Edit (10:26) - "As televisões também não gostam de batom"
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26 January 2021
19 June 2020
16 June 2020
Angela Davis on Abolition, Calls to Defund Police, Toppled Racist
Statues & Voting in 2020 Election
(transcrição aqui)
30 May 2020
22 October 2019
ROSA DOS VENTOS
Elaha Soroor estava num beco sem saída. Filha de exilados afegãos no Irão que só haviam regressado ao seu país quando o regime taliban, em 2001, foi derrotado, a atmosfera social e política que lá se vivia continuava a ser muito longe de ideal. Participante, em 2009, no programa televisivo de "descoberta de talentos”, “Afghan Star” - equivalente local do "Ídolos" - , rapidamente se tornaria alvo de várias e perigosas discriminações: enquanto mulher e cantora (uma condição moralmente intolerável aos olhos dos muçulmanos mais implacavelmente severos e da própria família) e como elemento da etnia Hazara, historicamente celebrada pela música e poesia mas, nem por isso, menos estigmatizada e perseguida. Após a publicação de "Sangsar", uma canção que denunciava a prática selvagem do apedrejamento das mulheres, as ameaças de morte escalaram e, com 18 anos, não teve outra solução a não ser a fuga de casa, acompanhada pela irmã. “Ninguém alugava um apartamento ou um quarto a uma mulher sozinha e, se me reconhecessem, seria obrigada a partir imediatamente. Acabei por ter de cortar o cabelo, usar roupas masculinas largas e fingir ser um rapaz. Durante algum tempo o truque resultou e podia caminhar livremente na rua. Foi muito bom desfrutar dessa liberdade. Mas vivia no medo constante de ser morta. Decidi que tinha de abandonar o Afeganistão: para salvar a vida e poder explorar a música”.
O destino foi o Reino Unido onde se cruzaria com Al MacSween (teclista) e Giuliano Modarelli (guitarrista), aliás, Kefaya, antena permanentemente sintonizada nas “músicas do mundo”, no jazz, rock, electrónica e "dub", núcleo de “um grupo eclético de imigrantes” confessadamente alimentado por Angela Davis, Edward Said, Ken Loach, Frida Kahlo e Karl Marx, em frontal oposição às “grilhetas dos nacionalismos que pretendem confinar-nos dentro de fronteiras, 'checkpoints' e muros”. O resultado desse encontro foi o formidável Songs of Our Mothers, lugar de explosão de uma colecção de canções tradicionais afegãs onde, às belíssimas contribuições de Elaha, MacSween e Modarelli, se junta uma admirável rosa dos ventos sonora constituída por Manos Achalinotopolous (clarinete), Yazz Ahmed (fliscorne), Sarathy Korwar (tabla/dolak), Tamar Osborn (sax barítono), Sardor Mirzakhojaev (dambura), Gurdain Singh Rayatt (tabla), Jyotsna Srikanth (violino), Camilo Tirado (live electronics) e Sam Vicary (contrabaixo e baixo eléctrico), dedicada a “desmantelar todos os estereótipos de género, nacionalidade, raça, e estilo musical”.
18 August 2017
METRALHA
No excelente documentário de Göran Olsson, The Black Power Mixtape 1967–1975 (2011), numa entrevista dada na prisão de Marin County, em 1972 – onde esteve detida 16 meses, em isolamento, por crimes de que acabaria absolvida –, a académica e militante dos direitos cívicos, Angela Davis, à pergunta sobre se aprovava os métodos violentos dos Black Panthers, quase perplexa, responde: “Cresci em Birmingham, no Alabama. Muitos amigos meus foram mortos por bombas colocadas pelos racistas brancos. Era muito pequena mas ainda me recordo do som das bombas a explodirem do outro lado da rua. Bull Connor, o governador da cidade, ia para a rádio fazer declarações como ‘os pretos mudaram-se para um bairro branco, não se admirem se esta noite correr sangue’ e o sangue corria mesmo. E vem, agora, perguntar-me se eu aprovo a violência?... Isso só quer dizer que não faz a menor ideia da violência de que os negros foram vítimas neste país desde o dia em que o primeiro negro foi raptado na costa de África”.
Lee Bains III é branco mas também natural de Birmingham. E, aparentemente, tão assombrado pela história e memórias da cidade quanto o Springsteen inicial pela New Jersey natal. Não é o único ponto de contacto: não haverá algo de matricialmente springsteeniano em chamar-se Lee Bains III + The Glory Fires? E, por exemplo, “The boys demand to know if he’s white or black, and squint into his sun-browned face, framed with black curls of hair, he sighs, and, with his finger, draws sprawling maps of the Middle East into the hot damp heavy air, ‘So, are you white or black?’ His mouth falls open, his eyes trace the patchy skyline, frayed by the evening sun, a green-neon crucifix crowns the steeple where, Sundays, his folks recite prayers in the Lord's dead tongue”, não soa curiosamente familiar e, ao mesmo tempo, indissociável da cidade que, pelos motivos que Angela Davis explica, ficou conhecida por “Bombimgham”? Youth Detention (Nail My Feet Down To The Southside Of Town) é, então, uma devastadora metralha sonora onde coabitam igualmente Clash, Hüsker Dü, R.E.M.,e o Costello que expelia bílis, unidos por uma convicção (“Don’t you tell me, ‘It’s only rock’n’roll’ when I’ve seen it wrestle truths from noise”) e um desígnio: “I don’t want to be a whitewash, I don’t want to be an absence, I don’t want to be the great silence”.
22 January 2017
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