Red Noise - Sarcelles Lochères
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11 May 2026
21 April 2016
"Quand l'état t'enseigne a tuer, il se fait appeler patrie" (Friedrich Dürrenmatt)
(Boris Vian/Harold Berg - versão original)
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je porte des armes
Et que je sais tirer
09 April 2014
GIGANTES
Foi em 8 de Maio de 1949 que Miles Davis, viajando pela primeira vez para fora dos EUA, visitou Paris para tocar na Sala Pleyel. No início do ano, havia iniciado o trabalho de parto que, só quase uma década depois, daria à luz Birth Of The Cool mas a dor verdadeira conhecê-la-ia na capital francesa. Como conta Richard Williams em The Blue Moment: Miles Davis ‘Kind Of Blue’ And The Remaking Of Modern Music, ele iria apaixonar-se perdidamente por uma miúda de 22 anos, Juliette Gréco, que Boris Vian lhe apresentou e que, em 1943, fora libertada da prisão de Fresnes onde a Gestapo a encerrara durante vários meses: “Gréco recorda-se que Jean Paul Sartre dissera a Miles ‘Porque é que vocês não se casam?’ Miles respondeu: ‘Porque a amo demasiado para a fazer infeliz’. Nesse momento, não era uma questão de infidelidade (Davis era casado e com dois filhos) ou de donjuanismo; era simplesmente uma questão de cor. ‘Se me tivesse levado para a América com ele, seria sempre vista como a puta de um preto’”. No fim de Maio, Miles Davis regressa a Nova Iorque e, emocionalmente devastado, abandona a família e afunda-se na heroína.
Em Paris, já musa da "rive gauche" existencialista, Gréco hesita entre o teatro e a canção mas decide-se por esta quando Sartre (“Gréco tem um milhão de poemas na voz. Na boca dela, as minhas palavras transformam-se em pedras preciosas”) e Joseph Kosma lhe oferecem "Rue des Blancs-Manteaux". Dai em diante, de Vian a Prévert, Béart, Ferré, Brel, Brassens, Biolay, Gainsbourg, todos os grandes da "chanson" lhe passaram pela voz e, sucedendo a Miles Davis, a lista de corações despedaçados alargou também seriamente. Quando, em 2012, o "maîre" de Paris, lhe entregou a medalha vermelha da cidade fazia, de há muito, todo o sentido a dedicatória: “Juliette Gréco é a parisiense. A parisiense que encarna o tempo de Paris que nunca passa”. No fim do ano passado, Gréco Chante Brel, encontro de gigantes com vertiginosas orquestrações de Gérard Jouannest, demonstrava como, aos 86 anos não é impossível gravar um álbum que deixa a tremer os joelhos de quem o escuta. Se ainda forem a tempo, nos próximos 15 e 17 de Maio, Gréco apresentá-lo-á no Olympia de Paris. Caso falhem, não é caso para alarme: é bem provável que esses não sejam os seus últimos concertos.
30 October 2010
NIGGER'S WHORE
(sequência daqui)
Cannonball Adderley com Miles Davis - " Autumn Leaves"
"Miles Davis's dark Italian suits and his European sports cars made him stand out from the generality of jazz musicians of the 1950s. No doubt his visit to Paris in May 1949, when he met Sartre and Boris Vian and fell in love with Juliette Gréco, had broadened his cultural horizons as well as his fashion sense. Two thousand fans turned up to hear him play at the Salle Pleyel in the Faubourg Saint-Honoré. (...)
That was the night Davis met Gréco, then making a name for herself in the clubs of the Left Bank, and through her the leading existentialists of the time. (...) More than half a century later, Gréco remembered: 'Sartre said to Miles: «Why don't you and Julie get married?» Miles replied: «Because I love her too much to make her unhappy». At that moment it wasn't a matter of infidelity [Davis was already married with two children] or of behaving like a Don Juan; it was simply a question of colour. If he'd taken me back to America with him, I would have been seen there as a 'nigger's whore'". (The Blue Moment: Miles Davis's 'Kind Of Blue' And The Remaking Of Modern Music, de Richard Williams)
(2010)
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