31 August 2013

VINTAGE (CLVIII)

The Gist - "Love At First Sight"
 
O mundo é um lugar maravilhoso: Catarina Eufémia no conselho de administração da ZON Optimus (ao lado de duas aristocratas escolhidas por direito de sucessão monárquica hereditária)

30 August 2013

Emocionada saudação pelo regresso da Morgada e modesto contributo para o debate acerca do "piropo"
 
Morgada! Long time no speak… o clube de fãs estava quase, quase a entrar em greve de fome.

Quanto ao tópico em debate, sempre pensei que o trolha-ó-filha-comia-te-toda e o Petrarca-S’-amor-non-è-che-dunque-è-quel-ch’-io-sento?-Ma-s’egli-è-amor-per-Dio-che-cosa-e-quale? querem dizer exactamente o mesmo. Simplesmente, o trolha não é capaz de escrever sonetos e o Petrarca era.

O trolha merece um bufardo bem aviado no focinho? Claro que merece: a poesia é uma necessidade básica.
Olha outro... 

("Sol")

... entretanto, para evitar futuros recursos para o Tribunal Constitucional, coitado, convinha esclarecer já se se trata de um "filme de Lisboa", um "filme em Lisboa" ou um "filme sobre Lisboa".

29 August 2013

... ainda é o governo do Relvas: chumbo atrás de chumbo

começou! *  

Mas os "spin doctors" de turno podiam soprar-lhe um golpaço de génio (não rendia tantos votos mas ficava muito bem no retrato...); ou, então, Arouca que se chegue à frente

* (procure-se, entretanto, aqui em "Tony Carreira" e descubra-se quanto, em dinheiros públicos, a voz que taquicardiza a fêmea lusa das classes D e E já arrecadou)
(AINDA) OUTRO LADO DE BOB DYLAN

  
Bob Dylan deverá ter pulado de alegria ao ler a pergunta com que Greil Marcus iniciava os 40 000 caracteres da crítica a Self Portrait, no número de 23 de Julho de 1970 da “Rolling Stone”: “What is this shit?...” E mais feliz terá ficado ao reparar que, evidentemente, Marcus não se ficava por aí mas zurzia forte e feio na obra e no autor, comparando-o com Rimbaud que trocara a poesia pelo comércio na Abissínia, interrogando-se acerca do real valor de Dylan (“Em 65 e 66, seríamos assim tão impressionáveis? Não teremos sobrevalorizado algo que, afinal, não era melhor do que isto? Aqueles discos tão intensos terão sido apenas acidentais?”), desafiando-o a ir até ao fim e a assumir o “Bing Crosby Look”, e confessando amargamente que era a primeira vez que se sentia cínico ao ouvir um disco dele. Mas, a certa altura, por acaso ou não, Greil Marcus acerta no alvo: “Há uma curiosa tendência para o auto-apagamento. Dylan retira-se de uma posição na qual lhe é exigido que exerça o poder. Quase como o duque de Windsor abdicando do trono”. De facto, estava tudo a correr tal como fora planeado: um pouco por todo o lado, Self Portrait seria incinerado, o “Pravda” soviético chamaria a Dylan “capitalista ganancioso” e este fizera questão de não recusar o muito institucional e nada revolucionário doutoramento honoris causa que a universidade de Princeton lhe concedera. Ainda que, desgraçadamente, na cerimónia de atribuição dessa distinção, o académico de serviço não tenha resistido a apresentá-lo na qualidade de “expressão autêntica da consciência inquieta da Jovem América”.


