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19 July 2023

Remember what the dormouse said: feed your head (XXXI)

"O racismo nas páginas de 'A Esfera' atinge uma maior virulência no campo artístico. Aí é que os nossos germanófilos perdem as estribeiras e, de caneta em riste, alongam-se em artigos contra a 'degenerada música negra': o jazz. Para um germanófilo, o que era o jazz quando comparado com a alta estética da música alemã? Poderíamos dar vários exemplos mas este artigo, que surge na edição de 20 de Março de 1945 (...), é paradigmático. Satiriza essa 'música espiritual dos negros', cujo batuque o articulista escutou depois de 'esfregar os olhos de espanto' e depois de constatar que 'se aquilo é arte, então a missão civilizadora dos portugueses em África de nada valeu'. O jazz não ia ao encontro do gosto germanófilo de 'A Esfera' (...). Como garantia Eduardo Frias (...), o jazz era um conjunto de 'sonoridades roucas, bacanais e rugidos, dissonâncias loucas, monstruosidades grotescas como esgares acústicos, [sendo evidente a] origem satânica desta irrupção do primitivismo selvagem'" (Sérgio Luís de Carvalho - Lisboa Nazi: A cidade secreta dos portugueses que lutaram pelo Terceiro Reich

(ver também aqui e aqui)

10 May 2018


"Falemos, por conseguinte, da questão colonial e do debate que se estabeleceu, nas últimas semanas, em torno da proposta de um Museu das Descobertas ou dos Descobrimentos. A ideia fez escândalo e sensação por causa do nome, gerou protestos, seguidos de um berreiro exaltado que desembocou em posições já antigas e conhecidas: a História de Portugal deve ser valorizada, glorificada, mitificada, e quem não contribui para dar o devido realce aos nossos heróis civilizadores é porque não gosta do País, pelo que não seria fora de propósito, na opinião de algum catedrático com uma estranha tendência para exibir o seu próprio ridículo, se essas pessoas nos libertassem do incómodo exercício de convivermos com elas, exilando-se noutro país, seguindo o exemplo de historiadores como Jaime Cortesão ou Vitorino Magalhães Godinho. (...) Parece-me que a própria ideia do museu salta por cima de coisas que, estando inexoravelmente ligadas, deverão ser resolvidas antes de mais nada. Refiro-me à toponímia colonial das nossas cidades, aos nomes que ainda decoram as ruas e que tresandam a bafio e a ranço, que tocam uma secreta vibração e repercutem filosofias e ideologias imbuídas de racismo (incluindo o racismo biológico, muito popular no final do século XIX e início do seguinte, que a coberto de teorias supostamente científicas sobre a desigualdade das raças apresentava os negros como inferiores e os brancos como superiores)" 

Nota: recordar também, por exemplo, o caso "Felix Correia"

30 March 2015

O problema não é duas ruas de Lisboa não terem nome; o problema é haver ruas de Lisboa e da Amadora que têm o nome do jornalista nazi, Felix Correia


"A Esfera", revista de propaganda nazi, dirigida por Felix Correia