"(...) Assistimos, agora, ao advento do que muitos analistas chamam a quarta revolução industrial. Com a utilização de técnicas de inteligência artificial, na próxima década será possível usar computadores para conduzir autonomamente veículos, para efectuar cirurgias, para responder a chamadas telefónicas, para escrever notícias nos jornais, para substituir os professores e até mesmo para criar produtos que, até agora, exigiam criatividade e inovação, como obras de arte, livros e músicas. Todas estas aplicações foram já demonstradas e encontrarão mercados significativos nas próximas décadas.
Tem sido um dogma das teorias económicas que as inovações tecnológicas destroem empregos mas, em sua substituição, criam outros, de maior valor acrescentado. Essa tem sido a realidade histórica e quase todos os economistas são da opinião que a quarta revolução industrial não será diferente. Como alguém que tem estudado o assunto e acumulado evidência, tenho uma opinião profundamente diferente. Pela primeira vez na história da humanidade, uma revolução tecnológica irá criar sistemas que podem substituir pessoas na esmagadora maioria das tarefas, se não em todas.
A automação (...) permitirá tornar praticamente todos os negócios mais eficientes e aumentar a sua competitividade. Porém, isso será conseguido à custa de uma diminuição, gradual mas sistemática, do número total de empregos. Não teremos, simplesmente, empregos para todos porque a maior parte dos trabalhos será feita por máquinas, computadores e robots. As taxas de desemprego que observamos na Europa e que teimam em não descer, são provavelmente estruturais e não conjunturais. Não voltaremos, com certeza, às taxas de desemprego de um dígito que tivemos no século passado (...)" (Arlindo Oliveira, presidente do IST, "Expresso" de 4.06.2016)