29 September 2010

GRAVEM A FOGO NA MEMÓRIA E NUNCA ESQUEÇAM:
O BILTRE QUE DISSE ISTO APOIA MANUEL ALEGRE




(2010)
CARÍSSIMO TIAGO (PARTE III)



Desisto. Não enxergo como irá conseguir fazê-lo mas, pronto, salve-me a alma, livre-me do Inferno (isso, por acaso, até agradeço: detesto calor), ponha-me a salmodiar (mas avise com antecedência porque tenho de ir rever os tons gregorianos), tudo menos colocar em risco a sua discografia!... Não lhe posso garantir muita convicção mas, para mim, trata-se de uma questão de princípio: it's a dirty job but someone's gotta do it!

Num ponto, porém, terá de apurar os seus dons persuasivos: mesmo que, imbuído desse heróico espírito de missão, eu fosse ouvido a admitir a existência do Grande Fantasma Celeste, por que motivo haveria eu de pensar que ele “é bom”? Digo-lhe mesmo mais: na escala das tarefas impossíveis, essa comporta um grau de dificuldade infinitamente superior a, pura e simplesmente, eu poder vir a afirmar “Pronto, está bem, o princípio dos princípios, o piparote inicial, o big antes do bang... ganhaste”.

Abraço.

JLX

PS - enquanto não desencravar no Voz do Deserto uma forma de fazer links dos seus posts, será sempre difícil citá-lo. Este meu refere-se, evidentemente, à "Correspondência Olissiponense", de 20 de Setembro.

(2010)
SHORT, SWEET AND TO THE POINT

Escultura de Maurizio Cattelan, na Piazza Affari de Milão, frente ao edifício da Bolsa






(2010)
A COISA DEVE ESTAR AINDA PIOR DO QUE PARECE:
5 MILHÕES DE EUROS PARA... CARROS ANTIMOTIM

(o pretexto é a cimeira da Nato... pois)



Dirigentes da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), da GNR afirmam que tal compra é apenas um acto de duplicação de meios: "Decisões deste tipo, bastante onerosas para os contribuintes, demonstram que a tutela tem as suas prioridades algo desfasadas daquilo que são as carências das forças de segurança"

... o que também ajuda a compreender por que motivo era indispensável manter a PSP tranquila: trabalhinho duro se avizinha.

(2010)

28 September 2010

CONFIRMO: SEMPRE RECOMENDEI A BÍBLIA COMO
UM ÓPTIMO LIVRO DE CABECEIRA PARA ATEUS E
AGNÓSTICOS, COM ÓPTIMA SCI-FI, VERTIGINOSA
ACÇÃO, PORNOGRAFIA TÓRRIDA E IMPAGÁVEIS
MOMENTOS DE HUMOR INVOLUNTÁRIO



    O belo naco de sci-fi de Ezequiel (iconografia do sec. VI)

Atheists and agnostics know the most about religion

(2010)
ELE NÃO É REALMENTE MAUZINHO, SÓ NÃO ESCUTOU AINDA A PALAVRA DO SENHOR...



Pope's Astronomer Would Baptize Aliens: "in what has to be the height of anthropic assumption and human arrogance, the official astronomer for the pope, Guy Consolmagno, told Great Britain's Guardian that he would be willing to baptize space aliens, but 'only if they asked' to be baptized. 'Any entity – no matter how many tentacles it has – has a soul', he told the newspaper".

(2010)
TEATRO DA CRUELDADE



 John Cale & Band - Live (duplo DVD)

Entre 1982 e 1984, John Cale cometeu a que foi, muito provavelmente, a mais desastrada sequência de álbuns de sempre: após o – e peso, sílaba a sílaba, a palavra – genial Music For A New Society, publicou, em 1983, o menoríssimo Caribbean Sunset. Para agravar a situação, dois anos depois, registaria aquele que, se pudesse, sem dúvida, faria implodir – Artificial Inteligence. Pelo meio desse período musicalmente amaldiçoado, sairia Comes Alive, gravado ao vivo no Lyceum, de Londres, a 26 de Fevereiro de 1984.



 O primeiro destes dois DVD capta-o na mesma digressão, oito meses mais tarde, em Essen, na Alemanha e (não prestemos demasiada atenção à questionável qualidade das imagens) é um esclarecedor testemunho do estado de espírito de Cale, à época: não tão aterradoramente demencial quanto o concerto coevo de Paris que nunca conseguirei expulsar da memória (concluída a última interpretação, ninguém, na sala, durante intermináveis segundos, conseguiu bater uma palma) mas, ainda assim, estarrecedor para o público de um festival em que, antes, haviam actuado os débeis Level 42 e Huey Lewis. Despachada meia dúzia de temas recentes em versão cortante e marcial, de “Streets Of Laredo” em diante (com picos de insanidade em “Fear Is A Man’s Best Friend”, “Heartbreak Hotel” e “Mercenaries Ready For War”), John Cale entrega-se a um teatro de crueldade, qual marioneta desarticulada que uiva, suplica e rasteja perante uma plateia dividida. Comparativamente (mas nunca esquecer que é de Cale que se trata), o segundo DVD (Bochum, 1983), no formato a solo que daria origem a Fragments Of A Rainy Season (1992), é um oásis e, porque mais próximo de Music For A New Society, superior, do ponto de vista musical.

