21 October 2026

"Cats have played a key role in supporting Ukrainian soldiers and civilians since Russia began its invasion in February 2022, keeping troops company on the front lines and providing comfort for displaced citizens" (daqui)
 
"Robin's Death"
 
(sequência daqui) O resultado é simultaneamente sombrio, rude, leve e orquestral, o lugar de descoberta de uma identidade enraizada no passado, sem ficar prisioneira dele, e que privilegia a tensão emocional e a textura em detrimento da grandiosidade cinematográfica convencional. Inspirada numa balada inglesa, do século XVII (recolhida por Francis James Child como a balada Child n.º 120 na sua coleção de baladas populares), esta é uma música que reflecte uma visão revisionista sobre Robin Hood: não o lendário herói justiceiro que rouba aos ricos para dar aos pobres, mas um homem violento e imperfeito ("São tudo mentiras sobre mentiras. Sou um assassino e um ladrão, matei por prazer, roubei por ganância", confessa ele, a certo ponto), confrontado com as consequências dos seus actos.

18 October 2026

FOLK ASSOMBRADA

The Death of Robin Hood assinala a emergência de Jim Ghedi - músico folk, de Sheffield - pela porta de entrada menos comum: a composição de bandas sonoras para cinema, transportando uma visão assombrada e apocalíptica da folk inglesa para o universo cinematográfico de Michael Sarnoski. O aclamado (porém ignoradíssimo) álbum de Ghedi, Wasteland (2025), já despertara a atenção de Sarnoski e o interesse comum pela folk tradicional - em particular, pelos Steeleye Span -, serviria de esteio a uma banda sonora que reinterpreta a figura de Robin Hood (Hugh Jackman) para lá dos mitos e das lendas habituais: centrando-se nas dimensões mais brutais e cruéis da sua história, real ou imaginária, porém, dando corpo aos muitos "Robins" que povoaram a fantasia popular medieval britânica. Combinando drones poderosos produzidos por instrumentos tradicionais (harmonium, nyckelharpa, uillean pipes e sanfona) com uma sensibilidade atmosférica e experimental, ergue um zumbido persistente e terroso, sobre o qual se elevam melodias de violino, e a voz poderosa de Ghedi emerge ocasionalmente desta paisagem sonora. (daqui; segue para aqui)
 
"Robin's Death"
Steeleye Span - "Twa Corbies" (I)

(com a colaboração do correspondente do PdC em Pequim)

15 October 2026

Há aqui material muito mais do que suficiente para o argumento de um belíssimo filme (podia chamar-se "Na Rua do Poder Local")

 

"Oral Tradition"

(sequência daqui) No seu melhor, Archives descobre tensão na própria estranheza. Os ritmos gaguejam e transformam-se sob camadas de neblina analógica. Há um prazer genuíno na forma como o trio faz o familiar parecer subtilmente errado e torna a experimentação convidativa. Os arranjos podem parecer abstractos e imprevisíveis, por vezes, mesmo tentadoramente incompletos ou esboços deliberadamente não resolvidos, mas há sempre um forte instinto para a textura, o ritmo e a melodia. Assim, Archives tanto funciona como música de fundo envolvente como na qualidade de álbum que se torna tão mais rico quando lhe é dedicada atenção total. A melhor abordagem é, enfim, escutá-lo não como uma coleção de canções pronta a proporcionar satisfação imediata, mas sim como um universo sonoro excêntrico — algures entre a memória e a maquinaria, o orgânico, o bric-à-brac e o sintético — cujas descobertas mais cativantes se encontram nas margens.

