MUNDOS INFINITOS
Quando, há dois anos, por altura da publicação de Something in the Room She Moves, conversava com Julia Holter a propósito dos diversos modos de encarar a criação musical, ela respondeu-me: "Podemos sempre reflectir sobre os vários géneros, formas e estruturas musicais e como isso influencia o caracter da música. Há quem prefira trabalhar no interior de uma estrutura musical pré-estabelecida e quem procure uma total liberdade de movimentos. Mas, em qualquer dos casos, decisiva é a importância de permanecermos criativos, de nos divertirmos enquanto nos debruçamos sobre a música". Para uma artista que constrói arquitecturas sonoras a partir do ar (ou cria videos sobre a transcrição fonética de textos em russo - idioma que ela não domina), Julia Holter sempre tratou as suas composições como organismos vivos. Materia, concebido como complemento a Something In the Room She Moves, em vez de funcionar enquanto coleção tradicional de faixas bónus ou maquetas não utilizadas, vira-se para dentro, dissecando, transformando e remontando-se, a partir da voz, da eletrónica, dos instrumentos acústicos e dos sons ambientais. (daqui; segue)
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