30 April 2019

VINTAGE (CDLXXXIII)

Saint Etienne - "You're In a Bad Way"

(apesar de em atraso) Dizer que o primeiro-ministro de Israel é judeu e que o Trampas é imbecil, é politicamente incorrecto porquê? Shame on you, "New York Times"!...



"I'm Jewish (from both sides of family tree, and we lost many family members to the Holocaust and pogroms), and I just saw the cartoon. I think it's an accurate portrayal of the relationship between Bibi and Trump. I don't perceive it is an anti-Semitic trope at all. I do think that the caricature of Bibi's face isn't great, so it may be confusing for readers who don't recognize the Israeli leader. I'm also a progressive and I despise the way Netanyahu has moved Israel to the extreme right, and the fact that he doesn't acknowledge the opinions of the many centrists and progressives in his own country. He and Trump deserve each other. History will not look kindly upon them. I think the cartoon implies that, too" (da caixa de comentários do "NYT")
CORES A EXPLODIR NO CÉU


Houve um riquíssimo – e injustamente menosprezado – filão da música do século XX redescoberto à beira do novo milénio que, embora, à época, tenha produzido descendência apreciável, não chegou a ser exaustivamente garimpado. Os Stereolab, Broadcast, Saint Etienne, High Llamas, Pizzicato Five, Tipsy, Combustible Edison, Pram ou Oranj Symphonette, quais intelectuais renascentistas, poderão ter arregalado os ouvidos perante as três dezenas de volumes recheados de tesouros da série Ultra Lounge (e as muitas outras reedições que recolocaram no mapa Les Baxter, Martin Denny, Ray Coniff, Yma Sumac, Arthur Lyman, e Juan Garcia Esquível enquanto legítimos herdeiros de Bach, Telemann, Debussy ou Satie e antecedentes directos de Cage, Chet Baker e Brian Eno) mas, no vastíssimo universo easy listening/lounge/muzak/exotica/elevator music, muito ficaria ainda por explorar. Acrescente-se ainda a recuperação das obras dos pais fundadores da electrónica – Raymond Scott, Robert Moog, Louis e Bebe Barron –, o encontro com as excentricidades sonoras de Gravikords, Whirlies & Pyrophones (1998), a reavaliação de inúmeras bandas sonoras para "gialli" e eternos residentes nos rodapés da história do cinema – a magnífica recolha Crime & Dissonance, de Morricone, mas também Fabio Frizzi, Krzysztof Komeda, Gene Moore – e o poço sem fundo da "library music", e ficar-se-á com uma razoável ideia da inesgotável matéria-prima pronta para centrifugação laboratorial. 



Foi justamente por aí que Le SuperHomard, banda francesa de Avignon (ou, mais exactamente, Christophe Vaillant, compositor, Julie Big, voz, e acólitos), se orientou, criando uma descendência contemporânea para tão glorioso passado. Situando-se algures no ponto em que uma reinvenção dos ABBA às mãos de membros avulsos dos Saint Etienne e Stereolab se cruzaria com a suave troca de genes entre uns Black Box Recorder menos perversos e um Syd Barrett um segundo antes de se evadir para os anéis de Saturno (eles chamam-lhe “pop retro-futurista” e confessam-se também em dívida relativamente a Morricone. François de Roubaix, Love), Meadow Lane Park é um garboso exercício de "space age bachelor pad music" angélica, um luminoso modernismo sonoro imaginado sob o signo de Vasarely. "Paper Girl" diz tudo: “Take a page, draw a happy face inside a heart, picture you, picture me, picture everyone, draw the lines of fireworks exploding in the sky, red and blue, pink and green, cover all the white”.

