22 September 2026

 

Dylan/Don't Look Back - trailer with D.A. Pennebaker commentary

(sequência daqui) A importância fundadora de Don’t Look Back não termina aí. Articulando procedimentos do cinéma vérité com o acompanhamento quase quotidiano de uma das maiores figuras da cultura pop, foi o primeiro grande documentário pop/rock, antecedendo outros trabalhos de Pennebaker, como Monterey Pop (1968). O filme reúne ainda uma sucessão de momentos memoráveis: as arrasadoras sessões de humilhação de jornalistas, as sequências dos concertos, o achincalhamento de Donovan, então promovido a “novo Bob Dylan”, e momentos privados, como Joan Baez interpretando "Percy’s Song" e "Love Is Just a Four Letter Word" enquanto Dylan escreve concentradamente à máquina. Na versão comentada do DVD de Don’t Look Back, Pennebaker explica os propósitos que o orientaram: “Não queria um simples concert-film. Cada concerto foi filmado com uma única câmara, sem preocupação em obter material para posterior montagem, e por vezes a película chegava ao fim a meio de uma canção". O realizador queria que o público pudesse “ver para lá da música”. Por isso, acompanhou Dylan nos vários momentos do dia que antecediam os concertos, procurando mostrar também “o responsável por ela”. (segue)
Jorge Palma (1950-2026)
 
+ Edit (18:08) - O Estado das Coisas:
(daqui; clicar na imagem para ampliar)

20 September 2026

Revisões da matéria dada (LX)

 No 3º e último dia das eleições parlamentares na Rússia, reposição do label  

"Pussy Riot" (148 posts)


18 September 2026

OLHAR PARA TRÁS (OUTRA VEZ) 

Durante os dois próximos fins de semana, o Grande Auditório da Fundação Gulbenkian acolherá um ciclo de cinema que, entre o documentário, o musical e o videoclip, ensaia diferentes formas de cruzar música, arte, cultura popular e vanguardas artísticas. Para o abrir, dificilmente haveria melhor exemplo do que Don’t Look Back (que também dá o título ao ciclo), o filme de D. A. Pennebaker sobre a digressão britânica de Bob Dylan, em 1965. Pennebaker, provavelmente sem sequer o suspeitar, faria história logo nos primeiros 2’10”: ao som de "Subterranean Homesick Blues", (ver aqui também) numa rua de edifícios em obras, Dylan exibe e deixa cair, um a um, cartões com palavras e fragmentos manuscritos retirados do texto da canção. Com década e meia de antecedência, a sequência contém já os rudimentos da estética do videoclip, forma autónoma de micronarrativa audiovisual que só se consolidaria em 1981, com a MTV. A canção surgira em 1965 em Bringing It All Back Home, o álbum “escandaloso” no qual Dylan, acompanhado por uma banda eléctrica, abalou a ortodoxia folk. (daqui; segue para aqui)