(sequência daqui) “Ele tinha o álbum completo na cabeça bem antes de ter começado a gravá-lo. Pensava nele há muito. Tinha tido imensa paciência com os Beatles. Quando chegou o momento de passar à acção, sabia exactamente o que estava a fazer. Não precisava de se dirigir a um produtor para lhe pedir uma opinião. Tinha tudo pronto”, diz Dhani Harrison, o filho que tem sido o produtor executivo de todas as reedições póstumas de All Things Must Pass, o álbum que, à época, levou Richard Williams, crítico do “Melody Maker”, a afirmar que ele representava “um choque equivalente ao dos cinéfilos de antes da guerra quando, pela primeira vez, Greta Garbo abriu a boca num filme sonoro: a Garbo fala! Harrison está livre!”. George não estaria dependente da opinião de um produtor mas, quando entrou nos estúdios da EMI a 26 de Maio de 1970, tinha um nome debaixo da língua: Phil Spector, o génio de grau máximo na categoria não-é-flor-que-se-cheire, inflexivelmente contrário a sequer admitir que "less" pudesse ser "more" – "more" era sempre "more" e quanto mais, melhor. O método seria baptizado por Andrew Loog Oldham como “The Wall of Sound” – Spector chamava-lhe “a Wagnerian approach to rock & roll: little symphonies for the kids" – e haveria de ser aplicado com grande proveito em gravações dos Righteous Brothers, Ronettes, Crystals ou Ike & Tina Turner. Dos Beach Boys aos Jesus & Mary Chain, deixaria inúmeros discípulos, entre os quais George Harrison que apreciava especialmente a pós-produção por que ele fora responsável em Let It Be (McCartney detestava-a) bem como a sua intervenção no single de Lennon e Yoko, "Instant Karma!". (segue para aqui)
Showing posts with label The Ronettes. Show all posts
Showing posts with label The Ronettes. Show all posts
04 October 2021
16 July 2017
11 May 2011
NEIL/PHIL

Neil Young é a prova definitiva de que não é, de todo, imprescindível pertencer ao clube dos virtuosos mais rápidos do que a própria sombra para, aos 65 anos, ser um dos raríssimos guitarristas de rock (de todas as idades) capazes de continuar a empurrar o vocabulário do instrumento para domínios virtualmente inexplorados e Jonathan Demme é, muito provavelmente, o único realizador de cinema vivo para quem filmar um concerto pressupõe uma exigência estética que vai muito além da acrobacia dos ângulos e da montagem mais ou menos frenética. Do encontro dos dois – iniciado, em 2006, com Heart Of Gold, uma prodigiosa encenação cinematográfica do concerto de estreia do álbum Prairie Wind, no Ryman Auditorium, de Nashville – seria, então, difícil que resultasse outra coisa que não o mais memorável filme da secção Indiemusic, da edição deste ano do IndieLisboa.
Trunk Show toma como pretexto duas noites de concerto, no Tower Theatre de Filadélfia, em 2007, durante a digressão decorrente da publicação de Chrome Dreams II e, com um mínimo de distracções extramusicais (um pintor naïf que pincela telas em contraponto com as canções, um “sultão”-anão executante de gong), conduz música e imagens por vias paradoxalmente paralelas e convergentes: se, por um lado, concentrando-nos apenas na música, nos deparamos com o que é, indiscutivelmente, o melhor “álbum” de Neil Young desde há muito (o equilíbrio acústico/eléctrico é autenticamente milagroso e, nos 20 minutos de pura demência eléctrica free-form de "No Hidden Path", perde-se, literalmente, o pé), por outro, descobrimo-nos perante o terceiro volume (depois de Stop Making Sense, 1984, e o já referido Heart Of Gold) da trilogia de referência de Demme sobre o trabalho de composição fílmica para concertos de rock e a indissociável modulação das imagens em sintonia com a curva musical.