Porque era justamente disso que ele queria fugir! Se seleccionara para Self Portrait os registos mais deslavadamente country e as mais pálidas interpretações de "standards", a intenção era, precisamente (assim o afirma em Chronicles Volume One), alienar de uma vez por todas a multidão de fãs e apóstolos que o acossava e lhe exigia “que saísse à rua e os conduzisse sabe-se lá onde, deixando de me esquivar aos meus deveres de porta-voz de uma geração. (...) Eu apenas cantara canções directas que falavam de realidades novas e poderosas. Tinha muito pouco em comum e sabia ainda menos de uma geração de que era o suposto porta-voz. (...) Sentia-me como um pedaço de carne atirado aos cães. (...) Escreviam-se histórias acerca de eu andar em busca de mim, numa demanda interior atormentada. Tudo isso me parecia óptimo. Gravei um álbum duplo [Self Portrait] para o qual atirei tudo o que colasse e não colasse à parede. (...) Convencera-me de que, quando a crítica demolisse a minha obra, o mesmo aconteceria comigo e o público me esqueceria”. Another Self Portrait (1969–1971), décimo volume das Bootleg Series editado a 27 de Agosto, apresenta-se com a exigente missão de demonstrar que, nesses anos de eclipse, ao lado da Band, de David Bromberg e de Al Kooper, nem tudo o que Dylan gravou era o esterco que, deliberadamente, amontoou no duplo de 1970. Bem mais difícil será fazer o mesmo em relação aos registos do período "born-again", quando o seu fervor evangelizador nem perante o produtor Jerry Wexler se deteve, obrigando este a dizer-lhe “Bob, estás a lidar com um judeu ateu de 62 anos. Vamos só gravar um álbum...”

28 August 2013

BAD, BAD NEWS...

"Lightning"
O pessoal de Ayamonte é que devia ficar em brasa...

... agora e sempre, um clássico:

Mendes Bota - "From Faro To Anywhere"
O serviço público, essa preciosidade
"Não me esqueço quando António Borges disse que 'a diminuição de salários não é uma política, é uma urgência'. Não me esqueço quando defendeu que os trabalhadores deveriam pagar mais taxa social única e os patrões menos. Não me esqueço quando advogou a destruição da RTP. Não me esqueço que instituições como a Goldman Sachs e o FMI foram responsáveis, no tempo em que ele lá esteve, pela distorção de equilíbrios na economia mundial que nos levaram a uma crise gigantesca empobrecedora de milhões de pessoas. Não me esqueço que aquelas instituições onde ele pontificou foram cúmplices (e até autoras) de autênticos crimes económicos que, tirando um ou outro bode expiatório mais desprotegido, ninguém pagou, a não ser as suas vítimas, diretas ou indiretas. António Borges seria pessoalmente admirável mas a sua visão do mundo, para mim, era detestável. Para um homem que sempre odiou a hipocrisia, penso que o que escrevo é o verdadeiro sinal de respeito que, sem dúvida, lhe é devido".

27 August 2013

David Byrne & St. Vincent - "Marrow"



Muscle connects to the bone
And the bone to the ire and the marrow
I wish I had a gentle mind and a spine made up of iron

Mouth connects to the teeth
And teeth to the loves and curses

Honey
Can you reach the spots that need oiling and fixing?

H-E-L-P
Help me, help me

H-E-L-P
Help me, help me

Muscle connects to the bone
And the bone to the ire and the marrow

So I pretend these aren't ten strings attached to all ten of my fingers.

H-E-L-P
Help me, help me

If you could only go somewhere else

H-E-L-P...
O MARAVILHOSO MUNDO DA BLOGOCOISA (XIII)

São sinais, irmãos, são sinais!!! Vede como, comandado por Forças Superiores, ao enganar-se na escrita do endereço deste blog, pcristov foi encaminhado para a Luz

Estava escrito: "You may have typed in a wrong domain name. God loves you and is not willing that any should perish. A UNIQUE SITE that teaches SALVATION is only possible by humbling yourself–1 Pe 5:5, repenting of your sins–Lk 13:3, and trusting in Jesus Christ as your only hope–Eph 2:8. AFTERWARD you are commanded to be baptized by full immersion–Mk 16:16, and to read and obey the Gospel–Heb 5:9. The WHOLE GOSPEL is taught, including denying yourself, sin, heaven, hell, the judgments, the love of God, the fear of God, how Satan deceives and prophecy".

Aleluia!!!
 

"Dust & Grooves is a photography and interview project documenting vinyl collectors in their most natural and intimate environment: the record room"

E DURANTE QUANTOS MAIS ANOS SE IRÁ VOLTAR A DIZER O MESMO?

26 August 2013

David Byrne & St. Vincent - "I Should Watch TV"



I used to think that I should watch TV
I used to think that it was good for me
Wanted to know what folks were thinking
To understand the land I live in
And I would lose myself, and it would set me free


This is the place where common people go
A global franchise, one department store
Yes, there were many awkward moments
I had to do some self-atonement
Well if I opened up, well it would set me free

I know, I like
Behold and love this giant
Big soul, big lips
That's me and I am this

Everybody is a touched-up hairdo
Everybody's in the passing lane
Aberration makes you touch dark shadows
The weird things that live in there

I took a walk down to the park today
I wrote a song called "Just Like You and Me"
I heard the jokes from the sports reporter
The rival teams when they faced each other
The more I lost myself the more it set me free

How am I not your brother?
How are you not like me?

