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06 June 2023

 

(sequência daqui) 2) Falando sobre a avó Anna, em Chronicles Volume One (2004), Shabtai /Robert/Bob Dylan desenha-lhe o retrato (“A minha avó tinha apenas uma perna e fora costureira. Era uma senhora morena que fumava cachimbo. O outro lado da minha família era loiro e de pele muito mais clara. Tinha também um sotaque impressionante”) e, a partir daí, sobrepõe genealogia e geografia: “Tinha chegado à América vinda de Odessa, uma cidade portuária no sul da Rússia, não muito diferente de Duluth: o mesmo tipo de temperamento, clima e paisagem, mesmo à beira de uma grande massa de água. Originalmente, tinha vindo da Turquia, por barco, desde Trabzon, através do Mar Negro – a que os antigos gregos chamavam o Euxino e sobre o qual Lord Byron escreveu em Don Juan. A família dela era de Kagizman, uma cidade da Turquia perto da fronteira com a Arménia e o nome de família era Kirghiz. Os pais do meu avô também vinham da mesma zona e tinham sido principalmente fabricantes de sapatos e correeiros. Os antepassados da minha avó eram de Constantinopla”. (segue para aqui)

04 June 2023

SETE OUTROS LADOS DE BOB DYLAN


1) A 24 de Maio de 1941, no St. Mary’s Hospital, de Duluth, no Minnesota, nascia Shabtai Zisel ben Avraham, primeiro filho de Abram/Abe H. Zimmerman e Beatrice "Beatty" Stone, segundo rezam as crónicas, um bebé de 3.500 quilos, “do tamanho de uma truta bem encorpada”. Não seria pelo nome judaico que o mundo o viria a conhecer, nem sequer pelo de Robert Allen Zimmerman do qual se desembaraçaria a 2 de Agosto de 1962 trocando-o por Bob Dylan. Era a segunda geração de judeus ucranianos já nascidos em território norte-americano. O avô, Zigman Zimmerman (nome hebraico, Zisel – “Não faço ideia onde foram arranjar um apelido alemão”, diria o neto numa entrevista à “Playboy”, em 1978), nascera no dia de Natal de 1875, no porto ucraniano de Odessa, e crescera num clima social de violento anti-semitismo. Em 1907, fugindo aos pogroms do czar Nicolau II, chegaria a Nova Iorque e daí viajaria para noroeste, até Duluth. Três anos depois, trabalhava ainda como vendedor ambulante mas chamaria a mulher e os filhos para irem ter com ele aos EUA. Quando Abe nasceu, em 1917, Zigman – que, então, respondia já por Zigmond H. Zimmerman – era angariador de seguros para a Prudential Life Insurance Co. Abe seria vendedor de electrodomésticos e "senior manager" da Standard Oil, mas uma poliomielite acabaria por lhe destroçar todos os sonhos. (daqui; segue para aqui)

01 September 2022

OS DETALHES DO MUNDO 

Regina Spektor conhece bem aquilo de que fala: Home, Before and After. Nascida na Moscovo ainda soviética de 1980 com avós originários da Ucrânia, mal as primeiras frestas da “perestroika” se abriram autorizando a emigração de cidadãos judeus, a família Spektor – Ilya, o pai fotógrafo e violinista, Bella, a mãe professora de piano, Boruch, o irmão, e ela –, em 1989, voou para os EUA. Todas essas memórias deverão ter-lhe regressado a galope quando, no passado dia 24 de Fevereiro, em pleno início da invasão russa da Ucrânia, escreveu no Instagram: “Hoje dói-me o coração porque, por mais enormes obras de arte e de música que existam a denunciar os horrores da guerra (Guernica.... 'Masters Of War'... Vonnegut... Remarque... tantos filmes em tantas línguas...), novos senhores da guerra se vão erguendo em todas as nações, enviando novos jovens para se massacrarem mutuamente”. Mais recentemente, à “NPR”, confessaria: “É verdade, estou devastada. Não acredito que isto possa estar a acontecer. Os meus avós são da Ucrânia e combatemos todos juntos na Segunda Guerra Mundial. Cresci na Rússia soviética e não existia qualquer diferença entre os nossos familiares de Moscovo e os de Odessa. Era um lugar colectivo onde todos tínham sofrido horrores, todos tínham combatido os nazis e vivido o pesadelo de ver o nosso território invadido. Mas, agora, na Ucrânia, o que vemos são milhões de civis arrastados para uma guerra, cidades vibrantes cheias de famílias. Não consigo ver mais reportagens. Já chorei demais, já me enfureci demais. É aterrador”. (daqui segue para aqui)

"Up the Mountain"

17 March 2022

11 March 2022


"My grandmother had only one leg and had been a seamstress. Sometimes on weekends my parents would drive down from Iron Range to Duluth and drop me off at her place for a couple of days. She was a dark lady, smoked a pipe. The other side of my family was more light-skinned and fair. My grandmother's voice possessed a haunting accent—face always set in a half-despairing expression. Life for her hadn't been easy. She'd come to America from Odessa, a seaport town in southern Russia. It was a town not unlike Duluth, the same kind of temperament, climate and landscape and right on the edge of a big body of water. Originally, she'd come from Turkey, sailed from Trabzon, a port town, across the Black Sea—the sea that the ancient Greeks called the Euxine—the one that Lord Byron wrote about in Don Juan. Her family was from Kagizman, a town in Turkey near the Armenian border, and the family name had been Kirghiz. My grandfather's parents had also come from that same area, where they had been mostly shoemakers and leatherworkers" (Bob Dylan - Chronicles Volume One)

08 March 2022

Casa Ukrania - "Sum" (r.roo remix)


 
(do álbum Terra Ukrania, na íntegra, aqui) 
 
"Casa Ukrania is an electronic duo from Odessa, exploring ukrainian mentality as a part of the world culture. Discovering both their music origins and other nations' heritage, Casa Ukrania strengthens the link between the living voice of folk music and the urban world"