Outra estreia a não perder é The Agony And The Ecstasy Of Phil Spector, de Vikram Jayanti, tragicomédia documental que monta em paralelo uma extensa, patética e megalómana entrevista do inventor da "wall of sound", imagens do seu julgamento – entre 2007 e 2009 – pelo homicídio da actriz Lana Clarkson (no qual foi condenado a uma pena de 19 anos de prisão) e videoclips dos diversos músicos com quem trabalhou (das Ronettes aos Beatles), desenhando o perturbador perfil de um génio que não hesita em comparar-se a Da Vinci ou Bach e ridiculariza Brian Wilson, coabitando no corpo de um misógino violento, psicótico e perverso, ataviado como um dandy senil e decadente. Bastante menos interessantes são John Lennon – Love Is All You Need, de Alan Byron, revisão de estafado material biográfico assente numa cansativa sucessão de depoimentos em que (por motivos contratuais) nem uma semifusa da música dos Beatles ou de Lennon se escuta, Lemmy, de Wes Orshoski, em torno do ícone-heavy metal dos Motörhead, em registo idêntico ao anterior mas com uns intoleráveis 116 minutos e This Movie Is Broken, de Bruce McDonald, que retoma o modelo de 9 Songs, de Michael Winterbottom (2004), ensaiando um falhadíssimo contraponto entre um concerto dos Broken Social Scene e uma narrativa onde o registo "softporn" de Winterbottom é substituído pelo de telenovela "indie-light".
(2011)

Neil Young é a prova definitiva de que não é, de todo, imprescindível pertencer ao clube dos virtuosos mais rápidos do que a própria sombra para, aos 65 anos, ser um dos raríssimos guitarristas de rock (de todas as idades) capazes de continuar a empurrar o vocabulário do instrumento para domínios virtualmente inexplorados e Jonathan Demme é, muito provavelmente, o único realizador de cinema vivo para quem filmar um concerto pressupõe uma exigência estética que vai muito além da acrobacia dos ângulos e da montagem mais ou menos frenética. Do encontro dos dois – iniciado, em 2006, com Heart Of Gold, uma prodigiosa encenação cinematográfica do concerto de estreia do álbum Prairie Wind, no Ryman Auditorium, de Nashville – seria, então, difícil que resultasse outra coisa que não o mais memorável filme da secção Indiemusic, da edição deste ano do IndieLisboa.
Trunk Show toma como pretexto duas noites de concerto, no Tower Theatre de Filadélfia, em 2007, durante a digressão decorrente da publicação de Chrome Dreams II e, com um mínimo de distracções extramusicais (um pintor naïf que pincela telas em contraponto com as canções, um “sultão”-anão executante de gong), conduz música e imagens por vias paradoxalmente paralelas e convergentes: se, por um lado, concentrando-nos apenas na música, nos deparamos com o que é, indiscutivelmente, o melhor “álbum” de Neil Young desde há muito (o equilíbrio acústico/eléctrico é autenticamente milagroso e, nos 20 minutos de pura demência eléctrica free-form de "No Hidden Path", perde-se, literalmente, o pé), por outro, descobrimo-nos perante o terceiro volume (depois de Stop Making Sense, 1984, e o já referido Heart Of Gold) da trilogia de referência de Demme sobre o trabalho de composição fílmica para concertos de rock e a indissociável modulação das imagens em sintonia com a curva musical.
Outra estreia a não perder é The Agony And The Ecstasy Of Phil Spector, de Vikram Jayanti, tragicomédia documental que monta em paralelo uma extensa, patética e megalómana entrevista do inventor da "wall of sound", imagens do seu julgamento – entre 2007 e 2009 – pelo homicídio da actriz Lana Clarkson (no qual foi condenado a uma pena de 19 anos de prisão) e videoclips dos diversos músicos com quem trabalhou (das Ronettes aos Beatles), desenhando o perturbador perfil de um génio que não hesita em comparar-se a Da Vinci ou Bach e ridiculariza Brian Wilson, coabitando no corpo de um misógino violento, psicótico e perverso, ataviado como um dandy senil e decadente. Bastante menos interessantes são John Lennon – Love Is All You Need, de Alan Byron, revisão de estafado material biográfico assente numa cansativa sucessão de depoimentos em que (por motivos contratuais) nem uma semifusa da música dos Beatles ou de Lennon se escuta, Lemmy, de Wes Orshoski, em torno do ícone-heavy metal dos Motörhead, em registo idêntico ao anterior mas com uns intoleráveis 116 minutos e This Movie Is Broken, de Bruce McDonald, que retoma o modelo de 9 Songs, de Michael Winterbottom (2004), ensaiando um falhadíssimo contraponto entre um concerto dos Broken Social Scene e uma narrativa onde o registo "softporn" de Winterbottom é substituído pelo de telenovela "indie-light".
