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10 November 2020

 
"Punk, therefore, should be viewed in the same light as Dada, surrealism, situationism, and other 'serious' cultural movements. These movements didn’t just limit their criticisms to the art world or culture industry. At their height they opposed all aspects of a pointless order, rejecting hard boundaries between art and life; politics, economics, or culture; political activity and artistic creation. They also often allied themselves with various strains of anarchism or socialism. If Reagan was aestheticizing politics, then it was the job of punks to politicize aesthetics" (daqui sobre We're Not Here to Entertain: Punk Rock, Ronald Reagan, and the Real Culture War of 1980s America de Kevin Mattson)

20 February 2019

06 November 2015

"O Estado Social, segundo Isabel Jonet, deve limitar-se a ajudar os mais fracos dos mais fracos. O Estado Social não deve, portanto, ajudar os que são apenas fracos, porque os fracos, no fundo, são fortes e fortes do pior tipo. O fraco é um forte que se limita a fazer força para parecer fraco. Não é por acaso que dos fracos não reza a História: não porque não sejam fortes, mas porque não são suficientemente fracos. Para Isabel Jonet, fraqueza é algo que se resolve com um copo de água e açúcar. (...)

(noutro video aqui)

A grande vantagem do mundo criado por Isabel Jonet consiste, ainda, no facto de que o Estado Social precisará de pouquíssimos funcionários, bastando um pequeno contingente de coveiros. Os fracos e os mais fracos, como é evidente, serão obrigados a cavar a própria sepultura" (daqui via VB)

20 February 2012

ELOGIO DA DISLEXIA


















Camille - Ilo Veyou

Tal como certas personagens que adoramos odiar, Camille Dalmais inscreveu-se em Sciences-Po, em Paris. Mas rapidamente se apercebeu do seu tremendo erro, arrepiou caminho e – ao contrário de outros – decidiu reinserir-se socialmente, optando pela música. Conhecemo-la através dos Nouvelle Vague, esse divertimento de "easy-listening" chique entregue à missão de tropicalizar e reconfigurar para o "french-touch" algum reportório punk e new wave que se punha mais a jeito. Era dela a voz que escutámos a amaciar insolentemente "In A Manner Of Speaking" (Tuxedomoon), "Guns Of Brixton" (Clash), "Too Drunk To Fuck" (Dead Kennedys) e "Making Plans For Nigel" (XTC). Não foi a única pérola a ser gerada no interior da ostra-NV: devemos-lhe, igualmente, a óptima Phoebe Killdeer (& The Short Straws) de Weather’s Coming.



Camille, entretanto, gravou Le Sac des Filles (2002), Le Fil (2005) e Music Hole (2008), etapas preparatórias onde aqueceu os motores da experimentação vocal e da contenção instrumental – com tirocínio por peças de Benjamin Britten e presença na banda sonora de Ratatouille – que haveriam de desembocar neste magnífico Ilo Veyou, espécie de dislexização de “I Love You”. É fácil imaginá-la como uma Björk com os pés um pouco mais assentes na terra (mesmo que do ponto de vista do marciano que, em "Mars Is No Fun", prefere abandonar o seu planeta e “wander all afternoon in the shopping mall of Milton Keynes”), dedicada a "lullabies" imponderáveis, deliciosas paródias de patrioteirismo-Piaf (“La Suisse attire les comptes en banque, les anglais ont un humour exquis, le Nicaragua produit la cocaïne et la revend au meilleur prix, la France, la France des photocopies”), pseudo-exotismos minimalistas, bizarrias de "kindergarten" surreal. Mas Camille é única e irrepetível.

(2012)