Everybody's in the hotel lobby
I'm living in here, yes I am
I feel it moving in my arms and fingers
Touch me and feel like me

It's good to lose and it's good to win sometimes
It's good to die and it's good to be alive
Maybe someday we can stand together
Not afraid of what our eyes might see
Maybe someday I'll understand them better,
The weird things inside of me.
O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (CXX) 

João César das Neves

Lot e as filhas - Joachim Wtewael (1600)  + sobre o tema aqui

Eternamente gratos ao Mestre por nos dar a conhecer "as novas formas de expressão - cinema, televisão, videojogos, sites, revistas" - e nos alertar também para os reprováveis conteúdos - "violência, erotismo, velocidade, grosseria, atrevimento" - que, ao ler a Bíblia, nos poderão desviar do Bom Caminho. (aqui)
JÁ NÃO SE PODE SER BONZINHO (PARTE II) E SUPER-GENEROSO?
E É SNOWDEN QUE ESTÁ A SER PERSEGUIDO?

24 August 2013

Future Bible Heroes - "Drink Nothing But Champagne"


Just a speck of DNA from the Turin Shroud
Was used to clone our savior, and our savior said aloud:
"Listen up my children, I've come back to tell you this,
Don't drink the water, 'cause water's mostly piss,
children…

Drink nothing but champagne
It makes life shorter, than drinking water
Drink nothing but champagne
And you'll never say no to love

So we asked David Bowie, and Bowie said:
"It's true, and he said it, I believe it, and so should you.
That's the one thing on which Winston and Adolf concurred
But it was from Aleister Crowley that they heard
boys…

Drink nothing but champagne...

So we dug up Aleister, he has a shroud as well
He said, "We don't have water in the ninth circle of hell,
so we…

Drink nothing but champagne...

23 August 2013

Do ukulele à linguiça, passando pelas latrinas do Louvre e pelo crânio de Johnny Depp, chegando, gloriosamente, ao topo do mundo: eis, enfim, o QUINTO IMPÉRIO!

CHAMPANHE & SATANÁS 


Até 1999, Stephin Merritt já tinha publicado seis álbuns com os Magnetic Fields, dois com os Gothic Archies, um com os Future Bible Heroes, e outro via The 6ths. Era uma discografia importante, variada e respeitável – Obscurities, colecção de “sobras” do período 1994-99, editada há dois anos, é assaz esclarecedora acerca da riqueza dos fundos de baú de Merritt – mas seria apenas à beira da viragem do milénio, com o triplo 69 Love Songs, dos Magnetic Fields, que o mundo "indie" (e uma mais alargada periferia) ajoelharia, por fim, perante o indiscutível génio do extremoso dono do chihuahua Irving (Berlin). Foi um caso exemplar de bênção que se transforma rapidamente em maldição: daí para a frente, tudo, literalmente tudo, o que Stephin Merritt gravaria através das suas diversas personae haveria de ser fatalmente comparado com o inesgotável tríptico e, só muito improvavelmente, de modo favorável. O que, à excepção de Distortion (2008) – abstruso ensaio de fusão molecular entre o arame farpado de Psychocandy e o "songwriting" segundo Merritt – nunca andou demasiado longe da pura injustiça: para ficarmos apenas pela nata, Hyacinths and Thistles (2000, dos 6ths), i (2004) e Realism (2010), ambos dos Magnetic Fields, e, sobretudo, The Tragic Treasury: Songs from A Series of Unfortunate Events (2006, dos Gothic Archies), magnificamente perversa colecção de canções infantis escrita a meias com Lemony Snicket/Daniel Handler, são o género de matéria apontada directamente ao cânone pop pela qual muitos abdicariam de bom grado de uma parte da sua anatomia. 


