Rousseau, aliás, o "sentimentalista Rousseau, capaz de chorar por uma ideia progressista, distribuiu os seus numerosos filhos ilegítimos por vários asilos de pobres e hospícios e nunca se preocupou com eles"
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24 May 2026
21 April 2026
23 December 2024
14 June 2024
O CEO da Vaticano S.A. não só não leu o livro do Frédéric Martel como, aparentemente, não se recorda que O Nome da Rosa, de Umberto Eco - sobre o tema que, agora, o leva a ser tão fofinho e divertido -, foi considerado pelo Vaticano como "a narrative calamity that deforms, desecrates and offends the meaning of faith"
Edit (15/06/2024) - O riso
04 August 2023
"With this I come to a conclusion and pronounce my judgment. I condemn Christianity; I bring against the Christian church the most terrible of all the accusations that an accuser has ever had in his mouth. It is, to me, the greatest of all imaginable corruptions; it seeks to work the ultimate corruption, the worst possible corruption. The Christian church has left nothing untouched by its depravity; it has turned every value into worthlessness, and every truth into a lie, and every integrity into baseness of soul. (...) Parasitism as the only practice of the church; with its anæmic and 'holy' ideals, sucking all the blood, all the love, all the hope out of life; the beyond as the will to deny all reality; the cross as the distinguishing mark of the most subterranean conspiracy ever heard of —, against health, beauty, well-being, intellect, kindness of soul — against life itself…
This eternal accusation against Christianity I shall write upon all walls, wherever walls are to be found — I have letters that even the blind will be able to see… I call Christianity the one great curse, the one great intrinsic depravity, the one great instinct of revenge, for which no means are venomous enough, or secret, subterranean and small enough —, I call it the one immortal blemish upon the human race…" (Nietzsche - O Anti-Cristo)
27 April 2022
O ANO DO TIGRE (CLXII)
"Se os gatos pudessem fazer filosofia, se tivessem a capacidade intelectual e o pensamento abstracto que a filosofia requer, provavelmente não estariam interessados. Não precisam dela. Os seres humanos inventaram a filosofia para tentar limitar as próprias ansiedades. Todas as três principais escolas clássicas de filosofia — estoicismo, epicurismo e cepticismo — defenderam explicitamente que o objectivo da filosofia era atingir um estado imperturbável de calma. Nós, humanos, não somos naturalmente felizes, não regressamos ao contentamento, à tranquilidade, como os gatos fazem sempre. Quando não estão a caçar, a acasalar ou a brincar, estão simplesmente a dormir, a comer ou a ver a vida a passar. É essa a sua condição natural. São felizes ao ser o que são, desde que consigam viver a vida para a qual nasceram. Já os seres humanos são invulgares e únicos entre os animais que conhecemos: não são felizes com a própria natureza. (...) Se um gato pudesse ser filósofo, o que faria? Interessar-se-ia pela filosofia? Poderia praticá-la por entretenimento, como brincar com uma bola. Imagino, no fim do livro, dez dicas felinas, não mandamentos. Os gatos nunca escreveriam mandamentos para ninguém. E também não acham que os seres humanos são suficientemente inteligentes para os seguir, certamente. Não espero que os humanos os sigam. (...) O francês Michel de Montaigne, tinha uma gata e escreveu: 'Quando brinco com a minha gata, como sei que não é ela que passa tempo comigo, e não eu que passo tempo com ela?' Montaigne adorava gatos e entendia-os, mas para ele era uma forma de recuperar da má filosofia, uma espécie de antídoto. Se o usasse, então, podia viver de forma natural. Como humanos, não podemos confiar inteiramente na nossa natureza como os gatos fazem, temos de usar alguma arte". (daqui; ver aqui)
17 April 2022
A JOKE A DAY KEEPS THE DOCTOR AWAY (XCII)
"O que devemos a Cristo: Não é só a esperança na Ressurreição, mas algo mais terreno como a liberdade de pensamento na ciência, na filosofia, na economia e na política. Sem Cristianismo dificilmente haveria Liberdade" (ver aqui)
+ Reposição do label "Em sintonia com o espírito da quadra"
18 March 2022
02 January 2021
24 November 2020
"Why don’t cats share humans’ concern with making the world a better place?
