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13 April 2022


"O Tempo Arrefece"

(sequência daqui) Acerca de "O Tempo Arrefece", António José Martins acrescenta mais uma peça: “Dado o caracter estranho e vagamente fantasmagórico desta canção, pensámos ‘quais os coros cujos ambientes são mais misteriosos?...’ As Vozes Búlgaras! Este arranjo foi feito pensando um pouco que se trataria de Vozes Búlgaras numa geografia completamente diferente. Foi composta originalmente, há bastante tempo, para um cantor lírico que a cantou no Mosteiro dos Jerónimos. Agora, foi preciso esquecer totalmente o arranjo original para orquestra”. E Amélia, recordando, justamente, a colaboração, durante a Expo 98, com as búlgaras do Pirin Folk Ensemble (mas também, noutras circunstâncias, com Elena Ledda e Lucilla Galeazzi e os corais Outra Voz, Cramol, Sopa de Pedra, Segue-me à Capela e Maria Monda), completa: “A minha ideia era ter como referências todas as experiências que fui vivendo com vozes e com coros. A relação com as Vozes Búlgaras era algo que me apetecia perceber como haveria de estar presente neste trabalho. Recusei por completo a ideia de põr-me a cantar como elas. A situação é um pouco a mesma do ‘Chove Muito, Chove Tanto’: tinha uma coisa na memória e procurei construir, a partir daí, associando-lhe a recordação dos fins de tarde na Póvoa de Varzim a ver o voo das gaivotas”. (segue para aqui)

11 November 2016




De Viva Voz: quarenta mulheres divididas desigualmente por quatro grupos: Cramol, Maria Monda, Segue-me à Capela e Sopa de Pedra. O plano, nascido de um desafio de Amélia Muge, consistirá de “uma viagem musical aos confins do tempo, antecipando o futuro hoje”, assente na sábia concepção que deveria sempre servir de bússola para tal tipo de explorações: “A tradição já não era o que é nem será o que foi e nunca foi o que pensávamos que era”. A matéria-prima: o canto de mulheres e, em particular, as polifonias tradicionais oriundas das Beiras, Entre Douro e Minho, Douro Litoral e Minho, transportadas por vozes chegadas de Oeiras (Cramol), Lisboa (Maria Monda), Coimbra (Segue-me à Capela) e Porto (Sopa de Pedra). 




Nas palavras de Amélia, “são cantos que trazem a sabedoria dos tempos, que encontram sempre um modo de repor continuamente o que de essencial permanece, como característica do humano, cantos despojados que contam apenas com a voz e o corpo de quem os canta. Mas vão buscar a sua riqueza a esse despojamento - prolongam os sons das vozes de origem, das vozes rituais, encomendam cantos aos deuses e aos santos, celebram colheitas, espantam medos nos embalos, apoiam gestos de trabalho, dão mote aos tempos de luto ou de folia, celebrando os amores, a casa e o mundo”. Cruzando a maior experiência do Cramol – desde 1979, apresentou-se em Portugal, Inglaterra, Alemanha, França, Áustria e Malawi e colaborou com a Comuna, Bando, José Mário Branco, Urban Sax, Uxia, Chullage, Danças Ocultas, Camané ou Gaiteiros de Lisboa – com os embalos, encomendações de almas e folias galaico-portuguesas, árabes e judaicas das sete Segue-me à Capela, as mais recentes “sedas suaves e mantas rudes” do trio Maria Monda, e as dez vozes da Sopa de Pedra, cozinhada desde 2012 a partir de uma receita do Bando dos Gambozinos. (Teatro Tivoli, 12 de Novembro, 21.30)