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30 July 2026

(sequência daqui) Essa compaixão pelas pessoas comuns viria mais tarde a tornar-se central em álbuns como The Ghost of Tom Joad e abrir-lhe-ia as portas para a obra de realizadores como John Ford e Sergio Leone, e actores como Marlon Brando, James Dean, Al Pacino e Robert De Niro, cuja intensidade e vulnerabilidade moldaram a sua persona no palco ao longo da década de 1970. As Vinhas da Ira viria a tornar-se a principal influência no desolado ambiente acústico de Nebraska tal como aconteceria com The Night Of The Hunter, e "Badlands", baseada na história real do assassino Charles Starkweather ou no filme homónimo de Terrence Malick. Bruce Springsteen — cantor, compositor, estrela do rock, artista de palco consumado, ícone americano — sempre foi um cineasta. Os seus álbuns  têm investido na amplitude cinematográfica, no dinamismo e detalhes pictóricos. Ele admite que essa perspetiva cinematográfica lhe surgiu naturalmente. "Os filmes sempre significaram muito para mim. Provavelmente, é consequência de ser um miúdo dos anos 50, 60 e 70, quando havia tantos filmes excelentes".  (segue)

28 July 2026

A ESTRADA ABERTA
Jon Landau - o agente artístico que cunhou a profecia "Vi o futuro do rock'n' roll e ele chama-se Bruce Springsteen" -, costumava conversar com Bruce durante horas sobre música, livros e filmes (uma conversa ainda não interrompida). Enquanto gravavam Darkness On The Edge Of Town, recorda ele, Springsteen falou-lhe de um filme que tinha visto na televisão, sem ter memorizado o título. "Ele começou a descrevê-lo, e, a certa altura, interrompi-o: 'Bruce, isso é As Vinhas da Ira'.'". Ele respondeu: ‘É a melhor coisa que já vi’!" Perguntei-lhe: "O que é que gostaste mais?" E ele respondeu: "Tudo. As imagens, a intensidade, a concentração, a arte, tudo" E eu disse: "Sabes que foi o John Ford que o realizou?" E ele disse: "Sim, sim, já ouvi falar dele...". Foi nesse momento, diz Landau, que Springsteen começou a olhar para o cinema de uma forma completamente diferente. A adaptação de John Ford de As Vinhas da Ira, de John Steinbeck (1940), deixou-lhe, talvez, a marca emocional mais profunda: "O humanismo do filme afectou-me profundamente. Quero um pouco disso na minha música". (daqui; segue para aqui)
 

02 July 2026

 
(sequência daqui) Há, porém, algo de paradoxal em Down Where the Willow and the Dogwood Grow. Apresentado como um novo tributo à obra de Tom Waits e Kathleen Brennan, o álbum não oferece uma única gravação inédita. Acaba, contudo, por funcionar como algo mais interessante: um reavaliador da extraordinária força das canções de Waits e Brennan num percurso que alterna entre baladas, blues andrajosos, canções de inspiração latina, gospel e peças quase faladas, reflectindo a impressionante diversidade do cancioneiro Waits/Brennan quando retirado da imensa sombra da sua personalidade. Ou como um espelho que, ao reflectir a obra através de vozes alheias - Solomon Burke, Bruce Springsteen, Willie Nelson, Lucinda Williams (que canta "Hang Down Your Head", a primeira canção oficialmente atribuída à parceria Waits-Brennan, publicada em Rain Dogs, 1985), Johnny Cash, Marianne Faithfull, Bob Seger, Diana Krall, John Hammond -, revela a qualidade rara de canções capazes de sobreviver a qualquer intérprete — inclusive ao seu criador. Afinal, um tanto ou quanto ironicamente, o título do álbum de homenagem haveria de ser extraído do texto de canção "Down There By The Train", o patinho feio inicial, em cuja primeira estrofe se lê: "There’s a place I know where the train goes slow, where the sinner can be washed in the blood of the lamb, there’s a river by the trestle down by sinner’s grove, down where the willow and the dogwood grow".

