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15 September 2025

MELANCOLIA BRITÂNICA 

Quando, a 3 de Julho de 1969, Five Leaves Left foi publicado, não teve direito a passadeira vermelha nem nada muito próximo disso. Na verdade - sem que sequer a presença dos "Thompson twins" Richard (dos Fairport Convention) e Danny (Pentangle) o pudesse contrariar -, a recepção crítica foi pouco mais do que morna: uma "tonalidade demasiado melancólica e uniforme", uma "atmosfera introspectiva excessivamente obscura e depresiva", e "ausência de dinamismo" foi o que, do "Melody Maker" ao "New Musical Express", ao "Daily Telegraph" e ao "Disc and Music Echo", se opinou, nunca indo além da classificação de "interessante", considerando as canções "incertas e indirectas", e o álbum "melodicamente monótono". Apenas Gordon Coxhill no "NME", admitia que Drake possuía um "considerável talento", mas o disco "carecia de diversidade", e a voz recordava-lhe a de Peter Sarstedt (a "one hit wonder" de "Where Do You Go To My Lovely?" que, em 2007, acabaria por ser ressuscitada por Wes Anderson para os filmes Hotel Chevalier e Darjeeling Limited) mas sem a sedução e profundidade deste. Um pouco mais simpático, porém, do que, parecia ser a opinião corrente na cave do nº 49 da Greek Street londrina onde, de 1964 to 1972, funcionou o clube folk Les Cousins e Drake era "aquele jovem nervoso que punha o público a dormir"... (daqui; segue para aqui)

02 July 2014

NO PARAÍSO DIGITAL 



Publicado em 1997, Industry, de Richard Thompson e Danny Thompson, não era, de certeza, apenas uma mera evocação histórica da indústria britânica, do século XVIII à era pós-industrial, com todas as suas glórias, misérias e multidão de vítimas que o desenvolvimento tecnológico condenaria a pouco mais do que deixar-se ficar “sitting in the evening, dreaming of the old times when a job was there for the steady and strong”. Mas, embora no final dos anos 90 os sinais fossem já visíveis, provavelmente, nem um nem outro imaginariam que, quase vinte anos depois, o formidável universo virtual inventado pelas novíssimas tecnologias se preparasse para transformar os infernos de Dickens (povoados por “faces of condemned men who did no wrong”) num quase Eldorado perdido. Anselm Jappe (“O principal problema actual não é apenas a exploração do trabalho mas o facto de cada vez maiores grupos da população se terem tornado ‘supérfluos’ por uma produção que dispensa o trabalho humano”) ou o Manifesto Contra o Trabalho, do Krisis Group (“Um cadáver domina a sociedade – o cadáver do trabalho”), poderiam ser chamados à conversa, mas quem encararia isso senão como uma intolerável recusa do pensamento positivo?



Então, no maravilhoso paraíso digital do Facebook, do YouTube, dos blogs, do Spotify, das "start-ups", onde a macumba está à disposição de todos, o bispo de Roma perdoa os pecados através do Twitter, e até podemos apaixonar-nos perdidamente por um sistema operativo (ver Her, de Spike Jonze), vamos armar-nos em queixinhas? Vejamos, pois, a questão sob outro ângulo. Que, para o que, agora, interessa, é exactamente aquele que acaba de fornecer à crítica musical uma poderosa ferramenta capaz de demonstrar, instantaneamente, por a + b, que o problema de Lana Del Rey não é o da autenticidade vs artifício (viva o artifício!) mas o de não ser mais do que um gigantesco Lego de clichés: chama-se “Lana Del Rey Song Title Generator” e, de borla, oferece uma infinita lista de hipóteses maravilhosamente intermutáveis: “Warhol Rapture”, “Patty Hearst Shotgun”, “Ketamine Bitch”, “Bardot Pansexual”, “Wallstreet Dysmorphia”, “Kerouac Erotica”, “Instagram Murder”, “Sharon Tate Ladykiller”... Com saboroso bónus adicional: a probabilidade de algum deles vir a saltar para o mundo real não é, de todo, negligenciável.