(2010)

27 September 2010

O INÍCIO DE OUTUBRO VAI SER MUITO BOM





    (já sabem: clicar na imagem para ampliar)

(2010)
HÁ QUE SER JUSTO, O FULANO NÃO É PIOR DO QUE O DAVID COPPERFIELD OU O LUÍS DE MATOS: NEM A COLUMBIA UNIVERSITY FOI CAPAZ DE SE APERCEBER DO TRUQUE (sequência daqui)




(2010)
EU JURO QUE NEM SABIA QUE HAVIA UM  
MINISTRO DA AGRICULTURA, QUE ELE SE 
CHAMAVA ANTÓNIO SERRANO E SE ERA 
ALTO, BAIXO, GORDO OU MAGRO...
 












... mas percebe-se que a máquina está bem montada: quando se trata de dar as más notícias,

O ministro da Agricultura, António Serrano, disse hoje, em Bruxelas: "Aumento do preço do pão e do leite é uma inevitabilidade"

empurra-se para a frente uma não-entidade, espera-se que a coisa passe despercebida e, se correr mal, vendo bem, ninguém, realmente, disse nada. E há sempre a clássica opção do "comam brioche".

(2010)  
VINTAGE (XIII)

The Beach Boys - "California Girls"



(2010)

26 September 2010

BRIANIZING GERSHWIN



Brian Wilson - Brian Wilson Reimagines Gershwin

Não haverá a menor dúvida de que uma das mais exactas sínteses para o que foi a música dos Beach Boys se poderia encontrar nas palavras que, em 1935, DuBose Heyward escreveu para uma das árias da "American folk-opera", Porgy And Bess, de George Gershwin: “Summertime and the living is easy”. A atmosfera original era a dos "slums" negros da Carolina do Sul, a melodia de "Summertime" ter-se-à inspirado numa canção de embalar ucraniana mas, para o que, agora, importa, não deixa de constituir um primeiro foco luminoso que ajuda a observar mais claramente os motivos que terão estado na origem de Brian Wilson Reimagines Gershwin. Mais dois ou três: se aquilo que Brian Wilson compôs para os Beach Boys foi uma das jóias da coroa da canção pop norte-americana da década de 60, convém recordar que Gershwin – juntamente com Cole Porter, Irving Berlin ou Rodgers e Hammerstein – foram os monarcas fundadores dessa linhagem; tanto Wilson como Gershwin partilharam a sua actividade musical com os irmãos; ambos eram jovens quando explodiram criativamente e um e outro sucumbiram a perturbações cerebrais (George morreu, com 38 anos, de um tumor, Brian, só duas décadas depois de, aos 25 anos, se ter perdido no pesadelo de uma aterradora esquizofrenia, ressuscitou, em periclitante equilíbrio); qualquer deles encarava o trabalho de composição sob um ângulo em que a sofisticação harmónica era privilegiada.



É o próprio Brian Wilson quem, hoje, sublinha que o universo musical de que, inicialmente, se alimentou tinha muito mais em comum com o American Songbook de Gershwin e Porter do que – apesar de a lendária angústia perante o que supunha ser a sua incapacidade para competir artisticamente com Sgt. Peppers, dos Beatles, ter constituído um dos gatilhos para o seu mergulho no abismo – com o outro, bem mais recente, formulado por Lennon & MacCartney. E, apagando referências assaz notórias como as de grupos vocais dos anos 50 (Four Freshmen, Hi-Los), Chuck Berry ou Phil Spector, confessa que foi uma vetusta gravação da Rhapsody In Blue que, por volta dos dois anos de idade, escutava em casa da avó, lhe fez vibrar a corda musical. Trate-se ou não do mesmo tipo de coreografias de marketing que, habitualmente, conduzem gente em ocaso de carreira para o acolhedor regaço dos clássicos, a verdade é que um encontro Wilson/Gershwin – a mítica reconstituição de Smile, em 2004, tinha corrido extraordinariamente bem, Lucky Old Sun, há dois anos, não abrira demasiadas brechas… – seria sempre o género de acontecimento capaz de abrir o apetite.