03 April 2026

Bruce Springsteen - Live From Minneapolis (3/31/2026)


 
... e as patéticas tentativas do bisonte caquético como crítico musical:

19 January 2026

"Gun in Every Home" (versão integral de Nebraska '82: Expanded Edition aqui)
 
(sequência daqui) Como é hábito acontecer com todas as relíquias, o mito é frequentemente desmontado pela realidade: a decisão de abdicar das versões com a E Street Band gravadas na Power Station de Nova Iorque, no final de Abril de 1982, demonstrou estar certa. "É impossível compreender por que motivo uma gravação parece estar a falar no idioma certo e outra não", reflecte Springsteen na "Mojo". “Mas eu sabia, sem sombra de dúvida, que naquele momento da minha vida, as gravações caseiras das canções de 'Nebraska' eram as certas. Não havia outra opção. Eram melhores que as versões elétricas? Essa questão nem se colocava. As gravações caseiras mexiam comigo de uma forma que nenhuma outra versão das canções parecia conseguir. Essa era a única medida que podia considerar”.

15 January 2026

 
(sequência daquiA verdade, porém, é que, embora as oito faixas gravadas com a E Street Band constituam um documento histórico fascinante, quando, em 1998, Springsteen afirmou: "Entrei no estúdio, trouxe a banda, regravámos, remisturámos e conseguimos tornar tudo ainda pior", não só não estava a ser inteiramente auto-depreciativo como a versão definitiva (e "oficial") de Nebraska continuaria a ser a que gravou em casa, em Colts Neck, em Janeiro de 1982, com uma guitarra acústica, um TASCAM PortaStudio e um Echoplex. O disco Electric Nebraska contém versões da faixa-título de Nebraska, bem como de "Atlantic City", "Mansion on the Hill"', "Johnny 99", "Open All Night" e "Reason to Believe". Também estão incluídas as canções "Downbound Train"  e "Born in the USA", em versões diferentes das do álbum Born in the USA de 1984, que marcaria o regresso de Springsteen aos estúdios de gravação e resultaria no maior sucesso da sua carreira. A "Expanded edition" inclui uma remasterização do álbum original; um disco de outtakes das sessões de Colts Neck; as lendárias sessões do "Electric Nebraska"; e novas versões das canções de Nebraska, gravadas no Count Basie Theatre, de New Jersey, na Primavera de 2025 e filmado em Blu-Ray por Thom Zimny. (segue)

13 January 2026

AFINAL EXISTE
Em Junho do ano passado, Springsteen conversou com um jornalista da "Rolling Stone", que, no final, lhe perguntou: “E novidades em relação a Electric Nebraska?” Sem pestanejar, Bruce respondeu: “Não tenho nenhuma memória de que tenha existido. E posso assegurar-lhe que não há nada no nosso arquivo que, aparentemente, lhe corresponda". A questão parecia ter ficado resolvida, até que, após a publicação da entrevista, o jornalista recebeu uma mensagem com um número de New Jersey. O texto dizia: "Aqui, Bruce Springsteen... Investiguei o nosso arquivo e afinal há um 'Electric Nebraska', embora não tenha todas as músicas!" Mais tarde, confessaria à "Mojo": "Não sabia que aquelas fitas existiam. Fiquei surpreendido quando descobri que o Electric Nebraska era real e que tínhamos ido tão longe. Mas andámos para trás e encontrámos as fitas. Foi um choque e uma surpresa para mim. E penso que também para os fãs". (daqui; segue para aqui)

