Showing posts with label Rip Rig and Panic. Show all posts
Showing posts with label Rip Rig and Panic. Show all posts

21 December 2025

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (C
 
(com a indispensável colaboração do R & R

(clicar na imagem para ampliar)
 
(Lonely Is An Eyesore, na íntegra aqui)
Womad - Talking Book Volume Three: An Introduction To Europe, na íntegra aqui)

24 June 2011

PARECE SER ASSIM MAS AFINAL É ASSIM


















Thao & Mirah - Thao & Mirah

De Mirah, já sabemos que podemos sempre esperar alguma coisa razoavelmente inesperada. Nunca fazendo explodir estrondosamente as fronteiras da folk-"indie" que lhe proporcionou a senha de entrada na K Records, de Olympia, Washington, acaba, muitas vezes, por encontrar forma de, lateralizando a abordagem, não corresponder exactamente àquilo para que tais coordenadas apontariam. E isto, caso seja necessário esclarecer, é, sem dúvida, um enorme ponto positivo. O que – não cobrindo, etapa por etapa, a sua trajectória discográfica iniciada (oficialmente) em 2000 com o esclarecedoramente intitulado You Think It’s Like This But Really It’s Like This - poderá ser facilmente exemplificado através de To All We Stretch The Open Arm, (2004) com interpretações de Weill, Dylan, Cohen e Foster ou Share This Place: Stories And Observations (2007), magnífico ciclo de canções, fundador do novíssimo género folk-entomológica, naturalmente, sobre a vida dos insectos.



Desta vez, porém, tudo teve início num encontro com Thao Nguyen (Get Down Stay Down), durante a edição do ano passado do Noise Pop Festival, de S. Francisco, em que, a quatro mãos e duas vozes, interpretaram peças do reportório de ambas. Thao & Mirah, o CD, é consequência lógica e "upgrade" considerável desse momento: co-produzido por (e com participação importante de) Merrill Garbus, dos sobreexcelentes tUnE-yArDs de whokill, a sua marca detecta-se um pouco por todo o lado, ora no improvável formato Young Marble Giants-meets-Rip Rig & Panic de "Likable Man", ora no futurismo primitivo de "Eleven" e no funk-soul a escorregar para o "free-form" delirante de "Rubies And Rocks" ora na "Space Oddity" artesanal de "Spaced Out Orbit", com alguma (falsa e rapidamente desencaminhada) candura folk de permeio para não espantar a caça. Um belíssimo naco de música.

(2011)

17 May 2011

NÃO É BEM ISSO


tUnE-yArDs - whokill

Houve um instante nos anos do pós-punk em que, limpo o terreno de todos os detritos que, durante quase uma década, o tinham atravancado, o processo de reconstrução se iniciou e, por algum tempo, a pop mais intensa, inteligente e vibrante de sempre tomou conta dos acontecimentos. Política e eléctrica, imediata e enxuta (mas com o exacto grau de complexidade indispensável para não se confinar ao raso utilitarismo de agit-prop), atlética e eclética, a música que – dos Talking Heads aos Bush Tetras, das Raincoats aos Delta 5, dos Gang Of Four às Slits ou a James Chance & The Contortions – então, se escutou era, literalmente, como um cantil de água fresca descoberto a meio de um deserto que levara demasiado tempo a atravessar. De entre todos, no entanto, poucos terão conduzido essa transformação tão longe e produzido tão prolongadas consequências estéticas como o Pop Group. Constituído em 1978, abriu as hostilidades com "We Are All Prostitutes", prosseguiu-as com For How Much Longer Do We Tolerate Mass Murder?, agregou à seita Dennis Bovell, gente do free-jazz, as Slits e os Last Poets, e, quando, três anos depois, explodiu, os estilhaços – Pigbag, Maximum Joy, Head e, sobretudo, Rip Rig + Panic – não foram menos gloriosos do que o petardo original. E, de caminho, foram ungidos como precursores do “Bristol Sound” que pariria Massive Attack e Portishead.



Dito isto, sublinhe-se que de Merrill Garbus/tUnE-yArDs não se pode legitimamente afirmar que possua semelhanças com qualquer um dos anteriormente referidos. Na verdade, aquilo que de mais rigoroso se pode dizer é algo de raro e absolutamente precioso: ela não se assemelha, realmente, a nada do que possamos mais ou menos informadamente conhecer. A ex-estudante de artes de palco e ex-bonecreira que odiava fantoches, a aprendiz de swahili e recolectora de música tradicional africana no Quénia que confessa ter problemas de consciência com a pilhagem da cultura africana pelo Ocidente (“Que vou eu fazer com isto? Devo pedir autorização? Se tenho medo de pedir autorização, quererá isso dizer que não o deveria fazer? E, se não há ninguém a quem pedi-la, significa que não há problema?”) mas que, por fim, se absolve – e, por extensão, a Paul Simon e aos Vampire Weekend –, o que desses todos guardou foi a atitude DIY, a urgência das intenções e o apetite pela diversidade das fontes de alimentação sonora. Chamem-lhe, se quiserem, Mrs Beefheart, comparem-lhe o timbre vocal com Aretha ou Miriam Makeba, atrevam-se a um sonho no qual as Raincoats se entregam ao deboche com vários clones de John Zorn e Björk ensaia vocalizos com os Dirty Projectors (o que, aliás, já aconteceu) e, se isso parecer assaz coincidente com a memória que permaneceu do Pop Group/Rip Rig + Panic, seria bom que ficassem a saber que não nos conseguimos aproximar suficientemente do perfil-tUnE-yArDs. A antiga noção de “futurismo primitivo” é bem-vinda, um certo gestualismo à la Pollock corrigido pela disciplina formal de Braque ajuda a definir contornos, a ideia de uns Konono nº1 no corpo de uma americana branca desbocada que admite publicamente “You came to put handcuffs on my brother down in the alley, I dreamt of making love to you” e um humilde ukulele são, igualmente, necessários. Mas não, ainda não é bem isso.

(2011)