"Messenger Birds" (álbum integral aqui)
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Remember what the dormouse said: feed your head (XXXI)
"O racismo nas páginas de 'A Esfera' atinge uma maior virulência no campo artístico. Aí é que os nossos germanófilos perdem as estribeiras e, de caneta em riste, alongam-se em artigos contra a 'degenerada música negra': o jazz. Para um germanófilo, o que era o jazz quando comparado com a alta estética da música alemã? Poderíamos dar vários exemplos mas este artigo, que surge na edição de 20 de Março de 1945 (...), é paradigmático. Satiriza essa 'música espiritual dos negros', cujo batuque o articulista escutou depois de 'esfregar os olhos de espanto' e depois de constatar que 'se aquilo é arte, então a missão civilizadora dos portugueses em África de nada valeu'. O jazz não ia ao encontro do gosto germanófilo de 'A Esfera' (...). Como garantia Eduardo Frias (...), o jazz era um conjunto de 'sonoridades roucas, bacanais e rugidos, dissonâncias loucas, monstruosidades grotescas como esgares acústicos, [sendo evidente a] origem satânica desta irrupção do primitivismo selvagem'" (Sérgio Luís de Carvalho - Lisboa Nazi: A cidade secreta dos portugueses que lutaram pelo Terceiro Reich)
"EL - A mudança passará tanto pelos movimentos sociais como pela arte ou pelo voto. Em contrapartida, não penso que se deva procurar o bem comum, mas sim as fracturas, as oposições, as tensões, que de qualquer modo existem. Porque o bem dos dominados será possível contra o que os dominantes vêem como sendo o seu bem. Não é o bem comum, é a melhoria da vida dos que sofrem, contra aqueles que têm tudo" (Diálogo Sobre Arte e Política - Ken Loach/Édouard Louis)
(sequência daqui) "Por detrás do elogio da ociosidade [no Fabliau de Coquaigne], há uma contestação do tempo, do tempo medido, do calendário. Todos os dias sem trabalho são ali multiplicados: cada ano tem quatro Páscoas, quatro São João, quatro Todos os Santos, quatro Natais, quatro Candelárias, e na verdade 'todos os dias são domingos e feriados'. No século XIII (...), o sistema de festas é um sistema de dias de descanso, de folgas não remuneradas criadas para contentar o empresário, que economiza salários, e o assalariado, que repousa ou dedica-se a ocupações não consideradas trabalho. Com muita perspicácia, Hilário Franco Júnior nota que na Cocanha não há festas. A Cocanha é uma festa. O tempo, isento de actividades, é imóvel: ali é sempre 'como se fosse Maio'". (do prefácio de Jacques Le Goff para Cocanha - A História de Um País Imaginário de Hilário Franco Júnior - 2; segue para aqui)