24 February 2026

"Prize Hunter"

(sequência daqui) "A ética DIY serviu para contornar uma indústria musical muito conservadora nos anos 90. Postcard Records, Fast Records, Factory Records (e, claro, Chemikal Underground) todas foram importantes enquanto protesto contra uma indústria musical realmente comercial. Contudo, se actualmente, há mais música do que nunca, daí resultou haver menos público para cada um desses artistas". Gravado ao longo de cinco anos num contexto de turbulência pessoal e luto familiar, Begging The Night To Take Hold acolhe uma aguda sensibilidade para a pop de càmara - os belíssimos arranjos para piano, violoncelo, baixo e discreta percussão de Pete Harvey (Modern Studies) e Graeme Smillie - tomada como cenário para reflexões ("Rogues and thieves, you know they masquerade as new ideas, and as the thunder peals the damage done becomes revealed") íntimas, voláteis e fugazes.

Revisões da matéria dada (LIV)
 
Ucrânia (455 posts)
 

 
Edit (16:10) - + Kiev e Lviv

22 February 2026

STREET ART, GRAFFITI & ETC (CCCXLII)

Lisboa, Portugal, 2026
 



(clicar nas fotos para ampliar)

20 February 2026

Parece que anda tudo chocadíssimo com o traste do Epstein... mas a tradição é vetusta!
David Byrne: Tiny Desk Concert

(ver aqui)
MÚSICA INEVITÁVEL
Benvindos à aula de composição de Emma Pollock tal como o "Snack Mag" a regista: "Gosto muito daquela escrita de canções que vai dar a lugares completamente inesperados. Adoro as modulações. Adoro quando as tonalidades mudam, mesmo que apenas temporariamente e, depois, regressam ao ponto de partida. É isso que realmente me entusiasma. Os acordes podem fazer muitas coisas estranhas e maravilhosas. O truque é que a melodia que se lhes sobrepõe precisa de os unir de tal forma que pareça que aqueles são os únicos acordes que poderiam existir. Portanto, para mim, a melhor música é aquela que soa inevitável. Adoro o elemento surpresa. Talvez haja um verso que soe bastante previsível, mas, de repente, surge uma reviravolta. E essa reviravolta irá tornar-se a parte favorita dessa música". A fundadora dos defuntos Delgados bem como da independente Chemikal Underground, no momento em que, dez anos após o anterior, publica o 4º álbum a solo, Begging the Night to Take Hold, fala também como uma revolucionária veterana não muito feliz com a revolução. (daqui; segue para aqui)
 
"Future Tree"

16 February 2026

Que nada falte à gebalhada da bola!


Edit (17/02/2026) - ... Ooops...apanhados!

A propósito de "Pauliteiros e Caretos"

  Beltane Border Morris Dancers (Gales)


Pauliteiros de Miranda 

"A insólita visão de um grupo de homens maduros, de saia bordada, xaile aos ombros e chapelinho de fita, a dançarem à roda e aos pulinhos enquanto batem pauzinhos uns nos outros, com o cuidado de não se magoarem, não deixa ninguém indiferente. Foi o que pensou António Ferro quando iniciou com os Pauliteiros de Miranda o processo de reinvenção do folclore português. Para compor melhor a imagem, os oito bailadores vestem camisa de linho e colete pardo e calçam botas de cabedal. Nestes preparos apresentam-se no Royal Albert Hall de Londres, pela sua mão, logo em 1934, com o sucesso que se adivinha. Dir-se-á que homens de saia não é coisa totalmente nova, que já os gladiadores romanos, os tradicionalistas escoceses e os samurais do Japão as usavam. O certo, porém, é que nunca em Portugal, no passado recente ou remoto, se tinham visto homens assim vestidos, e a falsificação foi feita com a ajuda dos etnógrafos e folcloristas contratados por Ferro para o SPN. (daqui)  

"O espetáculo, no Théatre des Ambassadeurs, foi ainda complementado por uma demonstração de danças mirandesas por um grupo de pauliteiros, que, embora apresentados como mirandeses, eram de facto operários portugueses emigrados em Paris, que Ferro, com o auxílio da Casa de Portugal, organizou, vestiu e coreografou" (daqui)

"Na esteira das Marchas populares, também os Pauliteiros de Miranda (um conjunto de oito homens vestidos de saia, camisa de linho, colete, xaile e botas, que dançam em roda enquanto batem paus ao som de gaitas de foles, tambores e castanholas) apresentados pela primeira vez em Londres, em 1934, na Semana Cultural Portuguesa, são exemplo de uma reinvenção do folclore português. De acordo com Orlando Raimundo esta dança, com homens assim trajados, possivelmente originária da Irlanda medieval, nunca antes se tinha visto em Portugal, sendo esta falsificação efetuada com o auxílio dos etnógrafos e folcloristas do Estado Novo"  (ver aqui: file:///C:/Users/HP/Downloads/content-2.pdf)

Ver aqui e aqui também

15 February 2026

"Dry Cleaning on the recording of Secret Love, Architecture and video games"
 