26 April 2019


O PPC achava-o "não racista, não xenófobo", o PS via-o como "um bom vereador", os juízes do TC desconfiam que é aldrabão, mas o PNR que tem o faro apurado reafirma o comum sangue neo-nazi - é aborrecido dizê-lo mas quem tem razão é o PNR


"It’s a continuation of the Port Talbot piece that appeared in December 2018"
"Anti-bullfighting party set for Spanish election breakthrough" (daqui)


Radicais livres (LXXVI)




Le Violon d'Ingres - foto de Man Ray

25 April 2019

Como sabe qualquer pessoa que tenha tido uma correcta educação política, manifestação que não inclua bordoada ou, pelo menos, um elevado potencial para bordoada, não é digna desse nome


“'I know nothing that I may say can influence you', he said. 'You have no souls to be influenced. You are spineless, flaccid things. You pompously call yourselves Republicans and Democrats. There is no Republican Party. There is no Democratic Party. There are no Republicans nor Democrats in this House. You are lick-spittlers and panderers, the creatures of the Plutocracy. You talk verbosely in antiquated terminology of your love of liberty, and all the while you wear the scarlet livery of the Iron Heel'” (Jack London - O Tacão de Ferro - I)
Scott Walker - "We Came Through"



We came through
We came riding through like warriors from afar
Our black horses danced upon the graves of yesterday's desires
Haunted by our visions framed in fire
I greet you, for you still believe in what's behind a door
You've seen the children freeze upon their knees
And praying to the wind
Descend their grey madonnas back again

Fire the guns, and salute the men who died for freedom's sake
And we'll weep tonight, but we won't lie awake
Gazing up at statues dressed in stars
We won't dream, for they don't come true for us
Not anymore
They've run afar to hide in caves
With haggard burning eyes
Their icy voices tear our hearts like knives

We came through
Like the Gothic monsters perched on Notre Dame
We observe the naked souls of gutters pouring forth mankind
Smothered in an avalanche of time
And we're giants
As we watch our kings and countries raise their shields
And Guevara dies encased in his ideals
And as Luther King's predictions fade from view

We came through
We came through
We came through
We came riding through

24 April 2019

Chrysta Bell - "52 Hz"

 

"The Problem is civil obedience" (Howard Zinn lido por Matt Damon)
 

"In November 1970, after my arrest along with others who had engaged in a Boston protest at an army base to block soldiers from being sent to Vietnam, I flew to Johns Hopkins University in Baltimore to take part in a debate with the philosopher Charles Frankel on civil disobedience. I was supposed to appear in court that day in connection with the charges resulting from the army base protest. I had a choice: show up in court and miss this opportunity to explain — and practice — my commitment to civil disobedience, or face the consequences of defying the court order by going to Baltimore. I chose to go. The next day, when I returned to Boston, I went to teach my morning class at Boston University. Two detectives were waiting outside the classroom and hauled me off to court, where I was sentenced to a few days in jail. Here is the text of my speech that night at Johns Hopkins"

22 April 2019

SONHOS VISCERAIS 


Desmond Morris, zoólogo, etólogo, escritor e, aos 91 anos, um dos últimos elos vivos com a primeira geração de surrealistas, publicou no ano passado The Lives Of The Surrealists no qual, contra a habitual classificação dos membros desse movimento enquanto figurativos e abstractos, veristas e absolutos ou oníricos e "free-form", propõe cinco categorias diferentes. A segunda é o “surrealismo atmosférico”: “O artista apresenta uma composição realística mas com uma intensidade de tal modo estranha que as cenas representadas assumem uma qualidade onírica. Exemplo: Paul Delvaux”. Associando a isso a “regra básica da filosofia surrealista” que, à frente, enuncia – “Trabalhar a partir do inconsciente, não analisar, não planear, não usar a razão, não aspirar ao equlíbrio e à beleza. Em vez disso, permitir que os pensamentos mais obscuros e irracionais habitem as vossas telas. Deixar que os quadros se pintem a si mesmos enquanto os observam” –, mais palavra, menos vírgula, poderia, facilmente, estar a caracterizar a obra de David Lynch. Ou, para o que agora importa, a de uma das suas criaturas, Chrysta Bell. 


