... e esta é uma refrega que já está acesa há muito, muito tempo
14 February 2026
12 February 2026
"Secret Love (Concealed in a Drawing of a Boy)" (legendas disponíveis)
(sequência daqui) Musicalmente, a banda oferece uma estrutura tensa e discreta que dá espaço para as palavras de Shaw respirarem. A música acumula lentamente tensão através de insistências e mudanças subtis. Este minimalismo reflecte o conteúdo emocional: os sentimentos não explodem para fora, mas pressionam para dentro, contidos dentro de limites estreitos. O que torna Secret Love particularmente magnético é a música não se resolver numa narrativa clara ou numa conclusão emocional. Não há nenhuma grande confissão, nenhuma reviravolta dramática. Em vez disso, ela termina da mesma forma que começa, deixando-nos suspensos na ambiguidade. A narradora parece cercada por linguagem, referências e estímulos, mas ainda assim instalada nos seus próprios pensamentos. (segue)
11 February 2026
... a que devem acrescentar-se "paulatinamente", "mitigar" e, em veloz ascensão, as condições "humanistas"
Edit (12:55) - ... e, já agora, em revisão da matéria dada (LIII), os 1157 posts do label "linguagem"
09 February 2026
"Let Me Grow and You'll See The Fruit" (legendas disponíveis)
(sequência daqui) Aí germina uma sensação de intimidade paradoxal: sentimo-nos próximo dela, mas sempre mantidos seguramente à distância. Ela não canta no sentido convencional; ela relata, enumera e narra. Em “Secret Love”, por exemplo, soa como alguém que pensa em voz alta, mas escolhendo cuidadosamente quais pensamentos são seguros para revelar. O próprio título implica ocultação e contenção, e a performance incorpora essa ideia. As guitarras são limpas e repetitivas, muitas vezes presas a loops simultaneamente reconfortantes e claustrofóbicos. As linhas de baixo, potentes e propulsoras, escoram as canções e conferem-lhes um sentido de movimento. Tudo parece girar em torno de algo imposível de nomear. A lenha para a fogueira é constituida por fragmentos da vida quotidiana, monólogos internos e imagens fugazes. (segue para aqui)
08 February 2026
07 February 2026
"Behind" traduzido como "aquém" poderá ser peculiar mas isso nunca irá estorvar a demanda psico-coiso-espiritual da Bial
06 February 2026
05 February 2026
"The Cute Things" (legendas disponíveis)
(sequência daqui) Entretenham-se, então com “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim”; “my dream house is a negative space of rock”, “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery”, “pilgrimage, private life, mortality, deep shock felt in the body", "a shell fallen down and dead, curled, like a heavy downy baby goose”, que ela permanecerá "waiting inside a talcum powder box, for you to lift the lid and discover me and lift me gently into your palm". No plano de acção estética mantêm-se a concisa instrumentação pós-punk - guitarra, Tom Dowse; baixo, Lewis Maynard, bateria, Nick Buxton, e a recém-acolhida Cate Le Bon na missão de produtora - em paleta sonora rigidamente controlada, com a voz de Florence, plana e declarativa, enquanto eixo central: ela soa menos como uma observadora distanciada e mais como alguém que trata de documentar cautelosamente os pensamentos em tempo real, através da elaboração de listas, recolha de fragmentos e detalhes aparentemente mundanos. (segue para aqui)
04 February 2026
03 February 2026
Que, no exterior de todos os comícios do neo-facho, um carro com potente megafone lhe ofereça uma riquíssima banda sonora (XXI)
Gypsy Dances - Hungarian State Folk Ensemble
02 February 2026
CERCADOS PELA LINGUAGEM
No "Guardian", Alexis Petridis encontrou aquela que é provavelmente a melhor forma de caracterizar o papel da voz de Florence Shaw nos Dry Cleaning: "É um pouco como dizia o Stuart Moxham dos Young Marble Giants acerca da Alison Statton: 'Ela canta distraidamente como se estivesse na paragem, à espera do autocarro". Na verdade, Florence mal chega a cantar: da colagem de cut-ups e spoken word a que quase apaticamente se entrega qual Laurie Anderson dadaísta, resulta o que, ao longo dos três álbuns publicados - New Long Leg (2021), Stumpwork (2022) e, agora, Secret Love (2026) - foi encarado como poesia post-punk, sismogramas beatnick e surreal excelência idiossincrática de poetas punk londrinos. Nada, porém, de estratégias furtivas, jogos de dissimulação ou evasão. Apenas uma questão de acreditar numa ética do trabalho peculiar: "I make sure there are hidden messages in my work”. E de se manter fiel ao método que assegura que "the ordinary is worth mining for the extraordinary". (daqui; segue para aqui)
"Cruise Ship Designer" (legendas disponíveis)
01 February 2026
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