(2011)
16 August 2009
A BORBOLETA SPECTOR

God Help The Girl - God Help The Girl
Já conhecíamos as bandas sonoras para filmes realmente existentes e as outras para filmes imaginários. Agora, com God Help The Girl, inicia-se o género das que foram compostas e publicadas para filmes que, se tudo correr bem e o financiamento surgir, lá para o ano que vem, serão rodados. O responsável pelo projecto – e este é um dos casos em que a palavra “projecto” adquire todo o seu verdadeiro sentido – é Stuart Murdoch, cultivador das florinhas de estufa Belle & Sebastian, aqui, assumindo as responsabilidades de compositor, argumentista, director de casting e, eventualmente, realizador. A epifania aconteceu, há cinco anos, durante uma sessão de jogging, em Sheffield, quando uma canção inteira “que nunca seria para os Belle & Sebastian” (“God Help The Girl”, o tema-título) lhe fez uma pirueta no cerebelo. Através de um anúncio de jornal, procurou cantoras para a gravação de um álbum “outonal”, avisando, no entanto, que “as candidatas a Celine Dion” escusavam de se incomodar. Da shortlist final, resultou um trio (que, observando com atenção no YouTube os mini-documentários que, acerca de todo o processo, Marisa Privitera – aliás, Mrs Murdoch – realizou, se diria não ter sido seleccionado exclusivamente segundo critérios de talento vocal...) constituído por Celia Garcia, Alexandra Klobouk e, principalmente, Catherine Ireton, a protagonista e indiscutível "rising star" de God Help The Girl.
É este, então, o momento de proclamar que o que já se pressentia em Dear Catastrophe Waitress (2003) – depositado nas tonificantes mãos de Trevor Horn – floresce, desta vez, em todo o seu esplendor: da crisálida anémica dos Belle, emergiu uma borboleta-Murdoch capaz de libertar o Phil Spector que trazia, oprimido, dentro de si! E ele não apenas descobriu uma legião de Ronettes e Shirelles inteiramente à disposição (para além do trio Garcia/Klobouk/Ireton, várias outras foram recrutadas), como, de entre elas, transformou umas em Petula Clark e outras em Sandie Shaw, deu livre curso à sua veia de “songwriter” para uma Motown escocesa virtual (o velho sonho da Postcard – “The Sound Of Young Scotland” – de Alan Horne) e, a espaços, se entregou ao devaneio de se ver como um Burt Bacharach que, num cotovelo do espaço-tempo, tivesse participado da “nouvelle vague”, ao lado de Truffaut ou Godard. O que, no fundo, não tem sido senão o que os diversos discípulos da academia B&S (Camera Obscura, Concretes, Lucky Soul, os She & Him de Zooey Deschanel e Matt Ward) têm vindo a fazer.
Se o argumento do “musical” em potência é murdochianamente previsível – Eve, jovem melancólica e perturbada, tropeça na música popular e por ela se perde – a atitude "life could be musical comedy/prop-like street lighting awaiting your swing” não podia ser mais ajustada: do quase-ABBA, “Musician, Please Take Heed”, ao requinte "über cool" do convidado Neil Hannon, em “Perfection As A Hipster”, às sumptuosas volutas orquestrais ou à transfiguração soul de “Funny Little Frog” pela voz de Brittany “Dusty Springfield” Stallings, tudo é puríssima perfeição pop. Que, mesmo que não voasse tão alto, se justificaria apenas pela revelação de Catherine Ireton, showtune girl no primeiro capítulo de uma longa e fulgurante biografia.