27 December 2011

VINTAGE (LVI)

Richard Thompson & Danny Thompson - "Drifting Through The Days"



Sitting in the evening
Dreaming of the old times
When a job was there for the steady and strong
I see old faces flickering in the firelight
Faces of condemned men who did no wrong

Drifting through the days
Drifting through the days

A man needs work for his own salvation
A man feels reward for his sweat and his pain
But life's satisfaction has passed us over
And many in this town won't see work again

Drifting through the days
Drifting through the days

I've stood at the gates of a hundred factories
Walked off to other towns looking for pay
Now my hope is gone and I'm crushed like the others
The army of forgotten men, mouldering away

Drifting through the days
Drifting through the days
Drifting through the days


Industry

(2011)

26 December 2011

SEM SE RIR


















Kate Bush - 50 Words For Snow

Antes de mais: ao contrário do que o largamente disseminado mito nos pretende fazer crer, os esquimós (isto é, os Inuit) não possuem 50 palavras distintas para nomear a neve. Ficam-se por um número equivalente, por exemplo, ao do Inglês contemporâneo. É uma lenda poeticamente simpática – criada, no início do século passado, pelo linguista e antropólogo, Franz Boas, que tenderia a reforçar a ideia segundo a qual é a linguagem que cria o real – mas, infelizmente, falsa. Não seria, no entanto, por esse motivo que o último álbum de Kate Bush e a faixa que lhe oferece o título (onde Bush, citando o mito esquimó, qual Jamie Lee Curtis perante o italiano de Kevin Kline em Um Peixe Chamado Wanda, desafia Stephen Fry a inventar termos ingleses para neve) seriam melhores ou piores.

O enorme problema deste opus ártico e invernal é deixar absolutamente evidente, de uma vez por todas, que, muito mais do que alegada ascendência estética de Tori Amos ou Goldfrapp, Kate Bush é a verdadeira mãe espiritual de Joanna Newsom: quem mais, sem se rir, seria capaz de nos contar histórias de flocos de neve falantes, encontros com o Yeti, espectros aquáticos que chamam pelo cãozinho de estimação perdido e – ponto culminante – "one night stands" com bonecos de neve que (sejamos justos, isso não acontece apenas com bonecos de neve e Kate não será a primeira a queixar-se) se derretem muito antes do momento desejável? Não reparando demasiado na participação de Elton John, o design sonoro até é muito agradavelmente não-bushiano, quero dizer, nada exibicionista e barroco mas, quase sempre, minimal e rarefeito, com os mui estimáveis Danny Thompson e Steve Gadd a participarem activamente na concepção da espaçosa tundra sonora de uma hora em que se alojam sete fantasias vagamente semelhantes a canções. Assaz embaraçosas.

(2011)

09 February 2008

UM PÉ NO PRESENTE, OUTRO NO PASSADO

 
Segundo a lenda, entre o final dos anos 40 e o início dos 70 (e, aqui, a cronologia é extremamente flutuante...), na esquina da 54th Street com a 6ª Avenida de Manhattan, costumava encontrar-se uma personagem insólita: uma espécie de profeta/mendigo, cego de nascença, vestido de viking que vendia fascículos da sua poesia, filosofava de modo avulso com os transeuntes e, para alguns, mais iniciados nos mistérios ocultos da invulgar figura, era músico, compositor e até teria chegado a gravar discos. Por volta de 1974, desapareceu subitamente e alguns fãs mais dedicados — entre os quais, Paul Simon, que chegou a ir à televisão fazer-lhe o elogio fúnebre — convenceram-se de que o ancião extravagante teria morrido. Não era impossível. Nascido Louis T. Hardin cerca de 1916, em Maryneville, no Kansas, por essa altura, contaria já perto de sessenta anos que uma vida de "homeless" esotérico não deveriam ter suavizado. Afinal, Moondog — assim autointitulado, em 1947, em memória de um velho cão que "uivava à lua como ninguém" — tinha apenas emigrado para a Alemanha onde até à verdadeira data da sua morte (8 de Setembro de 1999) iria prosseguir uma carreira singular de excêntrico militante ocasionalmente tocado pelo génio.
 

