Recordando a maravilhosa
Florence Foster Jenkins (ou Marguerite)
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18 September 2018
01 June 2017
"If we live through this precarious moment – if his catastrophic instinct to retaliate doesn’t lead us to nuclear winter – we will have much to thank this president for. Because he will have woken us up to how fragile freedom really is" (Meryl Streep)
13 September 2016
ESTILHAÇOS
Amadeus (1984), de Milos Forman – vertendo para o cinema a peça homónima de Peter Shaffer –, dificilmente poderia conter maior número de imprecisôes históricas e efabulações fantásticas acerca da biografia de Mozart. Mas isso não o impediu de se tornar no retrato eventualmente mais revelador do precoce génio musical de Viena (aliás, Praga, no filme), capaz, por exemplo, de nos fazer adivinhar que o autor do avassalador Requiem era exactamente o mesmo de peças tão desabridas como o canone “Leck Mich Im Arsch” (traduzindo, preventivamente, em inglês, “Lick My Ass”). Florence Foster Jenkins, de Stephen Frears, é, sem dúvida, infinitamente mais fiel à história real da celebrada “pior cantora que alguma vez pisou o palco do Carnegie Hall” do que Marguerite, de Xavier Giannoli, que, confessadamente, apenas “se inspirou” nela. E não somente isso: mudou-lhe o nome (subtraído a Margaret Dumont, uma partenaire dos irmãos Marx), a nacionalidade (de norte-americana para francesa) e convidou-a a recuar duas décadas (dos anos 40 para os 20 do século passado). Ao fazê-lo, porém, não se limitou a evitar a armadilha do "biopic": libertou um imenso espaço para a criação de uma personagem paralela, que, através de Marguerite Dumont, permite ver muito para além de Florence.
Se, na (brilhante) encarnação de Meryl Streep, ela é quase só uma extravagante, patética e tragicómica burguesa rica, espécie de avestruz ululante e "clown" involuntário da boa sociedade nova-iorquina, a baronesa Dumont, de Giannoli, ainda que não menos trágica, abre um portal sobre um outro universo no qual a Paris dos dadaístas, a encara enquanto porta-estandarte da profanação das soirées burguesas e protagonista de actos de provocação com a ‘Marselhesa’ em fundo, destinados, como diria Marcel Janco, a “chocar o bom senso, a opinião pública, as instituições, os museus, o bom gosto, em suma, toda a ordem vigente”. Mal ouviu uma gravação de Jenkins, Giannoli pensou imediatamente “que se tratava de uma performance artística, reflecti sobre o que era a arte e o absurdo. Fugir aos códigos aceites do que é belo não é uma forma de desconstrução, um estilhaço dadaísta? Será mais importante cantar com afinação perfeita ou investir totalmente no desejo (até no delírio) mesmo que se cante mal?” Há-de ser por esse motivo que nos recordaremos sempre do filme de Frears como uma história excêntrica muito bem contada mas Marguerite nos deixará a pensar no “rugido de cores tensas, o abraço de opostos, contradições, grotescos e inconsistências” de Tristan Tzara.
08 September 2008
MAMMA MIA - THE MOVIE
Isto era o musical. O filme é exactamente igual, com as arestas mais aceradamente bimbas polidas - Meryl Streep até consegue transformar Donna numa MILF simpática -, um óptimo divertimento gloriosamente descerebrado que consagra definitivamente o género do filme-karaoke: é impossível, de dois em dois minutos, não cantar em côro com as imagens no ecrã, não ensaiar desajeitadas coreografias patéticas na cadeira do cinema, não explodir de puro deleite kitsch perante o genérico final quando a proeza de out-ABBAr os ABBA é, bravamente, conseguida. E, sim, eles cantam mesmo. Particularmente notáveis os momentos interpretativos de Pierce Brosnan que, daqui em diante, deverá ficar conhecido como "o tapir asmático".
(2008)
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