Segundo parece, o espectro-69 já começou também a pairar sobre Partygoing, recente terceiro tomo dos Future Bible Heroes, essa bizarra associação musical com Chris Ewen (e Claudia Gonson incluída) surgida da comum devoção por Yma Sumac, John Cage e a arte Tiki da Polinésia. Poderá, certamente, discutir-se se a inclusão no panteão atrás referido é aceitável mas isso obrigará a reparar que, nesta recolha de levíssimas bolhas de sarcasmo niilista, se incluem pérolas como "Let’s Go To Sleep (And Never Come Back)" (“I'll wear silk pajamas and sleeping mask in black, and you will wear a muumuu a la Roberta Flack, leaving no note, just candles and incense, we'll overdose on smack, no need to weep, let's go to sleep and never come back”), invocações a Satanás (“Angel of light, prince of peace, I am your soldier but don’t let me get too much older”) e, especialmente, aquelas que Claudia Gonson designa como “instructional songs”: a que aconselha "Keep Your Children In A Coma", enquanto forma expedita de evitar as aflições da infância (“You can't let them go to school for fear of bullying little beasts and you can't take them to church for fear of priests, you can never really know, ma, if their motives remain pure, keep your children in a coma and be sure”) ou a outra, que, sob o alto patrocínio de Cristo clonado a partir do sudário de Turim (com assessoria de David Bowie e Aleister Crowley), recomenda "Drink Nothing But Champagne" (“It makes life shorter than drinking water”). E não duvidemos que Merritt está coberto de razão quando afirma que Presley chamaria um figo a "All I Care About Is You".

22 August 2013



Não há cu para esta malta dos "call centers" sempre a querer impingir uma merda qualquer...


... e muito cuidadinho com os putos - como diz o outro "You can't let them go to school, for fear of bullying little beasts, and you can't take them to church for fear of priests" - que ele ainda lhes liga a oferecer rebuçados, chupa-chupas e assim... (notar que ele é "adepto do contacto directo e privilegiando os jovens")
Boa ideia! E, para o ano, na comemoração dos 40 anos do 25 de Abril, que tal umas valentes cargas de polícia de choque sobre as manifestações e umas cabinezinhas no Terreiro do Paço onde quem quisesse entrar seria impiedosamente interrogado e torturado?


ISTO É UM INSULTO A UM SANTO HOMEM!

18 August 2013

17 August 2013

Dakha Brakha - "Vesna"

Com os problemas que a restauração já tem, colocar espantalhos mesmo em frente ao "Califa" é de uma inominável crueldade 

DOIS PEQUENOS NACOS DE INFORMAÇÃO QUE PODERÃO CONTRIBUIR PARA EXPLICAR O ESCÂNDALO TRICOLÓGICO BEM COMO CERTAS REVELAÇÕES RECENTES
 
"Hendrix would reportedly regularly put numerous hits of LSD inside his headband which would seep into his pores and spur his guitar antics to greater heights. One story has it that he would occasionally cut his head above his brow give the hits a direct line to his mind. One urban legend has it that Hendrix took fifty hits of LSD the day he played Woodstock and the result of LSD overload was his fiery version of 'The Star Spangled Banner'".


"Not content to simply ingest it orally, Barrett would often put acid inside his eyelids and let it seep into his brain that way. When going on stage, he would often indulge in putting a mixture of hair gel and LSD in his hair and letting the mixture melt into his brain during the heat of a performance. For an even further kick, Barrett would sometimes mix the LSD and hair gel with a particularly nasty Barbiturate of the day called Mandrax". (daqui)

POIS É, MUITA DROGA...

15 August 2013


Future Bible Heroes - "Keep Your Children 
In A Coma"



Keep your children in a coma 
Keep your children in a coma 
Keep your children in a coma 
Starting today! 

Life is hard for kids today 
They have to program everything 
Dude, they have to use computers 
Just to sing 

If you keep them dosed on soma 
You can spare them all their pain 
Keep your children in a coma 
And stay sane 

You can't let them go to school 
For fear of bullying little beasts 
And you can't take them to church 
For fear of priests 

You can never really know, ma 
If their motives remain pure 
Keep your children in a coma 
And be sure 

All that background radiation 
Oil companies run bad 
Party politics amuck 
Good girls gone bad 

They would just get melanoma 
If they surfed in see-through jeans 
Keep your children in a coma 
Through their teens 

Little Caleb and Valoma 
Would be drugged up anyway 
Keep your children in a coma 
Starting today 

Keep your children in a coma...
 
