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22 December 2016

"In a most Burroughs-ian gesture, this year a 'single-serving' website calling itself 23Skidoo came into being, with the promise of supplying readers with '23 random paragraphs from Naked Lunch' every time the refresh button is activated. The reader is invited to take in the newly forged juxtapositions while the inimitably phlegmatic voice of Burroughs reads from the work" (daqui)


(ver também aqui)

23 April 2014

BURROUGHS 


Steely Dan. Nova Mob. Thin White Rope. “Interzone”. The Soft Machine. Matching Mole. Heavy Metal. 23 Skidoo. The Soft Boys. Bandas, géneros, canções, nomeados a partir de textos de William Burroughs. Tzara e os dadaístas já tinham criado poemas a partir de palavras retiradas, ao acaso, de um chapéu. Os surrealistas celebraram os “encontros fortuitos” e os “cadavres exquis” e Jean Cocteau encomendava, a George Auric, música para sequências específicas dos seus filmes e, depois, distribuía-a, aleatoriamente, jogando com aquilo a que chamava “sincronia acidental”. Mas foi no nº 9 da Rue Gît-le-Coeur, em Paris, o decrépito “Beat Hotel” onde, entre 1957 e 1963, pararam também Gregory Corso e Allen Ginsberg, que Brion Gysin e Burroughs, por descuido – ao cortar folhas de papel de desenho, Gysin fatiou também algumas páginas de jornal cujos recortes recompôs ignorando os originais –, tropeçaram no "cut-up" (e, a seguir, no "fold-in", no "inching", no "drop-in"), menos técnicas literárias do que telescópios mentais ("When you cut into the present the future leaks out") e estratégia de guerrilha contracultural, dedicada, "à la" Rimbaud, tanto a desregular os sentidos como a sabotar as “máquinas de controlo” (“Smash the control images. Smash the control machine”). 


A cultura pop, ávida de infracção e experimentalismo, acolheu de braços abertos o "upper class junkie", de fato completo, gravata e chapéu, homossexual, literato, homicida por acidente, autor de Naked Lunch e The Nova Trilogy, proto-inventor do "sampling": Debbie Harry, Patti Smith, Joe Strummer, Lou Reed, foram ao beija mão, em Nova Iorque, nos anos da "no wave"; Tom Waits co-escreveu com ele a ópera The Black Rider; Hal Willner, em Dead City Radio, convocou John Cale, Sonic Youth, Donald Fagen e outros para lhe encenarem os textos; R.E.M, Cobain, Laurie Anderson, Disposable Heroes of Hiphoprisy gravaram com ele; Bowie, em "Sweet Thing", de Diamond Dogs, recorreu ao "cut-up" e, Paul McCartney fez questão que Burroughs figurasse na capa de Sgt. Pepper, inclinando a cabeça sobre Marylin. Morto em 1997, completaria, em 2014, 100 anos. Em Burroughs100, está o calendário completo das comemorações internacionais. Em 2012, foi a vez do centenário de John Cage. Celebramos, como é justo, os génios do século XX. Mas convinha irmos também começando a detectar os do século XXI.

17 April 2014