Num álbum (This Train, 2011), um EP (Somewhere In The Nowhere, 2016), a participação na banda sonora de Inland Empire (2006) e na oferta de encarnação da personagem da agente do FBI, Tammy Preston, em Twin Peaks: The Return (2017), Lynch não apenas co-assinou um muito particular universo de canções e actuou como bússola estética de Chrysta Bell mas seria também o trampolim para um percurso autónomo. A produção do omnipresente John Parish asseguraria optimamente a transição no mais que perfeito We Dissolve (2017) e, no ano passado, um EP (Chrysta Bell) deixava adivinhar o que é, agora, o quarto álbum a solo, Feels Like Love: a torre de controlo era já ocupada por Christopher Smart (co-autor, baixista e produtor) e aí se incluiam três peças (recuperadas neste CD) que davam o tom para o futuro – "Blue Rose" (Julie London em processo de dissolução sumptuosamente melódico), "Everest" ("über-torch song" em estado de graça) e "52Hz" (a metáfora da baleia que comunica numa frequência indecifrável). As seis que completam o disco, do "noir" translúcido de "Time Never Dies" e "Vanish" à narcótica "Red Angel", não são senão a exuberante confirmação do desejo de Chrysta Bell: “Trabalhar ainda a matéria dos sonhos mas de sonhos mais viscerais. Não domestiquei ainda o animal selvagem mas tornei-me uma testemunha mais próxima da sua verdadeira natureza”.
Jenny Lewis - "Red Bull & Hennessy"

Ao mesmo tempo, mais outro candidato ao museu do "fake" e um novo capítulo na história da marabunta (XXV)

20 April 2019



"Eu, Jesus de Nazaré, também chamado Cristo, filho de Maria, casada com José, da casa e família de David (Lc 1, 27), na iminência da minha morte, em voluntário sacrifício de obediência a meu Pai Deus"

Mas, se o Zé não era o pai da criança (parece que realmente não era), e a criança, o pai e mais a pombinha eram um e o mesmo, há aqui uma grossa confusão, não há?

"Deixo a todos os que são injustiçados a mansidão com que acatei a iníqua sentença de Pôncio Pilatos"

Deixa ver se entendi bem: quando a sentença é "iníqua", o bom cristão diz "ok, no hard feelings, espetem-me na cruz, mandem-me para as câmaras de gás ou façam-me arder na fogueira, não vou fazer uma peixeirada por causa disso"?

"Deixo o indulto de que beneficiou Barrabás, e que me era devido"

Pá, foi um voto democrático (e por unanimidade)... 

"Sendo rico, me fiz pobre por amor dos pobres"

Então, afinal, o pobre carpinteiro estava cheio de guito?

"Deixo aos doentes as minhas dores, para que se alegrem nos seus sofrimentos"

Grande amiguinho, hein?...

"Deixo a minha santa face impressa nos corações dos que socorrem os aflitos, como a deixei gravada no véu da Verónica"

Isso, sim, foi um grande avanço tecnológico! (mas auto-santificar-se descaradamente dessa maneira também já é um bocadinho de gabarolice...)

"Deixo às vítimas dos abusos de menores por membros do clero da minha Igreja o ultraje das bofetadas e escarros que recebi dos sacerdotes do meu povo"

... já começa a ser demais, ó Jota!... primeiro os doentes e, agora, as vítimas dos abusos de menores pelos funcionários da empresa?!!!... Com amigos assim, quem precisa de inimigos?... 

"Deixo à Igreja o meu coração, trespassado pela lança do soldado, de que jorra uma água viva" 

Pronto, se calhar, a gravíssima anemia pode explicar o destrambelho mental...
Todas, todas, mesmo... todas?...