Essencialmente autodidacta (embora tenha estudado violino, viola de arco, piano, orgão, harmonia e cantado no coro da Iowa School For The Blind), considerava-se "um europeu no exílio, cuja alma e coração estão na Europa, fundamentalmente um clássico na forma, conteúdo e interpretação. Sinto-me como se tivesse um pé na América e outro na Europa ou um no presente e outro no passado. Ritmicamente, sinto-me no presente, mesmo 'avant garde', enquanto que, melódica e harmonicamente estou verdadeiramente no passado. Mas o presente transforma-se em passado tal como o futuro virá a ser o presente...". É exactamente isso que a quase totalidade da sua obra, agora finalmente reeditada (até aqui, só uma miraculosa aparição na banda sonora de The Big Lebowski o recordava) documenta. Moondog (que reune Moondog, de 1969, e Moondog 2, de 1971) assinala o início registado da lenda quando este "clochard" novaioquino que frequentava os clubes de Manhattan na companhia de Charlie Mingus, Miles Davis, Benny Goodman, Buddy Rich ou Charlie Parker conseguia (como?) gravar música orquestral que, inspirando-se na "early music" da tradição europeia — cânones, "grounds", "ostinati", "chaconnes", "rounds", "passacailles", madrigais —, desde 1952, iria inspirar os, então jovens, Philip Glass ou Steve Reich. Escutando hoje este extraordinário álbum (recheado de improváveis dedicatórias e homenagens a Tchaikovsky, Benny Goodman e Charlie Parker, partituras para Martha Graham e sinfonias para mitológicas figuras como "Thor The Nordoom, Emperor Of Earth") pode descobrir-se que também Michael Nyman ou toda a "escola de Canterbury" e adjacências ainda um dia lhe deverão reconhecer uma considerável dívida

 

"Clandestinamente" emigrado para a Europa, sob convite da editora Kopf, gravaria, a partir de 1976, In Europe, H'art Songs e A New Sound Of An Old Instrument, colecções de deliciosas miniaturas musicais que, tanto celebravam o lançamento da sonda espacial americana Viking para Marte em "scherzi" para celesta, como inventavam valsas impossíveis, se divertiam com o "nonsense" puro daquele tipo de canções em que Robert Wyatt ou Kevin Ayers se haveriam de especializar ou combinariam o contraponto no orgão barroco da igreja de Oberhausen com desenhos rítmicos supostamente ameríndios ou com fantasias sobre a Grécia clássica. Elpmas e Sax Pax For A Sax (respectivamente, de 1991 e 1994) representariam, o primeiro, um protesto ecológico contra os maus tratos inflingidos à natureza e aos povos nativos, sob a forma de requintados cânones minimalistas para marimbas, balafones, violas de gamba, banjos e amplos exercícios de contraponto "ambiental" e, o segundo, uma magnífica e extravagante comemoração do 100º aniversário da morte de Adolphe Sax que Moondog aproveitou inventar o conceito de "ZAJAZ" — jazz em duas direcções — que lhe permitiria divertir-se com enxertos de linguagem barroca sobre matriz swing e infinitos outros vice-versas para o que contribuiriam nomes como Peter Hammil, o saxofonista de Michael Nyman, John Harle, Danny Thompson ou o Apollo Saxophone Quartet. Nunca é tarde para descobrir um "maverick" com uma interessantíssima história para contar. (2000)

