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14 June 2009

A MENSAGEIRA DE AGARTHA



Era importante - para maior engrandecimento do prestígio dos recém-premiados - saber o que é, de facto, a "Société Académique des Arts, Sciences et Lettres", de Paris. Mas, por mais que esfarrapasse o Google, não foi possível descobrir-lhe o paradeiro. É, certamente, um "coven" de Superiores Ocultos que divulga a localização em Paris para que não se desvende onde se situa, realmente, a sua esotérica Agartha. Apenas aqui se levanta um pouco o véu sobre a identidade daquela que, qual Blavatsky contemporânea, actua como mensageira das Entidades para o mundo exterior:

“A indicação dos nomes é da responsabilidade de Diva Pavesi, personalidade de origem brasileira e nacionalidade francesa, formada em Jornalismo e Relações Internacionais pela Fundação Casper Líbero de São Paulo (Brasil) e representante da revista Caras/Brasil.

Diva Pavesi

Ficamos assim muito mais descansados.

12 June 2009

O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (XIII)

Fernando Ruas
 

A primeira notícia é importante - "o presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, foi distinguido pelo jornal 'Planeamento e Cidades' como 'autarca do ano' e vai receber o prémio no dia 26 de Junho, na Fundação de Serralves" - mas incomparavelmente mais decisivo é tomarmos conhecimento que também "já tinha recebido no mês de Maio a medalha de ouro da Societé Académique des Arts, Sciences et Lettres (França), que distingue figuras que se evidenciam nos campos das artes, ciências e letras" e que, "ainda antes, o autarca já tinha sido distinguido por uma universidade polaca". Uma vez que o insuficiente conhecimento da projecção internacional dos nossos mais eminentes valores culturais é verdadeiramente embaraçoso, torna-se obrigatório esclarecer que a Societé Académique des Arts, Sciences et Lettres "distingue personalidades de todas as nacionalidades que se tenham destacado no âmbito das artes (pintura, escultura, música, arquitectura, entre outras), ciências (medicina, física, biologia, entre outras) e letras (escritores, historiadores, entre outros)" e que essa instituição havia "anunciado a entrega da medalha de ouro também aos portugueses José Eduardo Moniz, da TVI, e à escritora Zita Seabra, mas apenas o primeiro esteve hoje em França a recebê-la".
 
Três questões cruciais se perfilam instantaneamente:

1) como é possível que a produção cultural de Fernando Ruas (murmura-se nos corredores das academias acerca da existência de um monumental e inédito tratactus philosophicus de inspiração kantiana, A Coisa Em Si ou a Coisa Para Si - Prolegómenos à Filosofia da Alteração dos Planos Directores Municipais) seja reconhecida no exterior e ignorada em Portugal?

2) se, no âmbito nacional, para além de Ruas, igualmente José Eduardo Moniz e Zita Seabra (dois outros superiores vultos das letras, artes e ciências pátrias que, entre nós, urge medalhar ou remedalhar) foram premiados, exactamente pela mesma ordem de razões de natureza cromática/tricológica, haverá que prestar equivalente homenagem a Gilberto Madaíl e Vítor Constâncio. Existindo um mínimo de justiça, pelo menos, esses!

3) num fraternal espírito europeísta, os agora distinguidos portugueses, deveriam exigir que idêntica honra se estenda a Silvio Berlusconi e ao ex-chanceler alemão, Gerhard Schröder, ilustres literatos, cientistas e artistas que, como eles, dão cor, brilho e lustro ao universo intelectual do velho continente.

(2009)