 A origem do desastre – sim, porque é de um desastre que se trata em Reimagines Gershwin – poderá ter residido na substituição de Darian Sahanaja e Van Dyke Parks (âncoras cruciais de Wilson em Smile e Lucky Old Sun) por Scott Bennett e Paul Mertens, co-responsáveis pelo que, de forma aparentemente oficial, passou a ser conhecido por “brianizing Gershwin”. A iconoclastia, especialmente se praticada por um ícone sobre outro, é um saudável gesto de higiene e, naturalmente, ninguém mais do que Brian Wilson possui legitimidade para debitar música dos Beach Boys até à consumação dos tempos. A questão, aqui, nem está, sequer, no facto de sermos obrigados a imaginar George Gershwin de calções de praia, camisa havaiana e prancha de surf debaixo do braço. O problema é que isso acontece sistematicamente, durante quarenta minutos, na obstinada e mecânica aplicação de uma fórmula que converte "I Got Rhythm" em "Help Me Ronda", "They Can’t Get That Away From Me" em "California Girls", "Someone To Watch Over Me" em "Caroline No", “completa” dois fragmentos inéditos de Gershwin à maneira de um Pet Sounds assinado por Barry Manilow e comprime os 17 minutos de Rhapsody In Blue em 90 segundos de harmonias vocais liofilizadas via-Pro Tools. Brian Wilson merecia tudo menos isto.

(2010)

25 September 2010

BICÓZE DIZE ECT IZAECT DETUIDU (VI)


Anfortiunali derar nota ricipt inora tuaxif grâu! (bedínglixe, dinternéxional lênguixe)

(2010)

24 September 2010

SÓ PODE SER AQUELA HISTÓRIA DE "FAZEI 
O QUE EU DIGO E NÃO O QUE EU FAÇO"



Igreja católica pede ao poder político para dar o exemplo quando pede sacrifícios aos portugueses

(2010)
NOVAS OPORTUNIDADES PARA A PESCA DO ROBALO  ATRAVÉS DE UM CASAMENTO VERDADEIRAMENTE IDEAL

(clicar para ampliar)

"A Camargo Corrêa [empresa para que o conhecido pescador Vara foi nomeado presidente para África] está actualmente envolvida no Brasil na operação judicial Castelo de Areia (em que foram reveladas contribuições da empreiteira a políticos no Brasil e no estrangeiro). Segundo o portal Exame e a Folha de São Paulo, houve prisão de directores e secretárias da construtora em 2009, acusados também de movimentar dinheiro através de empresas de fachada, evasão de divisas do país, prejudicando o sistema de cobrança fiscal do Governo Brasileiro, fraude e licitações. O ex-vice-presidente da construtora, Pietro Bianchi, foi identificado pela Polícia Federal Brasileira como o cérebro por trás dos alegados crimes financeiros da operação Castelo de Areia, sendo supostamente o contacto para efectuar pagamentos de vulto em dinheiro vivo no Brasil e no estrangeiro e movimentando milhões de dólares através de contas não declaradas num paraíso fiscal em Andorra. A operação Castelo de Areia está interrompida desde o início de 2010 por ordem do presidente do Superior Tribunal de Justiça, devido à origem da operação, que terá partido de uma denúncia anónima. A Camargo Corrêa defende a sua inocência. Segundo o site do Senado Brasileiro, em Julho de 2010 a Procuradoria da República do Rio de Janeiro instaurou um inquérito civil público para investigar um contrato feito entre a Camargo Corrêa e o Ministério do Esporte na época dos Jogos Pan-Americanos de 2007, em que a obra de construção do Complexo Esportivo Deodoro, orçada em 76,8 milhões de reais (1,6 mil milhões de meticais), acabou por custar 119,8 milhões de reais (2,5 mil milhões de meticais). Resta esperar para saber que resultado sairá de juntar a alegada fome à alegada vontade de comer nas já muito depredadas economias africanas” (daqui)

(2010)
PRISÃO IMEDIATA PARA ESTAS DEBOCHADAS!

About 12,000 women per year get arrested for breastfeeding in public in the United States

 
    Jean Fouquet, 1450



    Gerard David, 1490



    Orazio Gentileschi, 1628



    Anónimo, 1510-1530



    Sandro Boticelli, 1484
    (2010)

23 September 2010

DIZ QUE É UMA ESPÉCIE DE PLANO TECNOLÓGICO (III)
(ou as aldeias-Potemkine)



Escola premiada pela Microsoft fechou: "A EB1 de Várzea de Abrunhais (Lamego) que, no ano passado, foi escolhida pela Microsoft para integrar a rede mundial de escolas inovadoras, fechou as portas. Os 32 alunos (...) foram transferidos para um centro escolar onde não há telefone nem Internet. (...) A maioria dos alunos deste centro escolar já não tem os computadores ou ainda tem, mas de tal modo deteriorados * que se tornaram irrecuperáveis".

* custa imenso a crer, o Magalhães é indestrutível...

