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29 July 2026

Marianne Faithfull - "Strange Weather"

  (daqui; do álbum Where The Willow And The Dog Wood Grow, na íntegra aqui)

11 July 2026

 Trailer

(sequência daquiBroken English percorre a história de vida de Faithfull, abordando a sua experiência boémia, as ligações aos Rolling Stones, a tentativa de suicídio em 1969, a longa amizade com Allen Ginsberg, a queda no vício da heroína, os inúmeros regressos, as colaborações com o produtor Hal Wilner e muito mais. Tilda Swinton e George McKay interpretam funcionários do "Ministério do Não Esquecimento", cuja missão é assegurar que o seu trabalho mais importante receba o devido reconhecimento. Aparentemente, isto significa destacar as suas credenciais feministas pioneiras e as suas conquistas artísticas mais subestimadas, ao mesmo tempo que se minimiza a mitologia repugnante dos media sensacionalistas. Este retrato entrelaça imagens de arquivo e reflexões pessoais , tratando os realizadores Iain Forsyth e Jane Pollard de abordar o legado de Faithfull de um ângulo indirecto, combinando novas entrevistas com material de arquivo - as cenas em que mantém um diálogo melancólico com a sua versão mais jovem são inevitavelmente comoventes -, articulado com actuações musicais de Marianne, e de um elenco de apoio de amigos e seguidores, incluindo Nick Cave, Warren Ellis, Courtney Love, Suki Waterhouse, Thurston Moore e outros. Filmado durante o período final de uma longa luta contra o enfisema, a pneumonia e a Covid, Marianne Faithfull nunca chegaria a assistir ao seu derradeiro legado.

08 July 2026

 Marianne Faithfull  - "It's All over Now Baby Blue" (B. Dylan) |  de The Girl on a Motorcycle
 
(sequência daqui) Quando, em 1993, se apresentou pela primeira vez em Portugal, o modo como recordava os seus primeiros passos tinha já muito pouco de nostálgico: “Nessa altura, em meados dos anos 60, eu tinha um tremendo desprezo pela música pop. Quando jovem, artisticamente, era uma enorme snob. Queria ser actriz, tinha uma excelente voz que me fazia pensar numa carreira na ópera, queria dedicar-me a qualquer coisa séria. E, não sei muito bem como, acabei por ser desviada (de certo modo, por engano) para a pop. Agora, sinto-me muito satisfeita e reconhecida por isso. Mas, na altura, o que cantava parecia-me puro lixo. Em certa medida, foi só quando comecei a entender o Andy Warhol que realmente compreendi que a pop também era arte. Até aí, não passava de matéria descartável, pronta para usar e deitar fora”(segue para aqui)

05 July 2026

A MEMÓRIA E O MITO
Vestido como um detective de film noir - longo sobretudo cinzento e chapéu de feltro -, o "Record Officer" (na realidade, o actor George MacKay) chega a um centro de arquivos. Está nas instalações do Ministério do Não Esquecimento — uma instituição cinematográfica imaginária e vagamente orwelliana, onde a memória e a mitologia se atropelam. Aí irá conduzir uma entrevista com Marianne Faithfull, na qual lhe mostrará imagens dela própria num monitor e lhe fará diversas perguntas. Na verdade, uma apenas bastaria para a situar: "Acha que precisava assim tanto das trevas para ter sido uma grande artista?", pergunta ele à baronesa Erisso von Sacher-Masoch - da ilustre linhagem dos Habsburgos e sobrinha bisneta de Leopold von Sacher-Masoch - que alcançou a fama como uma angelical estrela pop loira de 17 anos e sofreu um rápido declínio para o alcoolismo, a dependência da heroína e a vida nas ruas pelos seus 20 anos. "Fuck, no!..", replica muito energicamente Faithfull. "Mas é um bom gancho para se pendurar as coisas, não acha?", acrescenta ela. (daqui; segue para aqui)

02 July 2026

 
(sequência daqui) Há, porém, algo de paradoxal em Down Where the Willow and the Dogwood Grow. Apresentado como um novo tributo à obra de Tom Waits e Kathleen Brennan, o álbum não oferece uma única gravação inédita. Acaba, contudo, por funcionar como algo mais interessante: um reavaliador da extraordinária força das canções de Waits e Brennan num percurso que alterna entre baladas, blues andrajosos, canções de inspiração latina, gospel e peças quase faladas, reflectindo a impressionante diversidade do cancioneiro Waits/Brennan quando retirado da imensa sombra da sua personalidade. Ou como um espelho que, ao reflectir a obra através de vozes alheias - Solomon Burke, Bruce Springsteen, Willie Nelson, Lucinda Williams (que canta "Hang Down Your Head", a primeira canção oficialmente atribuída à parceria Waits-Brennan, publicada em Rain Dogs, 1985), Johnny Cash, Marianne Faithfull, Bob Seger, Diana Krall, John Hammond -, revela a qualidade rara de canções capazes de sobreviver a qualquer intérprete — inclusive ao seu criador. Afinal, um tanto ou quanto ironicamente, o título do álbum de homenagem haveria de ser extraído do texto de canção "Down There By The Train", o patinho feio inicial, em cuja primeira estrofe se lê: "There’s a place I know where the train goes slow, where the sinner can be washed in the blood of the lamb, there’s a river by the trestle down by sinner’s grove, down where the willow and the dogwood grow".