Manuel Baptista - Póvoa de Lanhoso 
Autarquicas 2013 Tema Oficial



+ Best Of 2009
Há métodos muito mais expeditos
 

14 August 2013

Novos subsídios para a verdadeira história da filha da Kukanova
VINTAGE (CLVI)
 
Mott The Hoople - "All The Young Dudes" 
(D. Bowie)



Well Billy rapped all night about his suicide 
How he kick it in the head when he was twenty-five 
Speed jive don't want to stay alive 
When you're twenty-five 
And Wendy's stealing clothes from marks and sparks 
And Fredy's got spots from ripping off the stars from his face 
Funky little boat race 
Television man is crazy saying we're juvenile deliquent wrecks 
Oh man I need tv when I got T Rex 
Oh brother you guessed I'm a dude dad

All the young dudes (hey dudes) 
Carry the news (where are ya) 
Boogaloo dudes (stand up come on) 
Carry the news 
All the young dudes (I want to hear you) 
Carry the news (I want to see you) 
Boogaloo dudes (and I want to talk to you all of you) 
Carry the news 

Now Lucy looks sweet cause he dresses like a queen 
But he can kick like a mule it's a real mean team 
But we can love oh yes we can love 
And my brother's back at home with his Beatles and his Stones 
We never got it off on that revolution stuff 
What a drag too many snags 
Now I've drunk a lot of wine and I'm feeling fine 
Got to race some cat to bed 
Oh is there concrete all around 
Or is it in my head 
Yeah I'm a dude dad 

All the young dudes...
Para o tour 2013 da Fatinha, entra em acção o clone nº1


LISTA NEGRA

(originalmente aqui)

É capaz de ser a entrada mais deprimente de toda a Wikipedia. Não é, de certeza, por esse motivo que apenas existe em inglês e sueco mas, se desvalorizarmos o facto de o inglês ser o esperanto contemporâneo, os falantes de todos os outros idiomas, de certo modo, devem ficar agradecidos por terem sido, até agora, poupados. Chama-se “Outline of war” e, considerando que cada sub-capítulo abre para uma infinidade de outras entradas (quase nenhuma delas propriamente curta), o efeito de imediata anulação de qualquer vestígio de optimismo antropológico que pudesse ainda sobreviver é enormemente potenciado pela esmagadora dimensão da informação disponível. Não responde cabalmente a uma das interrogações que nos pode conduzir lá – desde que existem registos históricos, houve algum ano sem a ocorrência de guerras? – mas também não autoriza muitas dúvidas de que a resposta mais do que provável é “não”. Disciplinadamente (deveria, talvez, dizer-se militarmente?) estruturada segundo tipos de guerra, formas de a travar, estratégias, tácticas, variedades de armamento, épocas, regiões e número de baixas, é educativo saber que, se o Paleolítico Inferior e Médio terão sido razoavelmente pacíficos, a partir do Paleolítico Superior, o sapiens sapiens entregou-se, até hoje, de alma e coração, ao glorioso, ininterrupto e inesgotável empreendimento de, sob qualquer pretexto, exterminar o máximo número de exemplares do sapiens sapiens mais próximos.



Por outras palavras: desde que, em 1963, Bob Dylan cantou "Masters Of War", por todo o mundo – se a lista da Wikipedia é exaustiva –, foram desencadeados (ou persistiram) exactamente 100 conflitos armados. Será isso motivo suficiente para baixar os braços e desistirmos de pensar que a cantiga é uma arma (metáfora, no contexto, assaz desconfortável...)? PJ Harvey não partilha dessa opinião. E se, no último e óptimo Let England Shake (2011), já se havia colocado na posição de imaginária “song correspondent from the front-line” nos cenários de matança da Primeira Guerra Mundial (“I've seen and done things I want to forget, I've seen soldiers fall like lumps of meat, blown and shot out beyond belief, arms and legs were in the trees, I've seen and done things I want to forget, coming from an unearthly place, longing to see a woman's face, instead of the words that gather pace, the words that maketh murder”), procurando, deliberadamente, sublinhar a forma aterradora como a História se repete (“As descrições da guerra não mudaram através dos anos. O que se aplicava há centenas de anos continua a poder aplicar-se hoje”), agora, numa canção, "Shaker Aamer", colocada inicialmente em "streaming" exclusivo no site do “Guardian” – mas, rapidamente, saltando daí para a grande rede – denuncia a situação do último prisioneiro de guerra britânico em Guantanamo, detido há 11 anos sem culpa formada e em risco de ser transferido para outra cadeia na Arábia Saudita. Vigorosa "topical song" ao jeito tradicional no mesmo registo sonoro das de Let England Shake, não evitará, decerto, que a lista negra do “Outline of war” se alargue. Mas, pelo menos, servirá para recordar, como lá também se escreve, que “an absence of war is usually called peace”.