(2010)
PORTUGAL FOI, SEM DÚVIDA, UM DOS PAÍSES
QUE MAIS DEVOTAMENTE ABRAÇARAM OS VALORES
CRISTÃOS DA VATICANO S.A., MAS, EM MATÉRIA
DE ESCÂNDALOS DE PEDOFLIA E NEGÓCIOS ESCUROS
BANCÁRIOS, SE JÁ NÃO TEMOS NADA DE QUE NOS
ENVERGONHAR, AINDA HÁ MUITO PARA APRENDER



Santo Gotti Tedeschi

São uns simpáticos 23 milhões de euros sob suspeita de terem sido levados à lavandaria pela mão do senhor Gotti Tedeschi, membro da Opus Dei, paladino da ética no mundo financeiro, conselheiro do ministro das Finanças italiano, Giulio Tremonti, e presidente do Banco do Vaticano. Ou, mais exactamente, do Instituto Para As Obras De Religião, essa milagrosa ferramenta do divino destinada a converter o vil metal em puro espírito e a aplicar o cristianíssimo princípio "quem nunca errou que atire a primeira pedra". Pelo que nunca um único calhau foi lançado sobre Michele Sindona (embora um paralelipípedo perdido tenha atingido mortalmente João Paulo I), Paul Marcinkus ou sobre aqueles amigos do seu amigo que purificaram os tesouros nazis em lugar santo e seguro e, de caminho, tantas vidas salvaram.

No BPN ou no BPP já se constroem uns currículos jeitosos mas, convenhamos, isto é outra loiça.

(2010)

22 September 2010

ANO DO TIGRE (XIX)

Dali Atomicus - foto de Philippe Halsman



“One day it will have to be officially admitted that what we have christened reality is an even greater illusion than the world of dreams" (Salvador Dali)

(2010)
SE BEM ME RECORDO, ESSE ERA UM
DOS MELHORES ESTÍMULOS PARA
APRENDERMOS RAPIDAMENTE A
CONSULTAR O DICIONÁRIO...

(mas a mariquice "pc" tinha de cá chegar)



Dicionário do 1.º ciclo com palavrões

(2010)
NÃO PODIA ESTAR MAIS DE ACORDO



"Que interessa se chegou onde chegou 'nos termos do Estatuto da Carreira Diplomática' e 'progrediu na carreira nos termos da lei, com concursos, com avaliações, sendo um diplomata de excepção'? Qual a relevância de ter sido chefe de gabinete de Luís Amado? Francisco Ribeiro de Menezes ajudou a fundar e escreveu letras para a Sétima Legião. Por mim, pode marimbar-se para Estocolmo (o novo poiso) e marchar já sobre São Bento". (aqui)

(2010)
"HOUND DOG"
(daqui)






(2010)

21 September 2010

EQUILÍBRIOS CÓSMICOS



Haverá sempre mais uma vaga disponível para um songwriter capaz de nos oferecer nacos de insubstituível sabedoria como “I wrote my name on a banana peel, there should always be a meal with my name on it”, pronto a reflectir sobre os equilíbrios cósmicos em “I cut my hair and you grew yours, there always has to be the same amount of hair in the world” e, de um modo geral, a transformar a canção pop numa pequena jóia rústica de palavras inteligentes e melodias intuitivas. Ele chama-se David Tattersall e é um terço dos Wave Pictures que actuarão em Lisboa, no Santiago Alquimista, no próximo dia 23, e, no Porto, na Casa da Música, a 24. Franic Rozycki, o baixista, encarregou-se de explicar a já não pequena história de uma banda que, se tivermos juízo, deveremos conhecer melhor.

Tenho de confessar que só descobri os Wave Pictures através do último álbum, If You Leave It Alone e não me parece que seja um problema exclusivamente meu...
É verdade, há muita gente que não se apercebe de que já andamos por cá há quase dez anos e que já publicámos sete ou oito discos. Provavelmente, por a maioria terem sido gravações domésticas e em edições de autor.

Isto é, certamente, bastante idiota. Mas, porque não estava particularmente atento ao sotaque, só a meio do disco me apercebi que vocês eram ingleses e não americanos...
(risos) De facto, a maioria das bandas e músicos que nos influenciaram são americanos dos anos 60 como os Creedence Clearwater Revival ou o Dylan. E as bandas inglesas de que gostamos – como os Rolling Stones ou os Kinks – também tinham fortíssimas referências americanas. Mas, neles como connosco, isso não os fez deixar de ser genuinamente britânicos nem implicou necessariamente algo de autobiográfico.



Por acaso, quando me passaram o vosso álbum, disseram-me qualquer coisa como “uma banda parecida com os Violent Femmes”...
Também gostamos muito deles, sem dúvida. Quando os ouvi pela primeira vez, pareceram-me verdadeiramente extraordinários. Eram um trio como nós somos e, de certo modo, tornaram-se uma espécie de modelo para nós.