Adia Victoria - "The Needle's Eye"

L'OSSERVATORE ROMANO (XLVI)


18 April 2019



"We made it 40 years ago, but it is so applicable to our world now. Which either says the world never really changes, or it just gets more absurd. There’s fundamentalism, there’s antisemitism – we deal with that when Brian finds out his father’s a centurion – and then there’s Stan who wants to be a woman. Our headlines are about this stuff every day. The only difference now is people have lost a lot of their sense of humour that they had back when we made the film"
VINTAGE (CDLXXXI)

Rilo Kiley - "The Moneymaker"

L'OSSERVATORE ROMANO (XLIV)


Porque, realmente, esta caixa de comentários foi muito diverida, merece ser exposta à luz do dia

 Anonymous said...

    Uma minoria a dar cabo da vida à maioria?

    Isso é que era bom!

    Viva a requisição civil.

    Ainda não chegámos à Madeira...

    Rasput

    4/17/2019 1:05

Blogger João Lisboa said...

    Cada sector é sempre uma minoria.

    4/17/2019 1:09

Anonymous said...

    sector a dá cabo de sectores b, c, d, e, f, g, h,...em nome de quê?

    Da democracia?

    Qual delas?

    A deles? A do sector a ?

    Rasput

    4/17/2019 1:13

Anonymous said...

    Em nome de quê?

    Do sector a) passar a ganhar mais um bocadinho de salário ou de mais um bocadinho de carreira profissional ou de mais um bocadinho de outra merdinha qualquer?

    O PCP está presente mais do que nunca neste tipo de greve.

    Não direi de corpo presente. Mas em alma claramente.

    Ou seja, mais do mesmo

    Rasput

    4/17/2019 1:18

Blogger João Lisboa said...

    "O PCP está presente mais do que nunca neste tipo de greve"

    Não está a perceber mesmo nada. O PCP/CGTP não só está mudo e quedo como também um bom bocado aterrado por ver que, em sucessivas greves - estivadores, enfermeiros, camionistas... -, deixou de ter qualquer controlo sobre elas. E deixou, portanto, de ser útil como tampão aos movimentos mais ou menos inorgânicos. E a UGT (em muito menor escala) também.

    4/17/2019 1:52

Anonymous said...

    Quem não está a perceber é o sr.

    Mesmo nada.

    O Sr. está afundado na concretude. Voe, homem!

    Claro que é o PCP que está nesta greve.

    Não é questão de controle, nem de bandeira sindical. É a questão da essência da greve. Dos seus motivos.

    Mais do Mesmo.

    Ainda não reparou que este greve poderia 'pertencer' perfeitamente - cabe no molde! ao PCP?

    Deslargue-se!

    Rasputin

    4/17/2019 3:10

Blogger João Lisboa said...

    :-))))))

    "O Sr. está afundado na concretude. Voe, homem!"

    Uau!... Estar "afundado na concretude" é uma das coisas mais extraordinárias que já me disseram... Eternamente grato. Procurarei então alçar-me ao abstraccionismo.

    "É a questão da essência da greve"

    ... portanto, é uma questão filosófica: Parménides, Platão, Aristóteles, Heidegger e coiso.

    "este greve poderia 'pertencer' perfeitamente - cabe no molde! ao PCP?"

    Exactamente. Mas o PCP não a controla e isso dá-lhe suores frios. Ao PCP e a todos aqueles que sempre confiaram nas "boas obras" dele.

    Vou, então, ali "abstraccionar" um bocadinho.

    4/17/2019 3:47

Anonymous said...

    Ficamos a perceber que é uma questão de controle.

    E de suores frios.

    Mas na substância o sr raciocina tal qual um militante do PCP.

    Não foi por acaso que passou ao lado, ou teria sido por cima, àquilo que escrevi:

    "Do sector a) passar a ganhar mais um bocadinho de salário ou de mais um bocadinho de carreira profissional ou de mais um bocadinho de outra merdinha qualquer?"

    É aqui que reside o ónus da questão. (não é omnibus, não faça confusão...)

    Rasput

    4/17/2019 3:54

Blogger João Lisboa said...

