25 March 2026

Caso não se tenham apercebido, trata-se de Yulia Svyrydenko, primeira-ministra da Ucrânia (e, de certo modo que não o onomástico, mui legítima sucessora de Yulia Tymoshenko

Lviv, aliás, Lviv

23 March 2026

Boston Camerata (dir. Joel Cohen) - "Fauvel Cogita"
(de Le Roman de Fauvel, na íntegra aqui

(sequência daqui) O incerto autor terá sido Gervais du Bus, notário da chancelaria real de França mas, poucos anos depois, Chaillou de Pestain, expandiu o texto original com seis poemas políticos de Geoffrey de Paris e outras interpolações. O Romance de Fauvel, monumental Singspiel, tornar-se-ia assim uma importante fonte de música medieval e um dos primeiros exemplos da "Ars Nova", bem como um exemplo pioneiro de arte políticamente interventiva. Desconhece-se quem acerca dele pudesse ter ousado afirmar "Temos de ficar fora da política porque, se fizermos obras que sejam declaradamente políticas, entraremos no campo da política. Nós somos o oposto da política”, como, assaz inexplicavelmente, 700 anos depois, diria Wim Wenders enquanto presidente do júri do Festival de cinema de Berlim. (segue)
Goblin Band Live at Leicester Guildhall

(com a colaboração do correspondente do PdC em Pequim)
Fauvel e o seu palco (I)

21 March 2026

POLÍTICA, SIM
Não recuando demasiado, entremos em Paris, pelo início do século XIV. Num palco construído em vários planos que procuram reproduzir a hierarquia social, o cavalo/asno Fauvel - cada letra do nome é a inicial de um pecado ou defeito de carácter -, insatisfeito com o seu estábulo, decide mudar-se para os aposentos do dono, escorraçando-o. Torna-se assim a figura mais poderosa do lugar. Venerado pelo clero e pela nobreza, casado com a Vanglória e tendo como convidados habituais a Inveja, a Luxúria ou o Adultério, Fauvel entrega-se à missão de procriar e multiplicar-se para que a insensatez, a corrupção e a vício possam, finalmente, levar o mundo ao seu fim. (daqui; segue)
 
Trailer de HELP (2)
Goblin Band: Folk Songs, Roman Ruins and Mudlarking in the City of London

19 March 2026

 
(sequência daqui) "). Daí, resultam maravilhosas recriações como, no álbum de estreia - A Loaf Of Wax (Live From MOTH Club) -, entre muitas outras, a de "The Bitter Withy" acerca de um Menino Jesus assassino a quem a Virgem Msria castiga chicoteando-o com uma chibata de salgueiro. Nada de mais para os Goblins: "A música folk é a nossa história. É a história do nosso país, da nossa terra, das nossas comunidades, de uma forma que está fora dos livros de história. Tudo o que é narrado na música folk é um reflexo de uma história política. As nossas vidas quotidianas estão constantemente ameaçadas pelo que está a acontecer na política. Tem sido assim para as pessoas desde sempre – pessoas queer, pessoas de cor. A ideia de que se pode separar a política do resto da vida é uma ilusão de privilegiados".

18 March 2026


(ver aqui)

Se for autêntico, poderá ser o início de um mui desejável processo

"Vladimir Putin should resign and be put on trial as a war criminal. His personalised, corrupt system is doomed to collapse, as we’re seeing now with the war in Ukraine and elsewher. The army isn’t advancing in Ukraine, and the war is going nowhere. There are massive losses. We are fighting over tiny territories that will ultimately give Russia nothing. This man [Putin] has destroyed everything he could lay his hands on. The country is literally falling apart. (...) Putin is no longer ‘one of us’. He is a person whose interests are completely alien to both Russia and me personally. I’ve come to the conclusion that it is both possible and necessary to criticise him, because otherwise none of this will stop and nothing good will come of it, (...) I am ready for any trial against me. The time has come to somehow break this vicious cycle and speak out. I bear a certain responsibility as someone who, for a long time, supported this regime and helped it survive”

 
Edit (19/03/2026) - "Cruza todas as linhas vermelhas" ... por isso, haverá de seguir terapia apropriada
Já faz falta uma polémica catita como esta (mergulhando nas profundezas do blog, reparei que, ultimamente, foi bastante revolvida)

 (4º ANO A SEGUIR AO) ANO DO TIGRE (CLXXIV)

16 March 2026

Philip Pickett (with Richard Thompson) - "Short Mesure off My Lady Wynkfylds Rownde"

Do álbum The Bones Of All Men (na íntegra aqui)
EDUCATIVAS EPIFANIAS


Os goblins são diminutos seres grotescos de bastante mau feitio, habitantes de zonas subterrâneas que terão emergido na cultura popular europeia durante a Idade Média, deixando-se avistar ainda hoje em filmes como Labirinto (1986), Spider Man (2002) ou nos diversos episódios das sagas de Harry Potter e O Senhor Dos Anéis. Deles, a britânica Goblin Band herdou uma certa tendência para o culto da marginalidade deliberada optando por apresentar-se exclusivamente em espaços favoráveis à sua dupla qualidade de jovens músicos folk e cidadãos queer. Alice Beadle (violino e flauta de bisel), Gwena Harman (órgão de fole e bateria), Sonny Brazil (acordeão e concertina) e Rowan Gatherer (sanfona, e flauta de bisel), descobriram-se num percurso que, da música antiga e medieval, passando por John Playford e o Compleat Dancing Master, os conduziria a uma série de educativas epifanias tais que Martin Simpson, a Albion Band, os Watersons ou Martin Carthy (que, fã instantâneo, deles diria “Eles sabem tocar, sabem cantar e são destemidos. Atiram-se a versões que nós éramos demasiado pedantes para tocar e transformam-nas em furiosas desbundas"). (daqui; segue para aqui)
 