12 August 2013

Atlântico-Sul (o link para o blog da Alexandra Lucas Coelho já há muito aqui deveria ter sido aqui publicado)
O PAÍS DOS ZEZÉS (XVII)

... e encarar a cidade de ângulos diferentes


Implantes capilares arbóreos para todos!
INSPIRADO POR UM COMENTÁRIO 
 
(daqui, d'aprés Raffaello Sanzio da Urbino)
Braga a Capital Europeia do Trogloditismo, !

(mas, mesmo com a benção do PS, era uma peninha que alguma coisa má acontecesse à estátua, que a decapitassem, sei lá, que a deixassem em escombros...)

11 August 2013

CÁ, NINGUÉM SE APERCEBERIA QUE NÃO ERA MESMO UM TAXISTA
... e ainda outra no cravo que a imprensa "de referência" não gosta nada de ferir sensibilidades, especialmente a de excelsas entidades que os malignos cientistas "sempre temeram"

A Idade Média contra-ataca! (texto completo aqui)
Stephin Merritt - "Forever And A Day"



Forever and a day 
We'll dream our lives away 
Our love is here to stay 
Marry me 
I'll give you every color of the rainbow 
They'll say it can't be done but what do they know? 

You'll never be alone 
You're my sine qua non 
And I'm a baritone 
Marry me 
I'll gaze into your eyes and say I love you 
There'll always be a rainbow right above you 

Forever and a day 
We'll watch our children play 
I know it's a cliche 
But I will love you come what may 
Forever and a day

10 August 2013

Não é que o falecido fosse grande espingarda literária mas ninguém merece um epitáfio redigido (?) por alguém que, manifestamente, nunca leu uma linha do que ele escreveu

09 August 2013

08 August 2013

O outro só serviu as bicas


... e, provavelmente, um dia, lá mais para a frente (que tudo o que é feito à pressa nunca corre bem), há-de também pensar-se noutras coisas
VIDA E MORTE DE DEUS


É verdade: deus teve a sua própria banda de rock e esta chamava-se Ya Ho Wha 13. Mas deus viveu a maior parte da sua vida antes de descobrir que era deus. Começou por chamar-se James Edward Baker, nascido em 1922, no Ohio. Aparentemente, aos 12 anos, terá sido aclamado como “o rapaz mais forte dos EUA” e, daí em diante, olhando da altura de um metro e noventa e três, foi fuzileiro das forças-armadas americanas condecorado por bravura em combate durante a Segunda Guerra Mundial, abandonou a primeira esposa terrestre e viajou de moto até Hollywood para se candidatar (sem êxito) ao papel de Tarzan, supostamente em legítima defesa, terá feito uso da sua condição de mestre de judo para enviar para outra dimensão dois indivíduos que o aborreceram, e, num processo consagrado de acumulação primitiva de capital, assaltou uma dezena de bancos o que lhe permitiu iniciar uma próspera carreira no ramo da restauração. O maior sucesso surgiria, no entanto, com a abertura de “The Source”, no Sunset Strip de Los Angeles, em 1969, um dos primeiros restaurantes vegetarianos a cair nas boas graças da "beautiful people" local: Joni Mitchell, John Lennon, Marlon Brando, Warren Beatty, Steve McQueen e tutti quanti eram clientes regulares e até Alvy Singer/Woody Allen, em Annie Hall, sentado na esplanada, relutantemente pede uma salada de rebentos de alfalfa com puré de levedura. 