14 August 2007

O HORROR ECONÓMICO



Richard Thompson & Danny Thompson - Industry

Richard Thompson é o mestre eternamente ignorado da canção britânica. Já passou há muito o tempo em que era ainda possível imaginar que, mais tarde ou mais cedo, acabaria por aceder ao estatuto público de alguém como, por exemplo, Elvis Costello. Desde a época dos Fairport Convention até à actualidade, Thompson (além do mais, também um excelente guitarrista) habitou-se e habituou-nos à ideia de que a condição de "músico de culto" tinha sido criada a pensar exclusivamente nele e a verdade é que isso é quanto basta. Os discos vão sendo publicados regularmente, nunca trepam pelas tabelas de vendas, mas o seu nome circula de boca em boca, meia dúzia de iluminados cita-o como referência ou faz versões das suas canções e, pelo menos, I Want To See The Bright Lights Tonight (da indispensável série de álbuns que, entre 74 e 82, gravou com Linda Thompson) já deve ter garantido o lugar como um dos indiscutíveis a incluir nos referendos de Dezembro de 1999.
Industry, dividido a meias com o contrabaixista Danny Thompson (outro lendário "de culto" - será "a maldição dos Thompsons"? - originário dos Pentangle, banda "rival" dos Fairports nos primórdios do folk-rock britânico) é outra peça que se vai tornar, inevitavelmente, obrigatória.


Concebido como uma sequência de canções (de R. Thompson) e instrumentais (de D. Thompson) alusivas ao nascimento, ascensão e morte da indústria tradicional, do século XVIII à era pós-industrial, prolonga, de certo modo, um outro álbum (Hard Cash, de 1990) onde Thompson também participou e que se inspirava do mesmo universo social-realista enraízado na cultura proletária britânica.
O "horror económico" poderá ter-se tornado tema de "best sellers" mas é preciso reconhecer que em poucas circunstâncias ele foi retratado de forma mais gráfica e precisa do que em algumas canções de Richard Thompson : "Poor Little Beggar Girl" e "The End Of The Rainbow", de I Want To See The Bright Lights Tonight, 23 anos depois, continuam a fazer gelar o sangue...Industry oferece o pretexto concreto para Thompson dar livre curso ao desespero dos que ainda se recordam dos tempos "when a job was there for the steady and strong", para evocar os heróis anónimos dos piquetes de greve e do esplendor da modernidade industrial quando a máquina era um prodigioso Deus de aço, chegando, por fim, aos dias do encerramento em massa das fábricas e das minas onde a única esperança que resta é apenas um sucesso improvável na lotaria ("We don't care who runs the shop, left wing, right wing, curse the lot, a million quid talks sense to me, lotteryland's the place to be").
Como quase sempre acontece com Richard Thompson, as canções são portentosamente duras e amargas, geradas a partir do antiquíssimo veio da tradição folk mas enriquecidas de todos os experimentalismos e correntes paralelas com que ele, entretanto, se foi cruzando. A ligação "cenográfica" é estabelecida pelos temas de Danny Thompson, espécie de "knee plays" instrumentais (situados algures entre Kurt Weill, o jazz e uma estética "industrial" elaborada) escritos como um requiem para uma idade que, se era devastadoramente cruel, hoje já há quem a evoque como um paraíso perdido... (1997)

23 May 2007

O MAGNÍFICO ABSURDO



Pentangle - The Time Has Come: 1967 - 1973

Aquando da primeira tournée dos Pentangle pelos EUA, em 1968, ao chegarem ao lendário Fillmore East, os técnicos da casa interrogaram Bobby Cadman – o “roadie” da banda – acerca de que tipo de luzes preferiam que fossem utilizadas. Não fazendo a menor ideia do que responder, Cadman reflectiu um pouco e decidiu-se por “Parece-me que ficava bem uma coisa assim tipo Mateus Rosé...”. A história poderia ser apenas anedótica mas caracteriza bem a dificuldade que sempre existiu quando se pretendeu classificar a música do grupo de Jaqui McShee, John Renbourn, Bert Jansch, Danny Thompson e Terry Cox.