05 April 2026

MÚLTIPLA PERSONALIDADE
Desde 2011, três álbuns - Anna Calvi (2011), One Breath (2013), e Hunter (2018) - e três EP, parece produtividade assaz exígua mas, se observada com atenção, revelar-se-á exactamente o oposto, para mais entregue aos cuidados de múltiplas vozes e mãos. A saber: no 1º EP,  Strange Weather (2014), Anna Calvi convocava David Byrne e consistia da revisão de canções de Keren Ann, FKA Twigs, Connan Mockasin, Suicide, e David Bowie; em Give My Love to London (2014), de Marianne Faithfull, participaria com o tema (composto a meias) "Falling Back"; a 4 de Fevereiro de 2016, um mês após a morte de David Bowie, incluiu-se no EP Strung Out in Heaven, uma compilação de covers de David Bowie, contribuindo com voz e guitarra para a faixa "Blackstar", que, posteriormente, com Amanda Palmer, apresentaria no Radio City Music Hall, em Nova Iorque; em 2017, compôs a ópera, The Sandman, baseada num conto de E. T. A. Hoffmann e encenada por Robert Wilson, que estrearia a 3 de maio, no Festival Ruhrfestspiele, em Recklinghausen, na Alemanha. (daqui; segue para aqui)

"I See A Darkness" (feat. Perfume Genius)

31 October 2024

UMA INFINIDADE DE SENTIDOS
No penúltimo número da "Uncut", o álbum do mês era Patterns In Repeat, de Laura Marling. 18 páginas à frente, na secção das reedições, a lista era encabeçada pelo 4º volume dos Joni Mitchell Archives, The Asylum Years (1976 - 1980). Para o desenho de um triângulo perfeito, faltaria, talvez, a presença de algo de Marianne Faihfull. Porque, se a relação de intimidade estética entre Laura e Joni sempre foi evidente e claramente confessada ("Se Joni Mitchell não existisse, eu nunca teria existido", declarou Marling em 2017), de modo muito menos claro e explícito mas não menos real, pontos comuns existirão também entre Laura, filha do 5º baronete de Marling ("of Stanley Park and Sedbury Park in the County of Gloucester") e Marianne, baronesa Erisso von Sacher-Masoch. Não apenas na ascendência aristocrática mas, especialmente, na condição de "starlets" adolescentes de perfil folk cujo amadurecimento foi acontecendo muito fora desse perímetro. À "Mojo", Laura Marling deixa muito poucas dúvidas: "Nunca ouvi música folk. Sei que o Bob Dylan e muitos outros provêm do que é, desatentamente, considerada a tradição folk. Mas eu sou o eco, do eco, do eco de tudo isso. Não poderia estar mais distante". (daqui; segue para aqui)

"Caroline"

26 October 2022


(sequência daqui) É, praticamente, essa mesma extensão de vida que Songs of Innocence and Experience 1965 – 1995 cobre: os 30 anos dos dois primeiros actos da carreira de Marianne Evelyn Faithful, baronesa Erisso Von Sacher-Masoch. No primeiro, gravou 6 álbuns de refinado ecletismo pop/folk/ country – Bacharach, Beatles, Rolling Stones, Phil Ochs, Dylan, Tom Paxton, Bert Jansch, Ewan MacColl, Serge Gainsbourg, Donovan, Tim Hardin, Waylon Jennings – que, no entanto, nunca a satisfizeram: “A minha ‘primeira voz’ não era a verdadeira, tinha uma voz muito melhor do que isso. Era mezzo-soprano, tinha tido uma educação musical clássica e, quando comecei a gravar, não me deixaram usá-la. O que se ouvia era falso”. Seria apenas após a descida "junkie" aos infernos que, com o avassalador Broken English (1979) – “Foi muito difícil mas fi-lo. Era o resultado de tanta frustração, ressentimento e fúria que tinha de ser mesmo assim. Na altura, estava convencida de que iria ser a última coisa que faria” –, as comportas se abririam e Marianne, a partir de Strange Weather (1987) e A Secret Life (1995) caminharia, de mãos dadas, com a nata pop/rock. Com preciosos 22 inéditos em edição vinil e 9 no duplo CD, Songs of Innocence and Experience detem-se naquele propósito que, há 10 anos, Marianne descrevia ao “Guardian”: “Nestes últimos anos, o meu objectivo tem sido o de encontrar alguma harmonia entre mim e Marianne Faithfull. Era ela que utilizava drogas e bebia, era ela dentro da minha cabeça. Ela, a Fabulosa Besta, como eu lhe chamo. Não posso dar-lhe ouvidos, tenho de ter sempre muito cuidado”.

24 October 2022

A FABULOSA BESTA


Horas antes de subir ao palco do Coliseu de Lisboa, no qual, em 1993, se apresentaria pela primeira vez em Portugal, no bar do hotel onde ficara instalada, Marianne Faithfull recordava os primeiros passos, em meados dos anos 60, de modo muito pouco nostálgico: “Nessa altura, eu tinha um tremendo desprezo pela música pop. Quando jovem, artisticamente, era uma enorme snob. Queria ser actriz, tinha uma excelente voz que me fazia pensar numa carreira na ópera, queria dedicar-me a qualquer coisa séria. E, não sei muito bem como, acabei por ser desviada (de certo modo, por engano) para a pop. Agora, sinto-me muito satisfeita e reconhecida por isso. Mas, na altura, o que cantava parecia-me puro lixo. Em certa medida, foi só quando comecei a entender o Andy Warhol que realmente compreendi que a pop também era arte. Até aí, não passava de matéria descartável, pronta para usar e deitar fora”. (daqui; segue para aqui)

17 October 2022

02 October 2022