É precisamente a partir de “The Source” e do seu staff voluntário de belas e belos jovens hippies que o então quase-deus-Baker constitui e financia a sua comuna alternativa que chegaria à centena e meia de membros. Alimentada por uma "ratatouille" teológico-espiritualista que misturava esoterismos ocidentais com a Cabala, Tantrismo, yoga, "sex magick" à maneira de Crowley, poliamor, químicos vários e todos os outros condimentos intermédios, estimularia a transformação de Baker – por essa altura, já uma imponente figura de Moisés prestes a receber os dez mandamentos – em Father Yod, depois, em Ya Ho Wha, e, por fim, para simplificar, apenas God. Tal como pode ver-se no documentário recém publicado em DVD, The Source Family (God Has a Rock Band), de Jodi Wille e Maria Demopoulos, se Baker nunca esteve sequer próximo de ser um Charles Manson ou um Jim Jones, ainda hoje, de entre os discípulos sobreviventes, há quem garanta tê-lo visto a jorrar relâmpagos dos ouvidos e a ressuscitar nados-mortos. Bastante mais objectivo é o impressionante arquivo de música e imagens da vida da comuna que uma das 13 esposas espirituais de deus foi preservando (e de que grande parte do documentário se socorre), em particular, a discografia de Ya Ho Wha 13, colectivo informal de membros da "brotherhood" – deus incluído – que ocupava o estúdio da Mother House e que terá registado um total de potenciais 65 álbuns de que, originalmente, apenas 9 terão sido publicados (em flash: o psych/folk/rock não inventou coisa nenhuma) e aos quais, nos últimos anos, a Drag City deitou a mão. Resta acrescentar que, em 1975, deus duvidou da sua divindade e pôs-se à prova: sem nenhuma experiência anterior, lançou-se em asa-delta de uma escarpa no Havai e a aterragem foi fatal. Tinha perdido os super-poderes.
FOOD FOR THOUGHT (XII)

"To put it very briefly, the main problem today is not only the exploitation of labor (even if it exists, and more than before), but the fact that increasingly large strata of the population have been made 'superfluous' by a production which dispenses with human labor. It is ridiculous to imagine providing 'work' for all those made 'superfluous'. Rather, it is necessary to begin to imagine a society that does not use its productive potential to satisfy the quest for a ghostly and fetishized 'commodity value', but which uses this potential to meet human needs. 

The crisis of capitalism is also the crisis of its traditional adversaries. With the gradual end of labor, and therefore of value and of money 'value' that results, all the oppositions that refer to or want to make better use of those categories lose their relevance. It is the same for those who want to conquer state power to transform it into a lever for emancipatory transformation". (Change Horses, Anselm Jappe)
É no que dá o pessoal de limpeza ter formação em informática

07 August 2013

Claude Gervaise - "Bransles" 
(Accademia del Ricercare)

Muitíssimo bem; e, já que estão com a mão na massa, é ir por aí fora, a eito, observando à lupa tudo e todos envolvidos, nos últimos 20 anos, em PPPs, BPN, BPP, BANIF, SCUTs, TGV, Aeroporto de Beja, "novo" Aeroporto de Lisboa, privatizações, fundos europeus... (se falhar alguma coisa, digam)
Já agora... 
  
"O gestor ontem [1 de Julho 2013] nomeado secretário de Estado do Tesouro [Joaquim Pais Jorge] integrou também, por despacho proferido em Agosto de 2010 por Carlos Costa Pina e Paulo Campos, a comissão de negociação dos contratos das concessões Interior Norte, Beira Interior, Algarve, Norte Litoral, Douro Litoral e Litoral Centro. (...) De acordo com o relatório do Ministério das Finanças, divulgado em Agosto do ano passado e que desencadeou a comissão parlamentar de inquérito, os encargos suportados em 2011 com essas concessões superaram os valores previstos em todos os casos." (aqui)
Porém, pouco depois da meia noite, o bouquet de crisântemos virou molho de grelos

Com meia hora de atraso mas a resposta certa é:


Não respeitar prazos é a marca de um governo que sabe ser fiel à identidade lusitana!


"Pedro Lomba referiu ainda que Pedro Passos Coelho está a par do dossier e que o executivo 'vai fornecer a informação' ainda nesta terça-feira que permitirá 'ajuizar sobre o que se passou'”. (aqui)

06 August 2013

"INCONSISTÊNCIAS PROBLEMÁTICAS" = "SIM, PARECE MERDA, TEM COR DE MERDA E CHEIRA A MERDA, MAS DÊEM-NOS TEMPO E VÃO VER COMO TRANSFORMAMOS A COISA NUM LINDO BOUQUET DE CRISÂNTEMOS (ou, então, pomos o nosso melhor arzinho de vestais e dizemos que o biltre nos enganou)"
A imprensa "de referência", depois de dar uma no cravo, procura limpar melhor a nódoa dando outra na ferradura (mas convinha lembrar que, entre ciência e professores Karamba, não há debate, só combate)

"A fraude da astrologia: uma 'ciência' que não é ciência"(aqui via DRN)
DÁ GOSTO VER TÃO PURÍSSIMOS ARIANOS A DEFENDER A "SUPREMACIA BRANCA"

05 August 2013

VINTAGE (CLV)
 
Sex Pistols - "Holidays In The Sun"



A cheap holiday in other people's misery!

