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30 March 2026

Beth Gibbons - "Sunday Morning"

(sequência daqui) Muito mais pragmaticamente, a "War Child" é uma instituição de solidariedade que trabalha para "proteger, educar e defender os direitos das crianças que vivem em zonas de conflito". Para esse fim, nas últimas três décadas, lançou álbuns de compilações, o mais notável dos quais foi The Help Album (1995), produzido por Brian Eno. Agora, sob a orientação de James Ford, HELP(2) reune mais de três dezenas de músicos e bandas dos quais apetece particularmente referir um valiosíssimo terço: Anna Calvi, Arooj Aftab e Beck (juntos), Beth Gibbons (numa versão de "Sunday Morning", dos Velvet Underground), Big Thief, Damon Albarn (com Grian Chatten, dos Fontaines D.C. e Kae Tempest), Depeche Mode ("Universal Soldier", de Buffy Sainte Marie), Foals, Fontaines D.C (interpretando Sinéad O'Connor), Graham Coxon, Pulp, Wet Leg e Young Fathers.

03 November 2021

(sequência daqui) Em estúdio e acompanhado pelo violinista Ultan O’Brien, mas, sobretudo, pelo baterista/compositor Ross Chaney e pelo produtor Brendan Jenkinson, compreende-se melhor por que motivo, quando chamado a confessar as suas referências, numa longuíssima lista, inclui John Martyn, Portishead, Gavin Bryars, Sufjan Stevens, Ewan MacColl, Shirley e Dolly Collins, David Byrne, Steve Reich, Bill Frisell ou Big Thief. Basta escutar "Shallow Brown" – dilacerante "sea-shanty" de navios negreiros que já assombrou June Tabor – a ser devorada por um vórtice electrónico, "My Son Tim" gradualmente estilhaçada em dissonâncias e estridências, "Lovely Joan" em dissolução num labiríntico arranjo de cordas e sopros, o emaranhado novelo de melodias para dois "tin whistles" de "Tralee Gaol" ou o tríptico "Bring Me Home" em irreversível caminhada para uma fantasmagórica abstracção. “Beautiful and strange”, sem dúvida. E absolutamente preciosa.

25 August 2021

ELA TAMBÉM NÃO SABE

Dolphine, publicado em 2019, foi o último grande álbum da era pré-pandémica. Inspirado num mito segundo o qual, durante o processo evolutivo, algumas criaturas marinhas optaram por não trocar os oceanos pela terra e permaneceram protegidas no mar, sob a forma de golfinhos, era uma imensa e assombrosa metáfora de Erin Birgy/Mega Bog acerca do deslumbre e dos riscos da vida no planeta, alimentada pela ficção de Ursula K. Le Guin e (ainda que absolutamente singular), inviamente, pela música de Robert Wyatt ou Laurie Anderson. Agora, Life, and Another, dá o tiro de partida para a inquietante nova era: concebido durante um isolamento de vários meses – partilhado com James Krivchenia (companheiro, produtor, engenheiro de som e baterista dos Big Thief) –, numa cabana no Novo México, junto ao Rio Grande, é como se os tórridos dias do deserto tivessem feito convergir a coabitação com a natureza agreste, o mergulho nos alçapões da memória e as inquietações dos tempos numa única substância. (daqui; segue para aqui)