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04 September 2022

"Becoming All Alone"
 
(sequência daqui) O modo como tudo isto, observado sob vários ângulos, acaba por estar presente em Home, Before and After (oitavo álbum de estúdio de Regina e o sucessor de Remember Us To Life, de 2016), concluído antes do início do morticínio ucraniano, é apenas mais um sinal de como, olhando para os detalhes do mundo, Regina Spektor tanto os amplia desmedidamente como os transpõe para a dimensão de quase aforismos virtualmente independentes de tempo e lugar: “The world began outside of time , some days it’s yours, some days it’s mine, some days it’s cruel, some days it’s kind, it just can’t stay the same”, é o pequeno engenho verbal que, à beira do final, desvenda o sentido de "Spacetime Fairytale" – o épico quase wagneriano de 9 minutos que Stephen Sondheim poderia ter sonhado num grandioso devaneio psicadélico interrompido por um "intermezzo" de "tap-dance"; "Becoming All Alone", retoma a peculiar teologia spektoriana iniciada em "Laughing With" (“God could be funny, when told he'll give you money if you just pray the right way, and when presented like a genie who does magic like Houdini”) no relato de como, ao cruzar da esquina, Deus, em paleio de engate, se lhe dirige (“Hey, let's grab a beer, it's awful late, we both right here") mas se esquiva a responder a “Why doesn't it get better with time?”; e, a encerrar, sobrevoando as cordas oceânicas da Skopje Studio Orchestra, um micro-drama indidual transforma-se no ponto de partida para que, em "Through a Door", um terrível e precário ponto de equilíbrio possa ser alcançado: “By tomorrow may it pass, like a shadow or a storm, without darkness, is there light? Without night, is there a morning?” Uma declaração de intenções? Ver, por exemplo, na “Vulture”: “Não crio arte universal. Não faço declarações universais. Não sou uma líder de opinião. Quem se compromete totalmente com um grupo acaba por perder a individualidade”.

26 June 2019

RATSO


Larry “Ratso” Sloman é aquilo que, tecnicamente, se designa por “um pintas”. Não carregando demasiado no jargão científico, pode mesmo considerar-se “um melga”. Pelo que é possível apurar-se do "mockumentary" de Martin Scorsese sobre a Rolling Thunder Revue, de Bob Dylan, se alguma unanimidade existia entre todos os participantes da aventura, era acerca de Sloman: o fulano era insuportável! Então jornalista da “Rolling Stone” enviado para cobrir a digressão, segundo a lenda, terá sido Joan Baez quem, devido às óbvias semelhanças com a personagem de Ratso Rizzo – o vigarista encardido de Midnight Cowboy, interpretado por Dustin Hoffman – lhe terá atribuído a alcunha de “Ratso” que nunca mais largaria. A meio do percurso, a “Rolling Stone” mandou-o passear mas Ratso, já mestre na técnica de lapa-cola-e-não-despega, manteve-se a bordo e daí resultaria o livro On The Road With Bob Dylan, que o próprio Zimmerman classificaria como “the War and Peace of rock and roll”. Seguir-se-iam o auto-explicativo Reefer Madness: A History Of Marijuana (com prefácio de William Burroughs), três volumes a meias com o figurão Howard Stern, várias biografias e The Secret Life of Houdini, no qual defende que o famoso" escape artist" era espião inglês e foi assassinado por uma conspiração de espiritistas. 



À sua peculiar maneira, Ratso será um fala barato mas é também um sedutor. Só assim se explicam as amizades e ligações que foi estabelecendo e que, embora com um prolongadíssimo período de gestação, lhe permitiram, à beira dos 70 anos, gravar o seu... álbum de estreia, Stubborn Heart, com um leque de participações (directa ou indirectamente) absolutamente invejável. A começar por John Cale, aqui representado pelas duas canções – "Caribbean Sunset" e "Dying On The Vine" – que co-escreveu com Ratso (sim, é verdade, e com uma mãozinha de Tom Waits e Chuck E. Weiss, presentes no quarto de hotel de Sunset Boulevard onde o parto poético se deu), mas igualmente Nick Cave (num dueto em "Our Lady Of Light") que arrastou Warren Ellis, Dylan (via os 12 minutos inteirinhos de "Sad-Eyed Lady of the Lowlands") e Sharon Robinson, voz e esteio musical de Leonard Cohen, outro íntimo de Ratso. E é por aí que tudo corre muito mal: optando por aquele género de arranjos – teclados, coros femininos, e batida metronómica – que só ficavam bem a Cohen (mesmo quando lhe ficavam mal) e por um inacreditável registo vocal Dylan-imitando-Cohen-a-imitar-Dylan, não há como dar-lhe a benção. Já tinha idade para ter juízo.

27 January 2012

HÁ GENTE A QUEM É PRECISO EXPLICAR TUDO... O GOVERNO MUDOU, PÁ!

Advogados estranham desaparecimento de nomes de lista da PJ: "Os advogados, de arguidos do processo Face Oculta, estranham que alguns nomes de personalidades que terão recebido prendas de Manuel Godinho tenham desaparecido da lista feita pela PJ. Na versão da Policia Judiciária (PJ), feita a partir de um documento do sucateiro Manuel Godinho, não constam como no original nomes como o do ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes, e do ex-secretário de Estado do Desporto Hermínio Loureiro".






















Harry Houdini: The Milk Can Escape

(2012)

27 March 2011

O MEGAFONE DO LICENCIADO AO DOMINGO
TEM UM RASQUÍMETRO MUITO SELECTIVO



Radiohead - "How To Disappear Completely"

rasquices que o incomodam. Mas se, na caixa de comentários, são oferecidos exemplos simétricos, o rasquímetro chuta para "delete". Os dois meses-Houdini já começaram.

(2011)

24 March 2011

ESCAPOLOGIA (OU A ANTEVISÃO
DA PRÓXIMA CAMPANHA ELEITORAL)



Harry Houdini (24.03.1874 - 31.10.1926)

(2011)