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26 April 2026

NÃO SERÁ UM ACASO

No início de 2023, aquando da publicação de Anadolu Ejderi, da turca Gaye Su Akyol, foi oportunidade para parar um pouco e reflectir sobre o imenso e maravilhoso mundo que, ao longo dos anos, fomos capazes de ir descobrindo sempre que nos demos ao trabalho de espreitar para lá dos muros do nosso quintal. Recordámos, então, a afegã Elaha Soroor, a saudita-paquistanesa Arooj Aftab e a israelo-iraniana Liraz, o - pelos piores motivos - recém-descoberto universo ucraniano (Folknery, DakhaBrakha, Torbán, Dakh Daughters, Joryj Kloc) ou o inesgotável baú das inúmeras variantes chinesas contemporâneas. Na verdade, era apenas uma actualização do que já antes, em Setembro de 2021, havia sido recenceado: preciosidades como Le Mystère des Voix Bulgares, Les Nouvelles Polyphonies Corses, Cocanha, San Salvador, Lankum, John Francis Flynn, Lisa O'Neill e Stick In The Wheel. Podemos, pois - enquanto as occitanas Cocanha não nos revelam o seu último álbum ("Flame Folclòre") e as estonteantes napolitanas La Niña não nos oferecem uma oportunidade de, ao vivo, nos fazer levitar ao som de Furèsta -, ir abrindo uma vaga para o quarteto integralmente feminino Seera, oriundo de Riade, capital da Arábia Saudita, estado islâmico no qual a condição feminina não é propriamente exemplar. (daqui: segue para aqui)

Seera - "Shams"

21 December 2025

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (C
 
(com a indispensável colaboração do R & R

(clicar na imagem para ampliar)
 
(Lonely Is An Eyesore, na íntegra aqui)
Womad - Talking Book Volume Three: An Introduction To Europe, na íntegra aqui)

23 June 2025

Usmifka - "Danjova Mama"
 
 
(daqui + "USMIFKA (Bulgarian for 'smile' – усмивка) is a Danish women’s choir consisting of 28 talented singers. They are artistically and musically led by conductor Anne Louise Munch. Their repertoire consists mainly of Bulgarian folk music arranged for women’s choirs in the 1950s by famous Bulgarian composers such as Philip Koutev and Petar Lyondev. These arrangements became known in the West through the choir 'Le Mystère des Voix Bulgares'" + aqui)

21 June 2025

Secrets We Keep (Reservatet) - soundtrack by Halfdan E & USMIFKA

(álbum integral)

04 August 2024

The Unthanks - "Three Shaky Ships"
 
(sequência daqui) Não porque isso tivesse algo a ver com o seu passado: "Não, na altura, não ouvia os Roxy Music. Provavelmente, escutava música folk búlgara. Líamos Blavatsky e Gurdjieff, todos esses velhos charlatâes, e acreditávamos em tudo. E, ui!... o Livro Tibetano dos Mortos... Levavamo-nos muito a sério e, agora, não sou sequer capaz de perder um segundo com aquilo", confessou Linda ao "Guardian". Na verdade, o que aqui importa é a fantástica legião de músicos, vozes e instrumentos que, para Proxy Music convergiram: os filhos Teddy e Kami, o neto Zak, Richard Thompson, as Unthanks, The Proclaimers, The Rails, Martha e Rufus Wainwright, Eliza Carthy, John Grant, o veterano violinista Aly Bain, e as óptimas revelações Ren Harvieu e Dori Freeman, entregues a belíssimas e saborosas confissões auto-irónicas ("I’m alone now, you’d think I’d be sad, no voice, no son, no man to be had, you’re wrong as can be boys, I’m solvent and free boys, all my troubles are gone”), abrindo espaços por ocupar na riquíssima linhagem das dinastias folk - os Wainwrights, Roches, McGarrigles, Watersons, Carthys, Coppers e Thompsons - que, por entre afinetadas avulsas (“And if it’s true, that only the good die young, lucky old you, ’cause you’ll be around until kingdom come”), em "Those Damn Roches", celebram, identificando com precisão a delicada relojoaria familiar que tudo move: “Faraway Thompsons tug at my heart, can’t get along ’cept when we’re apart, Is it life, or is it art? One and the same”.