    "Do sector a) passar a ganhar mais um bocadinho de salário ou de mais um bocadinho de carreira profissional ou de mais um bocadinho de outra merdinha qualquer?"

    Santa Maria Madalena (é a santinha da minha devoção) me valha... Mas isso é a história das lutas sindicais, aqui e em todo o lado, desde que o mundo (sindical) é mundo!... Onde andou nos últimos 200 anos?

    "É aqui que reside o ónus da questão. (não é omnibus, não faça confusão...)"

    Nada receie. Até tenho um post muito catita para lhe oferecer de b(ónus):

    https://lishbuna.blogspot.com/2008/10/omnibus-autocarro-omnibus-de-paris.html

    4/17/2019 5:09

Blogger Ana Silva said...

    Estou a rir-me muito!
    Que extraordinária caixa de comentários! :))

    4/17/2019 11:48

Blogger João Lisboa said...

    Também me diverti bastante.

    :-)

    4/18/2019 12:39 AM

16 April 2019

DECAPITADA

  
Tanto na capa do anterior The Voyager (2014) como na do novo On The Line, Jenny Lewis aparece decapitada. Isto é, uma e outra são fotografias – ambas de Autumn De Wilde – em plano médio que a enquadram da cintura para cima mas nas quais a cabeça está ausente. Com uma diferença importante, porém: se, em The Voyager, ela vestia um "rainbow suit" razoavelmente discreto inspirado no estilo de Gram Parsons, agora, enverga um "jumpsuit" de cetim azul generosamente decotado, numa foto quase tridimensional. Embora possa ser (e já foi) encarada como uma provocação muito politicamente incorrecta em tempos de #MeToo – mas isso não a impediu de se solidarizar com as mulheres que denunciaram o comportamento abusivo de Ryan Adams com quem colaborou nesses dois álbuns –, na verdade, o "glamming up" é apenas uma homenagem à problemática mãe, heroinómana de longo curso e lounge singer em Las Vegas, onde usava esse tipo de roupa desenhada por Bob Mackie. Morta em 2017 – momento em que, após duas décadas de afastamento, se reconciliariam –, a imagem é, em simultâneo, uma metáfora para o luto e uma extensão dessa sombra que, desde o início com os belíssimos Rilo Kiley, nunca a abandonaria: a cabeça poderá estar invisível mas os demónios que a habitam permanecem. 


Se, no primeiro álbum a solo (Rabbit Fur Coat, 2006), cantava “Where my ma is now, I don’t know, she was living in her car, I was living on the road and I hear she’s putting that stuff up her nose” e, ainda nos Rilo Kiley, olhava-se ao espelho e só via um reflexo (“It's bad news, baby, I'm just bad news, cause you're just damage control for a walking corpse like me”), em On The Line, “concebido como uma peça de teatro que conta a história do fim para o princípio”, as personagens, reais ou ficcionadas, não se afogam em muito maior felicidade: seja a “girl in a black Corvette, getting head in the shadows” que se vê como “a beatle floating in a bottle of red, I was a party clown”, a outra (ou a mesma) que viaja para Norte “in a borrowed convertible red Porsche with a narcoleptic poet from Duluth, and we disagreed about everything, from Elliott Smith to Grenadine” ou aquela que confessa “there's nothing we can do but screw and booze and amphetamines”. Com Beck, Jim Keltner, Don Was, Ringo Starr e Benmont Tench a lapidarem um requintado classicismo pop algures entre Aimee Mann, Costello e, por vezes, Kate Bush, desde o início, os dados ficam lançados: “After all is said and done, we'll all be skulls, heads gonna roll”.
A JOKE A DAY KEEPS THE DOCTOR AWAY (LX)
 

Edit (12:31) - Recorde-se, a propósito o "escândalo de Notre Dame"

* levou tempo mas o moço (ou alguém por ele) lá corrigiu o disparate...
Templo dedicado a diversas divindades gaulesas e, depois a Júpiter (ou "a chegada das trevas")

