Showing posts with label Lonely Drifter Karen. Show all posts
Showing posts with label Lonely Drifter Karen. Show all posts

11 April 2010

GESTÃO DE EQUILÍBRIOS



Lonely Drifter Karen - Fall Of Spring

Explicar por que motivo Clare & The Reasons estão um milímetro para o lado errado do "cute" e Lonely Drifter Karen – em boa verdade, praticamente vizinhos do mesmo condomínio estético – se situam no ponto exactamente simétrico, não é a tarefa mais simples deste mundo.



Talvez se trate apenas de uma gestão de equilíbrios: se, em ambos os casos, tudo acontece no interior daquele perímetro onde o (frequentemente perigosíssimo) "bom gosto" convive com uma certa ideia de boémia-BCBG – a saber: canção-pop de fino recorte nos arranjos, entre o classicismo mais ou menos beatleano, o cabaret, a "old-time-music" e uma versão domesticada do aventureirismo sonoro de Tom Waits –, no caso do trio multinacional composto pela austríaca Tanja Frinta, pelo teclista maiorquino Marc Sobrevias e pelo percussionista italiano Giorgio Menossi, o ângulo inclina-se, favorável e contraditoriamente, no sentido por onde caminham também Jolie Holland e a Björk mais pop e não tanto para o lado-the-hills-are-alive-with-the-sound-of-music (o que não deixa de ter piada quando se sabe que Julie Andrews foi o primeiro amor de Tanja). Nada de muito novo em relação a Grass Is Singing (2008) mas igualmente simpático.

(2010)

01 March 2010

ONDE O SOL NUNCA SE PÕE



Clare & The Reasons - Arrow

O aparelho de televisão do apartamento de Brooklyn de Clare Muldaur e Olivier Manchon raramente deverá estar sintonizado nos canais noticiosos, preferindo-lhes, de certeza, aqueles que exibem, em permanência, comédias românticas, com Breakfast At Tiffany’s no topo da playlist. Sim, porque, no universo privado de Clare & The Reasons, o Afeganistão é um aprazível destino turístico, a Mossad uma espécie de Clube do Rato Mickey mais atrevido e Ahmadinejad um senhor muito simpático, parecido com o dono da "deli" do bairro que lhes vende os "bagels" quentinhos para o pequeno-almoço.



Quando gravam discos, convidam os amigos dos National, Beirut e My Brightest Diamond para fazer uma perninha e, algures entre o classicismo dos Beatles e aquela "good-old-time-music" que Lullaby Baxter, Shivaree ou Lonely Drifter Karen também exploram, criam melodias trauteáveis com arranjos sofisticados (para o primeiro e anterior CD, Movie, chamaram Van Dyke Parks e Sufjan Stevens), sobre as quais o sol nunca se põe e o copo está sempre meio-cheio. É bonito e dispõe bem mas um fim-de-semana na Somália era capaz de os espevitar um bocadinho.

(2010)

19 October 2008

DE VIAGEM



Lonely Drifter Karen - Grass Is Singing

Se, num maravilhoso universo paralelo, tivesse passado pela cabeça de François Truffaut convidar Tom Waits para, a meias com Björk, compor a banda sonora de um filme musical seu – avisando-os, porém, que as partes vocais deveriam ser interpretadas, à vez, por Jolie Holland, Lhasa de Sela e Doris Day (sim, sim) –, o resultado final, muito provavelmente, não andaria assim tão longe de Grass Is Singing.



Neste menos maravilhoso universo, há que contar a história da austríaca Tanja Frinta que, de viagem entre Viena e Barcelona, via Gotemburgo, se cruzou com o teclista maiorquino Marc Sobrevias e com o percussionista italiano Giorgio Menossi, constituindo um trio baptizado com o nome de uma personagem de Os Idiotas, de Lars Von Trier. Como, de certo modo (mas de modos diferentes), acontecia também nos óptimos álbuns de Jesca Hoop, Hanne Hukkelberg e Phoebe Killdeer, somos instantaneamente capturados por uma suave vertigem onde “chanson”, cabaret, “nursery rhymes”, Wurlitzers, “film noir” e a Boadway coexistem no interior do espírito de uma Mary Poppins delicadamente demente e nem por um único instante nos apetece tão cedo sair de lá.

(2008)

18 October 2008

15 October 2008

LONELY DRIFTER KAREN - "PASSENGERS OF THE NIGHT"


Plaça De Las Camarelles, Barcelona

(2008)

13 October 2008

LONELY DRIFTER KAREN
(Tanja Frinta, num mercado, em Paris)


(peço desculpa, em nome da jornalista francesa,
pela inanidade das perguntas)


(2008)