É verdade que nunca têm um alinhamento pré-definido para os concertos?
É. Nunca fez muito sentido connosco. Poderia, facilmente, acontecer que, se o tivéssemos, em determinada altura, a canção que vem a seguir não ser a canção certa para aquele instante. É uma coisa realmente desnecessária. Temos uma ideia geral do que iremos tocar mas, como o nosso reportório até é extenso, é muito mais divertido poder escolher momento a momento, de acordo com as várias circunstâncias de cada concerto e com as reacções do público. Todos os concertos se transformam assim numa experiência singular. Detesto bandas cujos concertos são sempre iguais, em que nunca há surpresas.



“A new tune gets sweeter and simpler with age if you leave it alone” (de If You Leave It Alone) pode ser interpretado como o vosso método particular para o amadurecimento de uma canção?
Acaba por ser bastante fácil descobrirmos quando uma canção está suficientemente amadurecida. Tocamo-las ao vivo, umas precisam de mais tempo até estarem no ponto, outras resultam logo bem, sem grande esforço. Não temos uma forma estabelecida de fazer as coisas. Se existe uma receita, é a de trabalhar bastante porque, daí, alguma coisa que valha a pena acabará necessariamente por sair.

Vocês aparentam ser o tipo de banda que apenas grava discos enquanto pretexto para tocar ao vivo e não aprecia muito o confinamento dos estúdios. Tenho razão?
Os nossos discos podem ter uma aparência muito espontânea mas são muito trabalhados. Tanto nos dá prazer uma coisa como a outra e também aqueles momentos mais informais em que ensaiamos juntos em casa. A nossa ambição, em boa verdade, seria termos um óptimo estúdio onde pudéssemos gravar ao vivo. O que, até agora, ainda não aconteceu. Não temos nada contra aquelas bandas que gostam de tirar partido de todas as possibilidades que um estúdio oferece mas é preciso estar alerta em relação à possibilidade de nos deixarmos ir atrás de demasiadas facilidades. Gosto de gravar em estúdio mas não me agrada muito o caminho por que optam muitas bandas que, primeiro, gravam um álbum e, depois, procuram reproduzir exactamente essa gravação ao vivo. Para lhe dizer a verdade, não estou nada convencido que o som que sai dos estúdios tenha melhorado muito desde discos como “Hound Dog”, do Elvis Presley, ou os da Big Mama Thornton...

(2010)
A PROPÓSITO DO DISCURSO DE RICHARD DAWKINS



Sempre me fizeram imensa confusão os matrimónios de longa duração entre certos adjectivos: por exemplo, "anticomunista primário" ou "ateu extremista". É que nunca se largam...

Não será possível ser-se apenas anticomunista ou somente ateu? Mas anticomunista e ateu mesmo - com a desobrigação implícita de declarar imediatamente "o imenso respeito que merecem os pontos de vista alheios" ou mesmo proclamando o nenhum respeito que por eles se tem -, sem que o "primário" ou o "extremista" lhe tenham de vir irremediavelmente agrafados. O respeitinho nunca foi assim tão bonito e as mesuras e os salamaleques de salão ainda menos.


Versão integral do discurso de 18 de Setembro, em Londres, sem mesuras nem salamaleques:

"Don't ask the British taxpayer to subsidize the propaganda mission of an institution whose wealth is measured in the tens of billions: wealth for which the phrase 'ill-gotten' might have been specifically coined. And spare us the nauseating spectacle of the Queen, the Duke of Edinburgh and assorted Lord Lieutenants and other dignitaries cringing and fawning sycophantically all over him as though he were somebody we should respect"

"Nobody could call Benedict XVI saintly and keep a straight face. Whatever this leering old fixer may be, he is not saintly. Is he intellectual? Scholarly? That is often claimed, although it is far from clear what there is in theology to be scholarly about. Surely nothing to respect"

"Joseph Ratzinger is an enemy of humanity".

(2010)
VINTAGE (XII)

Donovan - "To Try For The Sun"



We stood in the windy city,
The gypsy boy and I.
We slept on the breeze in the midnight
With the rain droppin' tears in our eyes.
And who's going to be the one
To say it was no good what we done?
I dare a man to say I'm too young,
For I'm going to try for the sun.
We huddled in a derelict building
And when he thought I was asleep
He laid his poor coat round my shoulder,
And shivered there beside me in a heap.
And who's going to be the one
To say it was no good what we done?
I dare a man to say I'm too young,
For I'm going to try for the sun.
We sang and cracked the sky with laughter,
Our breath turned to mist in the cold.
Our years put together count to thirty,
But our eyes told the dawn we were old.
And who's going to be the one
To say it was no good what we done?
I dare a man to say I'm too young,
For I'm going to try for the sun.
Mirror, mirror, hanging in the sky,
Won't you look down what's happening here below?
I stand here singing to the flowers,
So very few people really know.
And who's going to be the one
To say it was no good what we done?
I dare a man to say I'm too young,
For I'm going to try for the sun.
We stood in the windy city
The gypsy boy and I.
We slept on the breeze in the midnight,
With the rain droppin' tears in our eyes.
And who's going to be the one
To say it was no good what we done ?
I dare a man to say I'm too young,
For I'm going to try for the sun.


