03 June 2016

STREET ART, GRAFFITI & ETC (CLXIX)

Lisboa, Portugal, 2016

"Dawkins’s Law of Conservation of Obscurity states that obscurantism in a subject expands to fill the vacuum of its intrinsic simplicity. Academics sometimes language up their writing to conceal how little they have to offer. Francophoneyism – postmodern metatwaddle – is a smokescreen designed, possibly not deliberately, to make shallow authors seem profound"

(daqui; rever aqui)
Firmes e inamovíveis 
 

02 June 2016

Ok, para além de imbecil, a "taróloga" é reaccionária e perigosa; mas, mais importante do que isso, é compreender que se situa exactamente no mesmo patamar de credibilidade das seitas de curandeiros que a ala fricolé do Bloco muito aprecia

... e haja um mínimo de reconhecimento e justiça: a Cavaca a fazer de irmã Lúcia! (e, já agora, o Barahona Possollo para a cenografia)
Deve ser como dizia um "anónimo" numa caixa de comentários, ali atrás: "Estamos no campo da comunicação gráfica, caramba!"
 
(daqui)
DIZER A VERDADE


Em Fevereiro do ano passado, aquando da atribuição do galardão MusiCares Person Of The Year pela National Academy of Recording Arts & Sciences, Bob Dylan – como não faz desde que, há doze anos, publicou o primeiro (e, até agora, único) volume das Chronicles –, no discurso de aceitação, abriu o baú das memórias e falou sobre as suas canções e tudo o que, em torno delas, gira. Começou por afirmar que as vê enquanto "'mystery plays' do género daquelas a que Shakespeare assistiu quando jovem; suponho que a origem do que faço poderá recuar até aí. Estavam nas margens e nas margens continuam, após uma caminhada por terrenos escarpados”. A seguir, depois de oferecer uma pessoalísima definição dos blues (“são uma combinação de violinos árabes e valsas de Strauss a tentar resolver um problema”), enumera diversas peças e autores e, a partir deles, estabelece a genealogia do seu cancioneiro: “Não se deixem enganar, todas estas canções estão relacionadas. Apenas abri outra porta de um modo diferente, dizendo o mesmo. Não me pareceu nada de extraordinário, pensei que era uma coisa muito natural. Estas canções não cairam do céu, tinham uma ascendência: a folk tradicional, o rock’n’roll tradicional e as big-bands de swing tradicionais”.



Nas Chronicles, tinha já dito algo semelhante quando confessara que “nas canções de Harold Arlen, conseguia ouvir os blues rurais e a música folk”. Não espanta nada, por isso, que tanto em Shadows In The Night, do ano passado, como, agora, com Fallen Angels – volumes I e II da expedição ao Great American Songbook – se tenha lançado sobre o reportório de Arlen mas também de Johnny Mercer, Hammerstein & Rodgers, Irving Berlin, Jimmy Van Heusen, Hoagy Carmichael, Sammy Cahn e vários outros clássicos, unidos pela circunstância de todas as canções (à excepção de "Skylark") terem sido interpretadas por Frank Sinatra. De certo modo, é também uma forma elegante de reparar a injustiça de há meio século quando foi um dos responsáveis por todos esses terem sido expeditamente despachados para o arquivo morto da história da música popular norte-americana (na introdução de "Bob Dylan’s Blues", em The Freewheelin’ Bob Dylan, 1963, podemos escutar a sua gabarolice juvenil de que “ao contrário das canções que, hoje, vêm lá de cima, da Tin Pan Alley, na 'uptown' de Nova Iorque, esta não foi escrita lá, escrevia-a cá em baixo, nos Estados Unidos”), como se os tempos que estavam a mudar precisassem obrigatoriamente de apagar o tempo que os precedia.


Mas, há um ano, em Los Angeles, Dylan, pensando muito provavelmente nos que torceram o nariz à ousadia de abordar o reportório de Sinatra, não conseguiu também impedir-se de disparar: “Há críticos que dizem que canto como um sapo. Porque é que não dizem o mesmo de Tom Waits? Dizem que não tenho voz. E Leonard Cohen? Porque tenho eu um tratamento especial? Dizem que desafino e falo mais do que canto. A sério? Nunca ouvi isso acerca de Lou Reed”. E, socorrendo-se de uma figura de autoridade, contou que Sam Cooke, quando lhe elogiaram a sua bela voz, respondeu:”É muito amável mas as vozes não devem ser avaliadas pela beleza. Apenas são importantes se são capazes de nos convencer que estão a dizer a verdade”. E, em Fallen Angels, logo na primeira faixa, "Young At Heart", diz uma verdade, (“If you should survive to 105, look at all you'll derive out of being alive! And here is the best part, you have a head start if you are among the very young at heart”) que é seguramente mais convincente na boca de um homem de 75 anos do que na do Sinatra de 38 que a gravou em 1953.