Remake das acrobacias académicas do recluso nº44 (e, já agora, também do Supergrass e variadíssimos outros malabaristas) em versão feminina e norte-americana

14 October 2026

Brown Wimpenny - "The Sheffield Grinder/Black Joak"

(daqui; do álbum Long Live Brown Wimpenny, na íntegra aqui)
Jacob Coxon On Witnessing the Existential Threat of AI from the Inside | The Daily Show

12 October 2026

Vanishing Twin - Pensiero Magico 

 (2021 Concert Film)

(daqui e daqui)

É só mesmo um lembrete...
(em 314 episódios)
 

FRONTEIRAS POROSAS

O álbum Archives (5º dos Vanishing Twin após Choose Your Own Adventure (2016), The Age of Immunology (2019), Ookii Gekkou (2021) e Afternoon X (2023) - parece menos um álbum convencional e mais uma colecção de emissões fragmentárias, vagamente recordadas e discretamente hipnóticas. A banda sempre habitou um espaço algures entre o futurismo psicadélico, a electrónica kosmische e a música experimental, mas aqui essas fronteiras parecem particularmente porosas. Os conceitos de autoria dissolvem-se na música dos Vanishing Twin, com os membros - Cathy Lucas, Valentina Magaletti e Susumu Mukai ­- a trocarem de instrumentos e a perderem-se no momento colaborativo e na floresta sonora criada. Para o reencontro, trouxeram mesas repletas de samplers, pedais de efeitos, mellotrons, loopers, violoncelos, cítaras, kalimbas, flautas impressas em 3D, colagens de cut-ups vocais e instrumentos caseiros, prontos a ser explorados. (daqui; segue)

"Sugar Stone"

09 October 2026

David Byrne reveals how he got into Elon Musk's head to write his song for the documentary Musk

STREET ART, GRAFFITI & ETC (CCCLX)
 
Paris, França, 2026



"'I am sitting on the back of a man'  reads the text on the statue’s plinth. 'He is sinking under my burden. I will do anything to help him. Except step down from his back'"
... pois...
 

Edit (12:26) - ... poizé...

08 October 2026

This Proves Trump Is About to Get His Bubble Burst | The Daily Beast Podcast

 

"بس کن ای دل"

(sequência daqui) O álbum atravessa oito séculos de poesia, de Rumi e Saadi a autores modernos como Sayeh e Siavash Kasrai. Palavras antigas que, para Movahed, continuam a falar ao presente: “São intemporais. Se preservarmos esta tradição e esta música, ela encontrará sempre o caminho para o público certo”. Entre cordas e sopros tradicionais e o quarteto de cordas clássico, a voz de Movahed move-se num delicado jogo de transparências. O disco assinala ainda a sua estreia no Rast-Panjgah, o mais complexo dos sete modos da música persa. Together Yet Alone é, assim, mais do que um regresso às origens, uma forma de permanecer ligada a uma terra, de preservar uma memória e, sobretudo, de acreditar que a voz, a dignidade e a beleza do Irão voltarão a erguer-se.

05 October 2026

STREET ART, GRAFFITI & ETC (CCCLVIII)
 
Paris, França, 2026


DESAFIAR O SILÊNCIO
O coração de Bahar Movahed nunca deixou o Irão. Mesmo a milhares de quilómetros, na Califórnia, a cantora continua a escutá-lo nas ruas, nas vozes e na bravura de um povo que permanece na sua música. Foi dessa distância, simultaneamente pertença e solidão, que nasceu Together Yet Alone, um álbum onde a memória, a dor e a esperança encontram a mesma voz. Nascida no Irão e hoje radicada nos Estados Unidos, Movahed regressa às raízes da tradição clássica persa com profunda reverência pelo radif, a vetusta colecção de melodias sobre a qual assenta a música tradicional iraniana. Mas o seu gesto é também político: cantar em farsi, a sua língua materna, é desafiar o silêncio imposto às mulheres que ousam fazer ouvir a sua voz. “Sou uma de entre os milhares de mulheres cuja paixão é cantar, mas que são silenciadas”, afirma à Bandcamp. Depois de um primeiro álbum em curdo, Together Yet Alone é a sua primeira gravação a solo em farsi. Pianista e intérprete de tanbour curdo, entre outros instrumentos, Movahed resume a sua resistência numa frase: “Só quero que a música seja ouvida. Estou de luto, sim, mas viva”. (daqui; segue para aqui)
 
"Together Yet Alone"