Because they are happy. Wanting to improve the world is a displacement of the impulse to improve yourself. But cats are not inwardly divided as humans tend to be, and don’t want to be anything other than what they already are, so the idea of improving the world doesn’t occur to them. If it did, I suspect they would dismiss it as an uninteresting fantasy" (daqui, a propósito de Feline Philosophy: Cats and the Meaning of Life de John Gray)
Because they are happy. Wanting to improve the world is a displacement of the impulse to improve yourself. But cats are not inwardly divided as humans tend to be, and don’t want to be anything other than what they already are, so the idea of improving the world doesn’t occur to them. If it did, I suspect they would dismiss it as an uninteresting fantasy" (daqui, a propósito de Feline Philosophy: Cats and the Meaning of Life de John Gray)
10 May 2020
26 September 2019
27 August 2019
Os mandalas – círculos geométricos simbólicos ou mapas rituais presentes no Hinduismo, no Budismo, no Jainismo e no Xintoismo – têm, no Budismo tibetano, uma forma de expressão particular: os "dul-tson-kyil-khor" ou mandalas de areias coloridas que, após semanas de minuciosa elaboração, uma vez concluídos, são ritualmente destruidos e a areia que os constituía lançada à água de um rio, como modo de concretização da concepção budista sobre a transitoriedade da vida material. Quando, a 29 de Agosto de 1952, John Cage entregou ao pianista David Tudor a responsabilidade de estrear os seus 4’33” de silêncio na Woodstock Artists Association – uma peça em três andamentos nos quais, sem tocar uma única nota, Tudor limitava-se a abrir e fechar o instrumento para assinalar o início e fim de cada um deles –, pretendia, essencialmente, propor três ideias: 1) o silêncio não existe (durante os 4’33” escutou-se o vento nas árvores, gotas de chuva percutindo o telhado, vozes e cochichar do público atónito); 2) música é todo o som, espontâneo ou planeado, que, em cada instante, desejarmos aceitar como tal; 3) qual "dul-tson-kyil-khor" (e sabe-se a influência determinante que as filosofias orientais exerceram sobre Cage), o universo sonoro – urbano, rural, industrial, natural, convencionalmente musical – que nos envolve não deve (nem pode) ser imobilizado nem capturado mas apenas momentaneamente acolhido.
Existirão, assim, sempre disponíveis tantos “concertos” de 4’33” (ou com outra qualquer duração) quantos quisermos, únicos e irrepetíveis. É justamente por aí que STUM433, a caixa de 5 LP com 58 “versões” (e respectivos videos) da peça de John Cage que será publicada na sequência da comemoração dos 40 anos da Mute Records (“mute”= “mudo”, “silencioso”), tropeça e falha clamorosamente o alvo: o que A Certain Ratio, A.C. Marias, Alexander Balanescu, Barry Adamson, Cabaret Voltaire, Depeche Mode, Einstürzende Neubauten, Goldfrapp, Irmin Schmidt, Laibach, Lee Ranaldo, Mark Stewart, Michael Gira, Mick Harvey, New Order, Simon Fisher Turner, Wire, e os restantes 41 artistas da editora de Daniel Miller fazem ao aceitar registar em disco as sonoridades aleatórias, "found", ambientais, mais públicas ou mais privadas, por que optaram é tão só o exacto oposto do que Cage não se cansou de explicar e que, parafraseando Heráclito, poderíamos, agora dizer “Nenhum homem se banha duas vezes na água do mesmo rio sonoro, pois já não é o mesmo rio e ele já não é o mesmo homem”.
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09 April 2019
30 December 2018
"A política do medo e a construção de inimigos públicos são formas típicas da 'governamentalidade' do nosso tempo. Desta formação paranóica, desta fabricação de um espantalho mediático, não há episódio mais ridículo (mas nada inócuo para quem sofreu as suas consequências) do que o chamado 'caso Tarnac'. Recordemo-lo: em Outubro de 2008, uns ferros voluntariamente colocados sobre as catenárias do TGV, numa das redes dos caminhos de ferros franceses, causou perturbações no tráfico ferroviário. Para o procurador do Ministério Público, essa tentativa de sabotagem tinha por trás uma assinatura, consagrada em textos teóricos, assinados por um colectivo que dava pelo nome de 'Comité Invisible', que tinha, aliás, publicado no ano anterior nas Éditions La fabrique, um livro intitulado L’insurrection qui vient. Uns filósofos anónimos, autores de pequenos livros com uma escrita tão requintada como a dos situacionistas, a sabotar o TGV e a provocar potencialmente um desastre de grandes dimensões – eis uma hipótese que o Ministério Público francês levou a sério, determinando a prisão de um dos membros do 'Comité Invisible', Julien Coupat, apresentado como 'chefe' e, por isso, chamado a responder pela 'direcção de uma estrutura de vocação terrorista', isto é, uma 'célula invisível' voltada para a 'luta armada'. Julien Coupat esteve preso durante seis meses. Nunca antes a filosofia política tinha sido levada tão a sério" (AG)
09 October 2018
Radicais livres (LXXI)
"Ne perdons point le temps en regrets frivoles ; et tandis que la main du printemps nous caresse encore, ne songeons point qu'elle va se retirer ; jouissons du peu de moments qui nous restent ; buvons, chantons, aimons qui nous aime ; que les jeux et les ris suivent nos pas ; que toutes les voluptés viennent, tour à tour, tantôt amuser, tantôt enchanter nos âmes ; et quelque courte que soit la vie, nous aurons vécu"
"Le voluptueux aime la vie, parce qu'il a le corps sain, l'esprit libre et sans préjugés. Amant de la Nature, il en adore les beautés, parce qu'il en connaît le prix ; inaccessible au dégoût, il ne comprend pas comment ce poison mortel vient infecter nos cœurs. Au-dessus de la Fortune et de ses caprices, il a sa fortune à lui-même ; au-dessus de l'ambition, il n'a que celle d'être heureux ; au-dessus des tonnerres, Philosophe épicurien, il ne craint pas plus la foudre que la mort"
"Tout est plaisir pour un cœur voluptueux ; tout est roses, œillets, violettes dans le champ de la Nature. Sensible à tout, chaque beauté l'extasie ; chaque être inanimé lui parle, le réveille ; chaque être animé le remue ; chaque partie de la Création le remplit de volupté"(Julien Offray de La Mettrie - L’Art de jouir)
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