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10 June 2024

 
(sequência daqui) O outro dado cronológico que importa, agora, referir é que a 28 de Outubro, se cumprirão 22 anos sobre a publicação de Out Of Season, primeiro álbum pós-Portishead de Beth Gibbons, a meias com Paul Webb (aka Rustin Man), ex-Talk Talk. Deliberadamente "beats free", se, para Gibbons, nesse momento, o essencial era "a filosofia da música, as surpresas, os acidentes, a sonoridade das palavras e a tentativa de as exprimir de uma forma pela qual a totalidade das emoções seja revelada", para Webb, "os arranjos e o espírito geral destas canções poderiam perfeitamente pertencer aos anos 40". Objectivos integralmente atingidos e ultrapassados que, mais de duas décadas percorridas, em Lives Outgrown, reemergem sob nova configuração e com outros co-protagonistas. A saber, outro ex-Talk Talk, Lee Harris, e o produtor James Ford que, ao longo de 10 anos acompanharam Beth Gibbons na concepção e concretização do álbum. Pelo caminho, foram acontecendo colaborações com Jane Birkin, Annie Lennox, .O.rang, Rodrigo Leão, Gonga, Gonjasufi, Kendrick Lamar, e diversas bandas sonoras para cinema, além da participação na interpretação da Sinfonia nº3 de Henryk Górecki, dirigida por Krzysztof Penderecki. (segue para aqui)

13 January 2008

THE BROTHERHOOD OF THE UNKNOWN * (IV)

(* segundo David Thomas: "The first Pere Ubu record was meant to be something that would gain us entry into the Brotherhood of the Unknown that was gathering in used record bins everywhere")



Lullaby Baxter Trio - Capable Egg

Pode não se gostar de um disco que contém uma canção com o supremo refrão zen "ding a ling morning, ding a ling night, just stay stupid, that's all right"? É difícil, muito difícil, mas pode-se. Mas ainda não é o caso de Capable Egg, possivelmente o mais apetecível cocktail de Primavera inventado por uma ex-call-girl e pelos veteranos de guerra de Tom Waits agrupados sob o nome de Oranj Symphonette que, reunidos, respondem, agora, pelo nome de Lullaby Baxter Trio. Antes de ter sido influenciada por Billy Wilder para o novo baptismo, a menina ítalo-canadiana "com um passado" dava pelo nome de Angelina Teresa Iapaolo e começou por travar conhecimento com Marc Ribot, o guitarrista de toda a Nova Iorque "downtown", que a convenceu a desaprender o muito pouco que sabia acerca de tocar guitarra.

"Hopscotch" (de Capable Egg, na íntegra aqui)
 
Foi por sua indirecta via que Angelina/Lullaby chegou aos notórios Ralph Carney, Joe Gore, Matt Brubeck, Pat Campbell, Rob Burger e Steve Kirby e que acabou por gravar esta estupenda colecção de magníficas canções preguiçosas com letras escritas pelo excelentíssimo "beau" de serviço, Lutwidge Sedgwick, e música composta entre "vaudevilles" decadentes, golpes de acordeão, chamberlins analógicos, valsas evaporadas, Farfisas e Hammonds jurássicos, bandolins, orgãos de fole e outras peças do museu sonoro mundial. Alimentada a Shirley Horn ou Ella Fitzgerald, fascinada por Annie Lennox e umas quantas outras vozes, Angelina/Lullaby inventou uma personagem de "chanteuse" jazz, folk, swing, "trad", heterodoxa. E que a autoriza a cantar coisas como "infinity's pretty measly after all, like a donkey doing cartwheels down the hall, so hand out straightjackets on sinking ships, just quit calling me Miss Apocalypse". Nunca nos passou pela cabeça chamar-lhe isso mas, francamente, queremos mais. (2000)