(2009)

God Help The Girl - God Help The Girl
Já conhecíamos as bandas sonoras para filmes realmente existentes e as outras para filmes imaginários. Agora, com God Help The Girl, inicia-se o género das que foram compostas e publicadas para filmes que, se tudo correr bem e o financiamento surgir, lá para o ano que vem, serão rodados. O responsável pelo projecto – e este é um dos casos em que a palavra “projecto” adquire todo o seu verdadeiro sentido – é Stuart Murdoch, cultivador das florinhas de estufa Belle & Sebastian, aqui, assumindo as responsabilidades de compositor, argumentista, director de casting e, eventualmente, realizador. A epifania aconteceu, há cinco anos, durante uma sessão de jogging, em Sheffield, quando uma canção inteira “que nunca seria para os Belle & Sebastian” (“God Help The Girl”, o tema-título) lhe fez uma pirueta no cerebelo. Através de um anúncio de jornal, procurou cantoras para a gravação de um álbum “outonal”, avisando, no entanto, que “as candidatas a Celine Dion” escusavam de se incomodar. Da shortlist final, resultou um trio (que, observando com atenção no YouTube os mini-documentários que, acerca de todo o processo, Marisa Privitera – aliás, Mrs Murdoch – realizou, se diria não ter sido seleccionado exclusivamente segundo critérios de talento vocal...) constituído por Celia Garcia, Alexandra Klobouk e, principalmente, Catherine Ireton, a protagonista e indiscutível "rising star" de God Help The Girl.
É este, então, o momento de proclamar que o que já se pressentia em Dear Catastrophe Waitress (2003) – depositado nas tonificantes mãos de Trevor Horn – floresce, desta vez, em todo o seu esplendor: da crisálida anémica dos Belle, emergiu uma borboleta-Murdoch capaz de libertar o Phil Spector que trazia, oprimido, dentro de si! E ele não apenas descobriu uma legião de Ronettes e Shirelles inteiramente à disposição (para além do trio Garcia/Klobouk/Ireton, várias outras foram recrutadas), como, de entre elas, transformou umas em Petula Clark e outras em Sandie Shaw, deu livre curso à sua veia de “songwriter” para uma Motown escocesa virtual (o velho sonho da Postcard – “The Sound Of Young Scotland” – de Alan Horne) e, a espaços, se entregou ao devaneio de se ver como um Burt Bacharach que, num cotovelo do espaço-tempo, tivesse participado da “nouvelle vague”, ao lado de Truffaut ou Godard. O que, no fundo, não tem sido senão o que os diversos discípulos da academia B&S (Camera Obscura, Concretes, Lucky Soul, os She & Him de Zooey Deschanel e Matt Ward) têm vindo a fazer.
Se o argumento do “musical” em potência é murdochianamente previsível – Eve, jovem melancólica e perturbada, tropeça na música popular e por ela se perde – a atitude "life could be musical comedy/prop-like street lighting awaiting your swing” não podia ser mais ajustada: do quase-ABBA, “Musician, Please Take Heed”, ao requinte "über cool" do convidado Neil Hannon, em “Perfection As A Hipster”, às sumptuosas volutas orquestrais ou à transfiguração soul de “Funny Little Frog” pela voz de Brittany “Dusty Springfield” Stallings, tudo é puríssima perfeição pop. Que, mesmo que não voasse tão alto, se justificaria apenas pela revelação de Catherine Ireton, showtune girl no primeiro capítulo de uma longa e fulgurante biografia.
(2009)
01 June 2009
CLASSICISTAS

Camera Obscura - My Maudlin Career
Algo existe em mim que, instantaneamente, me conduz a segregar hormonas de imenso afecto por quem, num único álbum, consegue incluir dois tão improváveis farrapos de poesia pop como "Were my pupils dilated? Could you tell that I liked you?" e "You kissed me on the forehead, now his kisses give me concussion". E, se isso – como acontece em My Maudlin Career – vier encadernado num dos raríssimos géneros de revisionismo estético que, contra todas as probabilidades, soa antigo, sim, mas não datado, então, trata-se, irremediavelmente, de um daqueles casos cientificamente designados como "tiro e queda".