Goblin Band perform 15th century folk song 'The Bitter Withy'

12 March 2026

 
(sequência daqui) A voz permanece firme, quase coloquial, mesmo quando o assunto se torna desconfortável. Ele sempre teve um talento para o eufemismo, mas aqui parece ter-se aperfeiçoado ao máximo. A conversa flui. Nada explode. Agilmente acompanhado pelo núcleo da banda que o seguiu durante a última digressão - o guitarrista Matt Kinsey, o saxofonista Dustin Laurenzi e o baterista Jim White -, Bill Callahan sabe que apenas lhe resta manter-se muito atento: "O desconhecido é o que me mantém motivado para continuar a fazer música. É tudo uma questão de me ouvir a mim mesmo e aos outros. Muitas das melhores partes de uma gravação são os erros – transformá-los em pontos fortes, usá-los como trampolins para algo humano. Já ouvi as melodias mais celestiais e tento guardá-las no subconsciente. Mas elas nunca estão lá quando acordo. Já ouvi frases incríveis que desaparecem, como tinta invisível. Antes de dormir, peço aos sonhos que me mostrem algo. Às vezes funciona. Os sonhos e a música são muito próximos, são coisas intangíveis que nos atingem com muita força. É inacreditável que sonhemos e prestemos tão pouca atenção a isso".

Recordando tudo o que, desde 2011, para aqui há sobre fundações, observatórios e afins (Crónica dos Anos da Peste I, II, III, IV) , de uma passagem muito por alto pelos ecrãs de televisão, descobre-se que, por esse doce paraíso, hoje vicejam "n" espécimes de categorias várias: 

Analista de segurança e defesa 

Analista de mercados 

Especialista em geopolítica 

Especialista do 0bservatório de defesa

Especialista do observatório do risco geopolítico 

Especialista do observatório do mundo islâmico

Especialista em economia internacional 

Especialista em relações internacionais 

Especialista em direito da energia 

Especialista militar 

Especialista em assuntos europeus 

Especialista em política americana

Consultor de comunicação  

(segue)

11 March 2026


(ver aqui também)
STREET ART, GRAFFITI & ETC (CCCXLV)
 
Lisboa, Portugal, 2026 
 
 
 
 

09 March 2026

 
 
(sequência daqui) Não esqueçamos, pois, que (ainda que jure "Não hei-de morrer. A vida é demasiado boa. Não pode acabar”) lidamos com o autor do mais singular requiem de sempre: "Dress sexy at my funeral, my good wife, for the first time in your life, wear your blouse undone to here and your skirt split up to there, and when it comes your turn to speak before the crowd, tell them about the time we did it on the beach with fireworks above us" (de Dongs of Sevotion, 2000). My Days Of 58 revela um Bill Callahan reflexivo desenhando paisagens emocionais com a mesma precisão seca de um diário. Ainda que os espectros de Lou Reed e Leonard Cohen (a somar a John Lee Hooker e, menos detectavelmente, aos vestígios de free-jazz que reivindica) nunca se ausentem, não há aqui nenhuma grande reflexão, Apenas fragmentos, cenas domésticas, pensamentos passageiros. (segue para aqui)

05 March 2026

Pode ser que à bofetada a coisa vá
 
Sim, sim, é explicar isso bem explicadinho e, já agora, 
as profecias do Malaquias também
"Lonely City" (fotos de Daniel Arnold; legendas disponíveis)
 
(sequência daqui) A verdade é que, num período em que não teve apenas que lidar com o inesperado encontro com a própria mortalidade mas também com o desaparecimento do pai, Callahan não se transformou em personagem soturna nem em gracejador à beira do abismo: "Sou mais o género do professor bêbedo. Gosto de acasos, coincidências e erros. Não percebo nada de sintetizadores, mas escolho um aleatoriamente, ligo-o e começo a gravar. Carrego em alguns botões, toco qualquer coisa e, de alguma forma, tento que funcione. Só sou preciso na composição das letras, o resto é mais atirar barro à parede. Também não sei nada sobre endadeamentos de acordes. É mais uma questão de estar aberto e aceitar as coisas de onde quer que elas venham. Sinto-me mais como um médium. Parece-me que recebo coisas já construídas e garanto que sejam recebidas de forma precisa" (segue para aqui)

01 March 2026

Mas não eram 72?...

(com a colaboração do correspondente do PdC em Pequim)
ESTAR MUITO ATENTO
"Diagnosticaram-me um cancro colorrectal em Dezembro do ano passado. Em Janeiro, fizeram-me uma ressecção, uma cirurgia agressiva que me deixou quase sem poder andar durante algumas semanas. Também não conseguia por-me de pé por causa da enorme incisão que me fazia parecer ter sido esventrado. O tumor era de estadio 1. Não foi preciso fazer quimioterapia nem radiação. Foi a melhor das hipóteses mas, na verdade, sentia-me como se estivesse a espreitar pelo cano de uma arma. Durante todo o tempo em que estive à espera dos resultados dos exames não sabia se iria morrer ou não, ou se o cancro já se teria disseminado pelo corpo todo. Por isso, quando tudo chegou ao fim, foi um alívio enorme". E, perante o incauto jornalista da "Uncut" que apenas lhe perguntara qual o significado da metáfora "the demon inside me", que usa em "The Man I'm Supposed To Be", Bill Callahan concluiu a resposta, rematando: "Mas foi um grande estímulo para escrever canções!" (daqui; segue para aqui)

"The Man I'm Supposed To Be" (legendas disponíveis)