I don't wanna holiday in the sun
I wanna go to new Belsen
I wanna see some history
'Cause now i got a reasonable economy

Now I got a reason, now I got a reason
Now I got a reason and I'm still waiting
Now I got a reason
Now I got reason to be waiting
The Berlin Wall

Sensurround sound in a two inch wall
Well I was waiting for the communist call
I dared to ask for sunshine, and I got World War three
I'm looking over the wall and they're looking at me!

Now I got a reason, now I got a reason
Now I got a reason and I'm still waiting
Now I got a reason,
Now I got a reason to be waiting
The Berlin Wall

They're staring all night and
They're staring all day
I had no reason to be here at all
But now i gotta reason it's no real reason
And I'm waiting at Berlin Wall

I'm gonna go over the Berlin Wall
I don't understand this thing at all
I gonna go over and over the Berlin Wall
I'm gonna go over the Berlin Wall
I'm gonna go over the Berlin Wall

Claustrophobia there's too much paranoia
There's too many closets oh when will we fall?
And now I gotta reason,
It's no real reason to be waiting
The Berlin Wall

I gotta go over the Wall
I don't understand this thing at all
It's third rate
Cheap dialogue, cheap essential scenery
I gotta go over the wall
I wanna go over the Berlin Wall
Before me come over the Berlin Wall
I don't understand this bit at all...
I'm gonna go over the wall
I'm gonna go over the Berlin Wall
I'm gonna go over the Berlin Wall
Before me come over the Berlin Wall
I don't understand this thing at all
Please don't be waiting for me
Abordando o problema de forma suave, é assim; em modo hardcore, seria assim

Edit: a fingir, parece que será assim
Aaaah!... assim já é tudo completamente diferente!

PJ Harvey - "Shaker Aamer"



No water for three days.
I cannot sleep, or stay awake.
Four months hunger strike.
Am I dead, or am I alive?
With metal tubes we are force fed.
I honestly wish I was dead.
Strapped in the restraining chair.
Shaker Aamer, your friend.
In Camp 5, eleven years.
Never charged. Six years cleared.
They took away my one note pad,
and then refused to give it back.
I can’t think straight, I write, then stop.
Your friend Shaker Aamer. Lost.
The guards just do what they’re told,
the doctors just do what they’re told.
Like an old car I’m rusting away.
Your friend, Shaker. Guantanamo Bay.
Don’t forget.

04 August 2013

A sábia que, na imprensa "de referência" - também orgão oficial da Vaticano S.A. -, desafia "a explicação racionalista e ocidental do mundo e da vida", já descobriu "o que se passa com Portugal": "O nosso país nasceu com a missão de expandir a fé cristã, o seu momento mais alto foi o das Descobertas. Cheguei astrologicamente à conclusão de que Portugal, sem um Mito em que possa projectar-se, sem algo maior que o transcenda, perde a sua identidade". E, citando outro sábio, Manuel Gândara ("historiador que aprofundou a dimensão oculta de Portugal"), tudo, afinal, se explica com a maior facilidade: "O país traíu a sua missão espiritual quando a bandeira portuguesa deixou de ter as quinas viradas para um Centro emanador de Luz a que as quinas se submetiam. A partir de D. João II, as quinas foram viradas para a terra, Portugal perdeu a sua fidelidade ao Mito que o fez nascer". (como refere a revista "2", do "Público", "a pedido da própria, algumas palavras que para ela representam conceitos-chave da sua doutrina surgem iniciadas em maiúsculas"


... e, tungas!... pátria ao fundo! 

O que vale é que, depois de meses a dar colinho ao Coelho, há sempre uma Coelha onde, embalado pela inebriante lírica da poetisa Silva, poderá redescobrir "os arquipélagos de silêncio no navegar da vida"...


... mas antes, porém, como comandante supremo da seita, terá, decerto, aprovado e tomado conhecimento do dispêndio de uns trocos para promover a excelência educativa dos "Dauerling"