(2010)

20 September 2010

CIGANOS


Vincent van Gogh: As Caravanas - Acampamento
cigano perto de Arles
, 1888


"Não me sinto angustiado com o destino daquele povo, capaz de sobreviver a tudo. Mas estou preocupado com o nosso. Uma Europa que expulsa os seus ciganos não deve ouvir Brahms, Lizt, Bizet ou Leoncavallo, não pode ler Pushkin nem Victor Hugo, e não tem o direito de apreciar Van Gogh. Será uma Europa da Caras e das Tardes da Júlia, das telenovelas pimba e da autosatisfação burguesa. Um continente de merda, com gente de merda a mirrar sozinha e a contar tostões". (aqui)

(2010)
NÃO É QUE A PERSONAGEM SEJA FLOR QUE SE CHEIRE, MAS NÃO DEIXA DE SER MAIS OUTRO EXEMPLO DE QUE - COMO DIZIA O CÉLEBÉRRIMO CRÍTICO DE MÚSICA E CAVALEIRO DO BETÃO - "QUEM SE METE COM O PS LEVA"



Carrilho diz ter sabido da demissão de embaixador da Unesco “pela Lusa”: "O ex-ministro socialista lançou hoje também um livro – intitulado E Agora? Por uma nova República – cuja editora, a Sextante, garante ser o motivo da demissão. Numa nota enviada às redacções ao princípio da tarde, a Sextante anuncia que 'Manuel Maria Carrilho acaba de ser demitido' das suas funções devido à publicação do livro. No sábado, Carrilho deu também uma entrevista ao Expresso, a propósito do livro, em que critica projectos como o dos computadores Magalhães e o Programa Novas Oportunidades".

(2010)
RETRATO-RELÂMPAGO DA DEMÊNCIA CONTEMPORÂNEA



Pelas 7.30 da manhã: na rádio, psicólogo especula sobre o "balanço emocional da primeira semana de aulas".

(2010)
CIDADES (XXVI)

Alkmaar, Holanda, 2010















(2010)

19 September 2010

A TER SEMPRE PRESENTE



"Stupidity is infinitely more fascinating that intelligence. Intelligence has its limits while stupidity has none. To observe a profoundly stupid individual can be very enriching, and that’s why we should never feel contempt for them". (Claude Chabrol)

(2010)
É SEMPRE UM PRAZER OBSERVAR A PÁTRIA À LUPA
(slight return)



1) Dois meses depois de alguém ter recordado que a famigerada "razão atendível" para os despedimentos não só é sinónimo de "justa causa" (e "legalmente atendível" é redundância uma vez que qualquer "razão" só poderá ser "atendível" no quadro da lei) como era a formulação de "um decreto-lei de 1975, era primeiro ministro de Portugal o general Vasco Gonçalves" que admitia "a cessação do contrato individual de trabalho por despedimento promovido pela entidade patronal ou gestor público, com base em motivo atendível. E ia mais longe: o trabalhador pode ainda ser despedido com motivo atendível, desde que lhe seja dado aviso prévio", a patética refrega semântica prossegue.

2) Tomás Bacelos ou as milagrosas virtudes das "novas oportunidades"

(2010)
ONTEM FOI DIA DE FESTA NAS RUAS DE LONDRES


Discurso de Richard Dawkins
















(2010)

18 September 2010

17 September 2010

UM BELO (E RARO) NACO DE JORNALISMO



Entre os 10'20" e os 13'35", o síndroma-de-Pinóquio do Chefe Máximo, em todo o seu esplendor. Numa elegantíssima sequência informativa em que é antecedido pelas buscas no porto de Lisboa e na Liscont/Mota Engil (onde, nas horas vagas da crítica musical, trabalha aquele senhor Coelho que já foi ministro) e, a seguir, José Gomes Ferreira se interroga se o adiamento do troço do TGV não se deverá ao facto de o concurso para a adjudicação das obras ter corrido mal à empresa onde aquele senhor Coelho que já foi ministro trabalha, nas horas vagas da crítica musical. Depois, há mais uns instantâneos sobre a latrina-versão CML, política de preços dos medicamentos e a não aprovação do Parlamento a uma moção de repúdio da política xenófoba do anão-Sarkozy. O resto é ludopédio, Mourinho e tal. É sempre um prazer observar a pátria à lupa.