(sequência daqui) Gravado com a Gilla Band em Dublin, no The Loft, dos Wilco, em Chicago (Jeff Tweedy toca guitarra em "My Soul/Half Pint"), e, finalmente, com a música e produtora, Cate Le Bon no vale do Loire, em França (“A maneira como ela fala, a linguagem que usa é ideal para um produtor que realmente te entende. Ela não fala de uma maneira seca e técnica, mesmo tendo um ouvido apurado para isso", confessou Tom Dowse à "Far Out Magazine") às canções concisas, mordazes e enérgicas, acrescentam-se agora aproximações à sonoridade folk - o bandolim da faixa-título, o finger-picking de "Let Me Grow And You’ll See the Fruit" - em matrimónio feliz com as guitarras avinagradamente distorcidas e a revelação da lista preventiva de incómodos que podem seriamente desnortear miss Shaw: "Being interrupted by a video call or a survey or a dick pic or a loud bang or a smell that comes up". Tomar nota.
Isto não é tudo demasiado adolescente, excessivamente ignorante 
e insuportavelmente idiota?...

12 February 2026

Evidentemente
"Secret Love (Concealed in a Drawing of a Boy)" (legendas disponíveis)
 
(sequência daqui) Musicalmente, a banda oferece uma estrutura tensa e discreta que dá espaço para as palavras de Shaw respirarem. A música acumula lentamente tensão através de insistências e mudanças subtis. Este minimalismo reflecte o conteúdo emocional: os sentimentos não explodem para fora, mas pressionam para dentro, contidos dentro de limites estreitos. O que torna Secret Love particularmente magnético é a música não se resolver numa narrativa clara ou numa conclusão emocional. Não há nenhuma grande confissão, nenhuma reviravolta dramática. Em vez disso, ela termina da mesma forma que começa, deixando-nos suspensos na ambiguidade. A narradora parece cercada por linguagem, referências e estímulos, mas ainda assim instalada nos seus próprios pensamentos. (segue para aqui)

09 February 2026

(com a colaboração do correspondente do PdC em Pequim)
"Let Me Grow and You'll See The Fruit" (legendas disponíveis) 
 
(sequência daqui) Aí germina uma sensação de intimidade paradoxal: sentimo-nos próximo dela, mas sempre mantidos seguramente à distância. Ela não canta no sentido convencional; ela relata, enumera e narra. Em “Secret Love”, por exemplo, soa como alguém que pensa em voz alta, mas escolhendo cuidadosamente quais pensamentos são seguros para revelar. O próprio título implica ocultação e contenção, e a performance incorpora essa ideia. As guitarras são limpas e repetitivas, muitas vezes presas a loops simultaneamente reconfortantes e claustrofóbicos. As linhas de baixo, potentes e propulsoras, escoram as canções e conferem-lhes um sentido de movimento. Tudo parece girar em torno de algo imposível de nomear. A lenha para a fogueira é constituida por fragmentos da vida quotidiana, monólogos internos e imagens fugazes. (segue para aqui)

05 February 2026

"The Cute Things" (legendas disponíveis)
 
(sequência daqui) Entretenham-se, então com “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim”; “my dream house is a negative space of rock”, “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery”, “pilgrimage, private life, mortality, deep shock felt in the body", "a shell fallen down and dead, curled, like a heavy downy baby goose”, que ela permanecerá "waiting inside a talcum powder box, for you to lift the lid and discover me and lift me gently into your palm". No plano de acção estética mantêm-se a concisa instrumentação pós-punk - guitarra, Tom Dowse; baixo, Lewis Maynard, bateria, Nick Buxton, e a recém-acolhida Cate Le Bon na missão de produtora - em paleta sonora rigidamente controlada, com a voz de Florence, plana e declarativa, enquanto eixo central: ela soa menos como uma observadora distanciada e mais como alguém que trata de documentar cautelosamente os pensamentos em tempo real, através da elaboração de listas, recolha de fragmentos e detalhes aparentemente mundanos. (segue para aqui)

02 February 2026

CERCADOS PELA LINGUAGEM
No "Guardian", Alexis Petridis encontrou aquela que é provavelmente a melhor forma de caracterizar o papel da voz de Florence Shaw nos Dry Cleaning: "É um pouco como dizia o Stuart Moxham dos Young Marble Giants acerca da Alison Statton: 'Ela canta distraidamente como se estivesse na paragem, à espera do autocarro". Na verdade, Florence mal chega a cantar: da colagem de cut-ups e spoken word a que quase apaticamente se entrega qual Laurie Anderson dadaísta, resulta o que, ao longo dos três álbuns publicados - New Long Leg (2021), Stumpwork (2022) e, agora, Secret Love (2026) - foi encarado como poesia post-punk, sismogramas beatnick e surreal excelência idiossincrática de poetas punk londrinos. Nada, porém, de estratégias furtivas, jogos de dissimulação ou evasão. Apenas uma questão de acreditar numa ética do trabalho peculiar: "I make sure there are hidden messages in my work”. E de se manter fiel ao método que assegura que "the ordinary is worth mining for the extraordinary". (daqui; segue para aqui)
 
"Cruise Ship Designer" (legendas disponíveis)
 

01 February 2026


("CM")

Edit (02/02/2026) - ... e, do Sumo Patífice, não se espere melhor...
Music belongs to everyone. This principle, which was at the root of a socialist campaign to democratize musicianship in Hungary after World War II, should be part of a push for universal music literacy today

"You Stare" (daqui, álbum integral aqui)