IT'S ALL THE SAME, THERE'S NOTHING NEW
Devo - Something For Everybody Durante vinte anos, os Devo não gravaram uma nota. Fizeram bem. Porque, da última vez que o haviam tentado, com
Smooth Noodle Maps (1990), o mundo da música – então bastante mais entretido com o "grunge" e sua pequena multidão de moços sérios e barbudos – olhou para eles como para alienígenas oriundos de um planeta perdido num "time warp" longínquo. Até nem tinham muita razão: embora
Noodle Maps fosse coisa bastante menor, o grupo de Jerry Casale e Mark Mothersbaugh, nos finais de 70 e início de 80, tinha sido imensamente mais relevante para a história da pop futura do que toda a trupe da camisinha de quadrados, engatada em marcha atrás (apesar de Kurt Cobain se reivindicar fã dos Devo), alguma vez seria. A descendência – “apenas” todo o experimentalismo electro rapidamente adelgaçado em formato canção-anzol pelos Human League, Heaven 17 e comparsas – revelar-se-ia numerosa e o apadrinhamento precoce de Brian Eno e David Bowie legitimá-los-ia enquanto pioneiros. É difícil entender por que motivo Casale e Mothersbaugh não se mantiveram, então, ocupados com as suas bandas sonoras para cinema e televisão (a de Mothersbaugh, para a série
Big Love, era bem recomendável) e decidiram, agora, regressar.
Something For Everybody, parece, de novo, confirmar a sua “devolution theory”, mostrando-os na condição de pálidas cópias dos menos honrosos lados-B dos seus mais indistintos discípulos, versão patética, apalhaçada e fora de horas de algo que, um dia, fez sentido. Porque, hoje, quando os ouvimos anunciar
“What we do is what we do, it’s all the same, there’s nothing new” a reacção instintiva não é pensar “Oh, os bons velhos Devo e a sua crítica irónica da sociedade contemporânea!” mas sim “É verdade, rapazes, também já tínhamos reparado...”
(2010)