(os breves momentos de festa popular nas ruas de Londres durante as manifestações "Pope Nope" - amanhã, haverá mais e melhor - também são muito revigorantes)

(2010)
ESTUDO COMPARATIVO



Feromona - Desoliúde

E eis-nos chegados ao momento em que é, manifestamente, de toda a utilidade um exíguo estudo comparativo sobre aquele género musical cujas primeiras formas de expressão poética andavam à volta de nacos líricos do tipo "awopbopaloobopalopbamboom" (e, daí, foram regredindo até aos espessos vómitos mitológicos de Jim Morrison), tal como, hoje, é praticado universalmente e, em particular, no território luso. Tomemos como exemplos apropriadamente recentes os Pontos Negros e os Feromona: onde uns dizem “o meu aspecto seria muito mais prazenteiro se o Variações fosse o meu barbeiro”, os outros respondem “fintei por vezes o destino que era doce, olhei o umbigo e imaginei algo que fosse uma grandeza p’ra mim feita por medida”; os Pontos versejam “Eu ando em caminhos de ferro, eu ando em caminhos de ferro, que bonito, que bonito é não ter de parar” e os Feromona replicam “aprendo com o aroma da extinção de cada exemplar banal que a vida sem maldade é vulgar e sempre igual”. Poderia haver dúvidas acerca de quem assinou “recordo os tempos em que troçavas de mim, por deixar de ouvir os Megadeath, os Sepultura e outros assim” (foram os Feromona) mas é inegável que os Pontos awopbopaloopam bem mais intensamente o que, por uma questão de congruência de forma e conteúdo – isto é: o que dizer por cima dos mesmos eternos três acordes? –, obriga a atribuir-lhes um lugar superior no ranking-Little Richard. Já, por mais do que uma razão, na escala-Jorge Palma (descendente literariamente escanhoada do acima referido Morrison), os Feromona se sairiam bastante melhor. Por outras palavras: neste registo de revivalismo dos valores primordiais do culto do rock’n’roll, é quase sempre mais vantajosa a adesão ao rito de Santo Rotten em detrimento daquele outro, posterior, oriundo das comunidades heréticas de Seattle.

(2010)
... MAS HÁ COISAS QUE NEM AO SUMO-PATÍFICE SE DESEJAM
(o pior é que quase se chega a sentir compaixão pelo velho crápula)



Pope Benedict XVI in Britain: Even Susan Boyle Couldn't Draw Crowd To Mass

Edit - não foi por nós que ele sofreu... mas sofreu:



(2010)

16 September 2010

O SUMO-PATÍFICE PODERÁ NÃO SER PRESO
NO REINO UNIDO
MAS NÃO HAJA DÚVIDA
QUE ESTÁ A TER A RECEPÇÃO QUE MERECE




The Big Pope-Nope march through London, that is the centrepiece of the Protest the Pope campaign, will take place on Saturday 18 September on the same day that the pope will be preaching in Hyde Park

An new opinion poll published in the Tablet magazine shows a massive indifference to the pope’s visit to the UK – with only 25% actively supporting it. This reinforces another poll taken by the Scottish Catholic Media Office earlier this week

Catholic abuse survivors demand justice

A recent survey revealed 77% of people questioned felt the taxpayer should not contribute to the cost of the visit, with 79% saying they had "no personal interest" in the pontifical trip. But others believe Benedict's visit provides a rare chance to put the Vatican in the spotlight and ask the pontiff difficult questions. Human rights activists, secularists, survivors of clerical sexual abuse and reform-minded Catholics have formed a loose coalition to ensure the opportunity is not wasted

A £10 million ring of steel will be thrown around Pope Benedict XVI when he arrives in Scotland

(2010)
TEMPOS INTERESSANTES


Bandarra - Bandarra

Não é, de certeza, um exagero afirmar que se vivem tempos interessantes na música popular portuguesa. E, coisa que já seria muito menos previsível, tanto na área mais habitualmente bafejada pelas atenções dos media – a do pop-rock e adjacências – como naquela outra, descendente directa ou bastarda dos diversos cantautores clássicos e suas afinidades particulares, mais ou menos pronunciadas, pela tradição popular nacional. Os grandes responsáveis históricos pelo surgimento deste novíssimo filão exigem ser nomeados: por um lado, os Gaiteiros de Lisboa com a sua formidável iconoclastia e festiva erudição; por outro, a Sétima Legião que, com Sexto Sentido, desbravaram o território onde música moderna e arcaísmos remotos conviviam e se articulavam de forma natural e esteticamente consistente.



Com descendência mais ou menos interessante (dos Megafone à Naifa), é hoje que, verdadeiramente, os frutos começam a amadurecer e se pode escolher entre colher do neo-realismo pícaro dos Deolinda, do caldeirão transcultural dos OqueStrada, do folclorismo transviado dos Diabo na Cruz ou, agora também, do cocktail literalmente transatlântico dos açoreanos Bandarra. É obrigatório reconhecer que, para a estreia, dificilmente poderiam ter optado por melhores guias: Carlos Guerreiro (Gaiteiros de Lisboa) e Luís Varatojo (Despe & Siga, Naifa), na qualidade de produtores, e António Pinheiro da Silva como purificador sonoro. O resultado, se não é uniformemente excelente – uma ou outra escorregadela para algum excesso de populismo poderiam ter sido evitadas –, não deixa, no entanto, de prometer feitos de maior relevo nesta entusiasmada conflagração de fado e tango, pop e ska, transpiração cigana e textos de saboroso sarcasmo ilhéu. Ponhamos, então, as coisas nestes termos: com um dois ajustes aqui e ali, poderemos muito bem estar perante um conjunto de gente capaz de vir a pisar o mesmo palco dos Gogol Bordello e não saír de lá envergonhado.

