24 June 2017

Miúda, é fácil: basta mandares à 
fava a trafulhice da seita de Kolob!

... e, já agora, para poupar nos posts, espreitem também aqui e aqui - ainda que não pareça, vai dar tudo ao mesmo
The National | Pitchfork Live

O Diabo, sem a menor dúvida, existe, existe e existe! (o Capelão Magistral confirma tudo o que diz o Sábio Mestre e, nas entrelinhas, insinua que terá sido o mafarrico a atear os fogos de Pedrógão... se calhar, porque deus anda aborrecidíssimo com a geringonça e fez de conta que não reparou nas tropelias do Demo) 

Chrysta Bell (IV) & David Lynch




... mas, quando o PS destaca o Abaixo de Lacão para defender a causa, as perspectivas não podem ser brilhantes...

23 June 2017

Chrysta Bell - "All The Things" 
(D. Lynch/C. Bell/D. Hurley)

Chrysta Bell (III)





Havendo um grande consenso acerca de que "shit happens", parece mais ou menos adquirido que "shit happened"; é por isso que, agora, é o momento para, fazendo tudo o que deve ser feito, garantir a maioria absoluta em 2019 (não necessariamente uma boa ideia) ou nem sequer chegar lá perto (já agora, prestar imensa atenção, a tempo e horas, a outra grande catástrofe anunciada que irá, sem dúvida, unir solidariamente a pátria e provocar intermináveis esguichos de afectos, também não parece mal)

20 June 2017

Chrysta Bell - "Polish Poem" 
(D. Lynch/C. Bell)

(da BSO de Inland Empire, 2006)
BOA MÚSICA NO TITANIC


Se, por estes dias, os putos rufias do planeta – o Kim, o Donald, o Vlad-meia-leca – se engalfinhassem a sério, segundos antes de vermos surgir na linha do horizonte um fabuloso "light show" de fulgurantes cogumelos, de uma coisa, pelo menos, poderíamos estar certos: os últimos seis meses de vida do mundo "as we know it" tinham sido, musicalmente, riquíssimos. Fraco consolo para quem, logo a seguir, se iria transformar em fóssil radioactivo, espécie de estátua de sal bíblica para futuros estudiosos extraterrenos do mal sucedido projecto-homo sapiens. Mas que até contribuiria para explicar por que motivo, no grande e pérfido desígnio cósmico, os seis meses restantes de 2017 seriam desnecessários. E que, aliás, também confirmaria a tese de Arthur Koestler acerca do primata supremo, enquanto “aberração biológica resultante de um grave erro no processo evolutivo” – coisa que, na verdade, qualquer cristão, leitor atento do seu manual de instruções, sabe que, logo no Génesis, começou desastradamente mal –, Janus bifronte capaz do melhor e do aterradoramente pior.

E, musicalmente falando, indiscutivelmente do melhor, até agora, foram as tentativas para localizar alguma fugidia tranquilidade de Brian Eno (Reflection), Ryuichi Sakamoto (async), das Unthanks (Molly Drake), Julia Holter (In The Same Room) ou de Thurston Moore (Rock’n’Roll Consciousness), este em registo neo-hippie no meio de uma tempestade eléctrica. Entretanto, pela terceira vez, Dylan, com Triplicate, deu corda à orquestra do Titanic planetário enquanto Jarvis Cocker e Chilly Gonzales (Room 29) nos conduziam pela mão a espreitar através do buraco da fechadura de cada um dos quartos, e Aimee Mann ensaiava uma hipótese de diagnóstico – koestlerianamente correctíssima – a que, nada surpreendentemente, chamou Mental Illness. A comemoração dos 50 anos de carreira do veterano folk, Michael Chapman (50), e de outros tantos de vida de Stephin Merritt (50 Song Memoir) contribuiram decisivamente para manter elevada a fasquia que Memories Are Now, de Jesca Hoop, e Semper Femina, de Laura Marling, empurraram ainda mais para cima. Olhando a besta de frente, dos dois lados do Atlântico, English Tapas, dos Sleaford Mods, e The Navigator, de Alynda Segarra/Hurray For The Riff Raff, não deram tréguas mas foi dos britâncos Gnod a última palavra: Just Say No To The Psycho Right-Wing Capitalist Fascist Industrial Death Machine.
Opá, isso é que é mesmo urgente...
Ó desgraça!... Ó miséria!... Ó inclemência!... Querem dar-nos cabo dos heróis da pátria (fitinhas & all) que tanto custaram a erguer, peça por peça?!!!...