O género em causa define-se por agregação de nomes próprios: Phil Spector, Ronettes, Tamla Motown, matizados por condimentos mais e menos contemporâneos como Beach Boys, Velvets ou Jesus & Mary Chain. E um ou outro sopro de kitsch-Nashville. Três anos após o suave desmaio de Let’s Get Out Of This Country, os gloriosamente melancólicos Camera Obscura continuam, como devem, requintadamente derivativos ou, talvez, se calhar, apenas classicistas. Não é para todos. Mas eles podem.
(2009)

Camera Obscura - My Maudlin Career
Algo existe em mim que, instantaneamente, me conduz a segregar hormonas de imenso afecto por quem, num único álbum, consegue incluir dois tão improváveis farrapos de poesia pop como "Were my pupils dilated? Could you tell that I liked you?" e "You kissed me on the forehead, now his kisses give me concussion". E, se isso – como acontece em My Maudlin Career – vier encadernado num dos raríssimos géneros de revisionismo estético que, contra todas as probabilidades, soa antigo, sim, mas não datado, então, trata-se, irremediavelmente, de um daqueles casos cientificamente designados como "tiro e queda".
O género em causa define-se por agregação de nomes próprios: Phil Spector, Ronettes, Tamla Motown, matizados por condimentos mais e menos contemporâneos como Beach Boys, Velvets ou Jesus & Mary Chain. E um ou outro sopro de kitsch-Nashville. Três anos após o suave desmaio de Let’s Get Out Of This Country, os gloriosamente melancólicos Camera Obscura continuam, como devem, requintadamente derivativos ou, talvez, se calhar, apenas classicistas. Não é para todos. Mas eles podem.
(2009)
19 October 2008
TEATRO RETRO

She & Him - Volume One
Começou muito bem: em 2006, durante a rodagem de The Go-Getter, o realizador Martin Hynes sugeriu a Matt Ward (que se ocupava da banda sonora) a ideia de, para o genérico final, ele e a actriz principal, Zooey Deschanel, gravarem uma versão de “When I Get To The Border”, de Richard & Linda Thompson. O proverbial “marriage made in heaven” musical – com os melhores padrinhos – estava encontrado. Volume One é apenas a sequência natural (e quase inevitável) desse episódio inicial onde a luminária “alt./country/folk” Ward actua como catalisador e eminência parda da beldade “indie” e lhe oferece o cenário ideal para que o seu talento de actriz floresça.
Sim, porque, neste requintado exercício de retro-pop/country, Deschanel vai desempenhando sucessivamente os papéis de Tammy Wynette, Linda Ronstadt, Carole King, das Ronettes ou de Karen Carpenter, num desfile de modelos que cobrem todo o espectro que vai de Phil Spector à Motown e de Tin Pan Alley a Nashville. Acrescente-se que o argumento é também dela: dez das doze canções são suas (uma a meias com o actor Jason Schwartzman) e as duas restantes dos Beatles e de Smokey Robinson.
(2008)

She & Him - Volume One
Começou muito bem: em 2006, durante a rodagem de The Go-Getter, o realizador Martin Hynes sugeriu a Matt Ward (que se ocupava da banda sonora) a ideia de, para o genérico final, ele e a actriz principal, Zooey Deschanel, gravarem uma versão de “When I Get To The Border”, de Richard & Linda Thompson. O proverbial “marriage made in heaven” musical – com os melhores padrinhos – estava encontrado. Volume One é apenas a sequência natural (e quase inevitável) desse episódio inicial onde a luminária “alt./country/folk” Ward actua como catalisador e eminência parda da beldade “indie” e lhe oferece o cenário ideal para que o seu talento de actriz floresça.
Sim, porque, neste requintado exercício de retro-pop/country, Deschanel vai desempenhando sucessivamente os papéis de Tammy Wynette, Linda Ronstadt, Carole King, das Ronettes ou de Karen Carpenter, num desfile de modelos que cobrem todo o espectro que vai de Phil Spector à Motown e de Tin Pan Alley a Nashville. Acrescente-se que o argumento é também dela: dez das doze canções são suas (uma a meias com o actor Jason Schwartzman) e as duas restantes dos Beatles e de Smokey Robinson.
(2008)
Subscribe to:
Posts (Atom)