13 April 2022


"O Tempo Arrefece"

(sequência daqui) Acerca de "O Tempo Arrefece", António José Martins acrescenta mais uma peça: “Dado o caracter estranho e vagamente fantasmagórico desta canção, pensámos ‘quais os coros cujos ambientes são mais misteriosos?...’ As Vozes Búlgaras! Este arranjo foi feito pensando um pouco que se trataria de Vozes Búlgaras numa geografia completamente diferente. Foi composta originalmente, há bastante tempo, para um cantor lírico que a cantou no Mosteiro dos Jerónimos. Agora, foi preciso esquecer totalmente o arranjo original para orquestra”. E Amélia, recordando, justamente, a colaboração, durante a Expo 98, com as búlgaras do Pirin Folk Ensemble (mas também, noutras circunstâncias, com Elena Ledda e Lucilla Galeazzi e os corais Outra Voz, Cramol, Sopa de Pedra, Segue-me à Capela e Maria Monda), completa: “A minha ideia era ter como referências todas as experiências que fui vivendo com vozes e com coros. A relação com as Vozes Búlgaras era algo que me apetecia perceber como haveria de estar presente neste trabalho. Recusei por completo a ideia de põr-me a cantar como elas. A situação é um pouco a mesma do ‘Chove Muito, Chove Tanto’: tinha uma coisa na memória e procurei construir, a partir daí, associando-lhe a recordação dos fins de tarde na Póvoa de Varzim a ver o voo das gaivotas”. (segue para aqui)

06 September 2021

FRONTEIRAS, ORIGENS
 

Desde que, na noite 29 de Junho de 1987, no Empress of Russia (um já defunto pub de Islington, no Norte de Londres), um grupo de representantes de editoras independentes, organizadores de concertos e jornalistas – correndo, embora, o risco de guetização de tudo o que não era ocidental, pop, rock ou jazz – cunhou a designação “world music” para englobar o que, até aí, se chamava “folk”, “trad” ou “roots”, todo um novo espaço se abriu e nos permitiu o acesso mais fácil a preciosidades como Le Mystère des Voix Bulgares, a experiências de cruzamento multicultural como Les Nouvelles Polyphonies Corses (de Hector Zazou) ou a muito do que a Real World, de Peter Gabriel, ou a Luaka Bop, de David Byrne, publicaram. Com períodos de maior ou menor fulgor, nos últimos anos, o ritmo de descobertas valiosas tem-se intensificado com os belíssimos álbuns de Sam Lee, Elaha Soroor & Kefaya, Cocanha, San Salvador, The Rheingans Sisters, Lankum, Stick In The Wheel ou até 33EMYBW, Hai Qing & Li Xing, e Guzz da quase totalmente ignorada China. Vulture Prince, de Arooj Aftab, é mais outro óptimo exemplo de uma forma de abordar a música que, se ignora as fronteiras, conhece bem as suas origens. (daqui; segue para aqui)
 
"Mohabbat"

14 February 2021

(sequência daqui) Para o produzir, escolheram o catalão Raül Refree, o mesmo que, temperado nas colaborações com Lee Ranaldo (Sonic Youth), Josh Rouse, Sílvia Pérez Cruz e Rosalia, no ano passado, ao lado de Lina, reimaginou o fado como nunca antes o ouvíramos. Aqui, sem cerimónias, vira do avesso estes “cants polifonics a dançar” (“rondèus” gascões, “sauts” e “branles” do Béarn, “borrèias” de Rouergue, “escòtishas”, mazurkas, e valsas), como quem, em idioma occitano – exuberantemente reescrito, retalhado, inventado –, fantasia um micro-mistério das vozes búlgaras, vergastadas por "tambourins à cordes" e percussões corporais, em intrincada roda livre. Uma espécie de detalhado minimalismo vocal-instrumental avassalador, banda sonora para o que, de agora em diante, ficará obrigatoriamente conhecido como o País das Cocanha. (segue para aqui)