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13 December 2024

Um celebra o 76º aniversário com os Xutos, em modo-ganda-maluco; o outro, candidato ao poleiro, autocelebra-se em cartoon obalhamedeus; não deve ser muito arriscado dizer que existe um espaço político vago pronto para receber o Emplastro

05 December 2024

"A Luz de Lisboa"

(sequência daqui) JL - Correndo o risco de largar mais uma daquelas frases de que nunca mais nos livramos, poderá dizer-se que o Zé Mário foi o teu Alain Oulman? 

    C - Completamente. Nas mais variadas circunstâncias. Por exemplo, estar atento à possibilidade de, num determinado poema, cantar uma parte e não a outra, algumas repetições que não deveriam ser feitas e outras que eram necessárias. 

    JL - Como é que o Zé Mário encarava os teus "desvios" para o exterior do fado (caso dos Humanos, da interpretação de standards norte-americanos, Xutos, Jorge Palma)... 

    C - Foram casos pontuais, convites para coisas que, não sendo fado, eu gostava realmente de fazer. Essencialmente, tratou-se de circunstâncias em que a minha forma de cantar nunca se esquece de ir por dentro do texto, contar a história e entrar naquele ambiente A minha ideia não era sair da minha música que é, de facto, o fado. E o Zé Mário percebeu perfeitamente que aquilo não era um caminho, não era nenhum desvio, 

    JL - Desde esse primeiro encontro entre um ex-inimigo figadal do fado e um puto que toda a vida respirou fado, funcionaste um pouco como um jovem mestre dele? 

    C - O fado tinha passado a ser apenas a ser uma música de que ele gostava muito. Aliás, comigo, o processo foi ouvir fado as escondidas em casa, baixinho. Depois ouvia rock - era mais heavy metal - na garagem de uns amigos em Porto Salvo - e depois havia a pop. Nessa altura, havia muitas bandas a começar nas garagens e desafiavam-me para cantar mas eu escolhi o fado. Achava que a minha voz, a minha maneira de cantar e aquilo que eu queria tinham a ver com o fado. Mas quando comecei a ouvir fado - o meu bisavô e o meu avô cantavam -, aquilo irritava-me imenso, achava esquisita aquela característica do canto. Não foi nada natural, incomodava-me aquela voz fadista do meu pai. O que é certo é que, sem querer, acabei por herdá-la. Quando tinha doze ou treze anos e cantava outras coisas que não fado, afadistava-as e os meus amigos gozavam comigo. Eu até pensava que não tinha jeito para cantar mas, quando comecei a cantar fado, com todas as inseguranças, apercebi-me de que, por ali, conseguia cantar. (segue para aqui)

27 September 2023

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (LXXXVII)
 
(com a indispensável colaboração do R & R)
(clicar na imagem para ampliar)
 
Nine Wassies from Bainne live in Mountjoy Prison

03 May 2012

QUEM NÃO ESQUECEMOS


Sétima Legião - Memória

Nos idos de 80, quando o pop/rock luso, pareceu, por momentos, ir dispor de um futuro farto e próspero, para além de um pequeno enxame de frenéticas abelhas – umas desabridamente mercenárias, outras ferozmente "independentes" e "alternativas" – que a História apenas estatisticamente registará, os campos dividiram-se de modo razoavelmente claro: de um lado, a frente aventureira-experimental dos Mler Ife Dada e Pop Dell’Arte; do outro, a pop mais ou menos literário-conceptual dos Heróis do Mar e GNR; no centro, a oficina roqueira dos Xutos & Pontapés; por fim, sozinha no seu universo privado, a Sétima Legião. Sim, é simplificação, mas bastante menos abusiva do que possa parecer. E, agora que se celebram os trinta anos da fundação da banda de assombrosa estreia em álbum com A Um Deus Desconhecido (1984), mais óbvio se torna o espaço absolutamente singular (e fértil) que ela ocupou.



Com o ADN da Factory nos genes mas rapidamente mestiçada pelo contágio com as tradições populares portuguesas, galegas, irlandesas (mais pelo eixo-Pogues do que por outros), tão “nacionalista” e “trágico-marítima” quanto os Heróis mas muito menos caricatural, não só deixou uma imaculada discografia de estúdio em seis volumes (obrigatórios: o primeiro e o último, Sexto Sentido, 1999) como dela, em diversas direcções, e com vário sucesso estético, emergiriam os Madredeus, Gaiteiros de Lisboa e, a solo, Rodrigo Leão. Como todas as colectâneas, esta persegue a síntese impossível mas, no caso da Sétima, particularmente dificultada pela uniformemente superior qualidade da obra. Tudo o que aqui está é muito bom, tudo o que ficou de fora também. E o DVD que regista o concerto no Pavilhão Carlos Lopes, de 29 de Dezembro de 1990 (mais 8 videoclips), é o diamante na coroa. (amanhã, no Coliseu de Lisboa, às 21.30)

23 May 2009

AS LOUCAS VIDAS DO ROCK'N'ROLL



"Gosto muito de Botânica e coisas assim malucas" (Tim, Xutos & Pontapés, no "i" edição de fim de semana)

(2009)