25 August 2025

 
(sequência daqui) "Nos Estados Unidos, estão a perseguir as pessoas por usarem o seu direito à liberdade de expressão e por manifestarem a sua discordância. Isto está a acontecer agora. No meu país, estão a revogar legislação histórica dos direitos civis que conduziu a uma sociedade mais justa e plural, estão a abandonar os nossos grandes aliados e a apoiar ditadores contra aqueles que estão a lutar pela sua liberdade. Removem residentes das ruas americanas e, sem processo legal, deportam-nos para centros de detenção e prisões no estrangeiro. Isto está a acontecer agora". E, antes de "My City Of Ruins": "A maioria dos nossos representantes eleitos falhou ao não proteger o povo americano dos abusos de um presidente inapto e de um governo desonesto. Não têm qualquer preocupação ou ideia do que significa ser profundamente americano. A América de que vos tenho falado durante 50 anos é real e, independentemente das suas falhas, é uma grande nação com um grande povo. Por isso, superaremos este momento". E, como que encerrando o assunto antes de se iniciar a limpeza das armas, "Agora, tenho esperança porque acredito na verdade das palavras do grande escritor norte-americano James Baldwin. Ele disse que, neste mundo, não há tanta humanidade quanto se gostaria. Mas há a que chegue".

22 August 2025

 
(sequência daqui) Antes, em entrevista à "Rolling Stone", havia já considerado a questão de pisar o terreno da dita "canção de protesto": "Bem, acho que me sentirei inspirado para ir por aí. Se o farei ou não, não sei, não sei. Mas é evidente que estamos a viver uma tragédia americana embora acredite que sairemos ilesos. A nossa nação não é como outras que têm um passado autoritário. Temos uma história democrática e acredito que isso voltará a acontecer. Não é uma tradição que vá desaparecer de um momento para o outro, independentemente de quem tente subvertê-la". Com a elegantíssima eloquência pela qual o resto do mundo aprendeu a identificá-lo, instantaneamente, o gorila côr de laranja, rosnou: "Nunca gostei dele. Nunca gostei da música dele. Ou da política de esquerda radical dele". Antecipando o previsível borborigmo, Bruce insistiu: "Quando os controlos de legalidade do governo falham, são os cidadãos, cada um de nós, que assumem o poder. É na união das pessoas em torno de valores comuns que reside a diferença. Agora, isso é tudo o que se interpõe entre a democracia e o autoritarismo" (segue para aqui)

19 August 2025

"Land Of Hope And Dreams"

(sequência daqui) O que torna Tracks II mais do que um curiosidade para os fãs é o modo como evidencia a dedicação de Springsteen em perseguir o álbum perfeito, mesmo que isso signifique sacrificar álbuns inteiros pelo caminho. Para um artista muitas vezes romantizado como uma rock star da classe operária, Springsteen sempre foi muito deliberado. Ele é um editor obsessivo, um artista disposto a deitar fora um álbum brilhante para fazer um melhor — ou, por vezes, para proteger a mitologia do álbum que acabou por lançar. A propósito do método, autoclassifica-se como "um mineiro da alma": "Estou no fundo da mina, a desbastar a rocha. E, muitas vezes, não encontro nada, nada, nada... Até que descubro um veio. E quando isso acontece, tudo jorra cá para fora. Exploramo-lo até já nada ter para oferecer. E tudo recomeça... Mas ninguém consegue explicar aquele momento em que insuflamos o sopro da vida nas personagens de uma canção". O que nunca o impedirá de, em momentos como os actuais, colocado perante a imbecilidade obscena do poder político, explodir como aconteceu na noite de 14 de Maio deste ano, em Manchester, quando, antes de "Land Of Hope & Dreams" lançou: "Na minha casa, a América que amo, a América sobre a qual escrevi e que há 250 anos tem sido um farol de esperança e liberdade, está atualmente nas mãos de uma administração corrupta, incompetente e traidora. Esta noite, convocamos todos os que acreditam na democracia e no melhor da nossa experiência americana a juntarem-se a nós. Ergamos as nossas vozes contra o autoritarismo e deixemos a liberdade ecoar". (segue para "https://lishbuna.blogspot.com/2025/08/the-klansman-sequencia-daqui-antes-em.html">aqui)