(2010)

15 September 2010

WANTED (II)



We, the undersigned, share the view that Pope Ratzinger should not be given the honour of a state visit to this country. We believe that the pope, as a citizen of Europe and the leader of a religion with many adherents in the UK, is of course free to enter and tour our country. However, as well as a religious leader, the pope is a head of state, and the state and organisation of which he is head has been responsible for:

Opposing the distribution of condoms and so increasing large families in poor countries and the spread of Aids.

Promoting segregated education.

Denying abortion to even the most vulnerable women.

Opposing equal rights for lesbians, gay, bisexual and transgender people.

Failing to address the many cases of abuse of children within its own organisation.


The state of which the pope is head has also resisted signing many major human rights treaties and has formed its own treaties ("concordats") with many states which negatively affect the human rights of citizens of those states. In any case, we reject the masquerading of the Holy See as a state and the pope as a head of state as merely a convenient fiction to amplify the international influence of the Vatican.


Stephen Fry, Professor Richard Dawkins, Professor Susan Blackmore, Terry Pratchett, Philip Pullman, Ed Byrne, Baroness Blackstone, Ken Follett, Professor AC Grayling, Stewart Lee, Baroness Massey, Claire Rayner, Adele Anderson, John Austin MP, Lord Avebury, Sian Berry, Professor Simon Blackburn, Sir David Blatherwick, Sir Tom Blundell, Dr Helena Cronin, Dylan Evans, Hermione Eyre, Lord Foulkes, Professor Chris French, Natalie Haynes, Johann Hari, Jon Holmes, Lord Hughes, Robin Ince, Dr Michael Irwin, Professor Steve Jones, Sir Harold Kroto, Professor John Lee, Zoe Margolis, Jonathan Meades, Sir Jonathan Miller, Diane Munday, Maryam Namazie, David Nobbs, Professor Richard Norman, Lord O'Neill, Simon Price, Paul Rose, Martin Rowson, Michael Rubenstein, Joan Smith, Dr Harry Stopes-Roe, Professor Raymond Tallis, Lord Taverne, Peter Tatchell, Baroness Turner, Professor Lord Wedderburn of Charlton QC FBA, Ann Marie Waters, Professor Wolpert, Jane Wynne Willson (aqui)

(2010)
A VATICANO S.A. REIVINDICA O COPYRIGHT SOBRE
VIRGENS GRÁVIDAS E SEXO ATRÁS DO ALTAR




"An ice cream company banned from using an advert showing a pregnant nun has vowed to defy regulators by placing similar posters along the route of the Pope's London visit. The Advertising Standards Authority (ASA) announced today it had banned the ad for the Antonio Federici brand for making a mockery' of the beliefs of Roman Catholics.



The advert, which appeared in The Lady and Grazia magazines earlier this year, showed the heavily pregnant nun standing in a church holding a tub of ice cream and a spoon, with text stating 'Immaculately conceived' and 'Ice cream is our religion'. Ten readers complained that the advert was offensive to Christians, particularly those who practised Catholicism. A spokeswoman for Antonio Federici said the company intended to defy the ban by publishing another advert portraying 'a continuation of the theme'.



She said: 'We intend to defy the ASA's ban and will publish another advert from the series before the Pope's visit later this week. We are in the process of securing a series of billboards close to and along the planned route of the Pope's cavalcade around Westminster Cathedral' (...) The ASA banned another advert for Antonio Federici in July last year that showed a priest and a nun looking as though they were about to kiss". (artigo integral aqui)



"Meanwhile, the picture of two men in cassocks and clerical collars, embracing with their lips inches apart, bears the words ‘we believe in salivation’. (...) British firm Antonio Federici said the adverts celebrated the ‘implied forbidden Italian temptations’ of the ice cream. Creative director Matt O’Connor said the company would lose a substantial sum if it had to pull the campaign and was considering a legal challenge. He said: ‘Only a tiny proportion of those who have seen the ads have made complaints. They seem to be upholding the views of a bigoted minority over the majority’". (artigo integral aqui)

(2010)
NÃO HÁ DINHEIRO PARA A CARIDADEZINHA, É?
NÃO O TIVESSEM GASTO COM O "PAPA IN RIO"



Leiturinha bem a propósito: Vaticano S.A. de Gianluigi Nuzzi

(2010)