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30 May 2024

 
(sequência daqui) À "Mojo", explicar-se-ia ainda com mais detalhe: "Senti a necessidade de ir mais longe na descoberta do meu vocabulário sonoro. Gosto de pensar neste álbum como pop-depois-da-peste. Tem muito de inferno e de paraíso. Como se fosse escrito do ponto de vista de uma profunda ferida narcísica, com a sensação de se ser um barril de pólvora: se alguém nos olhar do modo errado, podemos facilmente explodir. É o meu disco mais intenso. É urgente e psicótico. Não tem nada de bonitinho". Puríssima verdade. "Reckless" (“Stranger come in my path, I’ll eat you up, tear you limb from limb, or I’ll fall in love”) abre como uma marcha fúnebre antes de estoirar em jorros de lava electrica; "Flea" (“Once I’m in you can’t get rid of me") é PJ Harvey esquartejada; "Violent Times" ("I fell down the well, waking up in hell") imobiliza um proto-tema bondiano de John Barry sobre o abismo; "The Power's Out" ("Ladies and gentleman, it seems we’ve got a problem, the man on my screen said, just as somebody shot him") é um suave pesadelo urbano que paira como um fantasma. Mas é, provavelmente, no reggae byrniano de "So Many Planets" que, logo nas duas primeiras linhas, tudo se deixa decifrar: “Misfiring chemicals and scary ideas, this revolution isn't fun, ma”.

15 September 2023

Maravilhoso e destemido exemplo de conspiracionismo psicótico sci-fi no qual se denuncia como a Hollywood satânica e pedófila domina o mundo e James Bond era um agente da CIA

11 September 2013

CIDADE DE ECOS E SOMBRAS
 


É o mais recente mantra turístico-autárquico alfacinha: “Queremos Woody Allen a filmar em Lisboa!” Primeiro, em Março último, foi o Secretário de Estado do Turismo a formular o desejo, pondo, porém, como condição que fosse “um filme com manifesto potencial de captação de turistas e que projecte realmente o destino”, constrangimentos com os quais Allen já confessou não se dar especialmente bem. No final da semana passada, foi o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, a bradar ao “Sol” “Quero Woody Allen a fazer um filme de Lisboa”, adiantando que “tem havido contactos”. Antes de mais, para evitar equívocos preposicionais que só costumam provocar sarilhos, conviria esclarecer bem se o que está em causa é um filme “de” Lisboa, um filme “em” Lisboa, ou um filme “sobre” Lisboa. E, a seguir, será útil saber que, cinefilamente erudito como é, Woody não se ensaiaria nada para repescar a matriz da Lisboa-do-cinema, tal como Hollywood (e não só) quase sempre a viu. 



Porque, é verdade, Lisboa já foi abundantemente filmada, facto que pode ser facilmente confirmado por uma visita à Carbono (loja de CD, vinil, DVD, livros e memorabilia em segunda mão, na Rua do Telhal, em Lisboa) onde se exibe uma bela recolha de peças de colecção – cartazes de cinema, revistas, livros e filmes, cobrindo cerca de 50 títulos –,“Espiões Em Lisboa”. E que permitirá também verificar como, para o bem e para o mal, essa Lisboa, inicialmente, em Casablanca, apenas um lugar abstracto no mapa e porta desejada de acesso à liberdade, rapidamente se converteu (consequência da posição de neutralidade de Portugal na Segunda Guerra Mundial) em cenário eleito de febril conspiração diplomática, espionagem, contrabando e negócios obscuros em geral. 


