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02 January 2015

MÚSICA 2014 - INTERNACIONAL (IV)

(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 25)






























* a ordem é razoavelmente arbitrária...

Em ainda outro ano de maioria feminina – e não chocaria se Natalie Merchant ou a regressada Suzanne Vega tivessem integrado a lista de dez... mas o mesmo poderia dizer-se de Bonnie ‘Prince’ Billy ou Micah P Hinson, para ficarmos apenas por estes e não aproveitarmos o pretexto alinhando, à socapa, uma lista alternativa –, verdadeiramente difícil é, entre FKA twigs e St. Vincent, decidir qual das duas mais contrariou a rotina quase hegemónica do copy + paste e se empenhou em enxergar os contornos de uma música (e das imagens que alimentam e se alimentam dessa música) indiscutivelmente contemporânea. And beyond... Se isso, realmente, importa, diga-se, então, que o ínfimo piparote que terá empurrado LP1 para cima decorre, justamente, da videografia de twigs: há muito tempo que não ficávamos tão arrepiantemente mudos perante uma articulação de imagens e sons que nos coloca perante o que ainda não tem nome.

13 July 2014

Sabina & Didi - "La Guerra di Piero" (Fabrizio de Andre) / "Ships in the Night" (Brazilian Girls)

11 May 2014

So you speak six languages. Does that come from moving around a lot?

Sabina Sciubba ("a one-woman walking Google Translate and the nemesis of Esperanto"): I grew up bilingual with German and Italian, my mother is German and I was born in Rome and then as I said... lovers are very useful. You want to learn a language, it's the best school. I lived in most of the countries where the languages I speak are spoken, except Portuguese - I spent a little time in Portugal and I had a Portuguese lover - and Spanish, because I had an Argentinian boyfriend for a long time. (daqui, sugerido aqui)

05 April 2014

Sabina - "Viva L'Amour"

"'We filmed Sabina in her flat in Paris and then used the footage to create the backbone of the video', says British artist Oliver Clegg of his collaboration with Sabina Sciubba on 'Viva L’Amour'. Marking the release of the lead singer of avant-garde electro-punk outfit Brazilian Girls’ debut solo album, Toujours, this is his first foray into moving-image, made with the New York design studio, Eyeball" (aqui)

26 March 2014

Sabina Sciubba/Brazilian Girls

ISTO NÃO É A TORRE DE BABEL 


René Magritte poderá ter-se transformado num dos mais reconhecíveis ícones da cultura pop – directa ou obliquamente citadas, várias obras suas figuram em diversas capas de álbuns e, na "remake" de The Thomas Crown Affair, de 1999, o homem do chapéu de coco de Le Fils de l'Homme, infinitamente multiplicado, ao som do "Sinnerman", de Nina Simone, contribui decisivamente para o clímax do filme – mas a sua única verdadeira contribuição para a música popular foi ter inspirado a óptima "René And Georgette Magritte With Their Dog After The War”, de Paul Simon. Não será, por isso, abusar muito dele se nos socorrermos da sua Trahison des Images (o célebre quadro com a imagem de um cachimbo sob a qual se lê “ceci n’est pas une pipe”/isto não é um cachimbo) para falarmos das Brazilian Girls. Tal como aquilo não é, de facto, um cachimbo mas apenas a representação de um cachimbo, no grupo de Sabina Sciubba surgido há dez anos em Nova Iorque, ela era a única "girl", nenhum dos elementos era brasileiro e, se na exuberante música da banda havia partículas tropicais, eram apenas um entre mil condimentos sonoros.



Pode afirmar-se, agora, algo também aparentemente paradoxal sobre a primeira gravação a solo, “Toujours”, de Sabina: não se parece com nada que conheçamos mas, logo na primeira faixa, "Cinema", dir-se-ia que escutávamos Nico, numa versão parisiense dos Velvet Underground, reinventando "Sunday Morning" como pretexto para um comentário ao declínio do cinema (“now you are an old whore who has lost all her charms (...) who are you today, propaganda or art?"). Parisiense, aliás, é para despistar: Sabina é ítalo-alemã com trajectória entre Roma, Munique, Nice e Nova Iorque, e o álbum, literalmente "found in translation", é intensamente poliglota, tanto nos textos (francês, inglês, alemão, italiano) como nos idiomas musicais (chapadões punk, mariachi solar, borrões de jazz, "chanson" abadalhocada de cabaret, stereolabismos avulsos, à vez ou tudo ao mesmo tempo), mas erigindo uma torre de Babel prodigiosamente compreensível e acolhedora. Uma esclarecedora síntese instantânea pode descobrir-se no videoclip de "Toujours": variação rudimentarmente animada em torno do mito de Lady Godiva – com jumento no lugar do cavalo –, Sabina, de ukulele a tiracolo, viaja pelo mundo, os supermercados, o sistema circulatório e a história da arte. Como uma paródia audiovisual sobre o “Lost Jokey” de Magritte.