(David Marçal)
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27 December 2020
26 February 2020
03 February 2020
Bach - "Gavotte em Rondo" (Arthur Grumiaux)
"The spacecraft will be encountered and the record played only if there are advanced space-faring civilizations in interstellar space, but the launching of this 'bottle' into the cosmic 'ocean' says something very hopeful about life on this planet" (Carl Sagan)
21 January 2020
Georgian State Merited Ensemble of Folk Song and Dance - "Chakrulo"
"The spacecraft will be encountered and the record played only if there are advanced space-faring civilizations in interstellar space, but the launching of this 'bottle' into the cosmic 'ocean' says something very hopeful about life on this planet" (Carl Sagan)
17 January 2020
Valya Balkanska - "Izlel ye Delyo Haydutin"
"The spacecraft will be encountered and the record played only if there are advanced space-faring civilizations in interstellar space, but the launching of this 'bottle' into the cosmic 'ocean' says something very hopeful about life on this planet" (Carl Sagan)
15 January 2020
Anthony Holborne - "The Fairie Round/Galliard No. 3" (Early Music Consort of London dir. David Munrow)
"The spacecraft will be encountered and the record played only if there are advanced space-faring civilizations in interstellar space, but the launching of this 'bottle' into the cosmic 'ocean' says something very hopeful about life on this planet" (Carl Sagan)
04 September 2018
"I've been a science educator all my adult life, and most of the essays collected here stem from the years when I was the inaugural Charles Simonyi Professor of the Public Understanding of Science. When promoting science, I've long been an advocate of what I call the Carl Sagan school of thought: the visionary, poetic side of science, science to stir the imagination as opposed to the 'non-stick frying pan' school of thought. By the latter I mean the tendency to justify the expense of, for example, space exploration by reference to spin-offs such as the non-stick frying pan - a tendency I have compared to an attempt to justify music as good exercise for the violinist's right arm" (Richard Dawkins - Science in the Soul)
07 February 2017
Jerry Falwell, Jr., Liberty University president, to lead Trump’s higher education task force
(foto daqui)
26 January 2017
"I have a foreboding of an America in my children’s or grandchildren’s time — when the United States is a service and information economy; when nearly all the manufacturing industries have slipped away to other countries; when awesome technological powers are in the hands of a very few, and no one representing the public interest can even grasp the issues; when the people have lost the ability to set their own agendas or knowledgeably question those in authority; when, clutching our crystals and nervously consulting our horoscopes, our critical faculties in decline, unable to distinguish between what feels good and what’s true, we slide, almost without noticing, back into superstition and darkness..." (Carl Sagan)
12 April 2016
Carl Sagan - The Fine Art of Baloney Detection (a detecção da treta como umas das belas artes)
(daqui)
22 May 2012
INVENTAR O MUNDO
Já, por diversas vezes, Laurie Anderson, involuntariamente, desempenhou o papel de profetisa dos tempos modernos. Aconteceu, primeiro, em 1981, quando, em "O Superman (For Massenet)", vinte anos antes, “viu” e “ouviu” imagens e vozes que lhe diziam “Well, you don't know me, but I know you, and I've got a message to give to you: here come the planes, they're American planes, made in America (…) And the voice said: neither snow nor rain nor gloom of night shall stay these couriers from the swift completion of their appointed rounds”. Eram, afinal, apenas palavras e frases de uma opera (Le Cid), de Jules Massenet, e das Histórias, de Heródoto, mas, numa manhã de Setembro de 2001 – seria essa a autêntica Odisseia no Espaço? – todos voltámos a vê-las e escutá-las, em directo, sob os céus de Nova Iorque. Em 1995, em "The Cultural Ambassador" (de The Ugly One With The Jewels), citando Don De Lillo, afirmara também que "os terroristas são os derradeiros artistas que restam pois são os únicos capazes de verdadeiramente nos surpreender", antecipando, aliás, o modo como, a quente, Karlheinz Stockhausen qualificaria o 11 de Setembro: “a maior obra de arte de todos os tempos, o sonho de qualquer músico: trabalhar durante dez anos para a realização de uma obra e morrer durante a consumação dela". Agora, a propósito de Dirtday! – último painel do tríptico que iniciou com Happiness e continuou em The End Of The Moon –, confessa que o que a motiva é não desejar que, daqui a cinquenta anos, possa existir quem olhe para trás e pense “Ainda me recordo de quando não havia um polícia em cada esquina...”
