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28 January 2022

(Porcupine - álbum integral aqui)

(sequência daqui) A verdade é que tanto Richard Kelly (à excepção, talvez, de The Box, 2009) como os Bunnymen, depois de Ocean Rain (1984) – o sumptuosíssimo estojo que acolhia "The Killing Moon" –, não mais repetiriam tão grandiosos feitos. Com a importantíssima diferença de que a banda de McCulloch, Will Sergeant, Les Pattinson e Pete de Freitas possuía um ainda recente mas glorioso passado de três álbuns em pouco habitual trajectória sempre ascendente: Crocodiles (1980), Heaven Up Here (1981) e Porcupine (1983). Escrevendo sobre a banda em Rip it Up and Start Again: Postpunk 1978-1984 (2005 ), Simon Reynolds destacava “as linhas de baixo graníticas” de Pattinson “que transportam a linha melódica”, “as cortantes melodias de quartzo” da guitarra de Sergeant que “libertavam hectares de espaço vazio e evitavam tudo o que se assemelhasse a um solo”, a “bateria minimalista” de Pete de Freitas “em crescendos de emergência”, e a “autoridade precoce” da voz de McCulloch, entre Sinatra e Jim Morrison, “mas com a pureza de um coração de adolescente”. A doutrina dividia-se (e continua a dividir-se) acerca do mérito de cada uma das peças: entre as afiadas lâminas pós-punk de Crocodiles, a perfeitíssima geometria de Heaven Up Here, o contraditório barroco minimal de Porcupine e o épico esplendor de Ocean Rain, nunca um consenso foi satisfatoriamente alcançado (eu voto Porcupine). Para Ian McCulloch – aliás, Mac the Mouth –, porém, esse nunca seria um problema: cada álbum, cada EP ou cada canção, foram sempre os melhores de todo o sempre, assinados pela mais extraordinária banda do universo conhecido, possuidora da única voz humana capaz de paralizar o movimento dos planetas. “We can't tell our left from right, but we know we love extremes, getting to grips with the ups and downs, because there's nothing in between” ("Back Of Love") tanto poderia ser um manifesto existencial como estético. Com a tetralogia de ouro agora disponível em vinil de 180 gramas (negro e nas versões azul, amarelo, branco e azul transparente) o debate pode continuar.

26 January 2022

NO MEIO NÃO HÁ NADA


Sob a luz incerta do nascer do dia, o "travelling" de um caminho arborizado de montanha cruza-se, de súbito, com uma estrada ao fundo da qual, nos apercebemos vagamente de um corpo deitado. "Zoom in" lento até ao instante em que se distingue a figura de um miúdo adolescente, de pijama, que se senta no chão, frente â bicicleta caída na berma. Ergue-se para observar o horizonte coberto de núvens rosadas e, como que recordando-se de algo, sorri em silêncio. Corte. No mesmo momento em que o vemos já pedalando estrada abaixo até chegar a um paraíso suburbano de relvados impecáveis, crianças felizes e MILFs reclinadas lendo Stephen King, escutamos, em empolgada orquestração, “Under blue moon I saw you, so soon you'll take me up in your arms, too late to beg you or cancel it, though I know it must be the killing time, unwillingly mine”. Entrada imediata no panteão das sequências de abertura inesquecíveis para Donnie Darko, de Richard Kelly (2001), e "The Killing Moon", dos Echo & The Bunnymen. Segundo Ian McCulloch, o argumento do filme ter-se-ia inspirado na própria canção (“Afirmei uma vez que ‘The Killing Moon’ era acerca da predestinação. O patife escreveu todo o argumento em torno disso e pagou-nos uma ninharia pela utilização da canção no filme. Podia, ao menos, ter admitido que a ideia original era nossa”, declarou McCulloch à “Louder”, em 2017) o que, se pensarmos como a figura de um gigantesco “bunnyman” é omnipresente em Donnie Darko, até nem parece demasiado extravagante... (segue)

20 January 2011

2010 - CINEMA
(com inúmeras lacunas)












Um Homem Sério/A Serious Man - Joel & Ethan Coen













Greenberg - Noah Baumbach













Presente de Morte/The Box - Richard Kelly













O Ilusionista/L'Illusioniste - Sylvain Chomet













Tudo Pode Dar Certo/Whatever Works - Woody Allen













O Americano/The American – Anton Corbijn













Homens que Matam Cabras Só com o Olhar/The Men Who Stare At Goats - Grant Heslov













O Escritor Fantasma/The Ghost Writer - Roman Polanski


Amarga decepção:












Shutter Island - Martin Scorsese

(2010)

29 August 2010

THE BOX - REAL. RICHARD KELLY



Uma matryoshka infinita concebida por M.C. Escher. Sartre em versão sci-fi realizada por David Lynch. The Third Man reescrito por Philip K. Dick. Lulu On The Bridge em colisão frontal com The Day The Earth Stood Still. O Milgram Experiment (sort of) redesenhado por Arthur C. Clarck. O mito de Adão e Eva a flutuar entre Barton Fink e The Shining. Uma "morality play" em formato "mindfuck" dirigida por Richard Kelly mas sem coelhos gigantes. Muito provavelmente, um mau filme. Se calhar, ridículo. E absolutamente fascinante. Com uma magnífica banda sonora de Win Butler, Régine Chassagne e Owen Pallett (sim, esses mesmos).

(2010)