14 April 2019


VINTAGE (CDLXXX)

Rilo Kiley - "Portions for Foxes"

(videoclip aqui)
O nazismo, já se sabia, era de esquerda mas, apesar desse pecado capital, até pode ser perdoado
Sean Carroll responde  (da única forma possível: cientificamente) à pergunta (religiosa) de Henrique Raposo: "We don't know"


11 April 2019


Steve & Eydie - "Black Hole Sun"

Adia Victoria - "Devil Is A Lie"

(O 9º ANO A SEGUIR AO) ANO DO TIGRE (CXLV)

Tudo bem com o Embassy Cat
 

Grave, grave mesmo, foi Julian Assange ter "divulgado segredos da Vaticano S.A.":

Recomenda-se, então, repetida e enfaticamente, a leitura atenta de Sodoma/No Armário do Vaticano, de Frédéric Martel
Robert Forster 2019: My Lucky Year

(ver aqui)

10 April 2019


2019 - Prémio "Retórica Política" 
(interrompendo o ciclo vitorioso do Tó)



(via M)

Adia Victoria - "Heathen"

09 April 2019

VINTAGE (CDLXXIX)

Rilo Kiley - "It's a Hit"


NÃO BASTA O MUNDO


Oito cavas arcadas de violoncelo sobre um "drone" de cigarras digitais preparam o cenário para o que, em menos de dois minutos, ficará nietzscheanamente resolvido: “First of all, there is no god, ‘cause I went out and killed my god and laid his body in the dirt, I killed him clean, so it did not hurt”. Mais à frente, em registo de "lounge jazz" sideral, a necessária consequência: “Oh darling, I am a heathen, oh, evil hearted me, something lower than dirt, I hear ‘em callin’ me heathen, oh, like they think it hurts”. Quase no final, o funk cubista serve de gatilho para o disparo: “I wanna break free from my body, shaken loose my skin, 'cause I had a thought I am a god, of this I am convinced”, escuta-se em "Dope Queen Blues". Sim, blues. Por muito que Silences soe a assombrosa ópera lynchiana escrita por uma Fiona Apple urdindo uma "wall of sound" filigranada, Adia Victoria – negra, da Carolina do Sul, educada no opressivo fervor Adventista do 7º Dia ¬, ao “New York Times”, jura que se trata de blues: “Quero tornar os blues perigosos outra vez. Não é apenas uma sonoridade. Os brancos cometeram um erro crasso ao supor que lhes tinham desvendado o mistério e podiam pô-los a render. É nessa altura que aparece sempre uma negra esperta a subverter tudo de novo. E aqui estou eu”.



Na verdade, foi tudo um pouco mais complexo. Ao produtor, Aaron Dessner (The National), Adia propôs um enigma: “Como seria se Billie Holiday se perdesse no interior de uma canção dos Radiohead?...” Billie seria encontrada, encarcerada num "loop" de "Lady Sings the Blues", nos últimos 60 segundos de "The City", mas as coisas não ficariam por aí. De quem foi buscar o título do primeiro album – Beyond the Bloodhounds – ao livro de memórias de Harriet Jacobs, Incidents in the Life of a Slave Girl (1861), para Silences, recorreu à obra homónima (1978) de Tillie Olsen (sindicalista, comunista, escritora e feminista), interpretou canções de Gainsbourg, Portishead e Robert Johnson, e ajoelha perante Nina Simone, Flannery O’Connor e a poetisa surrealista Joyce Mansour, só podia aguardar-se algo à altura do que, em "Devil Is a Lie", proclama: “They say the weak shall inherit the earth, but the world was never enough”. O primeiro enorme álbum de 2019 é bastante mais alto do que isso. E só lhe fica bem ser assinado por quem não hesita em afirmar “Não acredito em música apolítica. Tomamos posição e comentamos o que se passa no mundo. Toda a música e arte são políticas”.