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17 March 2026

Meanwhile at Sunset Boulevard, Los Angeles, California...
 
 
And the Academy Award goes to… Donald Trump for acting like he wouldn’t start costly foreign wars that kill innocent people (daqui via MdO)

24 February 2016

VIVA MOZ ANGELES!


Na edição de 2006 do IndieLisboa, foi exibido o documentário de William E. Jones, Is It Really So Strange?, que retratava uma peculiaríssima subcultura dos subúrbios da zona leste de Los Angeles: a transbordante devoção pelos Smiths (e por Morrissey, em particular), concretizada em noites temáticas nos clubes locais, frequentadas e organizadas por milhares de jovens oriundos da comunidade “latina” de LA (cerca de metade dos 10 milhões de angelenos), sobretudo, mexicanos, que adoptaram como um dos seus o contraditório britânico de Manchester aí expatriado, criatura melancólica, ácida, petulante, desmedidamente romântica e, paradoxalmente, alegado racista "borderline". Informalmente designada como “Moz Angeles” ou “Mozlandia”, era (e continua a ser) um fluido território social e mental colectivo de simbólica cidadania transcultural, para o qual convergem marginais, excluídos, ilegais, gays, párias, alvo privilegiado de diversas agressões legislativas anti-emigração, recentemente, convertido em "bête noire" do bovino Donald Trump. 



Se o filho de proletários irlandeses emigrados em Inglaterra se reinvindica de "Irish Blood, English Heart", os seus seguidores chicanos das várias Moz Krews arvoram o "Mexican Blood, American Heart" nas t-shirts que envergam durante os concertos dos Sweet And Tender Hooligans – a "tribute band" que mimetiza ao milímetro a discografia e os tiques dos Smiths –, acorrem em massa às Smiths/Morrissey Conventions e criaram o Teatro Moz, um festival de teatro inspirado pela obra de Morrissey. O amor é mútuo: Moz dedica-lhes "Mexico" (“In Mexico I went for a walk to inhale the tranquil, cool, lover's air, but I could sense the hate, from the Lone Star state… It seems if you're rich and you're white, you'll be alright”), desfralda a bandeira mexicana em palco, intitula as apresentações em LA “homecoming concerts”, incita a que ninguém vote em Trump e declara “I wish I was born Mexican”. Mexrrissey, banda de notabilidades da música popular do México, e No Manchester, álbum, eram inevitáveis: incluindo sete temas de Morrissey (dos quais, cinco são retomados "live", no registo de um concerto na Brooklyn Academy of Music), nada se perde e algo se ganha nesta exuberante conversão ao idioma dos "corridos", "mariachis" e "rancheras".

10 September 2015

PUNK


três semanas, em Rakvere, na Estónia, teve lugar a terceira edição do foneticamente pitoresco Punklaulupidu, isto é, Festival da Canção Punk. Apoiado pelo Ministério da Cultura local, apresentava-se como “uma simbiose do tradicional festival da canção estónio com um grande número de coros e punk rock”. Antes do evento, o maestro Keijo Soome explicava: “As canções que iremos cantar terão arranjos corais polifónicos, embora menos complexos do que os da música coral mais sofisticada – mas é isso que torna tudo emocionalmente mais forte”. O bom amigo YouTube comprova-o: num fim-de-semana animado pensado para o saudável divertimento de toda a família, reviram-se os clássicos (“Anarchy In The UK”, dos Pistols, entusiasticamente cantado por avós, pais e netos de coloridos moicanos) e até o gesto insurreccional das Pussy Riot – a “Punk Prayer” anti-Putin que lhes valeu quase dois anos de prisão – foi reencenado na interpretação de um dinâmico duo de moças, de acordo com a norma marcopauliana, uma loira, outra morena. 



O punk que, há três décadas e meia, Penelope Spheeris (então com 34 anos, ascendência grega, impecável linhagem "white trash", e cuja duvidosa coroa de glória seria Wayne’s World) descobriria em Los Angeles, era um bocadinho diferente: ia já no segundo ou terceiro vómito mas, com bandas como os Germs, Black Flag, X, Circle Jerks ou Fear, permanecia perigoso, imundo, brutal, irremediavelmente marginal, junky, anarca e fetidamente alcoólico. Spheeris capturá-lo-ia no primeiro volume do documentário The Decline Of Western Civilization (1981) que o chefe da polícia de LA desejou ver proibido. O segundo tomo, The Metal Years, lançado sete anos depois, é o sórdido retrato da javardice estética e existencial da cena heavy metal – de Alice Cooper aos WASP e Odin –, terminalmente misógina e ávida de vender o traseiro à indústria pela melhor oferta. O terceiro, de 98 (a trilogia acaba de ser publicada em caixa de 4 DVD), centra-se nos fãs de bandas como Naked Agression, Final Conflict ou Litmus Green, “punks de sargeta”, sem família nem abrigo, mendigos de “a quarter for disorder”, refugiados na parca identidade comum do ódio à polícia e do amor à embriaguez. Em Rakvere, provavelmente, não seriam muito bem recebidos.

21 February 2015

STREET ART, GRAFFITI & ETC (CLIII)


"A life-size statue of Hollywood’s real golden boy Oscar, bent down on his hands and knees huffing lines of cocaine, was installed Thursday morning. The guerrilla art piece, dubbed 'Hollywood’s Best Party', is the velvet-roped handiwork of Los Angeles street artist Plastic Jesus. It was installed at the intersection of Hollywood Blvd and La Brea Avenue in Los Angeles (next to Elvis Presley’s Hollywood Walk of Fame star, no less) and was timed to appear just prior to the big Academy Awards ceremony on Sunday" (aqui)

26 April 2013

BRUCE SPRINGSTEEN - "SPIRIT IN THE NIGHT"
 
Los Angeles, 1973

"Now, the night was bright and the stars threw light
On Billy and Davy dancin' in the moonlight
They were down near the water in a stone mud fight
Killer Joe gone passed out on the lawn
Well now, Hazy Davy got really hurt
He ran into the lake in just his socks and his shirt
Me and Crazy Janey was makin' love in the dirt
Singin' our birthday songs
Janey said it was time to go
So we closed our eyes and said goodbye to Gypsy Angel Row
Felt so right
Together we moved like spirits in the night (all night), in the night (all night)..."
 
Londres, Hammersmith, 1975