26 March 2026
11 July 2025
"Don't Go Near The Water" (de Surf's Up, na íntegra aqui)
(sequência daqui) Smile foi arquivado semanas antes do lançamento de Sgt. Pepper’s. Ficaram as ruínas: fragmentos em Smiley Smile (1967), os bootlegs da Sea of Tunes, a caixa Good Vibrations: Thirty Years of The Beach Boys (1993), a reinterpretação de 2004 com os Wondermints e Parks, e, finalmente, em 2011, The Smile Sessions, com mais de quatro horas de sessões originais. Já conhecíamos tudo, mas nunca assim. Era a restauração de uma miragem. Enquanto Smile morria antes de nascer, os Beach Boys sobreviventes buscavam um novo começo. Sem Brian no comando, os anos 1970 revelaram uma banda distante do eterno hedonismo californiano. Barbudos, introspectivos e politizados, lançaram álbuns como Sunflower (1970) e Surf’s Up (1971), com canções que abordavam a violência policial, a resistência juvenil e o desencanto político (“Nothing much was said about it and really next to nothing done, the pen is mightier than the sword, but no match for a gun!" cantava-se em "Student Demonstration Time"). “Eles são profundos, comprometidos e modernos”, escrevia Tom Smucker na "Creem". Em consonância com esta imagem, a banda acolheu as políticas de esquerda e exibiu uma consciência social. As atuações ao vivo estavam impregnadas de um propósito político. Em 1971, actuaram nas manifestações do Dia do Trabalhador em Washington, contra a guerra no Vietname, que resultaria na maior detenção em massa da história dos Estados Unidos. Em 1974, actuaram com Bob Dylan, Pete Seeger e Phil Ochs no "An Evening with Salvador Allende", um concerto de beneficência em homenagem ao antigo presidente socialista do Chile, derrubado por um golpe de Estado apoiado pelos Estados Unidos. (segue para aqui)
17 February 2025
16 February 2025
14 February 2025
(sequência daqui) Justamente por nunca ter sido senão um total desconhecido, Todd Haynes, em I'm Not There (2007), dividiu-o em seis heterónimos: Arthur Rimbaud (narrador, comentador), Woody Guthrie (um miúdo negro que reune num só o jovem Dylan e Woody); Jack Rollins (Dylan “cantor de protesto” sobreposto ao simétrico cristão "born again"); Robbie Clark (protagonista de “Grain Of Sand”, um biopic ficcional sobre Jack Rollins), Jude Quinn (o assombroso Dylan em roda livre de Highway 61 a Blonde On Blonde); e Billy The Kid (o fora-da-lei em fuga do papel de “porta-voz de uma geração”). Já Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese (2019), o registo da digressão de Dylan de 1975, combinava desvairadamente material documental com delirante efabulação na qual nem Sharon Stone escapava de se ver retratada como "groupie/roadie" adolescente que desfrutara de favores vários de um Dylan em modo poeta errante. (segue para aqui)
13 February 2025
17 July 2024
"Folk music used to be a potent political tool. Does it still have that power?
Shirley Collins - Potent political tool? I would say 'My arse', if you wouldn’t mind. For me, Pete Seeger bashing his bloody banjo and exhorting an audience to join the chorus of 'We Shall Overcome' never seemed to advance any causes. It just made people feel they were taking part in something. Bob Dylan’s 'Masters of War' is great, but I didn’t quite trust the people writing protest songs because those I knew weren’t, frankly, nice people" (daqui)
16 July 2021
14 January 2021
08 January 2021
SIMPLES/COMPLEXO
Pete Seeger, nascido numa família de músicos (...) e desaparecido em 2014 aos 94 anos, foi o santo padroeiro do “folk revival” e da canção de protesto de raiz tradicional norte-americana e, tanto no período da sua militância comunista – entre 1942 e 1950 – como posteriormente, um enérgico activista em defesa do combate ao racismo, a favor do movimento dos Direitos Cívicos, apoiante das lutas sindicais e contra a guerra do Vietname, alvo da perseguição do House Committee on Un-American Activities e do tenebroso senador Joseph McCarthy. (...)
Long Time Passing: Kronos Quartet and Friends Celebrate Pete Seeger, estrategicamente publicado pouco antes das presidenciais americanas, trata de desmontar uma afirmação de Seeger – “Qualquer idiota é capaz de criar algo complexo. Para fazer coisas simples, é preciso génio” –, complexificando genialmente a simplicidade folk. (...) "Turn, Turn, Turn", "Where Have All The Flowers Gone" ou "Which Side Are You On?", com os 16 minutos da colagem "Storyteller" (farrapos de radio, passagens instrumentais, gravações de palco) enquanto eixo central, melodias e textos revestem-se de intrincadas harmonias, num digno sucessor de Songs Of Resistance (2018), de Marc Ribot.(daqui)
21 December 2020
(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 38)
* a ordem é razoavelmente arbitrária...
16 November 2020
09 September 2019
22 May 2018
Neste álbum, algumas canções socorrem-se de belíssimos arranjos de cordas ("Émigré", por exemplo) e "Yellow Gold" acaba afogada em dissonâncias...
22 October 2014
A polémica teve início no número de Maio da “Uncut”. Na edição anterior, a revista havia publicado quatro páginas sobre Pete Seeger (morto a 27 de Janeiro deste ano) e, na secção de cartas dos leitores, um tal Jon Groocock insurgia-se contra a glorificação de um “activo comunista numa altura em que a democracia ocidental travava uma luta intensa contra o socialismo totalitário global”. E acrescentava que a música apenas poderá ser subversiva “se não estiver amarrada a nenhuma ideologia”. O tiro de partida estava dado: desde então até ao mais recente número da “Uncut”, todos os meses, a discussão tem conhecido novos capítulos, com Ewan MacColl (1915-1989, "folksinger", poeta, dramaturgo, "songwriter", actor, marido de Peggy Seeger, irmã de Pete, e pai de Kirsty MacColl) a ser também chamado à conversa e denunciado como maoísta, e, na outra trincheira, os defensores da tese de que a arte, militante ou não, deverá ser avaliada pela sua relevância enquanto criação artística e não de acordo com o seu posicionamento político.




