16 June 2017

O PAÍS DOS ZEZÉS (LIII)

Muitas felicidades ao casal Ramalho Marques!


1 - Chamar "cigano" * a alguém é um insulto porquê?

2 - Ter "aspecto" de cigano é um insulto porquê?

3 - A definição de "cigano" é alguém que "paga os favores que recebe com votos alinhados com os centralistas" (o que, tendo em conta que a totalidade da AR votou com "os centralistas", significa que Portugal tem o primeiro parlamento integralmente cigano do mundo)?

4 - Chamar "cigano" * a alguém que "não é de etnia cigana nem tem família de etnia cigana" é um insulto porquê?

5 - Chamar "cigano" * a alguém que "é de etnia cigana e tem família de etnia cigana" é um insulto porquê?

6 - Chamar "cigana" * a uma mulher que "não é de etnia cigana nem tem família de etnia cigana" é "misoginia, racismo e xenofobia" porquê?

7 - Como deveremos passar a designar os Gypsy Kings?

8 - Por que palavra deverei substituir "cigano" em tudo o que escrevi sobre os Gogol Bordello?

9 - Por muito gebo que o eurodeputado, bastante provavelmente, seja, esta contra-argumentação não é, pelo menos, tão igualmente imbecil?

10 - * ... e não se diz "chamar de cigano", aprendam de uma vez!...
O bípede poderá ser o elo perdido entre o Neanderthal e o sapiens, mas, de facto, se os inúmeros habitantes da latrina podem, porque não haveria ele de poder também?



13 June 2017

UM ACORDE 



Não sei como é convosco. Mas eu trago, de fábrica, uma aplicação instalada no cérebro que, quando sonho – embora só raramente me recorde do que sonhei –, sempre que ocorre alguma situação particularmente desconfortável, bizarra ou ameaçadora, me tranquiliza e informa de que “não há nada a temer, é apenas um sonho”. A narrativa pode, então, prosseguir, sem demasiados suores frios, com essa rede de segurança protectora. Que, aliás, também me anuncia o exacto momento no qual, insensivelmente, passo da vigília ao sono: aquele em que me apercebo de que o filme a desenrolar-se, involuntariamente, perante os olhos fechados, começa a seguir por vias peculiares e absurdas, a cada instante incluindo menos fragmentos do que, segundos antes, parecia ser ainda “a realidade”. Agora que a obra de David Lynch está de regresso (a terceira temporada da assombrada série Twin Peaks, a reexibição em sala, de Mulholland Drive e Fire Walk With Me, bem como a estreia de David Lynch: The Art Life – de Jon Nguyen, Olivia Neergard-Holm e Rick Barnes –, Twin Peaks: The Missing Pieces – recolha de sequências “caídas na mesa de montagem” – e uma colecção de cerca de 20 curtas-metragens nunca antes exibidas comercialmente), recordei-me de como, perante a maioria dos seus filmes, a atitude a adoptar é justamente a mesma que face aos sonhos: deixar-se ir atrás deles sem resistência nem medo, não procurando outra lógica ou explicação que não a (inexplicável, por muito que Ziggy Freud se tenha esforçado) dos próprios sonhos. 



E, desde Blue Velvet – com excepção de Inland Empire –, aceitando o irrecusável convite à viagem da música de Angelo Badalamenti. Num dos meus sonhos mais inesquecíveis (se tivesse podido conhecê-lo, o farsante de Viena chamava-lhe um figo!), em silêncio, subia lentamente uma escarpa íngreme, à beira do mar, até ao topo. Lá chegado, deparava com uma cabana. Entrava e, num balcão, alguém, invisível, sem dizer uma palavra, enfiava-me num dedo, um anel. De madeira. Corte súbito: encontrava-me, agora, no interior de uma imensa taça negra, uma semi-esfera côncava, que flutuava sobre a superfície do oceano. Plano subjectivo único, imóvel e infinitamente prolongado. A envolver sonoramente tudo apenas um interminável acorde de orgão de tubos barroco, suspenso no tempo, como uma tocata de Bach paralisada num "frame". Toda a música que Badalamenti compõe para a filmografia de David Lynch é, tão só, o desdobramento desse acorde.
... mas que eles existem, olá se existem!...

... subfinanciamento???...


Riot Days - Pussy Riot Theatre

Os valores fundamentais permanecem