E que, noutro episódio recordado por Renbourn, fica ainda mais explícita: obrigados, em plena época do hippismo florescente, a integrar os diversos circuitos de festivais e concertos mais ou menos “underground” desses anos, com um reportório predominantemente acústico ensanduichado entre pesos-ultra-pesados como os Canned Heat ou Rhinoceros, havia, frequentemente que resolver situações de contiguidade complexas. A mais arriscada terá sido actuar a seguir aos Spirit: “O baterista, Ed Cassidy, vestindo correntes e banhado em ‘strobe lights’, costumava terminar o concerto com um gigantesco solo de bateria em que utilizava tambores militares em ambos os lados do palco. Era uma coisa impressionante. A canção com que nós abríamos era ‘No More My Lord’, com uma muito discreta introdução da bateria do Terry. O contraste não podia ser mais absurdo. Mas a nossa banda foi sempre um imenso contraste absurdo”.



Ou, muito mais exactamente, um magnífico contraste (só aparentemente) absurdo: dois prodigiosos guitarristas – John e Bert – educados na tradição folk/blues/jazz mas avidamente interessados pela música medieval e do Renascimento e nada relutantes em dedicar-se à execução do sitar indiano; uma cantora – Jaqui – de voz luminosa treinada no cancioneiro folk mas que, mal pôs o pé em Nova Iorque, correu para ouvir Bill Evans, Miles Davis e a big-band de Thad Jones e Mel Lewis, no “Village Vanguard” e no “Barron”, de Harlem; e uma virtuosíssima secção rítmica de contrabaixo e bateria – Danny e Terry – com a flexibilidade jazz/blues adquirida ao lado de Alexis Korner nos Blues Incorporated (onde Thompson substituiu Jack Bruce quando este saiu para formar os Cream, com Eric Clapton e Ginger Baker) ou de Tubby Hayes, Ronnie Scott, Stan Tracey, Little Walter, John Mc Laughlin, Josh White, Joe Williams, Art Farmer, Freddie Hubbard, Sonny Terry, Brownie McGhee e John Lee Hooker.



Reunidos quase acidentalmente nas “jam sessions” que aconteciam, em 1967, no pub do Horseshoe Hotel de Tottenham Court Road (onde apareciam também Sandy Denny, Davy Graham ou Anne Briggs), entre esse ano e 1973 – não contabilizando agora os diversos reencontros posteriores, com diversas e flutuantes formações –, devemos-lhes uma preciosa discografia em seis volumes (The Pentangle, 1968, Sweet Child, 1968, Basket Of Light, 1969, Cruel Sister, 1970, Reflection, 1971, e Solomon’s Seal, 1972) que, hoje, é ritualmente venerada pela tribo “psych/free/freak/folk” (o que mestre-Jansch retribuiu, convidando Devendra Banhart e elementos dos Espers e Vetiver para o seu muito bom mas irregular The Black Swan, do final do ano passado) e que, agora, podemos deslumbradamente revisitar nesta sumptuosa caixa de 4 CD.



Por uma vez, todas as “takes” alternativas, lados-B, raridades, gravações de rádio e ao vivo e exumados temas de filmes não só fazem inteiramente sentido, como contribuem para que seja possível apercebermo-nos do amplíssimo espectro estilístico da música (dos brocados folk e do reportório original às transfigurações de Charlie Mingus, Phil Spector e Bach, às incursões John Barry/Bernard Herrmann ou às “jams” gratefuldeadianas) da única banda britânica que, no terreno do que – na ausência de melhor designação e para grande desgosto dos próprios Pentangle – teremos ainda de chamar folk-rock, terá ousado fazer alguma sombra aos Fairport Convention. (2007)