01 June 2016

VINTAGE (CCCVIII)

Annette Peacock - "The Succubus"

... e pagar IVA até um belíssimo negócio em troca da possibilidade de, sem ir parar à choldra, poder exercer actividades não-médicas cuja cientificidade deveria ser equiparada à das práticas do professor Karamba

(clicar na imagem para ampliar; daqui)

(ver aqui)
Só branduras... insistamos 
em "la guillotine" (XLVI)

Convinha reforçar a credibilidade do documento elaborado por "uma equipa do departamento de Estudos Económicos liderada pelo ex-ministro Álvaro Santos Pereira" com outros de departamentos dirigidos, sei lá, por Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque
Aquele extraordinário momento em que Umberto Eco falou sobre JRS a JRS e ele não percebeu

"JRS - O Pêndulo de Foucault é um romance sobre o oculto. Interessa-lhe o oculto em si, ou antes as narrativas sobre o oculto?
UE - A mim interessa-me e fascina-me a estupidez humana. É por isso que O Pêndulo de Foucault contou uma história de estupidez. Fascina-me todo o mundo destes crentes no oculto. Fascina-me a estupidez, sabendo que é estupidez" (daqui)

O COISO


Há duas semanas, a Penguin Random House anunciou que, no próximo mês de Setembro, irá publicar uma versão "abreviada" de O Código da Vinci, de Dan Brown, dirigida a um público “young adult”, isto é, leitores entre os 14 e 21 anos. Brown mostrou-se entusiasmado com o projecto e, num registo próximo da ficção de terror, confessou que, se não tivesse sido, digamos assim, escritor, seria, seguramente, professor. Na realidade, há que reconhecer que ele está em perfeitíssima sintonia com as mais actualizadas tendências pedagógicas como, por exemplo, as que foram defendidas, no congresso “Língua Portuguesa: Uma Língua de Futuro”, realizado em Coimbra, em Dezembro último. Procurando-se um cânone literário para os sistemas de ensino dos países de língua portuguesa, aí se propôs que “as obras devem privilegiar textos de natureza narrativa e descritiva, de mais fácil compreensão por parte dos destinatários ideais que são os alunos dos vários graus de ensino”. Generosamente, admitir-se-iam excepções como Eça de Queiroz e Machado de Assis. Mas nada de exageros que as jovens mentes são frágeis e fatigam-se com facilidade.


Pelos vistos, até com a sofisticadíssima literatura de aeroporto de Dan Brown que, insatisfeito com as vendas de 82 milhões de exemplares do Coiso da Vinci – também, aliás, no top de livros doados para venda em segunda mão nas lojas da Oxfam, o que demonstra a profunda admiração que suscitou em quem o leu -, deseja, agora, levar até aos moços uma versão previamente mastigada da trafulhice “histórica” através da qual deu uma nova vida ao mercado literário dos “esoterismos” com molho de templários, Santo Graal, Opus Dei e detalhes tórridos, inéditos e escandalosos sobre a vida íntima de personagens de ficção como Jesus e Maria Madalena. E é aqui que seria interessante averiguar se Brown é fã dos Jefferson Airplane. Porque, em 1972 (31 anos antes do Coiso), no álbum Long John Silver, em "The Son of Jesus", Grace Slick & Cº tinham já o "plot" inteirinho: “Jesus had a son by Mary Magdalene (...) Jesus raised him loud, mother Mary raised him proud (…) the child knew the secrets of Egypt and Isis (…) So you think young Jesus Christ never had a lady and you think young Mary never saw him smile wide and free, you won't read it in the Bible”. Houvesse um mínimo de gratidão e os Airplane teriam ganhado uns cobres valentes figurando na BSO do pastelão cinematográfico – "d’après" o Coiso - de Ron Howard...