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02 February 2021

Cabane - "Take Me Home Pt.2" 
(feat. Bonnie "Prince" Billy & Bostgehio)
(ver também aqui)
 
(sequência daqui) Em 35 minutos e 10 aguarelas pontilhistas, todos desmontam a armadilha preferida da perfeição que consiste em fazer-nos crer na sua impossibilidade de existir – ela está aqui, pronta a ser descoberta a cada capítulo desta sucessão de haikus envoltos em névoa que pairam sobre uma cabana-grande-como-uma-casa, “um lugar temporário onde nos abrigamos das intempéries”, concebido “como um espelho, como imagens que se reflectem, se opõem e se respondem”, nas vozes sobrenaturalmente complementares de Will Oldham e Kate Stables. Construída laboriosamente ao longo de 5 anos (“Tinha ficheiros verdes, vermelhos e amarelos no meu computador e, à medida que os trabalhava, esperava que alguns se elevassem à cor superior. Por vezes, voltava ao dossier vermelho na esperança de poder salvar algum e temia que algum verde tivesse sido despromovido a vermelho”, conta Thomas a respeito do seu semáforo criativo), é uma delicada peça de folk de câmara para interiores – desdobrada em componentes de video e fotografia – de um frágil impressionismo luminoso e detalhado que, para se nos colar à pele, não precisa que se diga quanto, aqui e ali, faz pensar em Paul Simon ou no olhar de Robert Kirby sobre Nick Drake.

22 December 2020

GEOMETRIA VARIÁVEL


“Will Oldham (Bonnie ‘Prince’ Billy), é o fantasma, a escuridão, a morte, a perda, as memórias. Kate Stables (This Is The Kit) é a luz, a benignidade, o calor. A soma dos dois é Cabane”, sintetiza o belga Thomas Jean Henri, quando fala acerca do seu álbum Grande Est La Maison. Mas, nesse esforço de síntese, deixa de fora vários outros elementos essenciais dessa “experiência colectiva de geometria variável” tão simples de imaginar que custa a acreditar nunca ninguém ter pensado nela antes: os arranjos de Sean O’Hagan (o futurista de antiquário que já distribuiu cores pelas paletas dos Microdisney, Stereolab e High Llamas) para quarteto de cordas, vibrafone, piano eléctrico Wurlitzer, a episódica "drum machine" de Andy Ramsay (Stereolab), as cinco vozes das Bostgehio e a colaboração nos textos de Caroline Gabard e Sam Genders. (...). (daqui; segue para aqui)

"Sangokaku" feat. Bonnie Prince Billy & Kate Stables (ver aqui)