16 August 2025

 
(sequência daqui) Se "Electric Nebraska" seria um futuro alternativo, os temas das demos de The Rising são os menos surpreendentes, mas ainda assim emocionalmente poderosos. "Faithless", entretanto, é uma banda sonora para um filme que nunca chegaria a ser realizado, descrito como um "western espiritual", escrita e gravada num período de duas semanas na Flórida. Springsteen volta a concentrar-se no mundo exterior, mas em vez da poesia proletária de Darkness..., é a sonoridade do colapso do sonho americano que se desprende da maioria das peças em Track II, razão - que, de algum modo, se entende - para nunca terem sido editadas até agora: é demasiado sombrio, demasiado inquieto. “Twilight Hours”, irmão gémeo de Western Stars, pelo seu lado, mostra Bruce Springsteen ensaiando um estilo de escrita mais tranquilo e orquestral — próximo do romantismo de Burt Bacharach e da grandiosidade cinematográfica de Jimmy Webb. (segue para aqui)

13 August 2025


 
(sequência daquiA ideia de um "álbum perdido" de Springsteen não é nova. Os fãs têm trocado bootlegs há décadas, desde "The Ties That Bind" (uma versão alternativa do que viria a ser The River) até às sessões "Electric", de Nebraska, aos excertos de Darkness on the Edge of Town e às inúmeras versões alternativas dos anos de Born in the U.S.A. No entanto, Tracks II é diferente porque compila todas estas faixas perdidas numa linha narrativa que quase se torna tão essencial como as suas edições oficiais. É uma homenagem às opções que não foram seguidas e uma exploração de profundidade das escolhas de Springsteen. Para muitos, porém, a joia da coroa seria Electric Nebraska: há muito um mito entre os fãs, este álbum ao vivo com a participação da banda inteira, haveria de mostrar o que poderia ter sido se Springsteen tivesse autorizado a E Street Band a iluminar a escuridão do álbum. Embora inicialmente negada, Bruce acabaria por confirmar a sua existência, ainda que não chegasse a ser ser incluído em Tracks II. (segue para aqui)

08 August 2025

ESTRADAS INVISÍVEIS 

Quando, em 1998, Bruce Springsteen lançou Tracks, foi como a abertura de uma porta secreta de uma casa familiar — os quartos, de repente, pareceram maiores, mais escuros, e carregados de uma nova energia. Décadas mais tarde, Tracks II: The Lost Albums vai mais longe, oferecendo não só uma compilação de outtakes e demos, mas também a restauração completa de álbuns que Springsteen gravou e depois rejeitou ou reutilizou para outros projetos, como um vislumbre de uma realidade paralela. A influência Springsteen na música e no imaginário americanos é praticamente impossível de se exagerar. Ao longo de cinco décadas, tem sido o praticante supremo da intersecção do rock, folk, soul e de uma certa poesia vibrantemente proletária. Com Tracks II: The Lost Albums, Springsteen volta a convidar-nos a entrar na sua cave, revelando fitas carregadas de pó e e excertos de estúdio que, por um motivo ou outro, nunca foram incluídos nos seu canone. No total, 83 canções das quais, 74 inéditos, organizadas em 7 álbuns: “LA Garage Sessions ’83”, “Streets of Philadelphia Sessions”, “Faithless”, “Somewhere North of Nashville”, “Inyo”, “Twilight Hours” e “Perfect World”. Não apenas versões alternativas ou curiosidades: são peças completas, coerentes, que põem bem em evidência a fluidez e agilidade com que Springsteen se move por entre diversas identidades. (daqui; segue para aqui)

Inside Tracks II: The Lost Albums

19 November 2024

MEA MAXIMA CULPA (IV)

(publicado no nº 11 da "Granta")

