Can't abide
Soul suicide
Got to take
A faster rife
Grab the cash
And spend my time
Romancing in
A warmer clime
The one they could not stop
The one they had to top
Mesrine
Law is obscene
Hot lead don't make the flics so keen
Mesrine
With front supreme
Acting out the poor man's dream
Aint gonna dwell
Inside no cell
Gonna give
Those judges hell
Live my life
By guns and chance
The best thing to
Come out of France
TOP DE ÁLBUNS - 2006 (revisão da década anterior - VII)
(clicar na imagem e, a seguir, usar a lupa)
"Adquirira o hábito de olhar à minha volta, de observar as pessoas com quem me cruzava na rua, no metro, na tasca onde fazia as minhas reflexões do meio-dia. Que é que via? Caras tristes, olhares fatigados, indivíduos desgastados por um trabalho mal pago, mas obrigados a fazê-lo para sobreviver, apenas podendo dispor do mínimo essencial. Seres condenados à mediocridade perpétua: seres parecidos uns com os outros, quer no trajar, quer nos problemas financeiros do fim do mês. Seres incapazes de satisfazer os seus mínimos desejos, condenados a ser sonhadores permanentes frente às montras de luxo e às agências de viagens. Os estômagos, clientes habituais do prato do dia e do copinho de vinho tinto ordinário. Seres que conhecem o futuro por não o terem. Robôs explorados e paralisados, respeitadores das leis, mais por medo do que por honestidade moral. Submissos, vencidos, escravos do despertador.
Eu fazia parte deles por obrigação mas sentia-me estranho àquela gente. Não aceitava. Não queria que a minha vida estivesse previamente resolvida, nem que fosse decidida por terceiros. Se às seis da manhã tivesse vontade de fazer amor, queria ter tempo de o fazer sem olhar para o relógio. Queria viver sem horas, considerando que o primeiro constrangimento do homem nasceu no momento em que ele se pôs a calcular o tempo. Todas as frases habituais da vida corrente me ressoavam na cabeça... Não são horas de...! Chegar a tempo...! Ganhar tempo...! Perder tempo...! Eu queria 'ter tempo para viver', e a única maneira de lá chegar era não ser escravo dele. Sabia como a minha teoria era irracional, que era inaplicável como fundamento de uma sociedade. Mas o que era essa sociedade sem os seus belos princípios e as suas belas leis?". (O Instinto de Morte: Autobiografia De Um Fora-Da-Lei - Jacques Mesrine)
No caldo de cultura pop largamente
dominante em que a inspiração tende a funcionar através do método de
aspiração-Hoover do passado, as águas dividem-se entre aqueles que negam
peremptoriamente as provas óbvias da matéria aspirada e os outros que as exibem
triunfantemente como se de troféus de caça se tratasse. Com Laura Marling, as
coisas passam-se de um modo algo diferente: não só é ela a primeira a admitir
que, quando, aos seis anos, começou a aprender a tocar guitarra, a primeira
canção que o pai lhe ensinou foi "The Needle And The Damage Done", de Neil
Young, e que, praticamente, bebeu do biberão Joni Mitchell, Bert Jansch e James
Taylor, como, hoje, é, justamente, gente como Young, Graham Nash ou Joan Baez
que se confessa fã da filha do quinto baronete de Marling, cujo lema de
família, Nulli Praeda Sumus (“Não somos presa de ninguém”), Laura tatuou no
pulso direito.
Once I Was An Eagle poderá, facilmente, deixar-se inscrever no
género dos álbuns “confessionais” – de que Mitchell et alia foram os praticantes máximos, entre uma multidão de
discípulos menores que chegaram a transformar "singer-songwriter" num insulto bem pior do que “palhaço” – mas,
note-se, num subcapítulo das refregas sentimentais em que Laura Marling não
abdica do estatuto de predadora. Experimentem este percurso: “When we were in love, I was an eagle and
you were a dove”, “I’m a master hunter, I cured my skin, now nothing gets in”, “I
will not be a victim of romance, I will not be a victim of circumstance”, “Once
is enough to make you think twice”, “You weren’t a curse, thank you naïveté for
failing me again, he was my next verse” e “Give me something, let me go, tell
me something I don’t know”.
Mas, se lhe acrescentarem “You want a woman
who’ll call your name, it ain’t me babe, no, no, no, it ain't me babe”, isso,
por interposto Dylan, ajudará a compreender como Marling, ainda só no quarto álbum
(após Alas,
I Cannot Swim, 2008, I Speak Because I Can, 2010, e A Creature I Don't
Know, 2011, todos, como este, com títulos de seis sílabas) se mostra
suficientemente confiante para citar os clássicos e – escutando os seus 63
minutos –, ao mesmo tempo, reclamar para si uma genealogia musical não menos
aristocrática do que a da sua família de sangue: a de Roy Harper, John Martyn,
Nick Drake, Van Morrison ou dos Byrds (se quisermos aproximar mais
conspirativamente a cronologia, pense-se, igualmente, em Sometimes I Wish We
Were An Eagle, de Bill Callahan, 2009). Quase conceptual na estrutura (suite
inicial de uma única peça desdobrada em cinco títulos, coda, interlúdio e
desfecho final em oito andamentos), austero na utilização praticamente
exclusiva de guitarras,
violoncelo e percussão – mas o Hammond, oh quão dylaniano!... de ‘Where Can I Go?’ –, é o perfeito lugar geométrico onde todos os elementos
se combinam, expandem e transfiguram, a evocação das 12 cordas de Roger McGuinn
convive com modalismos tão orientais como ibéricos e, à discretíssima boleia de "It's Alright, Ma(I'm Only Bleeding)", em "When We Were Happy", Laura Marling, por um segundo, nos
obriga a pensar com ela: “I look at people in the city and wonder if they’re
lonely or like me they’re not content to live as things are meant to be”.
Como é que era aquela cena de tirar partido das contradições no seio do inimigo?
Que os 88 anos do senhor não nos impeçam de dizer que isto é tudo bastante patético
In the digital economy, we'll soon all be working for free – and I refuse
"(...) Governments play up the idea that a digital future creates jobs rather than eats them up. Culturally, there is now a fantasy world of start-ups and blogs and YouTube TV where a very few people manage to make money but most work simply for 'experience'.
In an interview with Scott Timberg for Salon, [Jaron] Lanier gives a potent example: Kodak used to have '140,000 really good middle-class employees. Instagram has 13 employees, period'. He describes a winner-takes-all world, with a tiny number of successful people and everyone else living on hope. 'There is not a middle-class hump. It's an all-or-nothing society'.
We can shrug and say it's just another industrial revolution, a move from formal to informal work, the whole 'portfolio' number. But where is the social contract, then, if it 'doesn't tide you over when you're sick and it doesn't let you raise kids and it doesn't let you grow old?' (...)"(texto completo aqui)
05 June 2013
France: "It's only the beginning", says Inna Shevchenko of FEMEN
E o que deve fazer-se a quem comete "erros grosseiros"? E como se reparam os "erros grosseiros" cometidos? E como se procede com quem não se limitou a colaborar com os "erros grosseiros" mas se reivindicou de ser dos melhores entre os melhores a cometer "erros grosseiros"?