Essencialmente assente no último álbum (Homeland, 2010) mas não exclusivamente delimitado por ele, Dirtday! é um “grande filme mental, uma enorme sala onde as pessoas poderão imprimir as suas próprias marcas”, alimentado “por uma espécie de raiva e pela minha incapacidade para aceitar que não esteja toda a gente na rua a protestar contra o que lhe está a acontecer”. E, citando Carl Sagan que defendia que “toda a realidade é uma construção”, Laurie Anderson dá um passo em frente e dispõe-se a modificá-la. Porque se, no fundo, “muitas coisas que poderiam acontecer não acontecem”, isso se deve ao facto de não recorrermos às armas que temos mesmo à mão: “Os políticos são, fundamentalmente, contadores de histórias. Descrevem o mundo tal como ele é e também como pensam que deveria ser. Na qualidade de colega contadora de histórias, parece-me, realmente, uma excelente altura para reflectir sobre como as palavras podem, literalmente, criar o mundo. Precisamos de histórias para compreender o passado e avançar para o futuro; se não fosse assim, viveríamos apenas num mundo de sensações. As histórias oferecem-nos um sentido de possibilidade: se não gostamos de uma, podemos inventar outra”.
Numa conversa com Marina Abramović, em 2003, Anderson contava que uma das suas citações preferidas devia-a a Lenine que dissera que “a ética é a estética do futuro”. E interpretava-a como significando que, algum dia, “conseguiremos ser tão bons uns para os outros e comunicar de uma forma tão clara que poderemos dispensar todas aquelas coisas que, hoje, colocamos na categoria de ‘beleza’”. Já houve utopias bem mais mortíferas do que esta. Mas não nos colocaremos, seguramente, em perigo se comparecermos à chamada de Laurie Anderson que, em diálogo com Fenway Bergamot – a sua mais recente “audio drag alter-ego persona” –, nos conduzirá através do seu particularíssimo labirinto sterneano de “shaggy dog stories” onde todos os mundos são possíveis. (dia 22: Centro Cultural Vila Flor, Guimarães; dia 23: Teatro Gil Vicente, Coimbra; dia 24: Teatro Aveirense, Aveiro; dia 25: Teatro Cine, Torres Vedras; dia 26: Teatro Virgínia, Torres Novas)
15 June 2011
POSSIVELMENTE, O PIOR FILME DO ANO *
“Life’s a bitch and then you die”. A equação é dura e simples (estoicamente, a solução – citando, de novo, os clássicos – poderá ser “I beg your pardon, I never promised you a rose garden”) mas, quando se lhe introduz a variável-deus-judaico-cristão, tudo se complica: afinal, o Grande Amigo Imaginário está-se olimpicamente (alerta pagão) nas tintas para as Suas criaturas, tanto faz miminhos aos Maus como estropia os Bons e nunca poderemos adivinhar para que lado acordou virado. Isto é o melhor de A Árvore da Vida, de Terrence Malick. O resto são imponderabilidades filosóficas – e respectivos equivalentes visuais – “à la sauce” de Paulo Coelho (ainda que “ao contrário”), “light shows” psicadélicos tal como a turba hippie os viu nos primeiros concertos dos Pink Floyd (mais ano, menos ano, em 1968, Stanley Kubrick realizava 2001 – A Space Odyssey, a cujo terço final Mallick foi buscar o adicional “deslumbramento cósmico-coiso-telúrico”), matrimónios incestuosos entre documentários-sobre-a-origem-da-vida/Cousteau/BBC/National Geographic/Carl Sagan/”o caldo primordial” e Jurassic Park, com "kitsch" beato a tiracolo, a jiga-joga macrocosmos-microcosmos em fundo de América-Texas-anos-50 + "soul searching" freudiano, a memória-e-a-autobiografia e, para tornar tudo infinitamente desesperante, curtas sequências de puríssimo cinema (imagens e sentidos em movimento) no mais sublime estado de graça.
Joanna Going
O lado “gesamtkunstwerk” esquizofrénico replica-se, irritantemente, na banda sonora: Alexandre Desplat coelhiza a partitura, Bach, Couperin, Mozart, Mahler, Smetana, Gorecki, Brahms tentam o impossível e falham gloriosamente. Não fugindo ao contexto, conhecer biblicamente a ilustre (quase) desconhecida, Joanna Going – fugazes mas motivadores segundos no ecrã – poderia operar milagres na árvore da vida.
* e não se diz isto com alegria sobre Terrence Malick
(2011)
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