(sequência daqui) Barbaridade seguinte: Tom Waits. O crime de difamação não terá sido da mesma gravidade mas, em contrapartida, desculpas, justificações e atenuantes eram totalmente inexistentes. Tratou-se tão só de um caso — sério, seríissimo — de vistas curtas. Ou melhor, de reles condicionamento auditivo. O ponto de partida não enfermava de nenhum defeito: Waits era caracterizado como "encarnando a imagem do boémio 'beat' à deriva, tão miticamente americano como, por exemplo, Springsteen. Mas, ainda que sendo ambos exactamente da mesma idade, a personagem-Waits é a de um Springsteen precocemente envelhecido a quem apenas resta meio pulmão em funcionamento, incapaz já de perder um segundo a pentear-se ao espelho retrovisor de um 69 Chevy ou de vibrar com as aventuras vertiginosas nos crepusculares 'highways' povoados de heróis em fuga". E, desenhando mais precisamente cenário e atmosfera, observava: "Entre um jazz de fundo de bar e uma omnipresente garrafa de Jack Daniel's, Tom Waits oscila de uma teologia particular ("You know there ain't no Devil, there's just God when he's drunk") a uma concepção de saúde muito pessoal ("I don't have a drinking problem except when I can't get a drink") conseguindo, por vezes, ser impagável e, talvez involuntariamente, cómico: poucos momentos conseguem fazer soltar uma gargalhada tão incontrolável como quando, em "Christmas Card From A Hooker in Minneapolis", a sua rosnadela trôpega de velho buldogue asmático inicia a recitação tartamudeando 'Hey Charley, I'm pregnant'" (segue para aqui)

14 November 2024

MEA MAXIMA CULPA (II)

(publicado no nº 11 da "Granta")

(sequência daqui) Três anos depois, o truque parecia continuar a funcionar. Escrevendo na "Rolling Stone" de 30 de Agosto sobre a banda sonora de Dylan para Pat Garrett & Billy the Kid, de Sam Peckinpah, Jon Landau — o "descobridor" de Bruce Springsteen — decretaria: “A mais importante figura do rock branco dos anos 60 transformou-se numa das menos significativas dos anos 70. Mas o que causa maior perplexidade parece ser a deliberada intenção desse declínio”. De facto, por essa altura, Dylan parecia fazer tudo para demolir a imagem que, até esse momento, se lhe havia colado, chegando a manter uma perigosa relação de proximidade com o Rabbi Meir Kahane, da Jewish Defense League, uma organização sionista de extrema-direita. A publicação de Blood On The Tracks (1975), Basement Tapes (com a Band, 1975) e Desire (1976) parecia apontar para uma suspensão de pena mas não tardaria muito até que — após uma peculiar epifania ocorrida quando, durante um concerto, um fã lhe atirou para o palco um crucifixo —, durante três anos e outros tantos álbuns (Slow Strain Coming, 1979, Saved, 1980, e Shot Of Love, 1981), Dylan se afundasse na superstição evangélica neo-carismática do cristianismo "born again" tal como o Vineyard Movement o pregava. Das homilias em palco às tentativas de evangelização dos que partilhavam o estúdio com ele (o veterano produtor de R&B, Jerry Wexler, amavelmente dissuadi-lo-ia: "Bob, tens à tua frente um velho judeu, ateu, de 62 anos. Vamos só gravar um disco, está bem?..."), tudo parecia, desta vez, apontar para que o plano inclinado não fosse apenas um adereço. 

Justamente o momento adequado para, a propósito da publicação do álbum de um estimável "singer-songwriter" irlandês que não incendiaria a história da música (para que conste: Rave On, de Andy White, 1986), com todas estas desculpas, justificações e atenuantes, lhe lavrar a certidão de óbito. O que, nas páginas do "Expresso", cobrindo-me para sempre de vergonha, implacavelmente fiz: “Não consegue entender-se muito bem por que motivo uma geração inteira, há anos, persiste em convencer-se e em tentar convencer as seguintes que Bob Dylan, do ponto de vista criativo, não se encontra definitivamente empalhado, suscitando sempre expectativas de ressurreição — invariavelmente infundadas — aquando de cada nova edição sua. Como se não fosse transparentemente evidente que (com excepção de esporádicos e isolados fogachos de brilhantismo posteriores), após Highway 61 Revisited e Blonde On Blonde e, em grau menor, John Wesley Harding, Dylan nunca mais conseguiu igualar-se a si mesmo ainda que a sua influência tenha permanecido, até hoje, quase intocada". (segue para aqui)