Rebelo Pinto, a regra: 'tinha umas boas mamas mas não era grande coisa na cama')". (João Pedro George, "As mamas na literatura portuguesa", número de Primavera-2017 da revista "Ler" - série iniciada aqui)
... mas, no "newspeak" tão moderninho quanto possível da Vaticano S.A., afinal, como já se suspeitava, os putos andavam a dar no estramónio e tiveram uma "visão imaginativa" (diz o Carlitos, convenientemente despachado para Roma)
22 - Em antecipação do formidável festival
da superstição
   
The Great Fatima Swindle
(patrocinado pelo CEO da Vaticano S.A. e 
acolitado por meliantes vários)

aqui se revela o extraordinário milagre da lei da gravidade inofensiva, mais impressionante ainda do que aquele que anulou os temíveis poderes do óleo Fula e que o outro do famigerado pioderma

20 April 2017


Ou como (evocando o trafulha do Freud) a literatura lusa continua fixada na fase oral (I)

La Toilette de Venus - William Bouguerau (1873)

Que ninguém ouse duvidar: haverá, inevitavelmente, um AM e um DM (antes das mamas e depois das mamas) na história da literatura portuguesa! Para sempre o deveremos às 33 páginas do enciclopédico ensaio "As mamas na literatura portuguesa", publicado por João Pedro George, no número da Primavera-2017 da revista "Ler". Tão erudita investigação sobre a dimensão eminentemente glandular da escrita dos nossos maiores vultos não poderia aqui passar despercebida. Inicia-se, pois, uma série na qual, por assim dizer, se dará o devido relevo a alguns dos mais saborosos nacos. Da prosa de JPG.

"Quem leu Camões, Eça de Queirós, Mário de Sá-Carneiro, David Mourão-Ferreira, Baptista-Bastos, Maria João Lopo de Carvalho, Nuno Júdice ou Margarida Rebelo Pinto, entre outros, não terá por certo deixado de notar a abundância e variedade de mamas. Os personagens dos romances de Miguel Sousa Tavares, por exemplo, são propensos a ver mamas em toda a parte, vivem dominados pelo desejo de mamas, parecem não ter outra ideia, outro objectivo que não seja a busca de um genuíno par de mamas. (...) A este mesmo grupo pertence o fabuloso criador de O Códex 632, de A Fórmula de Deus e de tantos outros livros em que as descrições das mamas, combinando a sugestão freudiana e o estilo proustiano, são da maior importância para a compreensão e interpretação do pensamento literário de José Rodrigues dos Santos".
The Magnetic Fields - "Have You Seen It in the Snow"


Nem é preciso perder muito tempo. Está contada a história todinha, aqui, em 60 posts (os últimos já bastante "après la lettre"), quase minuto a minuto (e nada disso colide - muito pelo contrário - com o que aqui se escreve)
"(...) a sensibilização para as vacinas deve ser enquadrada também à luz da avalanche legislativa que nos últimos anos tem contribuído em Portugal para credibilizar os terapeutas alternativos, que atrás das portas dos seus consultórios vendem impunemente mentiras acerca das vacinas e 'vacinas alternativas'. O primeiro decreto-lei, assinado em 2003 pelo primeiro-ministro Durão Barroso, enquadra legalmente as terapias alternativas e obriga, na prática, à sua regulamentação. Seguiu-se, com algum atraso e após uma decisão de tribunal, a publicação de um conjunto de portarias delirantes que definem as terapias alternativas como 'abordagens holísticas, energéticas e naturais do ser humano', falam em 'desarmonias energéticas', 'redes de meridianos' e outras coisas que não significam nada. No entanto, prevêem que estes terapeutas mágicos sejam credenciados e possam pendurar nas paredes dos seus consultórios respeitáveis cédulas profissionais emitidas pela administração central do sistema de saúde. Um outro conjunto de portarias alucinogénicas governamentais, de 2014, definiu os conteúdos programáticos para as licenciaturas em terapias alternativas, que contemplam coisas como a auricoloterapia (a ideia de que o pavilhão auricular é uma espécie de boneca vudu em que a cada pontinho corresponde a um órgão ou a uma parte do corpo) e a iridologia (a mesma coisa, mas com olhos). Toda esta legislação que contribui para dar indevidamente crédito a quem aconselha a não vacinar deveria ser imediatamente revogada (...)" (D. Marçal)

19 April 2017

Gnod - "People"

NEUROCIÊNCIA

  
No último mês da campanha para a presidência norte-americana, Aimee Mann, contribuiu com uma canção peculiar para o site independente “30 Days 30 Songs”, ponto de encontro dos “musicians for a Trump-free America” (actualmente convertido em “1000 Days 1000 Songs”, segundo o Washington Post, “a playlist of songs that Donald Trump will hate”): numa demonstração exemplar do seu “sense of irony made of real iron”, "Can’t You Tell?" apresentava um Trump que, falando na primeira pessoa, confessava que apenas se candidatara pela emoção da vitória e para se vingar da humilhação que sofrera às mãos de Barack Obama, em 2011, no jantar de correspondentes da Casa Branca. Mas que, apavorado perante a possibilidade cada vez mais concreta de vir a ser presidente, terminava, suplicando: “Isn’t anybody going to stop me? I don’t want this job, my god, can’t you tell I’m unwell?” 



“Unwell” é também o mínimo que poderá dizer-se do estado de espírito da maioria das personagens que, desde 1985, com os ‘Til Tuesday, e, a partir de 1993, a solo, habitam as canções de Mann. Muito em particular em álbuns como Bachelor No. 2 (2000), Lost in Space (2002), The Forgotten Arm (2005), @#%&*! Smilers (2008), e, acima de todas, nas que escreveu para a perfeitíssima banda sonora de um dos mais devastadores filmes de sempre – Magnolia, de Paul Thomas Anderson (1999) –, cujo argumento foi, aliás, inspirado nelas. Razão pela qual não seria, de todo, um disparate supor que um título como Mental Illness designaria uma compilação/"best of" de Aimee. Afinal, é tão só o seu nono registo de estúdio que, em modo sarcástico, assume o rótulo “depressivo” que lhe foi colado mas não desiste de investigar e inventariar aquilo de que, já há 50 anos, em The Ghost In The Machine, Arthur Koestler suspeitava: fundamentalmente disfuncional, do cérebro da criatura humana pouco há a esperar senão a trágica repetição dos mesmos erros. Nas palavras e melodias de uma suprema classicista pop, isto deverá ler-se “Here we go again, it's obvious, here we go again, we've just become our worst mistakes, the rattles off two rattlesnakes, the antidote that no one takes, so here we go again”. Ou, nitidamente, já no fim da linha, “Philly thinks, and when he thinks he can't feel anymore, Philly drinks, and when he drinks, all the drunks hit the floor”.