Alguns livros recentes – Lisboa/A Guerra Nas Sombras da Cidade Da Luz: 1939/1945, de Neill Lochery, Passagem Para Lisboa, de Ronald Weber, Lisboa Uma Cidade em Tempo de Guerra, de Margarida de Magalhães Ramalho - e outros mais antigos - Arrival And Departure, de Arthur Koestler -, documentam ou ficcionam bem esses tempos mas, mais do que tudo, as imagens que permaneceram foram as das inúmeras derivações, sequelas, clones, filhos, netos e bisnetos de Casablanca. Sim, as de Hedy Lamarr e Paul Henreid (The Conspirators, 1944), na “city of echoes and shadows”, escutando "Rua do Capelão" cantada pela irmã mais nova de Carmen Miranda, pouco antes de, numa aldeia de pescadores, a 3 quilómetros de Cascais, Henreid ser acolhido pela brasileiríssima canção da “cabocla retirante Maringá”, mas também as de Storm Over Lisbon (1944) – “Estoril is better than Montecarlo. Such a finesse!” –, as de Ray Milland (The Lady Has Plans, 1942, e Lisbon, 1956), explicando que "Lisboa Antiga" é uma espécie de “home sweet home for brazilians”, as de Eddie Constantine (Ça Va Être Ta Fête, 1960) conspirando nos Jerónimos e esmurrando meliantes em Alfama, ou as mais próximas de On Her Magesty’s Secret Service (1969) e A Casa da Rússia (1990). Matéria de inspiração é o que não faltará a Woody Allen. Mas, enquanto ele não se decide, os recursos de uma CML imaginativa estendendo a mão à estrangulada Cinemateca, facilmente pegariam na ideia da Carbono e a ampliariam com o devido relevo.

22 September 2011

OU SEJA: OS ESPIÕES ESPIARAM MAS NÃO SE TEM A CERTEZA SE O FIZERAM REALMENTE COM A INTENÇÃO DE ESPIAR OU SE FOI SÓ PORQUE NAQUELE DIA ESTAVAM MORTOS DE TÉDIO, NÃO HAVIA BOLA NA TV E NEM SEQUER UM DAQUELES JANTARES TUPPERWARE COM AVENTALINHOS MAÇÓNICOS






















“Secretas” não conseguem concluir se houve espionagem a ex-jornalista do "Público"

(2011)

05 September 2011

DOIS MESES DEPOIS DAS PRIMEIRAS NOTÍCIAS, HÃO-DE LÁ
ESTAR SÓ AQUELES MAILS COM ANEDOTAS MUITO ENGRAÇADAS,
FOTOS DE GAJAS NUAS E "A BOLA" NOS FAVORITOS

(mas teatrinho mediático oblige)






















(e, nos cacifos, uns posters dos heróis, claro)

Computadores e telemóveis de elementos das "secretas" confiscados em rusga interna: "Na passada quarta-feira, dois departamentos do SIS e um do SIED foram surpreendidos por acção ordenada por Júlio Pereira".

(2011)

01 July 2010

É NESTAS ALTURAS QUE CONVÉM TER OS JAMES BOND TODOS NA PONTA DA LÍNGUA

For Your Eyes Only:


A View To A Kill:



From Russia With Love:



Live And Let Die:



The Spy Who Loved Me (em versão "um grande, grande amor"):



(2010)

25 September 2009

A PARTIR DE SEGUNDA-FEIRA, VAI VOLTAR
A SER MATERIAL DE PRIMEIRA NECESSIDADE




Dirigir-se aqui. Com voucherzinho de desconto * e tudo que isto a vida não está fácil para ninguém. É favor agradecer à Ana que deu a informação.

* Ok, este já não é válido mas vão ver que eles tratam de arranjar outro.

(2009)


Voto na urna: nulø, com a frase "ESTA GENTE É UM NOJO"

18 September 2009

ISTO NÃO É UMA CAMPANHA ELEITORAL "SUJA",
É UMA HISTÓRIA DE JAMES BOND PELINTRA





(clicar para aumentar)

Com actores de revista, efeitos especiais de pirotécnico de arraial e argumentista que dá erros de ortografia. (sinopse do argumento)

(2009)


Voto na urna: nulø, com a frase "ESTA GENTE É UM NOJO"